
um soco no bom senso
O jogo Portugal-Sérvia do passado dia 12 só não acabou pior porque não perdemos!
Tirando esse (ainda assim importante) facto, tudo o resto correu mal. A nossa
equipa jogou mal, desperdiçou pontos inadmissivelmente e, ainda por cima, teve a pouca sorte de ter um treinador que, ao reagir a uma provocação, conseguiu dificultar ainda mais a nossa qualificação. Como? A polémica da agressão ao jogador sérvio, complementada pelas cobardes negações que se seguiram, conseguiram ofuscar a péssima prestação da Selecção Nacional e evitar (ou, na melhor das hipóteses, adiar) uma discussão que se tem como absolutamente imprescindível: o que fazer com esta equipa? Porque razão estamos a deixar a qualificação fugir? O que falta para por os nossos craques (porque o são) a jogar decentemente?
Pouco me importa o que o jogador sérvio disse da família de Scolari. Parece que o disse em Espanhol e nesta feia língua qualquer palavra parece um insulto mas isso é o menos porque, se alguém se sente insultado, é o público nacional por ver o tempo voltar atrás, à época em que as nossas equipas estavam recheadas de grandes jogadores mas não íamos a lado nenhum fruto de maus treinadores. E Scolari não parece, agora, ser o treinador de que precisamos. Quando digo "agora", refiro-me ao que é a opinião actual de muitos adeptos, não a minha. E isto porque Scolari nunca me entusiasmou.
Ao contrário de Camacho, que é adorado pela imprensa e adeptos, Scolari tem um vasto currículo e nome feito à custa dos seus êxitos mas... pura e simplesmente, não me convence: o Brasil ganhou o Mundial comandado por Filipão, é certo, mas era o Brasil e o torneio foi absolutamente bizarro, com várias das principais equipas a serem cedo eliminadas, reduzindo, assim, a qualidade dos adversários dos canarinhos. E, caso já se tenham esquecido, a qualificação para o campeonato também tinha sido tremida.
Já aos comandos da equipa das Quinas, o "sargentão" conseguiu o segundo lugar no Europeu, um Europeu jogado em casa, com um apoio monumental, onde perdeu duas vezes com a mesma equipa e, da primeira, com óbvias responsabilidades suas. A dúvida fica: foi Scolari que treinou bem a equipa ou tratou-se de uma questão de motivação por parte dos jogadores?
Luiz Felipe Scolari é conhecido por ser um bom líder e aí deve residir muito do seu segredo (a equipa nacional deixou transparecer que se recusaria a aceitar a demissão daquele...) mas isso não é suficiente para se singrar sempre.
Já no último Mundial, a prestação de Portugal foi enganadoramente boa. Uso este termo porque, se formos a ver, todos os resultados foram de uma lógica avassaladora: ganhámos a quem costumamos ganhar, perdemos com quem costumamos perder. A única excepção foi o jogo com a Alemanha (ironicamente, a nossa melhor exibição...) que costuma ser um adversário ao nosso alcance. Depois, bom, depois a coisa tem sido bastante má...

Os últimos 10 jogos de Portugal saldaram-se em quatro vitórias (2xBélgica, Brasil e Cazaquistão), 1 derrota (Polónia) e 5 empates!!! (2xSérvia, Polónia, Arménia e Koweit). Resultados que são uma vergonha para toda a gente menos para Scolari. Mas, se quisermos ir um pouco mais longe e contabilizar 15 jogos, acrescentamos a este negro cenário mais uma vitória (Azerbaijão), um empate (Finlândia) e três derrotas (Dinamarca, Alemanha e França), o que dá um triste total de cinco vitórias, seis empates e quatro derrotas (5V-6E-4D). Mau demais para quem se assume como uma equipa de topo.
É óbvio que existe uma crise na equipa das Quinas. A responsabilidade pelas péssimas prestações nacionais cabe ao treinador (que não parece ser capaz de por a equipa a jogar bem) e aos jogadores que, à boa maneira lusitana, funcionam por "momentos". O jogo com a Sérvia foi um bom exemplo disso, com a equipa a recuar por pura preguiça e falta de jeito e não tanto por qualidade ofensiva do adversário.
Estamos mal, estamos muito mal. E pior estamos quando uma amostra de soco dado por Scolari é mais importante do que esse enorme pontapé no cu que estamos prestes a levar... para fora do Europeu.
Sou do tempo em que se ficava a ver as equipas dos outros a jogarem nas grandes competições enquanto nós sonhávamos com uma qualificação que nunca chegava. Vi gerações de grandes jogadores nunca terem uma oportunidade de brilhar nas maiores competições do futebol de selecções e enerva-me sentir o fantasma do antigamente a pairar sobre nós. Habituámo-nos mal, nos últimos anos e vai tudo voltar à "normalidade"? Receio bem que sim...