
Fez esta semana um mês que deixei o Holmes Place. E a verdade é que não sinto falta nenhuma de lá ir. Até ao momento, tem sido só vantagens. Vejamos: deixei de gastar €91,30 mensais; passei a ter mais duas horas livres por dia; como chego a casa consideravelmente mais cedo, posso tratar de coisas minhas, jantar minimamente em condições e deitar-me mais cedo, o que também quer dizer que durmo mais, acordando em melhores condições e, portanto, trabalhando melhor; finalmente, não sou obrigado a ver homens nus de um lado para o outro do balneário e mulheres afogadas em celulite no ginásio.
E a falta de exercício, não se sente? Não. Aliás, num ano e quatro meses que andei no ginásio, a ritmo diário, fiquei praticamente na mesma e não perdi um grama de peso ou um centímetro de pneu. Como fazia o que estava no programa, vou pensar que sou eu que tenho um defeito... Sinto-me tão bem como dantes, quero dizer, sinto-me melhor do que quando andava no ginásio porque não me canso, não ponho à prova as articulações e não me torturo com pesos. Sinto-me leve e ágil. E até a hérnia inguinal que lá arranjei nas aulas de Body Pump não tem dado sinal de si. Uma maravilha.
Agora caminho muito mais porque tenho tempo para isso e, como dizem os médicos (acreditemos neles), não há coisa melhor do que caminhar. Faz bem à cabeça, ao corpo e é de graça (um economista diria que não porque se gasta a roupa...).
A única coisa de que sinto alguma falta é do banho turco mas pode ser que um dia em que me resolva a renovar a minha casa-de-banho eu faça uma gracinha em jeito de prenda para mim mesmo.
Mas, perguntará algum curioso leitor, porque razão deixei o Holmes Place? Era assim tão mau? A resposta é "nim". Eu gostava de ir ao ginásio, gostava da sauna, do banho turco, de dar umas braçadas na piscina, etc. Simplesmente, o Holmes Place (outros também lhe seguem o exemplo) tem uma política de preços perfeitamente variável em que a cada pessoa é feita um preço, provocando grandes discrepâncias de mensalidades entre pessoas que usufruem exactamente do mesmo serviço. No meu caso, pareço ter sido escolhido para compensar as abébias dadas a outros e, como não gosto de fazer de parvo, desisti daquilo.
Na minha empresa éramos quatro pessoas inscritas no mesmíssimo clube (Defensores de Chaves): um colega meu pagava €70 com direito a toalha, outros dois pagavam €75 (também com toalha) e eu pagava €91,30 e ainda queriam começar a cobrar mais cinco euros e qualquer coisa pela toalha (que, aquando da inscrição me disseram ser oferta para, logo de seguida irem marcar por trás que era só por seis meses). Ou seja, queriam que eu pagasse quase €99 quando os meus colegas pagavam, em média, €73!!!
Reclamei mas não serviu de nada. Apesar disso, nunca me trocaram o cartão que dava direito à preciosa toalha. Um dia, meses mais tarde, quando vou a entrar, "barram-me" a passagem para me darem outro cartão, já sem direito ao fantástico "T". E ali fiquei eu sem toalha para me limpar. Foi uma sensação óptima usar a pequenina toalha de ginásio, suada, para me limpar no banho. É claro que assinei logo no momento a rescisão do contrato. Andar a pagar num ginásio, supostamente de luxo, mais do que os outros, ser mal servido e ainda levar com desconsiderações destas... Ná, não é para mim. E a coisa ainda mais irritante é ver o serviço cada vez pior que o clube da Defensores de Chaves presta. Quando de lá saí, nem metade das cabinas de duche estava a funcionar - algumas estavam avariadas há semanas. Havia problemas no fornecimento de água quente (tanta gente andaram a deixar entrar que as caldeiras começaram a não dar conta do recado), a manutenção de alguns equipamentos deixava a desejar, junto ao jacuzzi havia pedaços de "parede" com verdete e a desfazerem-se, na sauna costumava cheirar intensamente a produto de limpeza quando se deitava água nas pedras (uma vez, tive de sair a tossir). A organização dos serviços administrativos também não era a melhor (pagamentos feitos dados como não feitos e... bloqueio na entrada, confusões com débitos directos)... Por amor de deus, vão lá enganar outro com o "prestígio" e a "qualidade"!
Um dos meus colegas que se mantém na Defensores de Chaves diz-me que a zona de duches, agora, é partilhada entre homens e mulheres devido a obras que estão a ser feitas. Condições especiais para os sócios ou baixa da mensalidade é coisa que nem passa pela cabeça daquela gente. Deve ser uma questão de "prestígio"...
Como eu tinha um cartão que me permitia ir a todos os clubes, fiquei a conhecer todos os do país (com excepção de Aveiro) e tive sempre meio de comparação com a Defensores de Chaves. Acho que só o clube da Avenida da Liberdade consegue ser pior... Do lado contrário, i.e., nos melhores está certamente o da 5 de Outubro (com uma "luxuosa" zona balnear (piscina, jacuzzi, sauna, duches, camas, tudo no mesmo espaço) e o de Miraflores. Os outros mantêm uma qualidade agradável.
Se o Holmes Place fosse de confiança, i.e., se o interesse do cliente estivesse acima da ganância do lucro, se os serviços administrativos funcionassem bem, talvez eu lá tivesse continuado porque, apesar de tudo, era uma distração (não, pelas gajas não vale a pena, acreditem - são mais os larilas do que as "boas") mas, desta forma, nem pensar.
Ah... e a televisão interna do clube (i.e., de todos eles), com as notícias mais atrasadas que se possa imaginar, onde se oferecem convites para peças de teatro que já acabaram há dois meses? (e é só um exemplo de entre muitos) E as entrevistas do director da cadeia a impingir a sua doutrina a quem não tenha mais do que fazer que olhar para a criatura? Só não é para rir porque mostra mau serviço.
Agora, vejo bem que nunca precisei daquilo e dei razão a mim mesmo e à resposta que dei a um inquérito feito no clube onde me perguntaram "Se deixar de vir ao clube, que diferença é que isso fará?". Respondi "Fico com mais tempo livre...". O rapaz que me fez a pergunta riu-se e disse que era uma resposta original. Original, talvez - verdadeira, de certeza.
Nem me dei ao trabalho de procurar outro ginásio...