Uniões estéreis

No acompanhamento da actual campanha eleitoral para a presidência do PSD (está bem, Santana, PPD/PSD...), foi pedido aos candidatos que botassem opinião sobre os casamentos entre homossexuais. Manuela Ferreira Leite não respondeu, Pedro Santana Lopes mostrou-se contra, Pedro Passos Coelho e António Neto da Silva (quem é este?) acham que deve haver uma forma de contrato civil mas não "casamento" propriamente dito e, finalmente, Mário Patinha Antão (isto é nome artístico? - se é, é mau; se não é, ainda é pior...) acha que "(...) o líder do PSD deve lançar um debate amplo e profundo na nossa sociedade sobre novos estilos de vida no século XXI e outras questões da modernidade (...)", ou seja, é contra mas tem vergonha de o dizer.

Como Alberto João Jardim não concorre ao cargo (só o faria se fosse o único candidato e toda a gente declarasse que votava nele - ah democrata!), ficamos sem saber o que sua excelência acha do assunto mas suspeito de que, para ele, a homossexualidade seja coisa provocada por vinho estragado.

Bom, sabidas as opiniões das iluminárias que agora se põem em fila para a presidência do que deveria ser o grande partido da oposição, há que dizer aqui qualquer coisinha sobre o assunto do casamento entre homossexuais propriamente dito. Para já, esclareça-se as mentes menos informadas que, "homossexual" tanto se aplica a homens como a mulheres, não havendo, portanto, distinção entre "homossexuais" e "lésbicas": é tudo a mesma coisa. Outra coisa que, a bem do entendimento da questão, convém ter em conta é que ninguém, mas absolutamente ninguém "opta" por ser homossexual. Tal como o resto da população, também os homossexuais são "vítimas" do acaso ou dos genes. A utilização do termo "opções sexuais" pretende apenas trazer a discussão para o campo dos direitos de personalidade, tão caros às sociedades ocidentais e, desta forma "blindar" um dos lados da barricada.

Porque razão, aparentemente, os homossexuais (ou quem fala por eles) faz tanta questão no acesso a essa instituição chamada "casamento"? É simples, porque é um símbolo. O matrimónio é um símbolo da preferência que os Estados, as sociedades, deram, ao longo da História, à união entre homem e mulher, logo, ao conseguir uma equiparação formal de uniões, os homossexuais conseguem desta forma destruir o monopólio de aceitação de que os heterossexuais beneficiam. Mas isto, embora se compreenda por parte desta minoria da população, radica na incompreensão do que é, para o Estado, o matrimónio.

Ao contrário do que possa ser uma visão romântica da sociedade, o Estado-Providência (modelo que tendencialmente seguimos) tem como preocupação essencial o bem estar material dos seus cidadãos. O Estado está-se borrifando para a felicidade das pessoas, para o que possa ser a satisfação dos seus anseios pessoais, para o tamanho do sorriso estampado na cara de cada serzinho que tutela.
Se o Estado se preocupasse com essa coisa diáfana chamada "felicidade", a poligamia/androgamia seria permitida desde sempre, todas as casas teriam 100m2, o Benfica seria campeão a cada três anos e a cerveja seria de graça. Não é isto que acontece, já se vê.

Para o Estado, o casamento é "apenas" uma ferramenta propiciadora da criação de famílias estáveis no seio das quais, espera-se, nascerão crianças que, mais tarde aí estarão para assegurar a continuidade do próprio Estado e pagar as reformas dos que vieram antes. O Estado-Providência necessita de filhos como de pão para a boca e a família (hoje chamada de "tradicional") é a melhor forma de o garantir. É, portanto, uma lógica fria que preside à relação que o Estado tem para com o matrimónio. Não há lugar a idealismos, aqui. E, para o Estado, a união formal entre homens, mulheres ou qualquer coisa pelo meio é tão importante quanto a cor do carro de cada um.

O Estado não se imiscui na vida privada dos seus cidadãos e, precisamente por causa disso, não sente qualquer necessidade de se debruçar sobre algo como a concessão de bênçãos às uniões homossexuais. Hoje em dia, por questões de evolução da moral e de mercado, nada impede que um casal homossexual possa viver livremente (com direito a crédito bancário, até). Mas uma coisa é a forma como a sociedade admite as uniões e outra coisa é a necessidade que a mesma sociedade tem daquelas.

A equiparação de uniões hetero e homossexuais levaria a situações que roçariam o aberrante. Teriam os casais homossexuais direito a subsídio de casamento? E, no caso de uma morte, passaria o Estado a ganhar a obrigação de pagamento de subsídio de viuvez (que é hoje um resquício de uma época em que as mulheres estavam dependentes ecnomicamente dos maridos)? O Estado pagaria por uniões estéreis, nas quais não teria rigorosamente nenhum interesse.

É válido perguntar se, devido à questão demográfica, não seria de o Estado retirar eventuais benefícios aos casais sem filhos. Mas, aí, estaríamos perante uma situação inaceitável de devassa da vida privada de cada um, exigindo uma investigação das razões que levam um casal a não ter filhos. Ora, no caso dos casais homossexuais está-se perante uma impossibilidade física de procriar. E vale pouco invocar a situação de lésbicas a quem é possível recorrer a bancos de esperma porque, também aí, se levantam questões de natureza moral ainda por resolver. Tipicamente, de um casal heterossexual o Estado espera prole; de um casal homossexual, o Estado não espera nada. Isto é essencial para entender o não-reconhecimento formal das uniões homossexuais.

Em termos práticos, o que há a ganhar com o casamento "homo"? Há direito a viver em conjunto, há direito a crédito bancário, há direito à sexualidade, há reconhecimento de uniões informais, há direito ao testamento... Que mais falta? Repito, é meramente uma questão simbólica. Aliás, não deixa de ser curioso reparar que, ao mesmo tempo que os homossexuais se lançam ao ataque ao casamento, não parecem fazer qualquer tipo de esforço para exercer um direito tão mais óbvio e natural como seja o da demonstração de afecto na via pública. Quantos homossexuais se vêem de mãos dadas nas nossas ruas? Nisto, as lésbicas parecem ser mais "atrevidas", beneficiando da tradicional intimidade física entre mulheres, decerto. Mas, não seria verdadeiramente mais importante lutar para que não fosse "necessário" criar hotéis para homossexuais, declarar Lisboa uma cidade "aberta à diferença" (o que quer que isso seja), enfim, encarar publicamente a homossexualidade como algo de "natural"? Isto no entanto, exige alguma coragem (até física) e dá certamente muito mais trabalho do que entrar em manifestações coloridas e debates patrocinados pela extrema-esquerda...
Passeando pelo álbum de recordações de umas férias grandes, encontrei esta foto tirada em Montevideu, capital do Uruguai. Às vezes, as confusões linguísticas dão resultados engraçados.

Ir ao médico faz mal?

Aquela expressão "não morrer da doença mas sim da cura" quase que se aplica ao meu caso. De repente, e em rajada, várias más experiências com médicos vieram abalar um pouco o meu optimismo relativamente aos cuidados de saúde à nossa disposição. E eu que até não tinha grandes razões de queixa e sou bastante tolerante com pequenas falhas. Eu que até consigo passar por cima daquela necessidade que há de estar sempre a "puxar" pelos médicos para que eles vão soltando alguma informação (porque, por si, dizem o mínimo possível)... Pois, eu, fiquei farto, pelo menos, até ao fim do ano.



CASO 1 (o ortopedista)

Devido a um problema de tonturas, e como parte de um processo de despistagem que já deve ter custado centenas de euros ao Estado (honra lhe seja feita), a médica de família mandou-me a uma consulta de ortopedia no Curry Cabral. Não esperei muito pela convocatória e, no dia marcado, lá fui eu. Ao fim de hora e meia de espera, pergunto na recepção se se tinham esquecido de mim ou se era normal o atraso. Responde-me a funcionária que o Sr. Dr. estava atrasado e que, infelizmente, era normal... Aguardo mais um pouco e chamam-me. Nova espera, desta feita no corredor junto ao gabinete porque o Sr. Dr. ainda estava a atender o paciente anterior. Chega a minha vez, cumprimentamo-nos fugazmente, e o Sr. Dr. murmura qualquer coisa. Como?, perguntei. "De que é que se queixa", responde ele aumentando o volume da voz para níveis de percepção humana. Explico-lhe a situação, os ossos todos estalam, tenho dores no pescoço e um problema ocasional de equilíbrio. Pergunta-me se trago radiografias e aponto-lhe o pacote que tinha colocado junto a ele. Há um breve compasso de espera durante o qual o Sr. Dr. estaria à espera de que eu pegasse nas radiografias e lhas desse em mão... Como não o fiz, ele lá pega no sobrescrito, tira a radiografia e, após uma rapidíssima observação, emite o veredicto: "não tem nada".
Argumento com os problemas de que padeço e ele insiste que não tenho nada, que não me pode dizer que tenho algo se não tenho qualquer problema. Insisto com o problema do estalar geral dos ossos, do que poderá ser... "Postura", lança ele displiscentemente, "talvez fisioterapia...". A coisa começou a fartar-me e despedi-me. No bolso levava diversas perguntas sobre assuntos que poderiam influenciar o meu conforto físico mas todas ficaram por fazer perante tamanha falta de interesse por parte do Sr. Dr.

Perdi umas horas, gastei algum dinheiro e fiquei na mesma. Ou antes, a saber que não tenho qualquer problema. À parte dos ossos estalarem violentamente e o pescoço me doer.
No caminho de saída só pensava... onde é que haverá um "endireita"?


CASO 2 (o otorrinolaringologista)

No seguimento do mesmo processo de averiguações por causa das tonturas, também por indicação da médica de família, vou a uma consulta (particular - no Estado é difícil) de otorrinolaringologia (ufa...). Pago mais de 30 euros na Junta de Freguesia de Benfica e sou atendido pelo médico. Este quer saber porque razão o fui ver, mostra-se algo espantado, assegura-me que, obviamente, não me critica a mim mas que quando se faz exames a tudo acaba-se sempre por encontrar algo e diz que preciso de uma limpeza aos ouvidos. Começa a fazê-la. Pouco depois de o tratamento começar, a coisa torna-se dolorosa devido ao facto de a cera (cerume, em linguagem técnica) estar seca e colada ao ouvido. O médico insiste em raspar os detritos e o processo deixa de ser apenas doloroso para passar a uma autêntica tortura. Eu ali, com um estilete a raspar-me o ouvido, bem lá dentro... as lágrimas a sairem-me à força toda, um ou outro "irra!", palmadas nas pernas e a necessidade de mandar o médico parar algumas vezes. Ao fim de um interminável sofrimento, o otorrino desiste do ouvido e passa ao outro. Coisa simples: a rolha saltou logo, sem qualquer luta. Volta-se à vítima inicial e... mais raspagem até que o médico me anuncia que saiu alguma pele e é melhor deixar para outro dia... que ainda ficou alguma coisa. Reparo nalgum sangue no estilete.
Receita com gotinhas para impedir uma inflamação, antibióticos, uns comprimidos para o desequilíbrio, pedidos de desculpa pelo incómodo causado, e o desejo de ver os resultados de exames feitos antes.
Saio com dores no ouvido, praticamente sem ouvir e, daí a algum tempo, já estou a tomar analgésicos para aguentar a tarde de trabalho.

Os dias passam, tomo a medicamentação prescrita e o ouvido pouco melhora. Ao fim de duas semanas, resolvo ir ao Centro de Saúde para ver se seria alguma coisa facilmente tratável ou se teria de ir largar mais umas dezenas de euros para curar os resultados do tratamento...


CASO 3 (o centro de saúde)

Chego ao Centro de Saúde de Sete-Rios e tiro a senha para marcação de consulta. Como ainda faltavam mais de dez números, resolvo beber um café e dar um passeiozinho pelas instalações. Quando chego à máquina de bebidas reparo que tudo nela está única e exclusivamente escrito em Espanhol. Portanto, a menos que esteja disposto a aprender como é que se diz "café cheio", "café com leite" e outras coisa que tais na feia língua dos nossos vizinhos, o melhor é ir a outro lugar. Se tiver problemas com o pagamento da bebida, também vai ter de se desenvencilhar em Castelhano. Isto passa-se na capital de Portugal, num serviço do Estado...
Bom, dou o meu passeio e chego ao andar onde fica o gabinete da médica. Reparo que há lá um balcão com duas senhoras e uma tabuleta a dizer "marcação de consultas". Confuso, pergunto se posso marcar ali a consulta de urgência. Respondem-me que não, que só ali estão para dar informações. Está bem...
Volto ao balcão de marcação de consultas e digo ao que venho. A senhora que me atende mostra desconhecimento sobre como falar com a médica e indica-me a colega do lado com um divertido "ela é que andou na faculdade". No momento, a piada escapou-me. Lá fiquei "atribuído" à nova funcionária que, perante a impossibilidade de falar com a médica, foi à procura da dita. Ao fim de algum tempo, voltou com a indicação de que a Sra. Dra. me atenderia ainda antes do meio-dia (eram para aí umas 9:30 horas). Custou, mas foi.


CASO 4 (a médica de família)

Um pouco antes do meio-dia, quando já todas as consultas tinham sido dadas, chegou a minha vez de ser visto. Exponho o problema e começam as perguntas. A coisa não vai à primeira. A médica pede-me pormenores e quer saber que medicamentos tomei. Digo o tipo mas falho em saber os nomes exactos. A coisa começa logo a azedar. A Sra. Dra. não quer acreditar que eu não saiba os nomes dos medicamentos e resolve dar-me um rebaixante sermão sobre o caso, ao mesmo tempo que vai dizendo que era a um otorrino que eu deveria ter ido. Ao fim de algum tempo e perante a chuva de críticas resolvo que já era demais e faço tenção de abandonar a sala. Começo a discutir com a médica e a criticá-la, absolutamente irritado pela forma como estava a ser tratado e, já quase a abrir a porta para me por a andar, ela pergunta-me se não queria ser observado. A coisa amaina. Observa-me um ouvido, observa-me o outro e o telemóvel toca-lhe. Sai da sala para o atender. O sangue ferve-me... Quando volta, traz uma colega de tom meigo à qual pede uma opinião sobre o meu estado (do ouvido). A colega vê-me, com delicadeza e, entre as duas, perante a incerteza quanto ao problema, resolvem enviar-me a uma urgência hospitalar. A colega despede-se, agradeço-lhe com o meu melhor sorriso, e fico novamente entregue à minha médica - a coisa já bastante mais serena. Dá-me a "guia de marcha" e ponho-me a andar dali para fora.


CASO 5 (o hospital)

[aqui, tenho de dizer que o blogger.com teve uma falha e tive de reimaginar e reescrever todo este ponto 5 - que dia!]

Resolvo passar pela pastelaria Baloiço, na Av. Columbano Bordalo Pinheiro, para matar a fome e recuperar o moral. Peço um néctar "light" e uma coisa parecida com bola. Dão-me o sumo e enviam para a cozinha (para aquecer) uma merenda. Chamo o empregado (patrão?) dizendo-lhe que se tinha enganado mas ignora-me. Insisto e, à segunda, consigo que me dê o que quero. Aquilo que eu julgava ser um pastel é, afinal, servido à fatia e a que me cabe em conta pouco mais larga é do que um dedo. No final, cobram-me €2,95 pela bucha. Quase seiscentos escudos por um sumo e uma fatiazinha de folhado com carnes! Dia do diabo, este.

Ponho-me a caminho do Hospital de São José, chego à Baixa e subo uma rua que mais parecia um bairro decadente de Luanda. Já no hospital, atendem-me rapidamente, tenho a surpresa de não ter de pagar nada, mandam-me ir para a triagem, chamam-me quase a seguir (pormenor: porque razão, nas urgências hospitalares, há sempre ciganos?) e sou atendido com simpatia por uma enfermeira (?) que me faz diversas perguntas sobre o meu estado. Mandam-me aguardar na sala de espera e, daí a alguns minutos, sou chamado para o gabinete de otorrinolaringologia. Ao chegar, deparo com dois médicos a conversarem animadamente com um homem "à civil". Fico um bocadinho ali, aguardando que me notem... A médica presente pergunta ao colega se ele me tinha chamado e pega no meu processo. Manda-me sentar, olha para as coisas e logo desvaloriza o caso com um "isto é cerume!". Manda-me mudar de cadeira. Começa a criticar terem-me enviado para ali (e eu a ver outro sermão a aproximar-se...), ao que eu fiz um gesto ao estilo de "isso não é comigo". Observa-me e confirma que se trata de um caso de excesso de cera e compactação da mesma. Diz-me que não fazem lavagens aos ouvidos na urgência, marca-me uma consulta para daí a uma semana e receita-me umas gotas para por nos ouvidos para amolecer a cera.

Ora bem, eis que, finalmente, chegamos às gotinhas para os ouvidos. As tão milagrosas gotas de que toda a gente a quem eu contava o meu caso me falava. O precioso líquido tão indicado na internet em casos semelhantes. As gotas! Coisa que eu já há anos tive de usar e nas quais deposito agora tanta esperança. As gotas que custam apenas €2 (dois euros) e que me podiam ter poupado duas semanas de surdez parcial, uma manhã perdida, duas idas ao médico (três, se contarmos com a consulta agora marcada), algum (pouco) dinheiro a mim e muito ao Estado e, muita, muita irritação! As gotas, porra!


Eu não tinha particulares motivos de queixa dos médicos mas esta situações conseguiram acabar com a minha paciência para com a classe nos próximos tempos. Não se arranjam por aí uns psicólogos para ensinarem os Srs. Drs. a lidarem com os pacientes? É que aquele estilo misturado de arrogância corporativista, displiscência profissional e paternalismo (às vezes, a médica de família trata-me por "ó jovem"...) é das coisas mais absolutamente irritantes que nos são dadas a provar.

E não me venham dizer que é problema só dos médicos de cá porque já vi muito bom filme estrangeiro criticando exactamente o mesmo comportamento, histórias passadas em França, Inglaterra, Roménia, Itália, Espanha...

O pior, mesmo, é que, dada a minha profissão, não me consigo ver numa situação em que me possa vingar desta malta, raios!

Quanto à médica, que se lixem os conselhos contra a automedicamentação. Receito a mim mesmo uma mudança de médica e, se for preciso, de centro de saúde.
curtas 012

Ver Keith Richards cantar no filme-concerto "Shine a light" (de Martin Scorcese) deixa-me com uma certeza: havia de gostar muito mais de Roling Stones se Mick Jagger se calasse...

De volta!

Tão perto mas ainda tão distante é o que se pode dizer do concerto dos Iron Maiden marcado para 9 de Julho, no festival Super Bock / Super Rock (versão lisboeta).

Ver este cartaz e recordar o melhor período da banda britânica, esse trio de álbuns composto por "Powerslave", "Somewhere in time" e "Seventh son of a seventh son", com a intrusão do monumental registo ao vivo que é "Live after death" (disco com o qual me iniciei nas maravilhas da distorção), é como viajar ao passado para lá encontrar os sabores da adolescência, agora temperados pelo sal de uma idade maior.

Os Iron Maiden, independentemente de um natural(?) menor fulgor em termos de composição continuam a ser a grande referência em termos de Heavy Metal, entendendo-se o termo na pureza do melhor estilo da NWOBHM.

A banda de Steve Harris construiu um lugar à parte para si, feito de excelência musical e lírica mas também de um posicionamento quase "senhorial" no que diz respeito aos "tiques" quase sempre presentes nos intérpretes de hard'n'heavy. E é essa atitude, associada a uma forte noção de espectáculo e profissionalismo que fazem de um concerto de Iron Maiden uma aposta ganha à partida.

É pena não se poder andar com o calendário para a frente. Apetecia-me que este dia grande fosse já amanhã!

Sem descanso

Já não bastavam as aparelhagens aos berros, as colunas a bombar nos automóveis e, suprema perseguição!, os telemóveis a debitarem hip-hop e kizomba nos autocarros, ainda há mentes preversas para quem tanto não basta e, vai daí, toca de inventarem roupa com colunas de som, para que os grunhos possam passear-se a, literalmente, dar-nos música.

Para quando as carreiras comerciais para a Lua?

Crescei e multiplicai-vos!

Estava eu no IKEA a preparar-me para colocar uma embalagem grande no carrinho de compras e chega uma rapariga ao pé de mim perguntando-me se precisava de ajuda, que ela segurava no carrinho. Agradeci-lhe dizendo que o difícil mesmo era puxar a caixa, que era pesada. Não se fez rogada a moça e logo me ajudou a puxar os dois metros de cartão recheado de madeira. O namorado, levantou-se de onde estava e veio segurar o carrinho. Entre os três, conseguimos por a caixa no sítio.

E eu fiquei assim meio parvo... agradeci-lhes, obviamente, mas a minha vontade era ter-lhes dado um abraço e perguntado se havia mais de onde eles vinham.
"Importam-se de ter dez filhos?", seria outra pergunta a fazer.

Às vezes (mas é mesmo só às vezes), ainda dá gosto lidar com pessoas.

Qualquer coisa por um biscoito

Este cão é um interesseiro. Apetece-me colar papéis nos postes com a foto do bicho e uns dizeres do tipo "se vir este cão, não lhe dê nada". Levei-o de férias no fim-de-semana grande, brinquei com ele, alimentei-o, deixei-o ocupar mais de metade da cama, levei-o à praia, fiquei com o carro cheio de areia, saí com ele mais de duas vezes por dia, apanhei-lhe a caquinha e quando, em plena Serra do Caldeirão, lhe pedi para pousar para umas fotos amaricadas no meio de umas flores amarelas, o que é que o gajo faz? Recusa-se!

"Senta, senta, deita, deita". Nada funcionava. Quando o bicho está assim, só há uma coisa a fazer: recorrer ao suborno.

Olhem para a carinha dele a contemplar o biscoito que tenho na mão... :)

Pelo ar é mais seguro

Que os passeios já tinham sido conquistados pelos automóveis, isso já se sabia. Que as esplanadas, em muitos sítios, também nos deixam pouco espaço para passar, também já era sabido. Que as "tralhas" dos comerciantes, os buracos no chão e as poças nos obrigam a desviar do caminho muitas vezes, também não é novidade. Agora... que ao virar de uma esquina choquemos com uma daquelas "moto-bostas" (as motos que andam a recolher a caquinha dos cães), isso é que já me deixa de boca aberta. Felizmente, tive reflexos rápidos e evitei o atropelamento que, em condições extremas me deixaria, esse sim, no chão e de boca literalmente aberta. E uma pessoa pergunta: que merda de inconsciente é que anda a acelerar por um passeio estreito, entalado entre uma parede e os carros estacionados, sem abrandar ao aproximar-se de uma esquina e, de tão bruto que é, nem sequer consegue pedir desculpa por quase passar a ferro alguém?

Apetecia-me pegar na "motocão" (é o nome oficial) mais o seu condutor e colocá-los numa camioneta do lixo, só para imaginá-los ali, às voltas...

Para que não haja dúvidas

Graças à distribuição de publicidade porta-a-porta que entope as caixas de correio de cada um com toneladas de lixo, surgiu um novo fenómeno que é o dos cestos para colocação de panfletos com os malfadados anúncios. Um pouco por todo o lado lá vão surgindo uns depósitos para que as chagas que por aí andam, tocando à campainha de prédios inteiros logo às 08:00, possam largar a sua inútil carga sem causar grande prejuizo a terceiros. Mas, aparentemente, os moradores de um prédio em Benfica (Lisboa) foram confrontados com uma espécie particularmente estúpida de distribuidor que não deve ter percebido à primeira para que servia o cestinho. Vai daí, toca de escrever em garrafais e vermelhas letras a função do objecto: "Receptáculo de publicidade". Percebo o desespero dos autores do aviso. Tenho é dúvidas quanto à compreensão do termo por parte dos distribuidores...