Lúcia Moniz no Olga Cadaval

Lúcia Moniz no Olga Cadaval parecia uma ótimo pretexto para um passeio de fim de semana de trabalho: música agradável num espaço de qualidade seguida de um passeio noturno pelas ruas da vila encantada.

À chegada, sou informado de que, não estando o recinto esgotado, poderia sentar-me na plateia. Há males que vêm por bem e a pouca sorte da artista permitiu-me ver o concerto nas primeiras filas em vez de lá em cima, no balcão. Azar de quem comprou um dos bilhetes mais caros...

Com a plateia confortavelmente preenchida, começou o espetáculo. Lúcia Moniz apresentou-se com um visual de menina, vestido com saia de folhos e manga curta com o mesmo efeito, enfatizando porventura uma certa imagem de "namoradinha" que muitos vêem nela e que tem, concerteza, raiz naquele ar de boa gente que partilha com o seu sempre bem disposto pai (Carlos Alberto Moniz). No palco, três candeeiros de pé alto davam um ar intimista, complementados por um conjunto de "globos" de papel pendurados do teto. Até para concertos a IKEA vende...

Ao contrário do que é mais comum ver-se por aí, este espetáculo não começou "a abrir" de modo a espevitar as hostes mas sim num tom lento, calmo. O público parece ter gostado e, diga-se, nunca rogou, ao longo da atuação, aplausos à artista. A mim, a coisa pareceu-me morna...

Tendo como pretexto o lançamento próximo de mais um álbum, o concerto de Sintra servia, naturalmente, para apresentar novos temas e "testá-los" junto do público. A avaliar pela reação geral (ainda que descontando os inúmeros amigos e familiares presentes), as músicas agradaram mas a verdade é que o repertório pós-"Magnólia" está longe de fazer juz a esse magnífico trabalho de estreia. Talvez correndo o risco de ser algo injusto, Lúcia Moniz parece ser um daqueles casos de "artista de um só álbum", tal é a diferença de qualidade entre o disco produzido por Nuno Bettencourt e os posteriores trabalhos. "Magnólia" foi um disco soberbo que, a ser posto nas mãos de uma Alanis Morissette - ou mesmo de uma Natalie Imbruglia -, teria vendido aos milhões. A falta de uma adequada máquina promocional e a multipersonalidade linguística (qual a ideia de se editarem discos bilingues?) ditaram o acantonamento do êxito ao bom velho retângulo (e ilhas adjacentes). Uma pena para todos...

Lúcia Moniz parece ter caído numa espécie de monotonia, sucedendo-se temas que não agarram, não marcam... e que apresentam uma assinatura que os faz serem facilmente identificáveis enquanto obra de quem são sem que isto implique o reconhecimento de um estilo mas tão-só de uma falta de inspiração. A bonita voz de Lúcia (que não esteve a 100%) não é suficiente para dar vida a canções que, pura e simplesmente, vivem de uma espécie de autoplágio. Para piorar a coisa, estas "cópias" não têm como modelo o melhor de Lúcia Moniz mas sim os seus temas mais banais.

Mas o público parecia gostar. E também gostou das inúmeras declarações de amor com que Lúcia Moniz fazia a ligação entre os temas: à mãe, à filha, à família, aos amigos, à Catarina Furtado, aos músicos, aos letristas... Enfim, um desfilar de emoções que, em dose q.b., poderiam servir para gerar na sala um ambiente familiar, "aveludado", mas que, à força de serem tantas (e tão longas), me acabaram por parecer chatas. Salvou a coisa a espontaneidade da artista e os seus divertidos - e inocentes -, apartes que levaram a plateia à gargalhada geral várias vezes. No fundo, era o efeito "namoradinha" funcionando, uma característica subaproveitada na artista que, noutras latitudes, talvez tivesse sido encaminhada para um modelo do tipo "ídolo pop para rapariguinhas adolescentes".

Mas o riso e o à-vontade não esconderam as deficiências. A nível musical foi notória a preferência das pessoas presentes pelos temas "antigos" (ainda que descontando a distanciação provocada pelo desconhecimento das novas músicas), e, a nível técnico, a falta de preparação de Lúcia Moniz foi responsável por alguns momentos perfeitamente escusados, como os persistentes "guinchos" da guitarra numa balada acústica onde a cantora teimava em não conseguir carregar bem numa qualquer corda ou a confrangedora inexistência de um ou mais temas preparados para o inevitável "encore" e que levou Lúcia Moniz a uma espécie de improviso tocando (ou tentando) tocar, sozinha e à viola, um dos seus mais conhecidos temas. A artista confessou previamente que não tinha nada planeado, que ia ver se ainda se lembrava de como se tocava a música, falhou na letra a meio valendo-se do público que cantava em coro ("Vai, vocês é que a sabem!" - gritou Lúcia, divertida) e terminou abruptamente o tema depois de um solo de guitarra feito com...a voz. Podia ter sido engraçado (foi-o em certa parte) mas também demonstrou uma falha de profissionalismo de toda a equipa ao não prever nada para um momento que nunca falha em qualquer espetáculo! Como dizia Jorge Palma há uns anos, num concerto na zona de esplanadas do Centro Comercial Vasco da Gama: "Esta é aquela parte em que eu me vou embora e vocês batem palmas para eu voltar, portanto, vamos poupar tempo e tocar já mais umas...".

O concerto fechou com a repetição do tema que - espera Lúcia Moniz -, irá andar pelas rádios lá mais para o verão: uma canção arrastada, algo intimista e... em Inglês.

E não se pode matá-los?

Poder... podia-se, mas era chato. E deixávamos de nos rir com com a profunda estupidez e rudeza das personagens desta peça em cena n'A Comuna. A violência, os complexos, a hipocrisia... tudo ali, à nossa frente e à nossa volta, que este espetáculo tem a particularidade de ser visto em pé, junto aos atores, partilhando público e artistas o espaço habitualmente reservado aos segundos.

Uma peça fresca e divertida que só peca por alguns tiques politicamente corretos impostos pela costumeira visão de que a violência maior é a ritual e a de reação. Ainda assim, ultrapassando esse pormenor (em que, porventura, a companhia depositará esperanças), restam-nos momentos absolutamente hilariantes como, por exemplo, o número de Fado interpretado por Carlos Paulo.

A não perder!

PS: Preço? Cinco euros... Querem melhor?

Uaninauei: metal à alentejana


Eles bem podem dizer que tocam rock ou "alternativa" ou "rock progressivo" mas, para mim, isto é metal do bom. E em Português!!!

5 para a meia noite



Por isto vale a pena ficar acordado até tarde :)

Vontade de chatear (20)

Há lugar para estacionar à esquerda? Há.
Há um passeio enorme à direita? Há.
Há uma zona de acesso e descarga para fornecedores da Fundação Gulbenkian? Há.
Então, onde é que se estaciona a carrinha? Na pista dos ciclistas!


Se isto não é vontade de chatear os outros, é o quê?

Uma colheita diabólica


Diretamente das verdadeiras vinhas da ira (algures em Itália) e à venda em Roma.

Música portuguesa!

Quem costumar andar por este blog reparará num novo espaço à direita, com um vídeo. É uma seleção de música pop/rock nacional feita por mim, composta por cerca de 200 temas (já está na calha mais uma outra lista) e que são, apenas, uma pálida amostra de uma das muitas riquezas deste país: a música.

Divirtam-se e ouçam muita música boa. Da nossa!

Morreu Gary Moore

Mais uma grande figura do hard'n'heavy que nos deixa. Nos anos 80 veio a Cascais onde eu não o fui ver porque achei que 1500$00 (€ 7,5) era muito... (como mudam os tempos - e os preços...).

Fica aqui a homenagem com um dos (muitos) grandes temas do álbum Wild Frontier, quando Moore ainda não tinha abandonado a música "pesada" em favor dos Blues. Depois, perdi-o. Agora, perdê-mo-lo todos nós.

Ah, o Cairo...


A minha reação ao que se passa no Cairo só pode ser uma...


A selva de Chelas

Segundo cientistas que estudam o "crocodilo de Chelas" - um fóssil encontrado nesta zona da capital -, a conhecida área lisboeta terá sido, em tempos, uma floresta tropical.

Dá que pensar naquela velha máxima "a História é uma velha senhora que se repete sem cessar", não?

O Vitinho no Google


O logotipo do Google é, hoje, dedicado ao Vitinho :)

O Egito e o FMI

Já repararam que desde que rebentou a "revolução" (para já, é apenas uma revolta mas a malta gosta é de termos exagerados), já não se fala no FMI? Sim, o único assunto de que se falava praticamente desapareceu. Das duas uma, ou o FMI, afinal, não era importante (e os jornalistas são uns mentirosos histéricos) ou o Egito é mais importante do que a nossa terrível crise (e, nesse caso, os jornalistas são uns irresponsáveis). Em que ficamos?

A PSP serve para quê, afinal?

Meia-noite e vinte, Gulbenkian: dois agente da PSP conversam amenamente com um terceiro indivíduo que estacionou o carro completamente em cima do passeio de modo a poder sentar-se sobre o capot, de frente para o "casal" de polícias, no portão do jardim mais próximo do Centro de Arte Moderna. Mais à frente (vinte metros), um outro indivíduo, sem qualquer hesitação, dá um pulo sobre o muro e penetra no jardim da fundação. Ninguém viu nada, claro. Nem os agentes que estavam na conversa, nem o amigo que com eles confraternizava... E mesmo que estivessem a cumprir o seu dever, o mais provável era que os polícias continuassem a não ver nada porque o sítio onde gostam de estar é dentro do jardim, numa curva cega que não lhes permite vigiar nada (o jardim tem um muro de um metro de altura) e não cá fora onde poderiam controlar quase cem metros de jardim.

Talvez o penetra apenas fosse aliviar a bexiga... Mas, a pergunta que eu faço é: que raio de agentes são estes que não só não têm qualquer noção de posicionamento como, ainda por cima, se dão ao luxo de se entreterem em conversas às tantas, quando deviam estar ativamente controlando um dos grandes tesouros do país?

Se a pergunta lhes fosse feita, certamente argumentariam com a falta de condições de trabalho, os baixos ordenados, a ausência de subsídio de risco, a qualidade das fardas, a falta de treino com armas de fogo ou qualquer outra das desculpas usadas para explicar o laxismo e a incompetência de tantos dos nossos agentes da PSP.

É irritante! No mínimo...