
tropeçar numa jóia
A internet tem destas coisas: andamos à procura de uma coisa e tropeçamos noutra. No caso, andando à procura de um filme, acabei a ver a ficha de outro, exemplo do "Cinema Novo" nacional,
"Domingo à tarde". Esta obra de António de Macedo baseia-se no romance homónimo de Fernando Namora, história triste sobre um médico frio que acaba por se relacionar com uma doente sem esperança de cura.
Lembro-me de ver o filme, no seu preto e branco distante, Rui de Carvalho ainda jovem, Isabel Ruth interpretando a rapariga condenada pela doença. Perdida para a vida, perdida na vida...
O livro de Namora, lido depois de ver o filme, encheu-se das imagens da película e acompanhou-me, na sua curta duração, numa etapa de uma viagem pela Argentina. Deixei-o em Mendoza, na prateleira da minúscula biblioteca de uma hospedaria.
Alguém já o terá lido? Se o fez, não o denunciou. Mas espero que sim, espero que aquela edição de bolso da Europa-América tenha acompanhado mais alguém em horas de comunhão com a tristeza de duas pessoas desesperadas.

Até ao momento, foi a única obra de Namora que li. Assumo a injustiça. Após "Domingo à tarde", após as memórias longínquas da série de TV "Retalhos da vida de um médico", devia ter feito desígnio de abraçar a obra de um autor maior.
Hei-de fazê-lo...
Entretanto, fica aqui o link para um blog de alguém que sabe falar muito melhor de literatura:
panorama-direitoliteratura.blogspot.com