A merda de que somos feitos 2

Na Trafaria, uma moradora (de cara coberta) queixa-se da mudança no bairro que o transformou de um pacato lugarejo "campestre" numa favela habitada por angolanos, caboverdeanos e ciganos. Isto vem a propósito de cenas próprias de filmes, envolvendo angolanos e caboverdeanos aos tiros, invasões de domicílios, vandalismo, agressões, etc.

Um repórter da RTP pergunta a um caboverdeano se têm armas para se defenderem, como se perguntar a alguém, perante as câmaras, se está disposto a andar aos balázios na via pública fosse algo tão inócuo quanto perguntar se prefere que ganhe o Benfica ou o Porto. O caboverdeano correspondeu à irresponsabilidade do repórter confirmando que têm armas e estão bem municiados. A esta altura, portanto, o país sabe que os angolanos têm armas e as usam, que os caboverdeanos têm armas e as vão usar e que os ciganos, como toda a gente sabe, têm armas e usam-nas quando lhes apetece. É um admirável mundo novo este das "etnias" e a senhora que sente saudades dos tempos em que tinha cabras a pastar na rua está claramente desajustada das novas realidades trazidas (pelo menos na Grande Lisboa), pelos movimentos migratórios vindos de África. Não se adaptou, não evoluiu, não se modernizou... Antigamente é que era bom, dirá ela.

De lado, como em tudo o que diz respeito à verdadeira segurança, está o Estado e as "autoridades", que parecem ter como única especialidade o "aparecer depois" e dar umas bordoadas convenientemente mal distribuídas para servirem de pretexto a queixas da canalha perante as sempre solícitas equipas de reportagem. Quando há uns bons meses o país se entretinha com a novela dos carros blindados para a cimeira da NATO/OTAN, já muitos apontavam o verdadeiro objetivo da aquisição do material: permitir a segurança da Polícia na entrada nestes "bairros problemáticos". As personagens bem pensantes negaram a necessidade da compra, os palhaços de serviço gozaram com o processo e os políticos entretiveram-se com as piruetas próprias de quem anda sempre às sobras para apanhar qualquer coisa com que possa botar faladura.

Loures, Almada, Caparica, Trafaria, Amadora, Setúbal... avolumam-se os casos de zonas que em tudo parecem ganhar os defeitos de locais semelhantes noutras latitudes. Em todos eles, um denominador comum: as "etnias". Ciganos, árabes (hão de chegar), pretos ou quase pretos... parece que apenas indianos e chineses são capazes de chegar, ver e vencer sem que isso implique confronto com a "etnia" dominante (os "fachos" branquelas). Aparentemente, ninguém parece interessado em analisar semelhante curiosidade, como se o facto de se lhe prestar atenção pudesse, por si só, implicar uma condenação "a priori" de todos os outros grupos. Aos indicados por mim, acrescentam-se, em Portugal, pelo menos, os dos imigrantes de Leste que, por serem brancos (logo, "invisíveis") apresentam elevadas taxas de êxito na sua integração (já agora, o nosso país parece estar altamente cotado no que diz respeito à capacidade de integração de comunidades estrangeiras - o que faria se não estivesse...).

A seguir à reportagem da Trafaria, o assunto muda com facilidade para a violência nas escolas. Uma rapariga mulata, de cara escondida, aparece contando o que se passa na sua escola e como até uma amiga sua anda com uma pistola para se proteger de "tentativas de assédio" (SIC). Da rapariga mulata passamos a um rapaz preto que nos explica o que é uma "butterfly" (antigamente, dizia-se "borboleta") e de como ela é um acessório relativamente comum na sua zona.

Nos dias anteriores, tínhamos tido vasta informação sobre o típico bairro 6 de Maio, na Amadora (concelho que deve toda a sua fama à quantidade de bairros étnicos que alberga) e sobre a sua particular forma de receber a Polícia à pedrada e ao tiro.

Enfim, tudo isto me faz apetecer gritar algo do tipo "Estou farto de pretos!!!". E continuamos sem saber porque razão os chineses, os indianos e os "de leste" não dão problemas...

2 comentários:

Adamastor disse...

Só não concordo com uma coisa.
Relativamente aos chineses, acredita que é uma mafia, ainda pior ou igual a qualquer uma outra que referiste.
Investiga um bocadinho ,ou vai ao casino à noite ver a quantidade de mafiosos, Chineses ( ou outros Orientais )que por cá andam.
abraço

catinga disse...

Todos os grupos são passíveis de gerarem atividade criminosa. É sabido que os chineses (e o pessoal de Leste) possuem máfias mas estas operam essencialmente no universo restrito das suas comunidades, não extravasando para "a rua". No caso dos pretos (recuso-me a usar o politicamente correto "negros"), só há mesmo "rua".