Os Clã aterraram no CCB

Há gente que parece não conseguir fazer coisas más. Os Clã, atuais representantes da melhor música tripeira, parecem pertencer a essa classe de privilegiados. Seja em estúdio, seja em palco, a trupe liderada por Manuela Azevedo é uma coisa a não perder.

Ontem, a sala principal do CCB recebeu a apresentação do novo disco da banda ("Disco voador"), um trabalho supostamente de inspiração infantil e que, por isso mesmo, teve a assistir ao concerto muita pirralhada. Mas, felizmente para os mais velhos, o que para os Clã é um reflexo da inspiração que lhes causa o mundo dos mais pequenos, é, afinal, um disco tão audível como qualquer outro que a banda tenha produzido. Que ninguém se engane: lá porque não há canções de amor ou sobre a crise, isso não significa que os temas sejam coisa alheia ao grande público. Isto, ainda que muita gente se tenha alheado do espetáculo, levando a que quem estava nas galerias e balcões tenha sido convidada a ir para a plateia. Graças a Deus, pensei eu quando vi a oportunidade de fugir do lugar onde estava e onde me arriscava a ver os artistas substituídos pela visão de um corrimão (não se percebe como é que num local como o CCB é possível haver lugares de visibilidade reduzida - sem que estejam assinalados como tal!).

Bom... mas, quanto ao concerto, foi a habitual explosão de alegria que todas as atuações dos Clã são. Um palco bonito, em jeito retro anos 60, coreografias cuidadas e aquela sensação de estarmos a ver gente que, mais do que tocar junta, é cúmplice em cima do palco. Espetáculo dentro do espetáculo, o sempre esfusiante Miguel Ferreira.

Como surpresa para a banda, a receção ao tema "Asas delta" que deixou toda a gente cantando mesmo após o fim da canção. Infelizmente, a rigidez do planeamento dos espetáculos não fez a banda perceber que era aquela a canção que todos desejavam ouvir novamente. Não se perdeu nada com os "encores" mas... ficou a faltar aquela.

No fim, gente que se divertiu ao presenciar mais uma grande atuação daquela que é, provavelmente, a melhor banda nacional desde há uns bons anos.

Queremos mais!

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