O vazio de Oliveira

Fui ver um filme de Manoel de Oliveira. Tenho o passe Medeia Card (em Inglês é mais bonito, já se sabe) e já não me restava nada mais para ver. Para além disso é sempre agradável ir ao King Triplex e sentir esse local parado no tempo onde podemos apreciar algumas características de tempos que já lá vão (assassinaram a decoração de uma casa-de-banho mas o resto mantem-se).

O filme "Belle toujours" pretende ser uma homenagem ao filme "Belle de jour" do realizador mexicano Luis Buñuel. Ao contrário do que é comum com os filmes de Oliveira, não é uma película de silêncios e planos insuportavelmente longos e, para um fim de tarde, até se vê bem (num registo calmo, muito calmo...). Mas a fita tem, apenas, 1 hora de duração. E se é verdade que, atendendo à (falta de) qualidade do enredo, isso podia ser uma benção, não deixa de ser menos verdade que, para quem paga (não foi o meu caso), 1 hora é muito pouco para um filme numa sala de cinema.

Passando à frente da curta duração da película, há que analisar o "recheio" do mesmo e este é de uma pobreza monumental. Oliveira entretem-se (com um dos seus amigos - Michel Picolli) a passear uma total falta de originalidade, de interesse e de qualidade pelo écran, numa "homenagem" que mais não é do que a ausência de qualquer coisinha em que se possa pegar. Exercício de desperdício de fundos e de tempo, este "Belle toujours" é um vazio colossal e já imagino o mais elitista dos críticos de cinema a torcer a coluna para conseguir ver nesta hora perdida alguma coisa que valha a pena: os actores são maus, os diálogos são de vão-de-escada, o enredo é inexistente.

Uma merda!

Sumol clássico?

No outro dia, como parte de um daqueles menus "rápidos" com que damos cabo da nossa saúde, pedi uma lata de Sumol de ananás. Quando bebi o sumo até me assustei: aquilo parecia um xarope de açúcar! Pouco gás, pouco "sabor a Sumol"... E dei comigo a pensar "será que estes gajos andam a alterar a fórmula desta coisa?". É que o Sumol de laranja também já não tem (tantas) farripinhas como costumava ter. É a globalização e a conquista de novos mercados? É a ganância do lucro? O que é que se passa? O Sumol está para Portugal como a Coca-Cola está para a América! É certo que não há uma identificação cultural mas há, certamente, um hábito de consumo e de qualidade! O Sumol é a nossa grande bebida não-alcóolica e se começam a mexer na composição que fez a delícia de tanta gente ao longo de não-sei-quantos-anos, então, talvez seja altura de fazer como os americanos e exigir um "Sumol clássico" para podermos continuar a ter a melhor gasosa do mundo!

Fica a ideia....

e-g@to

? - 16/07/2007



[ fotografias ]



Morreu o meu amigo, três meses depois de o ter ido buscar numa solarenga tarde de Domingo. Morto por uma doença estúpida para a qual não há cura. Tirado de mim à força sem que eu o pudesse defender.


A casa está vazia na proporção inversa à minha cabeça, cheia de tantas memórias, de tantos pequenos nadas que me tinham feito adorar aquela criaturinha.

Ainda tenho o cheiro dele nas mãos após horas a fazer-lhe festas, esperando para, juntamente com a veterinária, tomar uma decisão.

Partiu serenamente o meu amigo, da mesma forma como tinha vivido comigo: um gato meigo e calmo.

Ironia das ironias, o PDA acaba de avisar que são horas de lhe dar um comprimido para o coração, o mesmo que parou há uma hora. Apaguei o aviso. Antes pudesse ouvi-lo durante muito tempo...
sexta-feira, 13

Nunca fui de superstições mas, se houvesse dia para começar a acreditar em crendices, ontem teria sido óptimo.

O meu gatinho está para morrer: não só tem a pior das doenças dos gatos como, ainda por cima, é afectado pela pior forma daquela. Vou perdê-lo, vou ficar sem a figurinha que me recebia à porta de casa todas as noites, que se aninhava em mim quando me deitava, que chegava a pousar a cabeça no meu ombro e na almofada, que me acordava de manhã (ah! o pequeno-almoço), que poucas vezes passava por mim sem se roçar, que enchia de calma e serenidade a minha casa, que ocupava tantos dos meus pensamentos...

A doença é uma puta e quer tirar-me um amigo após três meses de convivência. Tempo curto, é certo, mas que foi suficiente para a presença do animal se afirmar no meu dia-a-dia como se ele sempre tivesse cá estado. Por toda a casa há coisas que me lembram dele: os sítos onde se deitava, os objectos, os pelos agarrados a tudo, as marcas das unhas num lençol, as embalagens de comida, as fotografias no computador, as "barreiras" para impedir ele saltasse para cima da TV, um ror de pequenas coisas que, na sua simplicidade, gritam a ausência do meu companheiro.

Hoje vou buscá-lo à clínica porque fecha ao Domingo. Vou ficar com ele dia e meio. Dia e meio a tentar roubá-lo ao destino, dia e meio tentando enganar-me pensando que tudo voltou ao normal, que ele está em casa e que, por isso, está bem.
O relógio não pára. O tempo gasta-se e com ele leva sempre um pouco mais da vida do gatinho. Não sei quanto tempo lhe resta: dias, semanas, alguns poucos meses? Tudo me parece pouco e, ao mesmo tempo, tanto, tal é a dor que sinto. Dou por mim a pensar que queria que tudo isto se resolvesse de forma fulminante, que não tivesse de assitir à degeneração do meu amigo, que não tivesse de passar os dias pensando nele e consumindo-me também.

O meu pai morreu com alguns dos mesmos sintomas. É um filme que vejo pela segunda vez, com a agravante de já conhecer o trágico fim e, portanto, não haver lugar para esperanças quanto a um final feliz. Não importa a espécie, importa é que a doença implanta-se, afirma o seu ódio pelos bons e, implacavelmente, ceifa a vida dos justos e dos meigos.

Merda! Merda! Merda!
a informação faz mal?

Tenho o meu gato doente. A criaturinha que adoptei em Abril, na União Zoófila, tem estado constipada, sem apetite, a desidratar... Levei o bichano ao médico e vim de lá com antibióticos e xarope. A coisa pareceu melhorar para, no dia seguinte, piorar. Lá foi o animal novamente para o veterinário e, desta vez, ficou para observação.
Procuro informação na internet: "contipação gato perda apetite". Em má hora o fiz. Aparentemente, a saúde dos gatos é mais frágil do que cristal e andam por aí n doenças fatais cujos sintomas se assemelham aos que o meu animal tem. A preocupação enche-me a cabeça ao antever um mal grande para ele. Valeu a pena procurar informação na internet? Neste caso, não. Mais valia ficar na ignorância do que a pensar que aquela coisa meiga que todos os dias me vem receber à porta com um miado em estilo de reclamação ("onde é que andaste até agora?") pode ser afectada por algo que a tire de mim.
A casa estava triste, ontem: as coisas do gato espalhadas e a falta da sua presença serena lançavam um véu de solidão que custava afastar.

Merda para a informação!
planeta agostini: a saga continua...


Após o último post contactei a Planeta Agostini devido ao livro trocado. Após algum tempo, informaram-me de iriam enviar o livro correcto para o quiosque. Pelo texto da mensagem, imediatamente desconfiei de que aquelas sumidades da incompetência iriam reenviar o livro errado. Prontamente lhes escrevi indicando em letras garrafais o nome do volume correcto. Não responderam... Passadas duas semanas, vou ao quiosque e... confirmam-se as minhas suspeitas: voltaram a mandar para o vendedor o livro errado, o mesmo que tinham enviado antes e que eu lhes tinha dito que estava mal!!! E, para cúmulo, o sujeito do quiosque ainda teve de pagar esse livro, não podendo, agora, devolvê-lo devido a umas quaisquer regras de serviço. Ou seja, os imbecis da Planeta Agostini enviam dois livros (iguais) errados e, quer eu, quer o vendedor tivemos de pagar por eles. E eu continuo sem o livro correcto e a colecção completa!!!
Já não volto a pedir nada para ir buscar ao quiosque porque, senão, ainda voltam a cobrar mais um livro ao infeliz e, provavelmente, voltará a ser o livro errado...

A Planeta Agostini parece-me ser um caso bizarro: ou só trabalham depois da hora de almoço, ou aquilo tem empregados vindos da CERCIS ou não dormem o suficiente. O facto é que "incompetência" já me parece pouco para este caso. Estupidez ou imbelicidade serão o mínimo que se pode utilizar referindo-se àquela empresa.

Há coisas que são más demais...
planeta agostini: uma incompetência de... outra galáxia

Já lá vão mais de dois anos, esta editora italo-espanhola, especialista em encher os quiosques com colecções dos mais variados tipos, lançou uma colecção de 45 romances de Alexandre Dumas. Fan como sou dos clássicos do autor, comecei a juntar os ditos romances, a € 7,99 cada um (o honesto homem do quiosque tinha sempre o cêntimo de troco). A certa altura, i.e., ao fim de 29 semanas, o livro que comprei vinha com umas páginas trocadas. Prontamente o devolvi no quiosque e esperei que me dessem um em condições. Esperei, esperei, esperei... até que, passados meses, no quiosque me disseram que tinham deixado de enviar livros e que, não só não devolviam o que eu já tinha pago como também não podia comprar os que ainda faltavam para acabar a colecção. Mais algum tempo e dão-me a notícia de que tinham começado a reeditar os romances e que, portanto, seria de ir esperando até que chegasse a altura dos livros que nunca tinham sido enviados para o quiosque. Quanto ao volume devolvido, nada.

Meses e meses se passaram, passei a ir ao quiosque com grandes intervalos de tempo e as notícias eram sempre as mesmas, ia chegando algum livro (que eu comprava) mas nada de "A esfinge vermelha" (o livro devolvido).

A colecção chegou ao fim, e, no quiosque, a informação de que continuavam a ignorar os pedidos de devolução. Resolvi ser eu a tratar do caso: pedi os dados do vendedor e enviei um email para a Planeta Agostini. Fiz isto em Fevereiro de 2007. Não tive qualquer resposta (a não ser do servidor da PA indicando a recepção da mensagem). Em Março, envio nova mensagem com o mesmo resultado. Em Maio, começo a enviar todos os dias uma mesma mensagem, indicando a quantidade de vezes que já lhes tinha escrito. Quando já ia na 11ª mensagem (!), respondem-me à 7ª dizendo que tinham tido um problema de servidor, etc. (quem paga são sempre os computadores - já agora, o servidor não lhes dava as mensagens mas enviava-me o recibo das mesmas...).
Finalmente, a promessa de que os livros seriam enviados para o quiosque. Insisto pedindo um prazo. Uma semana, respondem-me. Pelo sim, pelo não, dou-lhes duas.

Chega então o dia em que, passados alguns três anos, eu espero ter completa a colecção de romances de Alexandre Dumas. Dirijo-me ao quiosque com aquela sensação de quem se vai ver livre de uma chatice. O vendedor reconhece-me à distância e faz-me sinal. Entrega-me os livros (o que faltava e o devolvido) e eu abalo, contente.
Ao chegar a casa, confirmo que o livro devolvido está em boas condições mas, ao reparar bem no titulo do segundo romance, vejo que se tinham enganado e não me tinham enviado o volume que faltava!

O que se passará no Planeta Agostini? Apetece fazer piadas do estilo "viverão na Lua?" mas, na realidade, a coisa já nem se presta a piadas. O mais engraçado é que eu já tinha sido avisado da péssima qualidade do serviço da PA.
Bastou-me uma curta pesquisa na internet para encontrar gente a queixar-se de colecções que ficam a meio, má qualidade dos conteúdos, etc. Já houve uma pessoa que levou a empresa a tribunal por ter sido deixada com um barco de montar incompleto (isto depois de gastar uma pequena fortuna). O consumidor ganhou, diga-se.

Para cúmulo, os romances parecem ser de pouco interesse (Dumas terá esgotado a "veia" nos clássicos) e, pelo menos uma das traduções é autêntico terrorismo cultural com gralhas em quase todas as linhas.

Da Planeta Agostini não volto a comprar nada! Serviu de lição, que esta incompetência é, verdadeiramente, de outra galáxia!

Irra!!!
uma questão de terminologia

O ensino do Português vai mal e podemos imaginar várias razões para tal. Uma delas, quanto a mim, é a insistência em confundir a disciplina com análise literária ignorando a muito maior necessidade de formar bons utilizadores da língua, com capacidade de expressão escrita e oral. Por mais brilhante que seja a prosa de Eça ou a lírica camoniana, é concerteza mais determinante para o sucesso individual escrever sem erros e saber dizer o que nos vai na alma sem causar um ataque de nervos a quem nos escuta. Mas os responsáveis pelo ensino da língua materna parecem estar preocupados com coisas mais importantes. No caso, perante a necessidade de revitalizar o ensino do Português, as mentes geniais escolhidas para descobrir a melhor forma de melhorar a aprendizagem da língua chegaram à conclusão de que era preciso mudar a terminologia da análise morfológica. Exactamente: num momento em que "yah, tipo, curto bué esta cena porque é o que eu gosto, percebestes?" será uma pálida amostra dos disparates que se ouvem no dia-a-dia, os nossos analistas concluiram que seria vital que a palavra "paciência" deixasse de ser denominada "nome comum abstracto" e passasse a ser chamada de "nome não contável e não massivo" ou que "peixe-espada" passasse a ser um "composto morfo-sintáctico coordenado" em vez de "palavra composta por justaposição".

Esta gente droga-se?
mais directo, é difícil


O Meetic é mais um daqueles sites de encontros que, idealmente, poderiam ser uma óptima ferramenta para que as pessoas encontrassem a sua cara metade. Digo "idealmente" porque:

1) é sabido que os homens procuram mulheres bonitas e a maior parte das raparigas à disposição estão longe de sê-lo (se o fossem, não tinham necessidade de andar por ali).

2) quando aparece alguma beleza ou tem problemas de cabeça ou anda ali para se exibir e ver quantos homens lhe enviam mensagens.

3) para falar com meninas é preciso pagar (e o Meetic abusa nisso!) e rapidamente se chega à conclusão de que vale mais gastar o dinheiro noutra coisa qualquer.

Apesar de tudo, os sites existem, têm utilizadores e, claro, procuram arranjar mais. Foi para isso que alguma mente prática resolveu colocar um anúncio no Google. O título diz tudo, é curto e directo. Palavras para quê? É mesmo assim!
que belo par...



Indo a caminho da paragem do autocarro, encontrei este simpático par desejando-me um bom dia. Estavam os dois presos numa montra de uma drogaria mas nem a presença de bonecas de louça, panelas, produtos de higiene e outras coisas típicas deste tipo de lojas os impediu de sorrir a quem passava.

Tirei-lhes uma fotografia. Confesso (e nem é preciso padre para isto) que não resisti ao ridículo da situação.

Ao abandonar o local, uma empregada de uma mercearia vizinha rosnou um "já tirou a fotografia à irmã Lúcia...". Daqui se depreende que é uma fã incondicional da finada freira pois nem por um momento hesitou em pensar que, entre o Jojó e a Lulu, a minha preferência ia para a segunda.