Bom apetite, má digestão

Por indicação de um dos apresentadores do "5 para a meia noite" (via TV, entenda-se) fui à Casa da Comédia para ver a comédia "Bom apetite". Ir a este teatro é sempre um duplo prazer porque, para além da diversão, há ainda a bonita envolvente a pedir um passeio noturno. Desta vez, porém, a coisa ficou-se pela voltinha. A peça "Bom apetite" é a história de um botequim decadente, à beira de fechar por falta de clientes e está indicada como sendo uma comédia. "Indicada", digo eu mas não aprovada como tal. No que diz respeito à capacidade de fazer rir (é isso que se pretende no género), este trabalho (apesar de tudo, razoavelmente interpretado pela única pessoa em palco) é tão eficaz como um vídeo de um funeral. Piadas, se existem, mal se notam porque o texto parece não passar de um infindável contínuo de pequenos nadas e desinteressantes banalidades nascidas da presença de objetos no cenário.

O início da peça, com um faduncho introdutório do tema até prometeu e, provavelmente, arrancou-me os únicos sorrisos da fria noite (pela temperatura na sala e pelo pouquíssimo público presente) mas imediatamente notei que, a partir dali, pouco sumo sairia do desinspiradíssimo texto. Há qualquer coisa de errado quando se permite que coisas tão evidentemente más subam ao palco. Só não saí da sala por um sentimento de vergonha e porque, apesar de tudo, há que respeitar a pessoa que, à nossa frente dá o seu melhor para defender um texto alheio.

Não tivesse o preço da entrada sido tão barato (EUR 5) e a comédia ter-se-ia transformado num perfeito drama. O termo "preço de crise", usado pela publicidade à peça, bem podia acrescentar que a maior das crises é a de qualidade da autora, uma cidadã espanhola que, não contente por não ter jeito para graças, ainda acha que o cartaz de uma peça representada em Portugal, por uma portuguesa, para o público português e patrocinada por entidades portugueses, deve ter parte do texto escrito em... Espanhol. Em distrações destas eu não acredito.

Sem comentários: