Curtas (10)

N'"A Brasileira", no Campo Pequeno, peço um copo de vinho ao almoço. Servem-mo num copo bastante sujo, com porcarias agarradas. O rapaz que me atende pede desculpa, serve-me outro copo e explica: "sabe, às vezes é dos nossos dedos".

Fiquei mais descansado.

Curtas (9)

No blog do Cláudio Ramos, por entre inúmeros auto-elogios, também há lugar a fortes palavrões.
Surpreendeu-me... nunca pensei que, na boca do rapaz, a versão vernácula de "pirilau" fosse um insulto.

A miúda dos sapatos vermelhos

Sempre houve uma coisa em mim que detestou modas e unanimidades. Se algo se tornava consensual, eu imediatamente começava a olhar para a coisa de soslaio. Há algo de estranho quando toda a gente está de acordo...
Recentemente, o panorama musical nacional viu ser editado um álbum de nome "Golden era", de uma cantora que responde pelo nome de Rita Redshoes. Já se vê que não é o nome da pequena até porque ela é bem portuguesa. Mas, como se insere nesta triste (e longa) moda de cantar em Inglês para Português ouvir (só os Moonspell é que conseguem ter uma carreira internacional?), a Rita Pereira resolveu arranjar um nome artístico "internacionalizante". Seja, então.

Como toda a gente anda a falar da moça, tecendo-lhe os maiores elogios, eu, cumprindo o meu feitio, não o vou fazer. Exactamente, eu não vou falar da obra mas sim da artista. E isto porque a pequena é um xuxuzinho que dá vontade de levar para casa. :)
Vi-a na FNAC...

(onde foi tocar algumas canções do seu óptimo disco)

...e imediatamente fiquei preso naqueles olhos grandes, risonhos, quase de criança que vê à frente uma recompensa. Primeiro em roupa à civil, durante os testes de som, com o cabelo apanhado num jovial rabo-de-cavalo e, depois,

(já durante o bem interessante concerto)

num vestido escuro, de lã - o que lhe motivou um desabafo por causa do calor ("tira! tira!" pensaram alguns...), com o cabelo solto e os sapatos vermelhos que lhe dão o nome artístico. O quadro era bonito de ver e serviu para ajudar a cativar...

(ainda mais)

...o público presente na FNAC do Chiado e que já devia conhecer o álbum em apresentação. Foi bom de ver...

(a artista!, que, da obra, eu não falo)

...e abriu o apetite para mais.

Rita Redshoes, antes de se lançar a solo, foi cantora de uma banda de nome Atomic Bees e mantém uma colaboração de anos com David Fonseca, tendo inclusivamente dividido uma bonita canção com ele. Há quem lhe chame uma protegida do leiriense...

(eu, se pudesse, tomava conta dela)

...o que pode ser mais um ponto a favor do ex-vocalista dos Silence4.


Bom, se não fosse a já minha declarada embirrância com os consensos...

(que me impede de dizer o quão boa é a música da Rita Redshoes)

...e o facto de eu a ter olhado mais do que ouvido, seria capaz de espraiar-me aqui em elogios ao disco, aos telediscos, à voz dela, às letras, ao vestido, aos sapatos, ao penteado, enfim, a todas aquelas coisas que compõem este projecto assente nuns saltos altos muitíssimo elegantes...

Venham mais Ritas, Marias, Albertas e Manelas que nós cá estaremos para olhar para elas. (fina rima, hem?)


NOTA: a foto da Rita Redshoes que aqui se vê foi despudoradamente roubada do blog da Rita Carmo (ritacarmo.blogspot.com)

Curtas (8)

O site Portugal Diário criou um novo visual e andou, durante semanas, a perguntar a opinião dos leitores. A maioria foi negativa. Consequência: o site mudou mesmo de visual e os comentários a favor passaram a ser considerados "o melhor do leitor".

Há gente que não tem a noção do ridículo... (já não bastava o mau jornalismo)

Os reis do ye ye

Era uma vez o tempo em que uma gravata era um acessório de "jovem", a maioria da população não sabia ler nem escrever, no quintal tínhamos territórios com leões e povos exóticos, um velho sovina fazia discursos convencendo-nos que ser pobre era uma coisa boa e os pretos na América, enquanto levavam bordoadas da polícia racista, faziam da melhor música que já se ouviu.

Hoje, a gravata é uma espécie de "opressão", quase toda a gente sabe ler e escrever (pitas à parte), as colónias foram-se, o velho calou-se, as pessoas enriqueceram, e os pretos na América, como já não levam porrada da polícia, dedicaram-se a inundar o mundo com o maior lixo que já se ouviu.

Como tudo são recordações (salvé Espadinha), sabe bem uma visita ao blog Os reis do Ye Ye para visitar o valioso espólio discográfico do Fantomas, um coleccionador de vinil cujo acervo bem merecia estar em mp3.

Imagens para saborear

Hoje deixo aqui uma sugestão para um blog: ritacarmo.blogspot.com/.

Rita Carmo fotografou diversos artistas e colocou no seu blog algumas das fotos, várias delas capazes de concorrer à designação de icónicas. A título de exemplo, reparem na beleza da imagem de Jorge Palma que ilustra este texto...

Muitas outras óptimas fotografias podem ser vistas no blog, abrangendo um leque de artistas vasto mas com clara predominância no que é bom, que é como quem diz, o que é nacional.

São imagens para saborear com calma, tentando ouvir nelas a música que as fez nascer.

Velho e cansado

Podia começar este texto de muitas formas. Uma delas seria lembrar-me de quando Mark Knopfler e os Dire Straits eram uma referência incontornável da minha adolescência. Da forma como eu e um amigo seguíamos a carreira da banda e do seu líder (a melhor fase a solo de MK foi durante os DS), de como lhe copiávamos a maneira de tocar, de como tentávamos aprender as músicas do Alchemy seguindo fotocópias de pautas, de como comprávamos ou gravávamos tudo aquilo em que o "mestre" tocasse (ou produzisse, ou abençoasse), de como pendurávamos nas músicas dos "Apertos Terríveis" alguns dos nossos sonhos ao som daquelas notas de guitarra que pairavam no ar e se alongavam ainda mais nas horas nocturnas. A vida faltava-nos ainda quase toda e, no entanto, tanto dela parecia já estar ali ao nosso alcance... Há traços de uma idade passada que acordam sempre que o início de Romeo & Juliet é dedilhado na guitarra de aço de MK; há horizontes que se tornam maiores na monumentalidade instrumental de um Telegraph Road; há uma menina que nos espera num parque de diversões qualquer, onde as bancas de tiros se cruzam com as lojas, logo ali, à saída do "túnel do amor".

Podia também começar relembrando a desilusão que foi ver (finalmente) os DS em Portugal. Muitos anos depois da sua fase maior, quando o nosso país se abria aos grandes espectáculos - então na enfadonha versão "concerto de estádio" -, a banda londrina ofereceu ao velhinho Estádio José de Alvalade um evento competente mas que já dava para perceber que a chama era pouca. Tempos mais tarde, tocaram no Algarve e as críticas foram unanimemente melhores. Pouca sorte das dezenas de milhares que estiveram em Lisboa...

Finalmente, podia falar do outro concerto de MK que vi no Pavilhão Atlântico e onde a "decadência" do homem que Herman José considera categoricamente como o pior entrevistado que já lhe calhou (só respondia por monossílabos), já dava mostras da sua graça: um espectáculo chato que só se animava quando MK ia ao baú buscar os icónicos temas dos DS.

Se, nos concertos dos Scorpions, metade do público está lá pelas baladas (mulheres) e a outra metade pelo Hard Rock (homens), nos espectáculos de MK, toda a gente está lá pelos Dire Straits. A diferença é que a banda alemã é feita de gente minimamente atenta aos gostos de quem lhe sustenta o nível de vida e procura agradar a todos, enquanto que Knopfler está-se marimbando para a montanha-russa que são os aplausos ao longo das cerca de duas horas em que toca: da relativamente comedida reacção aos temas "a solo" ao quase delírio quando os anos 80 "straitianos" surgem. A alegria do reencontro chega a ser tal que ofusca completamente momentos que deviam ser saboreados com um silêncio quase religioso (mais uma vez, a guitarra de Romeo & Juliet).
Os concertos de Mark Knopfler dificilmente poderão melhorar. O caminho apresenta-se claramente descendente. Por várias razões: MK já não tem o talento de compositor que tinha; a colagem a estilos tipicamente americanos diminui-lhe a margem de criação; Knopfler quer ter uma carreira sua (se assim não fosse, ressuscitava os Dire Straits - operação certamente de retorno milionário). Quanto mais anos passarem e maior for o reportório a solo, menos espaço haverá para as canções dos DS. O público perde - MK está-se, certamente, lixando.

Toda a atitude do escocês é feita de um laxismo que só cede perante a competência técnica. E mesmo esta parece, aqui e ali, ser incomodada por algumas precipitações (houve ou não versões "encurtadas" de alguns momentos?). MK passeia (enfim, apresenta) em palco uma barriga redonda sobre a qual assenta as diversas guitarras que vai usando, cada uma com a sua afinação e nem sempre a que se espera nos temas. Compreende-se que haja cansaço por parte do artista ao executar infinitas vezes alguns temas mas, daí a mostrar menos cuidado na interpretação... É essa a imagem do profissionalismo que Knopfler não parece seguir. Em cima do palco, ele tem de dar espectáculo. E isso passa por uma selecção de temas que agradem ao público e por uma atitude enérgica na interpretação. Várias vezes dei por mim, no Campo Pequeno (muito más condições, no segundo andar) à beira do enfado absoluto, olhando para um homem que parecia mais estar a tocar num qualquer evento para paralíticos com problemas de insónia do que para milhares de (velhos) fans seus.
As músicas escolhidas para serem interpretadas foram do mais chato que se possa imaginar. Momentos houve em que mais parecia que era preciso encher uns minutos com qualquer coisa e enfiava-se uma suporífera bucha no estilo arremessado de "country" que MK agora segue, do que estarmos propriamente num concerto de um nome grande da pop britânica. Mau demais!


Mark Knopfler podia tocar sentado num sofá. Aliás, custa-me a crer que a displiscência daquele não lhe tenha já segredado ao ouvido semelhante sugestão. Assim por assim, a figura chega a ser tão imóvel que só se lhe vêm os dedinhos mexer, algo que continuaria a poder fazer confortavelmente refastelado. O público poderia fazer o mesmo e, deixando-se ir na onda, adormecer sonhando que estava de volta aos anos 80/90 quando uma banda chamada Dire Straits era fundamental no panorama musical mundial, aí ainda liderada por um magro e razoavelmente mexido guitarrista de fita na cabeça e não por um avô de ar quase sempre sisudo.

O problema de MK é que, apesar da sua enorme obra, é demasiadamente humano para o que um artista deve ser. Aos grandes músicos não cabe o direito de envelhecerem tanto ou mais do que os seus fans. Há qualquer coisa de imoral numa criatura que, em cima do palco, não faz questão de ser mais jovem do que o mais novo dos seus espectadores. A idade não pode ser desculpa. Os Rolling Stones continuam aos saltos em palco, Bryan Adams parece um adolescente, os Iron Maiden debitam hora e meia de pura energia. Todos com estilos muitíssimo mais exigentes do que o de MK.

Fui a este concerto como uma espécie de tira-teimas. Tirei-as todas: cinco ou seis músicas de Dire Straits (Sultans of swing, Romeo & Juliet, Telegraph Road, Brothers in Arms, So far away) não são suficientes para justificar o preço do bilhete, ainda mais quando estamos sentados como sardinha em lata, encaixados entre o sujeito de cima e o de baixo, mexendo um pé e acertando nas costelas de alguém, com colunas à frente e gente sempre a passar devido à má disposição dos acessos das entradas às cadeiras.

A noite estava quente, como se fosse Verão. Mark Knopfler, como de costume, pos gelo na coisa.

Curtas (7)

Uma vizinha minha mostrou-se ofendida porque lhe enviei uma carta de reclamação e comecei-a com "Caríssima".

As meninas da net

Já aqui deixei, noutra ocasião, uma amostra da minha opinião sobre o tipo de pessoas que nos arriscamos a encontrar nos sites de "encontros". Não vale a pena repetir o que escrevi então mas valerá relatar alguns exemplos das prendas com as quais nos deparamos. E porquê fazê-lo agora? Porque me apetece e, sinceramente, não me estou a lembrar de nada melhor. :)





Caso 1: a psicóloga clínica

Uma rapariga a meio dos trintas, solteira, de aspecto chamativo (o que não é, necessariamente, sinónimo de beleza), presente em quase todos os sites de procura de uma cara-metade, aparentemente muito bem na vida...
Conversa-se com ela no MSN, diariamente, várias horas por dia, chega-se à conclusão de que há uma sintonia quase total de gostos e pontos de vista, somos soterrados em fotografias (dela, da família e dos cães), marca-se um encontro e, dois dias antes do grande momento, comete-se uma falha monumental: no meio de (mais) uma conversa, digo à moçoila para ser ela a puxar um assunto porque era quase sempre eu a fazê-lo. O que eu fui escrever! Que julgava que estava a falar com uma pessoa adulta, que éramos iguais, isto e aquilo e... silêncio.
Continuo a vê-la nos sites...


Caso 2: a comercial da multinacional

Mais uma trintona, de aspecto agradável, muito bem na vida, divorciada após um casamento de vários anos, vivendo numa zona moderna da cidade, quadro comercial numa multinacional do sector informático. Fala-se com ela algumas vezes, a coisa corre muito bem, e eis que, no meio de uma troca de banalidades (o que estás a fazer? o que estou eu a fazer?) escrevo que estou a tratar das fotos de alguém. "Mas, que relevância é que isso tem para a nossa conversa?!", dispara ela à queima-roupa.
Depois do "tiro", nem mais uma palavrinha...


Caso 3: a brasileira lusófila

Desta feita, o apelo foi do outro lado. Uma mensagem enviada e começa-se uma troca regular de mensagens e conversas no MSN. A rapariga é atrevidota (claramente à procura de noivo no lado de cá), o assunto é esclarecido e continua-se a conversar, inclusivamente sobre um bigodado pretendente à pequena. Passam-se semanas e meses e vai-se mantendo o contacto. Chega-se inclusivamente à fala propriamente dita. A rapariga resolve vir a Portugal (passando por Lisboa) para conhecer a terra de que diz tanto gostar e passear na companhia do pretendente. Pois bem, julgam que teve qualquer interesse em conhecer-me pessoalmente? Nada disso. Afinal de contas, vir a Portugal deve ser como ir ao café da esquina. Meses de conversas e nem a curiosidade de se estar à frente de alguém com quem se discute todo o tipo de assuntos.
Um dia muito mais tarde, perante uma "brincadeira" minha relativa ao esquecimento do meu nome, finge-se ofendida e "desliga".


Caso 4: a constipada

Cachopa atraente, a menina nos vintes, administrativa (?) numa empresa nas Olaias. Um bocado abaixo da idade para mim (ou eu acima, para ela) mas, ainda assim, tenta-se a coisa. Fala-se uma ou duas vezes e eis que me lembro de perguntar à rapariga se estava melhor da constipação. Bruto como só eu, pergunto se ainda estava "entupida". Ai credo, o vilão mal-educado! Corte imediato.


Caso 5: a professora universitária

Moça culta e cheia de histórias, do tipo palrador, divertida pela capacidade de conseguir falar sem parar sobre si e as coisas de que gosta. Encontramo-nos duas vezes. Não há atracção física mas a personagem é "engraçada" e interessante no acesso a um nível cultural pelo qual me sinto atraído. Trocam-se mensagens mas falho em ficar com o telemóvel da catraia (já repararam nos sinónimos de "mulher" que vou usando? - aprendam, que ficam com o vocabulário mais rico). Um dia "insinuo" que ela mo pode dar para nos podermos encontrar "acidentalmente". Como assegura já mo ter dado e eu não ter ficado com ele por falta de vontade, exige que eu lho peça explicitamente. Que não seja "naquela de saber" - não! -, tenho de o pedir.
A coisa fica por ali. Eu sem o número da menina e os dois sem (aparentemente) falarmos mais.


Caso 6: a brasileira ressabiada

Brasileira, 26 anos, estudante de psicologia na Universidade Lusófona. Bom aspecto...
Envia-se uma piscadela através do Match.com, recebe-se outra de volta, começa-se a conversar...
Na terceira linha, a miúda diz o que faz; na quinta, já está a dizer mal da maneira de ser dos Portugueses; na oitava chama-me nomes por eu dizer que não gosto do ensino universitário particular.
Corto a comunicação mas ela não gosta. Faz questão de continuar a vomitar o seu ressabiamento e má-educação em dois ou três emails irados.
Uma das coisas de que esta estudante universitária (futura "psicóloga") me tenta convencer é que, no Brasil, "mas" se escreve "mais"... Dá bem a noção da animalária...


Caso 7: a infeliz

Uma cara muito bonita chama-me a atenção num site. Como o email dá para ser percebido, adiciono-a ao MSN. Um dia, lá a apanho. Foi das conversas mais tristemente estúpidas que tive com alguém: a rapariga afirmava-se uma desgraçada, possuída por uma tristeza sem fim e até pedia desculpa por estar a escrever-se comigo, a pobre. Sem instrução, sem alegria, sem dinheiro, sem nada...
E eu sem pachorra...


Caso 8: a cantora pop

Parte de um trio pop, mais conhecido pelo aspecto das garinas do que pela sua música, esta moça passou largas horas de conversa comigo. Falou-se de muita coisa, trocámos números de telefone, SMS de Boas-Festas, ela enviou-me fotos em que aparecia nua, etc. Pois nunca consegui encontrar-me com a rapariga!
E uma pessoa fica assim, a modos que a pensar... se nem fotos de nudez significam alguma coisa...


Caso 9: a inquisidora

Uma vez, arranjei o contacto de uma rapariga que trabalhava num escritório de advogados perto de mim. Já não me lembro da origem do contacto mas lembro-me da absoluta frieza indagadora da criatura. Após os "olás" da praxe, a mulher ataca-me com um questionário cerrado: "Altura, peso, cor dos olhos, emprego (...)". A coisa morreu ali, naquela altura. Noutro dia, recuperada a paciência para aturar malucas, voltei à carga. E o cenário repetiu-se. :)

Curtas (6)

O Holmes Place da Avenida da Liberdade (Lisboa) tem descontos para homossexuais ou é só uma grande coincidência a enorme quantidade deles que lá anda?