cidadania de supermercado
Há algum tempo atrás, a comunicação social, no desempenho de uma das suas várias funções (no caso a do sensacionalismo hipócrita) deu a conhecer o caso aparentemente chocante de uma mulher de origem indiana, a viver há muitos anos em Portugal, mãe de filhos, "empresária", que tinha visto negado o seu pedido de cidadania portuguesa. A senhora em questão tinha sido vítima do excesso de zelo de um juiz que tinha tido o desplante de querer que a pretendente a cidadã portuguesa conhecesse o hino nacional e igualmente fosse capaz de destacar figuras da sociedade e história nacionais. A pessoa em questão falhou e continuou a ser considerada cidadã indiana e não portuguesa.
Por mim, não só o juiz se portou bem como merecia um louvor por aplicar aquilo que é, afinal de contas, simples bom senso, coisa cada vez mais rara em quem imagina, faz e aplica a Lei.
Não me apetece estar aqui a divagar sobre o assunto até porque o mesmo serve apenas como uma espécie de introdução a outro caso que, no fundo, se insere numa espécie de conceito de cidadania de supermercado em que cada um se propõe ser reconhecido como cidadão de um determinado país não por ter uma relação filial com aquele mas porque, pura e simplesmente, lhe dá jeito.
E é o mote deste texto, uma senhora de "origem" portuguesa, que viveu durante anos no Congo (já nem sei qual, tais são as constantes mudanças de nome), que foi viver para o Líbano (atracção por terras exóticas, já se vê) e que constituiu vasta prole à qual faz questão de dar nacionalidade portuguesa. A senhora já só se exprime em Francês, as criancinhas, o mais que sabem de Portugal são os nomes das nossas estrelas futebolísticas mas, que raio!, são todos portugueses (ou querem sê-lo). Fazem-no pelo apelo do sangue? Não, fazem-no pelo simples interesse de ter um passaporte que lhes dá mais garantias do que um congolês ou libanês. Ser-se Português e, acima de tudo, ser-se cidadão da União Europeia é visto como uma espécie de salva-vidas: se alguma coisa correr mal... somos portugueses.
Da parte desta gente existe um instinto de "sobrevivência" que se sobrepõe a um princípio tão importante quanto o de pertença a uma nação, a um povo mas, da parte de um Estado, só pode existir o princípio da defesa da sua integridade e, no caso português, o Estado-Nação quase perfeito não pode compadecer-se com paraquedistas sob o risco de se perverter algo que devia ser nobre e não meramente um produto de consumo.
Lembro-me ainda do já distante caso de uma macaense residente em Hong-Kong, que nem uma palavra sabia de Português, que já mal mantinha relações com Macau e que, um dia, ao ser detida por tráfico de droga em Singapura, se lembrou de que tinha um passaporte português. Rapidamente a comunicação social montou uma campanha hipócrita para socorrer "a cidadã portuguesa" e o país, como bom cordeiro, se mobilizou em seu apoio. Não deu resultado: ainda bem.














Sonia é o primeiro trabalho do mafioso que, ou a entrega no destino, ou está feito, claro. E o destino é Itália, onde Sonia é colocada a trabalhar num bordel. Como primeiro trabalho, tem de satisfazer um preto - brasileiro? africano? (não se percebe bem) -, mas fica sem se conseguir mexer e nós ficamos também sem perceber o que lhe terá causado mais repúdio: a raça ou a situação. Sonia leva umas lambadas e, de cliente em cliente, lá vão tentando que a moça faça alguma coisa. Passado algum tempo, a nossa infeliz russa é levada para um palacete onde deverá servir de brinquedo a um jovem adulto demente que, após um fascínio inicial, fica bastante desiludido ao constatar que a "flor dela é murcha"... Este problema de origem botânica não demoveu, no entanto, o assistente pessoal do louco a mostrar-lhe como é que as coisas se fazem...
Há quem diga que já não existem boas ideias mas, a verdade é que há sempre alguém que se presta a mostrar que ainda há muita coisa boa para ser inventada. A empresa americana
Eu acho que deviam dar um prémio de produtividade aos ciganos romenos (formalmente, turistas) que pululam por Lisboa. Em pleno 5 de Outubro, no hipermercado Continente do Colombo, uma destas forasteiras andava importunando as pessoas, pedindo dinheiro para o champô do bebé. Ah pois! Julgavam que, desta vez, não havia bebé? Não senhor, eles também trabalham nos feriados...