Roger Waters no Pavilhão Atlântico

Primeira noite das duas de Roger Waters em Lisboa. Dia inicial da digressão europeia da obra maior dos Pink Floyd. O pavilhão estava - como se esperaria -, cheio. A mistura de idades e classes sociais era total. À nossa frente, um palco ocupando toda a largura do pavilhão, com o "fatal" muro parcialmente montado.

O espetáculo foi um festival visual, baseado, sobretudo, em conteúdos originais (ou adaptados) e apenas recorrendo a imagens do filme nalguns pontos. Houve, portanto, imensa novidade para nos encher os olhos (eu ia escrever isto no singular mas parecia mal...).

A única coisa que não funcionou na perfeição foi a colocação das cintas suspensas com altifalantes e que tapavam a vista do écran central, de forma redonda (todos o conhecemos, certo?). De resto, perfeição, perfeição, perfeição...


Pontos altos da noite:

1) a acústica: mais uma vez se provou que o Atlântico tem boa acústica. É preciso é que os técnicos saibam do que fazem e não abusem no volume. O som, ontem, estava límpido e, pela primeira vez em muitos anos, não coloquei tampões nos ouvidos.

2) a obra-prima: The Wall é uma obra-prima da música de todos os tempos. É uma daquelas coisas que se entranha em nós ao ponto de todas as notas nos parecerem familiares.

3) o preço: são concertos destes que me fazem recusar terminantemente a ir ver uns Manowar (EUR 38), AC/DC (EUR 50), Madonna (EUR 60) ou Bon Jovi (EUR 50). Há limites para a chulice.

4) a menor demagogia: há que olhar, por vezes, para o lado perante a damagogia barata acerca dos "totalitarismos" económicos e políticos mas também há que convir que o homem já não se limita a olhar para um dos lados da barricada.

5) a execução: com uma ou outra variação, o The Wall foi tocado na perfeição (em termos técnicos e de respeito pelo original). Faltou a voz doce de Gilmour mas o seu substituto portou-se bem. Já Roger Waters canta ao vivo como num disco. Perfeito!

Para nunca mais esquecer!!!

1 comentário:

José Carlos disse...

Olá.

Já leio este seu blog há algum tempo, concordo com grande parte do que escreve, naturalmente discordo de alguma coisa. Neste seu post concordo com tudo. Foi uma noite mágica, emocionante, vibrante. A actuação foi perfeita (as cintas a mim não me tapavam a vista do palco), o som era límpido. "The Wall" é a obra prima dos Pink Floyd e uma das obras primas musicais de sempre. Na segunda-feira foi tocado brilhantemente. Esta noite ficará marcada na minha memória para sempre: O melhor concerto da minha vida, apesar de novo, tenho muitas dúvidas se alguma vez assistirei a algum parecido sequer.

Um abraço.

JCP