No dia 18 deste mês (Setembro, para quem ande perdido), os Paradise Lost actuaram no Cine-teatro de Corroios. Foi um concerto tripartido com os canadianos Neosonic e os alemães Eyes of Eden. Não vou aqui discorrer sobre a música que se tocou (isso é para os fans dos géneros presentes) mas sim sobre a organização do evento.O espectáculo tinha sido originalmente marcado para o Paradise Garage, espaço de renome na zona de Alcântara (em Lisboa) mas devido a mais uma dessas compras e "descompras", aberturas e fechos, que abundam na "noite", teve de ser transferido para Corroios, na Margem Sul do Tejo.
Há que dizer que me faz um bocado de impressão ver uma banda de tanta qualidade a actuar num cine-teatro, numa rua das traseiras de um subúrbio de segunda categoria (poupem-me os locais aos seus impropérios - ninguém escolhe viver em sítios aqueles), mas essa sensação acabou por ser apagada pela informalidade da organização. É que, ao contrário do que sucede em praticamente todos os acontecimentos que envolvam mais do que cem pessoas, aqui não houve barreiras metálicas, revistas à entrada, detectores de metal, seguranças musculados e mal-encarados, nada! Simplesmente, mostrava-se o bilhete à entrada a um indivíduo (com uma camisola dos Xutos & Pontapés), um pouco mais à frente retiravam o respectivo talão de entrada e, pronto, era tudo nosso!
Entre o palco e o público havia um pequeno corredor por onde um vigilante podia passar e mais nada. Mesmo os dois indivíduos que se revezavam tomando conta do local eram fans da música e não deixavam de apreciar o concerto mantendo um mínimo de atenção a eventuais abusos (que não houve).
Ou seja, os organizadores do concerto de Paradise Lost em Corroios são, visivelmente, fans de Metal e, ao serem-no, percebem a (óptima) maneira de estar das pessoas e com isso contribuem para que os espectáculos sejam melhores e sem qualquer tensão. É um exemplo a ser seguido por quem queira estar à frente de espectáculos e que está a anos-luz do que tanta gente já viu em outros tempos quando, à saída do Pavilhão de Cascais, as pessoas eram "presenteadas" com a polícia de choque, totalmente equipada.
Tudo isto fez-me pensar se aqueles que defendem que a exibição da força é um convite ao confronto, não têm, realmente, razão.
Para finalizar, há que dizer que a acústica do Cine-teatro de Corroios é bem melhor do que a do Paradise Garage (ainda assim, aconselha-se sempre o uso de algodão), que as casas de banho estavam limpas e que a única coisa má foi mesmo ter de pagar €1,5 por uma imperial servida num copinho dos pequenos. Lá se foi a esperada bebedeira...







