Zona vermelha

Que se desengane quem pensa que só em Amesterdão, Hamburgo e outras decadentes cidades é que há zonas vermelhas. Por cá também existem e até é preciso pagar para parar por lá... :)

Arma emperrada

Aparentemente, em Moscavide, um grupo de 10 a 15 brasileiros terá invadido a esquadra local para agredir um sujeito que apresentava queixa precisamente contra o grupo em questão. Nas instalações só se encontrava um polícia que não impediu as agressões ao queixoso.A existência deste agente único na esquadra do subúrbio lisboeta foi imediatamente vista como mais uma prova da falência do sistema de segurança pública e, como não podia deixar de ser, apontou-se o dedo à vítima do costume: o Governo. Mas o caso é mais sério do que possa fazer parecer a ligeireza com que tudo é resumido pela população com um "a culpa é de...". Se esta situação for efectivamente verdade (lembremo-nos do "arrastão" em Carcavelos e que, na realidade, nunca existiu), há várias coisas que devem ser analisadas. Para começar, a atitude (ou falta dela) do agente de serviço. O que fez ele para proteger o cidadão que apresentava queixa? Tentou protegê-lo? Fê-lo de forma activa ou passiva? Estava armado? Se estava, porque razão não usou a arma para impedir que uma vítima que se queixava fosse ainda mais incomodada (a ponto de ter ido parar ao hospital)? A partir de que momento é que um polícia acha que é legítimo sacar da pistola que o Estado lhe atribui para sua defesa e dos cidadãos que jurou proteger? Quinze indivíduos numa esquadra agredindo um só homem não bastam? É só a partir de vinte? Que não me queiram convencer de que o agente seria vítima de perseguição institucional se tivesse cumprido o seu dever de forma firme! Quinze imigrantes agredindo uma pessoa dentro de instalações policiais é situação mais do que suficiente para justificar a utilização de uma arma! Irra!
Depois, passando à frente da incompetência do agente, há que analisar a reacção "popular". Esta, inevitavelmente, assenta numa histeria securitária (mais polícia, já e em todo o lado!), em complexos xenófobos (os estrangeiros são sempre piores) e na secular dependência de terceiros (ninguém se preocupa em prevenir e agir - os outros que o façam). Diz a voz do povo que não se pode aceitar que uma esquadra só tenha um polícia de serviço. É um ponto de vista, apesar de tudo, defensável mas que se deixa derrotar pelo paradoxo que é a população querer mais agentes na rua e, ao mesmo tempo, na esquadra! Se houvesse mais polícias "dentro", queixar-se-ia o Zé Povinho de não os ver "fora", onde são mais precisos...

Um demagogo resolveria a situação facilmente: mais polícia! E ficaria por explicar porque razão temos nós uma necessidade endémica de ter polícias a escorrer das paredes quando, noutros países com mais crime e meios para o combater, isso não acontece? Porque razão, no Japão, há quiosques na rua com um (um só) polícia lá dentro? Isso é sinal de incompetência organizativa? Não me parece. Esse agente serve para "receber" o cidadão e impor respeito no local mas não é a ele que compete a perseguição. Cá como lá, é à patrulha de rua que compete velar pela segurança pública. É um trabalho de rua, não é de secretaria!

Mas cá, na tugalândia, o que se quer é polícia por todo o lado. Quiçá ao estilo de Buenos Aires onde não se anda cem metros sem se encontrar um índio na sua farda preta. Mas eu preferiria uma coisa mais à Suíça (polícia? onde está ela?). Estilos à parte, o que importa sempre é que, quando a coisa aqueça, o responsável pela manutenção da ordem pública se saiba impor e isso, por mais leis que se façam, por mais agentes que se ponham nas ruas, por mais ministros que falem, é sempre uma coisa do homem que está no terreno e da sua capacidade para analisar a situação e a melhor forma de cumprir o seu dever. O povo quer mais polícias. A mim, bastava-me que os que existem fossem bons. No caso, que em Moscavide o agente tivesse sacado da pistola e a apontasse de forma decidida aos meliantes. Estes, após identificados, só teriam um caminho: o da expulsão do país. Bastava-me isto.

A vez dos xicos-espertos

Em primeiro lugar foi o autoritarismo de uma professora que, sem saber impor disciplina, resolveu arrancar das mãos de uma aluna o telemóvel que esta usava (erradamente).

Em segundo lugar foi a indisciplina, falta de educação (e revolta) de uma aluna a quem foi tirado um objecto seu e que resolveu agir pela mesma medida no meio da sala de aula, envolvendo-se numa ridícula cena de "Dá cá o telemóvel, já!!!" com a professora.

Em terceiro lugar foi a boçalidade e cobardia dos colegas da rapariga que, em vez de colocarem água na fervura, ficaram a apreciar (e incentivar) o espectáculo.

Em quarto lugar foi a traição de um colega que filmou e colocou na internet tudo o que se passou naquela sala da escola Carolina Michaelis, no Porto.

Em quinto lugar foi o asqueroso aproveitamento político feito pela oposição ao Governo, pretendendo fazer deste caso pontual (na forma) uma questão política quando não passava de simples gestão da disciplina num estabelecimento de ensino.

Em sexto lugar foi o corporativismo dos sindicatos que, como não podia deixar de ser, resolveram associar o caso à "luta" dos professores em torno dessa coisa eterna que é o "estatuto da carreira docente" que, desde a minha mais tenra idade, sempre foi um eufemismo para "melhores salários".

Em sétimo lugar foi a visão de fim da civilização partilhada por essa massa de gente anónima e burra para quem tudo quanto seja problema gerado pelo progresso é consequência do 25 de Abril e do facto de alguém não saber dar umas boas bofetadas a não sei quem.

Em oitavo lugar foi o habitual circo montado pela comunicação social, esse monstro sedento de conflitos e desgraças, cada vez mais um vampiro que suga as vítimas até à última gota de polémica para, de seguida, as deixar cair no esquecimento, depois de as ter exposto ao ridículo e à vergonha públicas.

Em nono lugar foi a inépcia do Ministério da Educação que, prontamente, devia ter movido os mecanismos legais para proteger a imagem e o bom nome quer da professora, quer da rapariga, minimizando a exibição do vídeo e de imagens associadas.

Em décimo, chega a vez dos xicos espertos que resolveram ganhar dinheiro com a situação. É evidente que a comunicação social não faz outra coisa do que ver pingar os euros com a divulgação (tendenciosa) de certas notícias mas tudo se torna mais chocante quando uma empresa resolve por à venda na internet um toque de telemóvel com o som da discussão entre a professora e a aluna.

"Dá cá o telemóvel, já!!!" pode ser o som que você se arrisca a ouvir quando a pessoa que está ao seu lado receber um telefonema. E faz-se a pergunta: a professora está à beira de uma depressão, a aluna está marcada para os tempos mais próximos e, como se isso não bastasse, aparece alguém a fazer lucro com a divulgação da triste cena, sem que seja pedida qualquer autorização às "vítimas", sem que haja o mínimo respeito pelos direitos de personalidade e mesmo pela dignidade de duas criaturas que nunca pediram para serem filmadas e postas na internet. Se isto fosse na América, a empresa em questão já estava com um processo de milhões de dólares em cima. Como é por cá, ninguém se mexe. A professora porque está doente, a aluna porque quer é esquecer o sarilho em que se meteu e a sociedade porque acha muito giro andar por aí a perpetuar num toque de telemóvel uma cena de indisciplina escolar.

Cena que, diga-se de passagem, não é em nada diferente de outras que sempre se passaram nas escolas. Sendo eu um exemplo de pacifismo estudantil, não consigo esquecer-me de imensas situações que oscilaram entre o engraçado e o miserável passadas nas salas de aulas da Escola Secundária D. Pedro V, em Lisboa, estabelecimento que não apresentava qualquer problema geral quer de indisciplina, quer social (isto nos anos 80). Uma das que me ocorre já é a do "roubo" do livro de ponto e recusa na sua entrega enquanto a professora não retirasse a falta a um qualquer aluno. Mas na altura não havia telemóveis com câmara de filmar, nem internet, nem Youtube...

Estaciona aí, bobi

Desconheço se neste estacionamento existirão arrumadores. Talvez não. As vítimas do serviço podiam morder...

Este estacionamento para cães fica junto ao Minipreço da Rua Alexandre Herculano (Lisboa).

'Tá tudo mal!

Fotografia tirada junto à Estrada de Benfica (Lisboa).

O hóspede

A família vai de férias e fica-se a tomar conta da mascote. A casa ganha nova vida com a alegria de um cão, enche-se o tempo de pequenas graças, ocupa-se as horas com a presença do bicho. Presença permanente, feita de uma quase perseguição por todos os cantos da casa e de muito pelo largado. Os animais são assim: mesmo quando são chatos, acabam por ser amorosos. Dá-se comida, leva-se a passear, brinca-se com a criatura e, à noite, luta-se por um lugar na cama :)

Ainda bem que os animais nos deixam tratar deles.

Em defesa das cabras

Naquele país mais evoluído do que nós, eleito por Deus para mostrar o caminho da Democracia ao mundo (Zimbabwe à parte), há gente com responsabilidades políticas cuja preocupação actual é a sexualidade das cabras. Mmm... isto cheira a brejeirice, dirão alguns. Nada mais errado: não me refiro aqui ao eufemismo vernáculo usado para caracterizar muitas fêmeas da espécie humana mas sim às verdadeiras cabras. Essas mesmas, aquelas com cornichos e tetas e que levam tudo à boca e que fazem béééé.
Pois bem, a senadora Nan Rich (a bela senhora na foto), do estado da Florida (Florida, ou seja, com flores - não é FlÓrida), conseguiu que fosse aprovado um projecto-lei no seu estado proibindo a bestialidade, isto é, o sexo com animais.

Na Palestina, é punível o sexo com animais se estes forem do mesmo género, ou seja, condena-se a homossexualidade inter-espécies. Mas, como esta coisa dos árabes pode ser vista como homofobia e os americanos são muito sensíveis ao politicamente correcto, na Florida deu-se um passo em frente e pretende-se cortar o mal pela raiz. E tudo isto porque a Meg, a mascote de um casal que espera gémeos, apareceu "violada" e asfixiada! Percebe-se a razão de ser de terem morto o animal: foi para impedir que ele apresentasse queixa. Quanto à violação propriamente dita, as minhas suspeitas encaminham-se todinhas para o futuro pai. Se uma mulher grávida já se corta, imagine-se uma mulher duplamente grávida! O pobre homem não devia saber o que é sexo há muito e, entre satisfazer os desejos de grávida da sua mulher e a rejeição desta em satisfazer os seus desejos de macho, o coitado deve ter começado a olhar com outros olhos a inocente Meg.

Há no entanto que fazer de advogado do diabo e perguntar se a Meg seria assim tão inocente. Ela terá consentido? Ela terá provocado o violador? Que roupas usava a cabra? Gostou do que ele lhe fez? Tentou fugir? São perguntas perturbantes que têm de ser feitas.

Quanto à boa da Nan Rich, assegura ela que quem é capaz de abusar sexualmente de um animal também é capaz de o fazer a uma criança. Estará nesta lógica o segredo da compreensão do fenómeno dos abusos sexuais cometidos por padres católicos nos EUA? Afinal de contas, tudo se resume a uma coisa de "rebanho"... Cabras, ovelhas, venham a mim as criancinhas...

Quem não parece olhar tudo isto com bons olhos é a enorme população reformada que habita na Florida (estado para onde os velhos vão morrer). E isto porque muitos encarariam uns afagos a uma cabra como a sua derradeira hipótese de se divertirem...


P.S. - a um nível enciclopédico será interessante reparar que existe, de facto, uma ligação no imaginário masculino entre animais e sexo. Senão, veja-se os nomes dados à vagina: rata, mexilhão, ostra, aranha (Portugal), coelho (conejo-Espanha), castor (beaver-EUA), "gata" (pussy-Reino Unido / chatte-França).

Sport Lisboa e Barcelona

Para aquela espécie de "inocentes" que vêem no país do lado uma espécie de sol na terra, aqui fica um bom exemplo (um de entre muitos) do respeito (ironia...) que lá se tem por tudo quanto tenha origem aqui na santa terrinha. Neste caso, trata-se de uma imagem feita a partir do site do jornal El Pais (um dos principais de Espanha). A página em questão é a "ficha" do Benfica no dia depois do grande jogo com o Sporting que este venceu por 5-3. Repare o leitor que na imagem se vê que, notícias respeitantes ao maior clube português, só as que tenham alguma coisa a ver com espanhóis. Referência ao clássico do desporto nacional, nem vê-la. E, para cúmulo, o próprio nome do clube vem confundido com o do Barcelona. Quanto ao treinador, é um tal "Ferreira" e o presidente é o "Manuel Lino Rodrigues" que, após pesquisa, vim a descobrir ser o Vilarinho... E a equipa? Bom, deixo a si o trabalho de se lembrar dos jogadores de há cinco anos...

Um dia para quem?

Hoje é 18 de Abril, o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios. Para quem está habituado a ouvir falar de dias para tudo e mais alguma coisa, é forçoso salientar que, neste dia, há coisas verdadeiramente interessantes. Para quem tenha o gosto pelo património, há um banquete de visitas a fazer, muitas vezes a locais que não estão abertos ao público. É um dia que devia ser uma semana, digo eu. Mas, sobretudo, é uma data que devia ser móvel (como querem fazer aos feriados religiosos) de forma a que calhasse sempre a um fim-de-semana. Convenhamos, a quem beneficia um dia festivo que calha (como hoje) num dia de trabalho? Qual é o impacto efectivo de todas as actividades programadas? É coisa para crianças em visita escolar, velhos e turistas ocasionais. Os outros? Que trabalhem ou metam férias!

Para quem leia isto e não esteja a fazer nada, aproveite para dar um salto a 18deabril.sapo.pt e escolha uma coisa que lhe interesse. Aos outros, fica a inveja de não poderem usufruir de todo o trabalho preparado pelas diversas entidades (e que não deve ter custado pouco).

Diferenças de atitude

Abre a nova época tauromáquica no Campo Pequeno, em Lisboa. Pela primeira vez, resolvo ir à tourada ("aos toiros"). Enquanto contorno a praça, reparo em dois camiões de transporte de cavalos ali estacionados. Ambos pertencem a cavaleiros que vão actuar à noite. O camião da esquerda é do espanhol Pablo Hermoso. É um camião todo pintado, com uma grande imagem de um belo andaluz branco, na traseira e, nos lados, uma gigantesca assinatura do toureiro. Os vidros estão protegidos com ferros à maneira tradicional dos que protegem as casas no sul de Espanha. É uma coisa feita para o espectáculo, para impressionar quem a vê.
À direita, está o veículo do nosso Luís Rouxinol. A diferença é abismal. Aquilo que no toureiro vizinho é imponência e vontade de se mostrar, no nosso é saloíce e displiscência. O camião está pintado de cinzento. Na traseira tem uma curriqueira imagem do cavaleiro. Nos lados, o nome da personagem está escrito numas letras incaracterísticas e, pasme-se!, há anúncios do fabrico e venda de matraquilhos!

A velha expressão "uma imagem vale mil palavras" aplica-se bem a este caso. É a diferença entre saber-se vender, saber projectar uma imagem, e o deixa andar lusitano para quem a embalagem nunca tem qualquer valor.

Depois, digam que a culpa é do Governo...

P.S. - Na arena, o "nosso" portou-se melhor, como seria de esperar.