Uma burka para a Heloísa!

Heloísa Apolónia é uma das caras mais conhecidas do nosso Parlamento. Isto poderia parecer paradoxal já que o seu "partido" ("Os Verdes") tem tanta representatividade no panorama político nacional como a secção de damas da sociedade recreativa do meu bairro. No entanto, o partido ecologista não é mais do que uma espécie de filial do Partido Comunista Português que o utiliza para poder concorrer às eleições como coligação, não sendo assim obrigado a mostrar nos boletins de voto o odioso emblema da foice e do martelo. Um perfeito partido melancia (verde por fora, vermelho por dentro) como o descrevia há muitos anos o bom do Gonçalo Ribeiro Telles, pessoa que, como se sabe, não percebe rigorosamente nada de natureza...

É portanto, como deputada comunista encapotada que a Heloísa aparece frequentemente nas nossas TV's, sempre com um ar indignado e a voz a querer ir "lá para cima", como quem diz, "ou me dão atenção, ou ficam com uma dor de cabeça!". É o PCP, repito, que dá tempo de antena a esta personagem.

E a Heloísa aproveita bem os seus momentos para nos fazer lembrar porque razão a maior parte das pessoas não vota nos comunistas: ontem, por exemplo, esta criatura, deputada da Nação e paga com o dinheiro dos contribuintes (deriva populista aqui...) surgiu indignadíssima (era preciso referir isto?) com o (pretenso) facto de o presidente do BCP-Millennium ter oferecido os préstimos da sua instituição para passar aos EUA informação sobre as finanças iranianas caso fosse permitido ao nosso maior banco privado fazer negócios na terra dos Ayatollas.

Como é que isto pode acontecer?! É preciso esclarecimentos! - diz a Heloísa perante as câmaras. O espetador, mais ou menos a medo, já com as mãos perto dos ouvidos (não vá a indignação subir de tom) concorda: como é que se pode fazer negócios com um país onde a lei islâmica é aplicada, as mulheres são humilhadas e tidas como seres secundários, a pena de morte existe para coisas como o adultério, o apedrejamento é forma de execução, o Estado é tirânico, o regime professa a intolerância religiosa, as mais altas figuras políticas negam publicamente o Holocausto enquanto apelam à extinção física de Israel, etc. e por aí fora?! Não se pode, já se vê! A Heloísa tem razão: é preciso esclarecimentos!

Mas, depressa o ingénuo cidadão se desilude porque a Heloísa entra a matar: "passar informações aos Estados Unidos?!" Então, um banco português oferece-se para passar informações ao regime americano? E, ainda por cima - acrescento eu -, um banco privado!

Por esta altura, o espetador tira mesmo as mãos dos ouvidos e, quer a Heloísa puxe pela voz, ou não, as orelhas têm de cumprir bem a sua função: ouvir o que a mulher diz. O cidadão, até ajuda, para perceber melhor... O problema da nossa deputada não é que o BCP queira lucrar fazendo negócios com o Diabo mas sim que, depois, vá contar coisas aos americanos... A incredulidade instala-se no ouvinte mas, tão depressa como veio, surge-lhe a recordação de que esta mulher pertence ao mesmo grupo de indivíduos que tem como líder parlamentar um rapaz que considerou a Coreia do Norte um "exemplo de democracia". E, aí, fica no ar uma pergunta: não devia esta gente ser mandada para o quinto dos infernos? A Heloísa, por exemplo, ficaria maravilhosa numa burka (lenço só não bastava, era preciso tapar tudo) e, se de caminho a proibissem de falar, não só os homens agradeceriam como o próprio Alah se sentiria no céu.

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