De volta!

Tão perto mas ainda tão distante é o que se pode dizer do concerto dos Iron Maiden marcado para 9 de Julho, no festival Super Bock / Super Rock (versão lisboeta).

Ver este cartaz e recordar o melhor período da banda britânica, esse trio de álbuns composto por "Powerslave", "Somewhere in time" e "Seventh son of a seventh son", com a intrusão do monumental registo ao vivo que é "Live after death" (disco com o qual me iniciei nas maravilhas da distorção), é como viajar ao passado para lá encontrar os sabores da adolescência, agora temperados pelo sal de uma idade maior.

Os Iron Maiden, independentemente de um natural(?) menor fulgor em termos de composição continuam a ser a grande referência em termos de Heavy Metal, entendendo-se o termo na pureza do melhor estilo da NWOBHM.

A banda de Steve Harris construiu um lugar à parte para si, feito de excelência musical e lírica mas também de um posicionamento quase "senhorial" no que diz respeito aos "tiques" quase sempre presentes nos intérpretes de hard'n'heavy. E é essa atitude, associada a uma forte noção de espectáculo e profissionalismo que fazem de um concerto de Iron Maiden uma aposta ganha à partida.

É pena não se poder andar com o calendário para a frente. Apetecia-me que este dia grande fosse já amanhã!

Sem descanso

Já não bastavam as aparelhagens aos berros, as colunas a bombar nos automóveis e, suprema perseguição!, os telemóveis a debitarem hip-hop e kizomba nos autocarros, ainda há mentes preversas para quem tanto não basta e, vai daí, toca de inventarem roupa com colunas de som, para que os grunhos possam passear-se a, literalmente, dar-nos música.

Para quando as carreiras comerciais para a Lua?

Crescei e multiplicai-vos!

Estava eu no IKEA a preparar-me para colocar uma embalagem grande no carrinho de compras e chega uma rapariga ao pé de mim perguntando-me se precisava de ajuda, que ela segurava no carrinho. Agradeci-lhe dizendo que o difícil mesmo era puxar a caixa, que era pesada. Não se fez rogada a moça e logo me ajudou a puxar os dois metros de cartão recheado de madeira. O namorado, levantou-se de onde estava e veio segurar o carrinho. Entre os três, conseguimos por a caixa no sítio.

E eu fiquei assim meio parvo... agradeci-lhes, obviamente, mas a minha vontade era ter-lhes dado um abraço e perguntado se havia mais de onde eles vinham.
"Importam-se de ter dez filhos?", seria outra pergunta a fazer.

Às vezes (mas é mesmo só às vezes), ainda dá gosto lidar com pessoas.

Qualquer coisa por um biscoito

Este cão é um interesseiro. Apetece-me colar papéis nos postes com a foto do bicho e uns dizeres do tipo "se vir este cão, não lhe dê nada". Levei-o de férias no fim-de-semana grande, brinquei com ele, alimentei-o, deixei-o ocupar mais de metade da cama, levei-o à praia, fiquei com o carro cheio de areia, saí com ele mais de duas vezes por dia, apanhei-lhe a caquinha e quando, em plena Serra do Caldeirão, lhe pedi para pousar para umas fotos amaricadas no meio de umas flores amarelas, o que é que o gajo faz? Recusa-se!

"Senta, senta, deita, deita". Nada funcionava. Quando o bicho está assim, só há uma coisa a fazer: recorrer ao suborno.

Olhem para a carinha dele a contemplar o biscoito que tenho na mão... :)

Pelo ar é mais seguro

Que os passeios já tinham sido conquistados pelos automóveis, isso já se sabia. Que as esplanadas, em muitos sítios, também nos deixam pouco espaço para passar, também já era sabido. Que as "tralhas" dos comerciantes, os buracos no chão e as poças nos obrigam a desviar do caminho muitas vezes, também não é novidade. Agora... que ao virar de uma esquina choquemos com uma daquelas "moto-bostas" (as motos que andam a recolher a caquinha dos cães), isso é que já me deixa de boca aberta. Felizmente, tive reflexos rápidos e evitei o atropelamento que, em condições extremas me deixaria, esse sim, no chão e de boca literalmente aberta. E uma pessoa pergunta: que merda de inconsciente é que anda a acelerar por um passeio estreito, entalado entre uma parede e os carros estacionados, sem abrandar ao aproximar-se de uma esquina e, de tão bruto que é, nem sequer consegue pedir desculpa por quase passar a ferro alguém?

Apetecia-me pegar na "motocão" (é o nome oficial) mais o seu condutor e colocá-los numa camioneta do lixo, só para imaginá-los ali, às voltas...

Para que não haja dúvidas

Graças à distribuição de publicidade porta-a-porta que entope as caixas de correio de cada um com toneladas de lixo, surgiu um novo fenómeno que é o dos cestos para colocação de panfletos com os malfadados anúncios. Um pouco por todo o lado lá vão surgindo uns depósitos para que as chagas que por aí andam, tocando à campainha de prédios inteiros logo às 08:00, possam largar a sua inútil carga sem causar grande prejuizo a terceiros. Mas, aparentemente, os moradores de um prédio em Benfica (Lisboa) foram confrontados com uma espécie particularmente estúpida de distribuidor que não deve ter percebido à primeira para que servia o cestinho. Vai daí, toca de escrever em garrafais e vermelhas letras a função do objecto: "Receptáculo de publicidade". Percebo o desespero dos autores do aviso. Tenho é dúvidas quanto à compreensão do termo por parte dos distribuidores...

Zona vermelha

Que se desengane quem pensa que só em Amesterdão, Hamburgo e outras decadentes cidades é que há zonas vermelhas. Por cá também existem e até é preciso pagar para parar por lá... :)

Arma emperrada

Aparentemente, em Moscavide, um grupo de 10 a 15 brasileiros terá invadido a esquadra local para agredir um sujeito que apresentava queixa precisamente contra o grupo em questão. Nas instalações só se encontrava um polícia que não impediu as agressões ao queixoso.A existência deste agente único na esquadra do subúrbio lisboeta foi imediatamente vista como mais uma prova da falência do sistema de segurança pública e, como não podia deixar de ser, apontou-se o dedo à vítima do costume: o Governo. Mas o caso é mais sério do que possa fazer parecer a ligeireza com que tudo é resumido pela população com um "a culpa é de...". Se esta situação for efectivamente verdade (lembremo-nos do "arrastão" em Carcavelos e que, na realidade, nunca existiu), há várias coisas que devem ser analisadas. Para começar, a atitude (ou falta dela) do agente de serviço. O que fez ele para proteger o cidadão que apresentava queixa? Tentou protegê-lo? Fê-lo de forma activa ou passiva? Estava armado? Se estava, porque razão não usou a arma para impedir que uma vítima que se queixava fosse ainda mais incomodada (a ponto de ter ido parar ao hospital)? A partir de que momento é que um polícia acha que é legítimo sacar da pistola que o Estado lhe atribui para sua defesa e dos cidadãos que jurou proteger? Quinze indivíduos numa esquadra agredindo um só homem não bastam? É só a partir de vinte? Que não me queiram convencer de que o agente seria vítima de perseguição institucional se tivesse cumprido o seu dever de forma firme! Quinze imigrantes agredindo uma pessoa dentro de instalações policiais é situação mais do que suficiente para justificar a utilização de uma arma! Irra!
Depois, passando à frente da incompetência do agente, há que analisar a reacção "popular". Esta, inevitavelmente, assenta numa histeria securitária (mais polícia, já e em todo o lado!), em complexos xenófobos (os estrangeiros são sempre piores) e na secular dependência de terceiros (ninguém se preocupa em prevenir e agir - os outros que o façam). Diz a voz do povo que não se pode aceitar que uma esquadra só tenha um polícia de serviço. É um ponto de vista, apesar de tudo, defensável mas que se deixa derrotar pelo paradoxo que é a população querer mais agentes na rua e, ao mesmo tempo, na esquadra! Se houvesse mais polícias "dentro", queixar-se-ia o Zé Povinho de não os ver "fora", onde são mais precisos...

Um demagogo resolveria a situação facilmente: mais polícia! E ficaria por explicar porque razão temos nós uma necessidade endémica de ter polícias a escorrer das paredes quando, noutros países com mais crime e meios para o combater, isso não acontece? Porque razão, no Japão, há quiosques na rua com um (um só) polícia lá dentro? Isso é sinal de incompetência organizativa? Não me parece. Esse agente serve para "receber" o cidadão e impor respeito no local mas não é a ele que compete a perseguição. Cá como lá, é à patrulha de rua que compete velar pela segurança pública. É um trabalho de rua, não é de secretaria!

Mas cá, na tugalândia, o que se quer é polícia por todo o lado. Quiçá ao estilo de Buenos Aires onde não se anda cem metros sem se encontrar um índio na sua farda preta. Mas eu preferiria uma coisa mais à Suíça (polícia? onde está ela?). Estilos à parte, o que importa sempre é que, quando a coisa aqueça, o responsável pela manutenção da ordem pública se saiba impor e isso, por mais leis que se façam, por mais agentes que se ponham nas ruas, por mais ministros que falem, é sempre uma coisa do homem que está no terreno e da sua capacidade para analisar a situação e a melhor forma de cumprir o seu dever. O povo quer mais polícias. A mim, bastava-me que os que existem fossem bons. No caso, que em Moscavide o agente tivesse sacado da pistola e a apontasse de forma decidida aos meliantes. Estes, após identificados, só teriam um caminho: o da expulsão do país. Bastava-me isto.

A vez dos xicos-espertos

Em primeiro lugar foi o autoritarismo de uma professora que, sem saber impor disciplina, resolveu arrancar das mãos de uma aluna o telemóvel que esta usava (erradamente).

Em segundo lugar foi a indisciplina, falta de educação (e revolta) de uma aluna a quem foi tirado um objecto seu e que resolveu agir pela mesma medida no meio da sala de aula, envolvendo-se numa ridícula cena de "Dá cá o telemóvel, já!!!" com a professora.

Em terceiro lugar foi a boçalidade e cobardia dos colegas da rapariga que, em vez de colocarem água na fervura, ficaram a apreciar (e incentivar) o espectáculo.

Em quarto lugar foi a traição de um colega que filmou e colocou na internet tudo o que se passou naquela sala da escola Carolina Michaelis, no Porto.

Em quinto lugar foi o asqueroso aproveitamento político feito pela oposição ao Governo, pretendendo fazer deste caso pontual (na forma) uma questão política quando não passava de simples gestão da disciplina num estabelecimento de ensino.

Em sexto lugar foi o corporativismo dos sindicatos que, como não podia deixar de ser, resolveram associar o caso à "luta" dos professores em torno dessa coisa eterna que é o "estatuto da carreira docente" que, desde a minha mais tenra idade, sempre foi um eufemismo para "melhores salários".

Em sétimo lugar foi a visão de fim da civilização partilhada por essa massa de gente anónima e burra para quem tudo quanto seja problema gerado pelo progresso é consequência do 25 de Abril e do facto de alguém não saber dar umas boas bofetadas a não sei quem.

Em oitavo lugar foi o habitual circo montado pela comunicação social, esse monstro sedento de conflitos e desgraças, cada vez mais um vampiro que suga as vítimas até à última gota de polémica para, de seguida, as deixar cair no esquecimento, depois de as ter exposto ao ridículo e à vergonha públicas.

Em nono lugar foi a inépcia do Ministério da Educação que, prontamente, devia ter movido os mecanismos legais para proteger a imagem e o bom nome quer da professora, quer da rapariga, minimizando a exibição do vídeo e de imagens associadas.

Em décimo, chega a vez dos xicos espertos que resolveram ganhar dinheiro com a situação. É evidente que a comunicação social não faz outra coisa do que ver pingar os euros com a divulgação (tendenciosa) de certas notícias mas tudo se torna mais chocante quando uma empresa resolve por à venda na internet um toque de telemóvel com o som da discussão entre a professora e a aluna.

"Dá cá o telemóvel, já!!!" pode ser o som que você se arrisca a ouvir quando a pessoa que está ao seu lado receber um telefonema. E faz-se a pergunta: a professora está à beira de uma depressão, a aluna está marcada para os tempos mais próximos e, como se isso não bastasse, aparece alguém a fazer lucro com a divulgação da triste cena, sem que seja pedida qualquer autorização às "vítimas", sem que haja o mínimo respeito pelos direitos de personalidade e mesmo pela dignidade de duas criaturas que nunca pediram para serem filmadas e postas na internet. Se isto fosse na América, a empresa em questão já estava com um processo de milhões de dólares em cima. Como é por cá, ninguém se mexe. A professora porque está doente, a aluna porque quer é esquecer o sarilho em que se meteu e a sociedade porque acha muito giro andar por aí a perpetuar num toque de telemóvel uma cena de indisciplina escolar.

Cena que, diga-se de passagem, não é em nada diferente de outras que sempre se passaram nas escolas. Sendo eu um exemplo de pacifismo estudantil, não consigo esquecer-me de imensas situações que oscilaram entre o engraçado e o miserável passadas nas salas de aulas da Escola Secundária D. Pedro V, em Lisboa, estabelecimento que não apresentava qualquer problema geral quer de indisciplina, quer social (isto nos anos 80). Uma das que me ocorre já é a do "roubo" do livro de ponto e recusa na sua entrega enquanto a professora não retirasse a falta a um qualquer aluno. Mas na altura não havia telemóveis com câmara de filmar, nem internet, nem Youtube...

Estaciona aí, bobi

Desconheço se neste estacionamento existirão arrumadores. Talvez não. As vítimas do serviço podiam morder...

Este estacionamento para cães fica junto ao Minipreço da Rua Alexandre Herculano (Lisboa).