Da Vinci na Invicta

Voltado de umas curtas férias (esqueci-me de deixar aqui um aviso para vos fazer inveja), apetece-me partilhar a última coisinha agradável que me aconteceu: a visita à exposição "Leonardo da Vinci - O Génio" que está no Palácio de Cristal (ou Pavilhão Rosa Mota), na cidade do Porto.

Debruça-se a exposição sobre a faceta inventiva deste génio toscano do Séc. XV, com inúmeras maquetes de máquinas e, também, vários aparelhos à escala 1:1, sendo ainda possível interagir com um reduzido número dos ditos.

Já muitas vezes disse aqui mal do MillenniumBCP a propósito de campanhas publicitárias palermas mas, desta vez, elogio o banco nacional: não só patrocina a mostra como também oferece a entrada (carota: EUR 4,5) a quem possua qualquer uma das milhentas versões de cartões de crédito que o grupo disponibiliza. Convenhamos que é paga pouca pelo que me tiram mensalmente mas não deixa de ser simpático.

A exposição não é uma maravilha: vários dos aparelhos com os quais se pode interagir deixam-nos sem perceber exactamente o que fazer (se é que se pode fazer alguma coisa com eles) mas é suficientemente interessante para despertar em muitos a curiosidade em relação a esse super-homem que foi daVinci. Para aqueles que já tiveram oportunidade de admirar algumas das suas obras ou ler sobre a sua vida, o interesse residirá unicamente na possibilidade de ver materializadas algumas das descobertas mecânicas daquele.

Não posso dizer que valha a pena alguém fazer-se à estrada expressamente para ver a exposição de que aqui se fala mas, se estiver de passagem pelo Porto ou viver nos "arredores", então, não hesite e vá ao Palácio de Cristal. Se tiver crianças, elas ainda podem entreter-se num ateliê de desenho no fim do circuito.

Que agradável seria que esta exposição também viesse à cidade das sete colinas...

Os fantasminhas

A imagem que acompanha este texto é de, nada mais, nada menos, que uma folha de papel higiénico. Não se trata de um daqueles casos em que já não há nada mais sobre que falar e nos viramos para questões escatológicas, sempre fáceis de abordar, mas sim de um genuíno espanto ao verificar a existência das simpáticas criaturinhas na superfície das folhas às quais tenho vindo a limpar o meu [a cada um o seu adjectivo] traseiro.

É verdade. Eu nunca tinha reparado nos fantasminhas sorridentes de todas as vezes que me limpei. Pode-se argumentar que nessas situações, o aspecto do papel pouco importa e é a sua suavidade que se torna crucial para uma operação agradável. Mas agora penso de outra forma. E, pelos vistos, na Renova também. Eu não sei se estes fantasmas são da família do outro, do que andava pelas lixeiras vestido de latex, se sofrem de uma qualquer perversão de carácter, se ignoram, pura e simplesmente, o que os espera quando os desenrolamos (ah doidos, todos ali ao molho!)... não sei nem me importa. No entanto, a partir de agora, cada vez que obrar vou olhar para eles de outra forma, tendo pena pelo trabalho de merda que têm mas, ao mesmo tempo, sorrindo-lhes de volta antes de lhes esfregar a cara no meu dito cujo.

As mulheres a preferir

A imensidão do meu tempo livre leva-me a pensar bastante nas coisas do mundo e faço-o a ponto de, por vezes, me ocorrerem verdadeiras pérolas de sabedoria que me apresso a partilhar com os outros. Há que ser altruísta e aceitar que nem todos chegam lá sozinhos...

Hoje, resolvi dar a conhecer ao mundo a minha mais recente reflexão sobre o sexo feminino ("espécie" seria mais adequado) que, condensada numa frase simples, daria qualquer coisa como "vale mais roubar uma mulher casada do que procurar uma solteira".
Aviso já que esta máxima (a partir de agora minha e vossa) só se aplica às moçoilas a partir dos 25 anos. Que não vos baralhe a precisão da idade, é a modos que um número redondo. O que interessa para o caso é perceber que, a partir de dada altura, as mulheres bonitas já estão todas comprometidas (habitualmente, com os tipos mais parolos que conseguiram encontrar) e só sobraram as outras...

E quem são as outras? Não há mulheres atraentes entre "as outras", as que não se casaram, juntaram ou, no mínimo, andam para aí enroladas com um tipo qualquer que não nós? É claro que há, apesar de tudo, ainda se está a falar de um número que pode ser considerável (mesmo esquecendo as velhas solteironas). O problema está em que, devido ao dinamismo predatório que caracteriza os homens, a única fruta que fica por apanhar é a que não presta. Mulher bonita ainda solteira aos 30 (número ainda mais redondo - e não é piada aos quilinhos que se começam a acumular...) ou é lésbica ou tem problemas de cabeça. Ponto final. Das feias não se fala aqui.

Diz a sabedoria popular que a fruta mais saborosa é a que tem bicho. Não se entenda por "bicho" uma doença qualquer daquelas que nos faz arrepiar os cabelos mas sim a criaturinha amantíssima que chegou antes de nós. Se uma mulher tem homem, é porque deve valer alguma coisa. Se está solteira, ou portava-se mal (e foi posta com dono - expressão duplamente irónica neste contexto, já se vê) ou portaram-se mal com ela e agora está cheia de vontade de se vingar do que lhe fizeram. Em ambos os casos, é de fugir, minha gente!

Temos, portanto, que as belezas presas são aquelas que mais apetecíveis deveriam ser.
O problema (há sempre um, não é?) está em que, se uma mulher comprometida ceder ao nosso encanto isso quer dizer que acaba por ir parar ao grupo das que se portam mal e que, por isso, não nos deveriam interessar. Se é capaz de mandar à vida o seu actual amor, também nos pode fazer o mesmo amanhã. E isso não seria nada agradável, pois não?

Chegamos, então, a uma espécie de beco sem saída... O que nos sobra afinal?

Camões: sempre

Por ocasião da leitura de uma obra de José Hermano Saraiva sobre a vida de Camões ("Vida ignorada de Camões"), ocorre-me publicar aqui essa maravilha (uma de várias) que o nosso Imortal nos deixou. Publicada - e lida -, até à exaustão, conserva, séculos depois, a beleza das coisas verdadeiramente eternas. Como o Amor, dirão alguns, como o Génio humano, apontarão outros. A verdade é que o bom velho Luís Vaz, rufia que fosse, sabia, como poucos, trocar o estoque pela pena.




Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?



Quem de nós não se revê em algo disto?

Cheiras tão bem

Agora que já vou começando a perceber umas coisas muito básicas de Alemão (lá me vou conseguindo concentrar nas aulas...), ocorre-me estar a ouvir Rammstein e "apanhar" pedaços das letras.

O ritmo é marcial, as guitarras rugem, as paredes vibram e o cantor rosna:

"Tu cheiras tão beeeem, tu cheiras tão beeeem. Eu acho-te tão booooa, tão booooa."

Bem, já toda a gente sabia que traduzir letras escritas em Inglês era um exercício que não nos brindava com grandes revelações. Pelos vistos, em Alemão também se dá o mesmo fenómeno. Mas isso até nem me preocupa por aí além. O que me faz espécie é que eu achava que os rapazes, no meio daquele ritmo martelado que me faz sempre pensar em soldadinhos a marchar, até diziam coisas com mais substância. Também tem a ver com a língua, é certo. O Alemão parece demasiadamente sério para banalidades. Mas é preconceito meu (e dos bem palermas). Às tantas, 99,9% das vezes em que eu não percebo o que é que o cantor diz, ele até está a debitar grandes pensamentos.

Bom... que se lixe! Se a rapariga cheira bem, isso merece ser dito, que raio!

"Tu cheiras tão beeeem, tu cheiras tão beeeem. Eu acho-te tão booooa, tão booooa." - Olhó teledisco aqui!

Nas asas do amor

Segundo li hoje, uma agência de viagens a operar no nosso mercado está a organizar o primeiro evento de skydating (tem sempre mais pinta, em "estrangeiro") que, traduzido de forma livre, seria qualquer coisa como "engate aéreo" o que até estaria muito bem para o caso. E que raio é isto de skydating, perguntar-se-á toda a gente? É simples: pega-se num número igual de homens e mulheres (nesta primeiro evento não haverá lugar para sexualidades "alternativas"), põe-se o pessoal num avião e, durante a viagem até ao destino (que, neste caso será Viena), os moçoilos solitários andarão a passear pelo avião a "conversar" com as pequenas que, por o serem - i.e., meninas -, não terão de dar-se ao trabalho sequer de se levantarem do assento. Eles que vão ter com elas (e é se quiserem!). Cada "conversa" só poderá durar cinco minutos e, no fim, serão entregues à organização as notas dadas por cada um a quem tiverem entrevistado (ou por quem o tiverem sido).

Chegados a Viena, os solteirões passam uma noite lá e voltam na manhã seguinte. Dias depois, receberão em casa uma cartinha com os resultados da aventura, ou seja, com indicação de terem sido, ou não, abençoados com um par.

Parece que a coisa não está a andar mal pelo lado feminino mas, no que diz respeito aos machos, ainda faltam 14. Isto até se percebe: uma coisa destas levanta suspeitas. As raparigas serão mesmo clientes ou mulheres pagas pela organização? E, se forem clientes, quantas delas serão imigrantes à procura de um passaporte? Nos dias que correm, é a situação mais provável.

Mas, fica aqui a notícia para quem quiser tentar e pagar EUR 160 para ganhar asas e - quem sabe? -, encontrar a sua cara-metade, algures pelos céus da Europa. Poderão sempre, um dia mais tarde, dizer: "Lembras-te de quando nos conhecemos, amor? Vi-te em França, falei contigo na Suíça e apaixonei-me ao chegarmos à Áustria."

Se o seu par não lhe cai do céu, não desanime e suba aos céus à procura dele...

Corações ao alto...
apartheid canino

Andava eu a organizar as minhas fotos (tarefa hercúlea) quando deparei com uma bem engraçada tirada em Lausanne (Suíça) em Novembro de 2005.

Aparentemente, na bela cidade suíça (há alguma coisa que não seja bela naquele país?), existe uma atitude discriminatória relativamente aos cães de cor preta. Aqui, não se pode falar em raça porque há, por exemplo, Labradores de cor preta, amarela, castanha..., portanto, o problema das autoridades de Lausanne é mesmo a cor!

Se você tiver um cão preto, ele tem de andar de trela e no lado esquerdo do caminho (ou seja, no cimento). Se ele for branco, já pode andar sem trela e na relva fofinha. Como é que isto se pode admitir? E - pergunta-se -, a que regra estão sujeitos todos os cães que não caibam nesta visão maniqueísta de preto e branco?

Se isto se passasse na zona "alemã" da boa Helvécia, ainda se conseguia perceber (mas nunca aceitar). Agora, logo em Lausanne, a cidade tão intimamente ligada aos Jogos Olímpicos...

Pobres cães pretos de Lausanne...
canções de amor

"As canções de amor" (Les chansons d'amour) é o último filme do francês Christophe Honoré a estrear em Portugal e conta-nos a história de Ismaël, um jovem adulto que vive uma relação a três com a sua namorada Julie e a "convidada" Alice. Com a morte da primeira, o triângulo desfaz-se e Ismaël acaba por ceder aos encantos de Erwann, o jovem bretão irmão de Gwendal, o novo e efémero romance de Alice. Confuso? Desagradado? Não se preocupe.

Em "As canções de amor" o que menos importa é a história. O trunfo do filme está, precisamente, nas canções que lhe dão o nome. Canções que não são complementos do enredo, pedaços musicais enxertados na narrativa, mas sim parte do discurso das personagens - diálogos musicados, se assim quisermos pensar. E são belas estas canções da autoria de Alex Beaupain e interpretadas (e bem) pelos próprios actores. Entre as várias composições destacam-se "Au parc" (por Chiara Mastroianni) e "As-tu déjà aimé ?" (cantada em duo por Grégoire Leprince-Ringuet e Louis Garrel). Mas, apontar temas em particular implica uma injustiça óbvia, tal é a qualidade de toda a banda sonora.

"As canções de amor" pode ser visto como uma espécie de "Magnólia" em Francês. Entenda-se que o filme propriamente dito nunca poderia ser comparado com essa obra maior de Paul Thomas Anderson. Honoré não é aquilo a que se possa chamar um realizador brilhante e bastaria lembrar esse horrível "A mãe" para desfazer quaisquer dúvidas. Não, é ao nível musical que a película gaulesa ganha estatuto de destaque, com canções sensíveis, melodias ora de uma beleza triste, ora de uma jovialidade contagiante (ouça-se o par de temas acima indicados).

A cinematografia francesa não é fácil. Filmes como aquele de que aqui se fala podem contribuir para chamar público às salas. É certo que, no fim, são as músicas que dão vontade de o rever mas um filme é feito de imagem e som e as bandas sonoras têm de ser aceites não como um acrescento mas como algo que pode ser essencial ao prazer do espectáculo. Nesta fita, a banda sonora é o espectáculo.
presente envenenado

Inscrevi-me num curso de Alemão, no IEFP. Fi-lo por puro gosto pela sonoridade da língua. Não preciso, para nada, de saber falar o idioma de Goethe, Beckenbauer ou Hitler. A música dos Rammstein vale por si indiferentemente do que as letras possam dizer. Os livros de Günter Grass são traduzidos. O futebol fala-se com os pés. O Metal germânico é cantado em Inglês...

Mas a língua tem uma classe que poucas partilham e foi com alegria que vi que o Estado se propunha oferecer-me um curso de um mês de Alemão. Sim, a palavra é mesmo "oferecer" porque apenas tive de pagar uma inscrição de €5 (cinco euros)!

Cinco euros por um mês com 3 horas por dia de aulas, direito a dossier, bloco de notas, caneta, material de apoio, lugar de estacionamento e... uma professora bonita. :)

Ora aqui é que a porca torce o rabo. É que eu acho que todas as professoras deviam ser feias. Professoras como a minha são boas para a assiduidade (quem é que quer faltar às aulas?) mas péssimas para a concentração. Ver uma bela rapariga andar de um lado para o outro, ajeitando os cabelos, expondo ocasionalmente um longo e alvo pescoço, distribuindo sorrisos enquanto vai dizendo "sehr gut!" (muito bem) e ter de conseguir prestar atenção à gramática é coisa que se aproxima da tortura...

Quando a esmola é muita, o pobre desconfia. O Estado presenteia-me com um curso que se aproxima de inútil (como tantos) mas que assenta que nem uma luva nos meus gostos culturais para, logo a seguir, me sujeitar à provação que é passar três horas diárias a domar as hormonas: "Quietas! Deixem-me estudar em paz!".

O que sofre um homem solteiro... ou, em Alemão, "Ein fraulos Mann"

ÚLTIMA HORA: indica-me um anónimo comentador que o termo para solteiro é "ledig". Seja! "Ein ledig Mann" ;)
o celibato sai caro

Um recente artigo na internet, no habitual estilo "está tudo mal", versava sobre as dificuldades por que passam as famílias. E, como celibatário forçado que sou, ocorreu-me que a vida dos outros, os que têm como melhor amiga a mão direita, talvez não seja muito melhor...

Ser celibatário é uma condição cuja razão depende de cada um. Uns são-no por escolha, outros por falta de oportunidade para mudar, outros porque calha. Mas, se as razões que levam quem vive sozinho a estar (e continuar) nesse estado podem variar de pessoa para pessoa, o certo é que as consequências de se ser solteiro e desacompanhado poderão muito bem ser notadas na maior parte dos elementos deste "estado civil". De todas, destacam-se as de nível sexual e económico. Eis uma pequena lista:


- A prestação da casa (ou a renda) cai-nos toda em cima.
- Água, luz, gás: é tudo por nossa única conta.
- Se tivermos um acidente de automóvel nunca temos testemunha porque estamos sozinhos.
- Se quisermos ir de férias, pagamos mais por irmos sozinhos.
- No cinema, os pares pagam meio-bilhete; os solteiros pagam bilhete inteiro.
- No ginásio, não há descontos de família.
- Nos impostos, não há descontos nem ajudas.
- No restaurante, somos os tipos que estão a ocupar uma mesa para vários - ou somos mal atendidos ou temos de levar com a má cara dos grupos que chegam e não têm lugar.
- Não há sexo (a menos que se pague). Se for esta a escolha (as prostitutas), o celibato ainda nos sai mais caro.
- Comemos mal - ou porque não sabemos cozinhar ou porque não dá gosto cozinhar só para um.
- A lida da casa tem de ser feita por nós. Podemos arranjar uma empregada mas isso implica ainda mais despesa.
- Se gostamos de crianças, isso é de desconfiar...
- Se falamos de mulheres é porque somos uns mulherengos incorrigíveis.
- Se já temos uma certa idade, então, somos maricas.
- Se o dia nos corre mal, só nos resta desabafar com as paredes.
- Se o dia nos corre bem, não temos com quem partilhar a alegria.


A lista continuava mas já estou suficientemente deprimido...
Pobres casais, que têm tantas dificuldades...