povo à venda

Um belga, cansado dos problemas políticos e étnicos do seu país (a velha rivalidade entre Flamengos e Valões), resolveu colocar o seu país à venda no eBay. O anúncio acabou por ser retirado pelo site mas não deixou de estar no ar o tempo suficiente para ser falado.

A ideia deste belga gerou em mim outra: e se os tugas fossem postos à venda?

O anúncio seria qualquer coisa do tipo:

"Vende-se 2/3 da população de um país da Europa Ocidental com uma História grande, onde não há terrorismo, a guerra não é coisa comum e o crime é mais baixo do que noutros lugares, onde não há problemas étnicos, religiosos ou linguísticos, onde o clima é (dizem) muito bom e a natureza amiga, onde a bebida é óptima e a comida melhor, onde a música é bela, a língua harmoniosa e os escritores e poetas excelentes, onde as raparigas são bonitas, as artes tradicionais são de valor e o património abunda.
Em resumo, a vida é melhor do que em 95% dos outros países do mundo.

Desfazemo-nos desta corja de inúteis porque estão a estragar o ambiente com a sua maledicência e calanzice, poluindo o ar que se respira e deixando um profundo cheiro a caca que tende a propagar-se aos melhores sítios da nação.

Estamos dispostos a pagar as despesas de transporte desde que seja assegurado que nenhum destes elementos volte a pisar território nacional (Olivença incluída) nos próximos 50 anos (o que, na maior parte dos casos talvez seja tempo suficiente para os levar para o quinto dos infernos).

Convém esclarecer potenciais interessados nesta gente de que não servem para adubo já que, de tanto ácido que têm na língua, poderiam tornar estéril o melhor dos solos ao babarem-se. Ainda assim, alguma utilidade poderão ter desde que se use a imaginação:

- poderão servir de espantalhos, bastando, para os activar, dizer "governo";
- de tão calões que são, poderão servir para estacas delimitadoras;
- poderão ser bajuladores excelentes desde que lhes seja mostrada uma moeda;
- poderão servir de quiosques multilingues já que, para além da sua língua natal, ainda conseguem rosnar, cuspir e pedir em mais cinco;
- poderão servir de óptimos capachos;
- poderão servir de lastro a navios;
- poderão servir de bancos de jardim (desde que estejam ao sol);
- poderão servir de cinzeiros dado o seu hábito de viver de mão estendida;


Como se vê, desde que empenhada numa função passiva, esta cambada de mentecaptos pode ainda valer o ar que respira. À parte disso, por uma questão de ética de negócios, somos obrigados a confessar que não servem para mais nada. Eventualmente, se bem compactados, talvez possam servir para tapar buracos de minas a céu aberto mas convém isolar bem o local por causa da contaminação.

Vendem-se pela melhor oferta. Valor mínimo: 10 cêntimos (pode ser de Francos do Burkina Faso)"
deus a pilhas

Já sabíamos que as tradicionais velas de cera andavam, em muito boa igreja, a serem substituidas por velas eléctricas. A medida tinha as suas vantagens: evitava-se a poluição, o cheiro e o consumo de cera. A Igreja também beneficia com a troca porque o dinheiro que ia para os comerciantes de velas, agora, vai todinho para ajudar as almas.
Além disso, a cera deve ser mais cara do que a pouca energia eléctrica, o que aumenta a margem de lucro. Isto foi coisa de Jesuítas...

A substituição das velas não é, no entanto, geral. Em Fátima ainda podemos assistir a esse ritual com contornos "babilónicos" das piras a serem alimentadas com velas de todas as formas e feitios, atiradas pelos fiéis, de forma displicente, como quem atira milho aos pombos.

Alimenta-se a divindade com um gesto frio e mecânico, da mesma forma que se reza por rezar, pelo hábito de debitar ladainhas, fórmulas estabelecidas e tão banais que a qualidade do texto , de tão gasto, já não basta e obriga à multiplicação da prece por 5, por 10, pelas vezes que a crendice julgar necessárias a aplacar os males do espírito.

Agora, dizem-nos as notícias, os nossos irmãos italianos deram um novo passo no caminho da modernidade com a criação de terços electrónicos que poupam aos crentes o fastio de passar pelos dedos aquelas continhas herdadas dos muçulmanos. Rejubilemos com a boa nova.
E, como se esta graça concedida não fosse por si só suficiente, ainda temos à disposição vários destes terços hi-tech, cada qual com uma oração diferente (também há várias cores disponíveis).

Cada uma destas ferramentas com as quais podemos partir pedra na construção do caminho até ao céu, custa a módica quantia de EUR 29,50. Quem quiser a colecção completa pagará EUR 472.
Como, segundo os bons ensinamentos, é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus, aconselha-se a compra de apenas um terço, não vão as finanças declarar-nos como ricos e lá se vai o paraíso (o celeste, que o terrestre é já ali, do outro lado da fronteira).

A próxima evolução do terço electrónico poderá ser a leitura de cartões de memória para que os fiéis possam mudar de oração com o mesmo aparelho. O valor que a empresa P.R.E.X. deixa de ganhar em quantidade de terços será compensado pela venda dos cartõezinhos (que poderão ter orações traduzidas para diversas línguas).



No meio disto tudo, esperemos que Deus não fique sem pilhas...

Ámen.
assim, vale a pena!

Quem tiver a gentileza de vir a este meu blog e aqui perder algum do seu tempo reparará, concerteza, na existência de publicidade. São coisas que aqui ponho, na esperança de que alguém se sinta interessado nos links exibidos e, ao aceder aos ditos, me faça ganhar qualquer coisa. Pois bem, o recente aumento de tráfego aqui no burgo permitiu-me amealhar, em apenas quatro dias, USD 0,03!!! Não, não é um engano, são mesmo três cêntimos de dólar americano, o que dá, ao câmbio actual, qualquer coisa como EUR 0,0216. Mantendo-se este estonteante cashflow (a pinta que o Inglês dá a estas coisas...), conto comprar um novo automóvel em segunda-mão daqui a exactamente 1.333.333 dias. Não é muito, pois não? :)

VRUUUUUUMMMMMMMMMM....
um soco no bom senso

O jogo Portugal-Sérvia do passado dia 12 só não acabou pior porque não perdemos!
Tirando esse (ainda assim importante) facto, tudo o resto correu mal. A nossa
equipa jogou mal, desperdiçou pontos inadmissivelmente e, ainda por cima, teve a pouca sorte de ter um treinador que, ao reagir a uma provocação, conseguiu dificultar ainda mais a nossa qualificação. Como? A polémica da agressão ao jogador sérvio, complementada pelas cobardes negações que se seguiram, conseguiram ofuscar a péssima prestação da Selecção Nacional e evitar (ou, na melhor das hipóteses, adiar) uma discussão que se tem como absolutamente imprescindível: o que fazer com esta equipa? Porque razão estamos a deixar a qualificação fugir? O que falta para por os nossos craques (porque o são) a jogar decentemente?

Pouco me importa o que o jogador sérvio disse da família de Scolari. Parece que o disse em Espanhol e nesta feia língua qualquer palavra parece um insulto mas isso é o menos porque, se alguém se sente insultado, é o público nacional por ver o tempo voltar atrás, à época em que as nossas equipas estavam recheadas de grandes jogadores mas não íamos a lado nenhum fruto de maus treinadores. E Scolari não parece, agora, ser o treinador de que precisamos. Quando digo "agora", refiro-me ao que é a opinião actual de muitos adeptos, não a minha. E isto porque Scolari nunca me entusiasmou.

Ao contrário de Camacho, que é adorado pela imprensa e adeptos, Scolari tem um vasto currículo e nome feito à custa dos seus êxitos mas... pura e simplesmente, não me convence: o Brasil ganhou o Mundial comandado por Filipão, é certo, mas era o Brasil e o torneio foi absolutamente bizarro, com várias das principais equipas a serem cedo eliminadas, reduzindo, assim, a qualidade dos adversários dos canarinhos. E, caso já se tenham esquecido, a qualificação para o campeonato também tinha sido tremida.

Já aos comandos da equipa das Quinas, o "sargentão" conseguiu o segundo lugar no Europeu, um Europeu jogado em casa, com um apoio monumental, onde perdeu duas vezes com a mesma equipa e, da primeira, com óbvias responsabilidades suas. A dúvida fica: foi Scolari que treinou bem a equipa ou tratou-se de uma questão de motivação por parte dos jogadores?

Luiz Felipe Scolari é conhecido por ser um bom líder e aí deve residir muito do seu segredo (a equipa nacional deixou transparecer que se recusaria a aceitar a demissão daquele...) mas isso não é suficiente para se singrar sempre.

Já no último Mundial, a prestação de Portugal foi enganadoramente boa. Uso este termo porque, se formos a ver, todos os resultados foram de uma lógica avassaladora: ganhámos a quem costumamos ganhar, perdemos com quem costumamos perder. A única excepção foi o jogo com a Alemanha (ironicamente, a nossa melhor exibição...) que costuma ser um adversário ao nosso alcance. Depois, bom, depois a coisa tem sido bastante má...

Os últimos 10 jogos de Portugal saldaram-se em quatro vitórias (2xBélgica, Brasil e Cazaquistão), 1 derrota (Polónia) e 5 empates!!! (2xSérvia, Polónia, Arménia e Koweit). Resultados que são uma vergonha para toda a gente menos para Scolari. Mas, se quisermos ir um pouco mais longe e contabilizar 15 jogos, acrescentamos a este negro cenário mais uma vitória (Azerbaijão), um empate (Finlândia) e três derrotas (Dinamarca, Alemanha e França), o que dá um triste total de cinco vitórias, seis empates e quatro derrotas (5V-6E-4D). Mau demais para quem se assume como uma equipa de topo.

É óbvio que existe uma crise na equipa das Quinas. A responsabilidade pelas péssimas prestações nacionais cabe ao treinador (que não parece ser capaz de por a equipa a jogar bem) e aos jogadores que, à boa maneira lusitana, funcionam por "momentos". O jogo com a Sérvia foi um bom exemplo disso, com a equipa a recuar por pura preguiça e falta de jeito e não tanto por qualidade ofensiva do adversário.

Estamos mal, estamos muito mal. E pior estamos quando uma amostra de soco dado por Scolari é mais importante do que esse enorme pontapé no cu que estamos prestes a levar... para fora do Europeu.

Sou do tempo em que se ficava a ver as equipas dos outros a jogarem nas grandes competições enquanto nós sonhávamos com uma qualificação que nunca chegava. Vi gerações de grandes jogadores nunca terem uma oportunidade de brilhar nas maiores competições do futebol de selecções e enerva-me sentir o fantasma do antigamente a pairar sobre nós. Habituámo-nos mal, nos últimos anos e vai tudo voltar à "normalidade"? Receio bem que sim...

Ao fim de sete minutos...

No Portugal-Polónia de Sábado, apesar dos muitos lugares vagos, tive o azar de levar
com uma família de quatro atrás de mim. Para além de estar sempre a ser atingido por aquelas bandeirinhas que a TMN oferece aos espectadores (já poucas pessoas levam a bandeira nacional para os jogos), e de quase ter ficado surdo do meu ouvido direito com os gritos lancinantes da mãe de família ("Vaaaiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!!!!") ainda tive de ser brindado com o discernimento do cavalheiro que, pouco depois do jogo começar, declarou categoricamente: "Este árbitro é um palhaço!!! Ainda só passaram sete minutos e eu já percebi que ele é um palhaço!".
Nestes sete longos minutos que tinham passado, o perspicaz senhor já tinha gritado três vezes "a bola é quadrada na Polónia!", duas vezes "vão para a vossa terra" e mais uns quantos impropérios menores...

Não há dúvida: o árbitro era um palhaço!
agora, acredito em santos!

Depois de ir ver o Portugal-Polónia do passado Sábado, a minha (inexistente) religiosidade sofreu um abalo. A sorte daqueles polacos só pode ter uma explicação: lá em cima, no céu, o falecido João Paulo II (ou Karol, como preferirem) devia estar a treinar para a futura canonização e aproveitou para fazer um milagre em prol da sua terra. O segundo golo dos polacos é demasiadamente estúpido para ser "natural"!

Irra!

Que ninguém durma

No dia da morte de Luciano Pavarotti, fica aqui um vídeo do mesmo cantando aquela que, para mim, é a mais bela área de ópera alguma vez composta: "Nessun dorma", da ópera Turandot (Puccini). É difícil não nos arrepiarmos com o final...

Mas, para que comparações possam ser feitas, ficam mais três vídeos com outros intérpretes. Para ouvir sempre que nos apeteça.


Pavarotti





Mario del Monaco





Os Três Tenores (Pavarotti, Domingo, Carreras)





Andrea Bocelli

Arte Déco: a não perder

Está há já algum tempo, no Museu de Sintra (antigo casino e hoje mais conhecido pela ligação às colecção de Joe Berardo), a exposição ART DECO, versando, obviamente, sobre este belo período da produção artística do século XX.
O recheio é composto na sua esmagadora maioria por obras pertença de Berardo, complementadas por roupa do Museu do Trajo (Lisboa) e do Musée des Années 30.

Se uma ida a Sintra não fosse, já por si, motivo suficiente para nos fazer sair de casa, ainda nos é oferecida a hipótese de contemplar mobiliário, pintura, escultura e outros tipos de objectos que brilharam a partir dos "anos loucos" e que, graças ao cuidado de quem os juntou, podem, uma vez mais, ser apreciados por gerações já distantes daquelas que os produziram e utilizaram.

Gosto do Museu de Sintra, sabe-me bem olhar para aquele edifício elegante, e ainda gosto mais de poder cirandar pelos seus corredores e salões "encharcando-me" da beleza que eles ostentam.
Não fosse Sintra ser tão bela e teria inveja de lá estar um local tão bom. Mas, como é difícil não sentir que a bela vila também é nossa, perde sentido a mesquinhez e ocupo-me apenas em desfrutar do que ela tem: no caso, um óptimo museu!

E quanto custa entrar nesta exposição? Aí é que a coisa fica desagradável. Não pelo preço do bilhete (3 euros) mas pelo facto de ter ficado com a sensação de que pertenço a uma qualquer minoria ranhosa que não merece favores. É que, no momento da compra, a simpática rapriga que estava ao balcão, antes de me dizer o preço, indicou-me um quadro pedindo que eu visse se fazia parte de alguma das categorias de cidadãos que nele constavam e que tinham descontos ou que podiam, mesmo, entrar de graça. Não, disse-lhe eu, não tenho direito a qualquer desconto. Não sou criança, não sou velho, não sou funcionário público, não sou funcionário camarário, não sou isto nem aquilo e, sobretudo, não sou sócio de nenhum clube de futebol a disputar a 1ª Liga!... Exactamente: os sócios do Benfica, Beira-Mar, Setúbal e outros podem entar à borla (!) nesta exposição enquanto que eu tive de pagar 3 euros (coisa pouca, convenhamos).
O Museu de Sintra pertence a quem? À CM de Sintra? Este estúpido desconto a sócios de clubes de futebol pretende o quê? Uma câmara municipal tem de se preocupar com coisas destas? Achei o facto ridículo e disse-o à moça que me atendeu. Ela, concordou. Sinceramente, acho que qualquer pessoa de bom senso o faria...
obrigatório para os tugas

Este é daqueles filmes estrangeiros que devia ser obrigatório ver por todas as criaturinhas que têm como principal prazer na vida malhar no país em que nasceram. A gente do "só neste país" devia ser atada à cadeira e forçada a "engolir" a película "Trés bien, merci" ("Muito bem, obrigado", em Português), numa situação um pouco ao estilo do tratamento que a personagem da Laranja Mecânica sofre aquando da sua reabilitação. Nem os olhos podiam fechar.

Explique-se, então, o porquê desta minha "sugestão".

Tudo começa quando um contabilista (em cuja empresa andam a fazer cortes de pessoal), fica especado, na rua, a assistir a um controlo de identidade a um jovem casal. A polícia diz-lhe para se ir embora mas ele mantém-se no local. Acaba por ser metido à força no carro-patrulha, levado para a esquadra e obrigado a passar a noite numa cela fétida e fria. Recusam-se a dar-lhe um cobertor, recusam-se a avisar a mulher e, no dia seguinte, mandam-no embora sem explicações. Como ele exige falar com um superior para apresentar queixa, dizem que não há comandante ali. O homem pede para usar a casa de banho e dizem-lhe que também não têm. E põem-no fora da esquadra. Ele volta e afirma que dali não sai enquanto não puder apresentar queixa. Prendem-no e levam-no para um hospital onde fica "abandonado" e sem explicações. Médicos? São poucos e têm muito trabalho. Burocracias, isso, há muita. A mulher não o pode ver, o médico gostaria mas... tem tanto que fazer. E apresenta uns papéis ("meras formalidades") para que a mulher assine. Não a avisa de que está a assinar um pedido de internamento psiquiátrico. E lá vai o homem atirado para um hospital de loucos onde, mais uma vez, ninguém lhe dá explicações. E tudo isto, porque, na rua, resolveu assistir a uma operação policial...

O filme desenvolve-se desta maneira, expondo fragilidades do sistema de saúde (falta de pessoal, negligência), do sistema laboral (o homem acaba por perder o trabalho sem que tenha feito nada para isso), do sistema policial (prepotência, arrogância e falta de educação), etc.

Tudo isto num país do primeiríssimo mundo onde, aparentemente, muita coisa é pior do que aqui, no "Terceiro Mundo" que os tugas tanto gostam de invocar.

Descubra as diferenças

Dito assim, isto presta-se a trabalho fecundo porque a foto da Fátima Campos Ferreira não é das melhores (há poucas imagens da rapariga) mas a verdade é que a nossa Fatinha tem uma clone (bem mais conhecida do que ela...) nos Estados Unidos: uma actriz de nome Hope Davis.

Não se aplicaria aqui, muito justamente, o princípio dos direitos de imagem? Piada...