Lágrimas de crocodila

O novo governo italiano apresentou as medidas de austeridade que quer aplicar ao seu povo e fê-lo, em parte, através da sua Ministra do trabalho e Igualdade de Oportunidades, Elsa Fornero, que fez questão de mostrar, em direto, que as mulheres na política são efetivamente diferentes. A forma de o demonstrar foi interrompendo o discurso para... chorar.



Graciosamente salva pelo seu frio colega "macho" a ministra terá acabado - calculo -, de anunciar as medidas sem voltar a mostrar a sua "diferença", não deixando, no entanto, de deixar por explicar um curioso pormenor: as mulheres, em Itália, têm de trabalhar menos um ano do que os homens. Em nome da igualdade, suponho, aos homens são exigidos 42 anos e, às suas senhoras, 41.

O aumento da "idade de reforma" em muitos países tem sido apresentado como uma medida lógica, consequência do grande aumento da esperança de vida nos países desenvolvidos. Conforme escrevi, é uma medida "lógica" e, portanto, não há nada a dizer sobre algo que faz todo o sentido. Já o facto de as pessoas que mais anos vivem (as mulheres) terem de trabalhar menos tempo para alcançar a reforma é que é coisa que não se consegue perceber.

A Itália não é caso único neste tipo de (des)igualdade e, obviamente, não é só lá que as controleiras da igualdade de direitos se calam sempre que a desigualdade de obrigações joga a seu favor...

Lágrimas de... crocodila...


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