Das gasolineiras, com amor

Não sei quem desenhou este boneco, mas sei quem mo enviou: foi o dono de uma "coisa" chamada Rascunho Virtual :)

Entretanto, que a população rejubile porque a Galp baixou o gasóleo em meio cêntimo! O que me faz expressar publicamente a minha incompreensão por este sistema de preços. É que a unidade monetária Euro não tem milésimos, apenas centésimos (os cêntimos, já se vê). Portanto, "meio cêntimo" não existe porque é um milésimo da unidade. Dizer "um euro vírgula quatrocentos e trinta e cinco cêntimos" é o mesmo que dizer "cinco euros e trinta e cinco cêntimos", certo? Certo!
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Serei só eu a perceber que a tal Nereida que o Ronaldo anda a papar é uma agente do Real Madrid? Ou é apenas coincidência que as duas coisas - a mulher e os boatos de transferência -, tenham aparecido ao mesmo tempo?

O sumo do bloco

Outra vez as cerejas. Vou a um blog por causa de piadas sobre mulheres, vejo que o autor, para além de bloguista, parece ser "bloquista" e imediatamente me lembro de um sumo que bebi em Itália, numa visita à belíssima Bérgamo.

Na altura, comprei uma lata só para lhe poder tirar confortavelmente uma fotografia. A semelhança com o símbolo do Bloco é tão grande quanto o sabor da bebida e a maior parte das propostas políticas do partido. Eu explico: a coisa soube-me muito mal e quase me estragava a "faustosa" refeição composta por duas enormes fatias quadradas de pizza, comprada uma e oferecida a outra numa espécie de padaria e custosamente devoradas num jardinzinho plantado num recanto da zona antiga.

Quanto ao símbolo da vermelha e gasosa mistela, vejam como ele é alegre, vejam como irradia atitute positiva, vejam como ele salta e corre de felicidade enquanto grita "Tomatinhos, tomatinhos, já nos podemos casar!"

Como as cerejas

É a tal história das cerejas: uma vai puxando outra...
Nunca percebi porque razão escolheram este fruto em particular para ilustrar a forma como umas coisas se vão ligando a outras, até porque a verdade é que o mesmo se passa com os amendoins, o caju, as castanhas torradas, as cervejas, os pistachios, as batatas fritas, os bolinhos em miniatura, os bonbons, os tremoços, os copos de vinho tinto e sei lá que mais.

Na verdade, até sei: os blogs. Andava eu a ver as estatísticas de acesso ao meu, os quase inexistentes ganhos com os anúncios do adsense onde ninguém carrega, os locais improváveis de onde tenho visitantes... e saltei para o Rapsódia (semnadademomento.blogspot.com). Li algumas coisas (o estilo é giro) e percorri com o olhar os links para outros blogs. Parei num que dizia "não compreendo as mulheres". Como eu também padeço da mesma dificuldade (ver "As meninas da net" ), resolvi dar um salto até ao blog... Pois bem, este é daqueles casos em que dizer mal das mulheres e da sua tortuosa psique deixa de ser uma necessidade do tipo "desabafar para não rebentar" e passa ao capítulo da fina ironia, do humor iluminado, da "denúncia" desembaraçada. Por mim, fico cliente. E fica aqui também o link: Não compreendo as mulheres (naocompreendoasmulheres.blogspot.com).

Um abraço para Aveiro!
estacionamento em Lisboa 001

Palavras para quê? É um animal português.

Mais vale tarde do que nunca

Toda a nossa vida é gerida pela noção de que há um tempo para cada coisa, uma idade para descobrir, uma idade para trabalhar, uma idade para saborear... São horários, tabelas mais ou menos rígidas que o meio cultural que nos envolve estabelece de uma forma quase imperceptível, com a naturalidade imposta pela tradição e o passar dos anos. Não os procuramos necessariamente contrariar mas, muitas vezes, o nosso tempo parece ter uma cadência diferente, ora se acelera na ansiedade de chegarmos mais cedo - julgando poder dessa forma desfrutar de algo por um período maior (e inocentemente ignorando a corrosiva acidez do enfado), ora nos deixamos ficar onde estamos, cedendo mais ou menos involuntariamente a nossa vez na fila.

O primeiro beijo, a primeira cerveja, o primeiro grande desgosto… tempos que podem variar dramaticamente para cada um de nós no vai e vem das emoções.

Em 1988, uma banda para mim desconhecida de nome Queensrÿche, lançava um álbum ao qual deu o nome de “Operation: Mindcrime”. Para mim, a banda nasceu nesse dia e algumas incursões no seu repertório anterior apenas poderiam acrescentar um condescendente prefixo ao verbo. Da vida anterior da banda nada me interessa; da posterior, pouco me agrada. Mas aquele curto registo discográfico, aquela quase ópera, vale por uma vida, dá o nome a uma estrela, prenche uma carreira.

Vinte anos depois, e após o lançamento de um álbum de versões de outros artistas (aceitação da decadência?) os Queensrÿche lançam-se à estrada com um espectáculo longo e ambicioso: a execução integral (e teatralizada) de “Operation: Mindcrime” e da sua apagada (e desnecessária) sequela. A banda vem assim engrossar as fileiras daqueles artistas que, no desespero de não conseguirem manter-se à tona, se agarram à bóia de obras passadas (Fish, Roger Waters, Rodger Hodgson são bons exemplos disso).

Mas como a vida tem ritmos diferentes para cada um de nós, aquele que é um tempo de sobrevivência para o grupo norte-americano, é-o de primeiro encontro para o público português. Os Queensrÿche não vieram cá quando as luzes da ribalta os banhavam e mesmo a comunicação social se rendia ao seu trabalho (na “versão” mais suave de Empire) mas emendam a mão passadas duas décadas. Longa demais esta espera: o cabelo comprido de muitos já lá vai (em tantos casos, já não há cabelo para deixar crescer, sequer), a ganga azul foi traída pelo negro, a adolescência deu a vez aos trintas e até as cinzentas bancadas do ido Pavilhão de Cascais são agora substituídas pelas puídas mas infinitamente mais confortáveis cadeiras da formal Aula Magna; os matacões do culturismo perderam o trabalho para as empresas de segurança e, à saída, em vez do revoltante espectáculo da então “polícia de choque” fazendo alas, teremos o conforto dos carros e transportes públicos logo ali (nem a quase cómica aventura do sobrelotado combóio Cascais-Lisboa se repete).

1988 é um ano distante mas nem por isso parti com menos vontade para o concerto da primeira noite de Junho (uma data, à partida, fácil de recordar). Ao longo dos anos muitas foram as vezes em que dei por mim a ouvir a obra-prima dos Queensrÿche e que certamente merece estar no panteão dos melhores trabalhos que o Heavy-Metal já viu.

A banda de Geoff Tate não desiludiu e compensou os fans com uma excelente interpretação da sua obra maior, com poucas - e não necessariamente enriquecedoras -, alterações (o tom quase romântico de Emtpy Room, por exemplo), no que foi um concerto cheio de competência técnica onde a dificuldade de Tate atingir algumas das notas mais altas não chegou para colocar nódoa.

A segunda parte do espectáculo foi preenchida com o infinitamente inferior "Operation: Mindcrime 2", obra
porventura desnecessária, ao bom estilo das sequelas hollywoodescas que teimam em tentar prolongar o
filão original. Talvez por isso se tenha verificado uma maior intervenção dos "actores" que, por entre os
músicos, encenavam a história por detrás da música. No cimo do palco, num écran, eram projectadas imagens para complementar o resto.

Terminada a interpretação dos dois álbuns, o encore chegou com três temas de Empire (Jet City Woman, Empire e, claro... Silent Lucidity.
Dois deslizes de Tate, com um “gracias” e um “uno mas?” quase estragaram o quadro mas as soberbas interpretações dos temas pisaram as marcas da estúpida ignorância do vocalista da banda.

Em suma, foi um concerto brilhante.

Recorrendo a palavras de outros estilos musicais, se “dez anos é muito tempo”, vinte é mais do que um quarto da nossa vida mas, como diz ainda outra canção, “recordar é viver” e reviver os anos 80 e a sua fantástica produção musical é cada vez mais algo de essencial, se não por uma questão de saudosismo, pelo menos que seja para termos a consciência de que algo de muito bom se perdeu pelo caminho…

Não lhe sinto a falta

Fez esta semana um mês que deixei o Holmes Place. E a verdade é que não sinto falta nenhuma de lá ir. Até ao momento, tem sido só vantagens. Vejamos: deixei de gastar €91,30 mensais; passei a ter mais duas horas livres por dia; como chego a casa consideravelmente mais cedo, posso tratar de coisas minhas, jantar minimamente em condições e deitar-me mais cedo, o que também quer dizer que durmo mais, acordando em melhores condições e, portanto, trabalhando melhor; finalmente, não sou obrigado a ver homens nus de um lado para o outro do balneário e mulheres afogadas em celulite no ginásio.

E a falta de exercício, não se sente? Não. Aliás, num ano e quatro meses que andei no ginásio, a ritmo diário, fiquei praticamente na mesma e não perdi um grama de peso ou um centímetro de pneu. Como fazia o que estava no programa, vou pensar que sou eu que tenho um defeito... Sinto-me tão bem como dantes, quero dizer, sinto-me melhor do que quando andava no ginásio porque não me canso, não ponho à prova as articulações e não me torturo com pesos. Sinto-me leve e ágil. E até a hérnia inguinal que lá arranjei nas aulas de Body Pump não tem dado sinal de si. Uma maravilha.

Agora caminho muito mais porque tenho tempo para isso e, como dizem os médicos (acreditemos neles), não há coisa melhor do que caminhar. Faz bem à cabeça, ao corpo e é de graça (um economista diria que não porque se gasta a roupa...).

A única coisa de que sinto alguma falta é do banho turco mas pode ser que um dia em que me resolva a renovar a minha casa-de-banho eu faça uma gracinha em jeito de prenda para mim mesmo.

Mas, perguntará algum curioso leitor, porque razão deixei o Holmes Place? Era assim tão mau? A resposta é "nim". Eu gostava de ir ao ginásio, gostava da sauna, do banho turco, de dar umas braçadas na piscina, etc. Simplesmente, o Holmes Place (outros também lhe seguem o exemplo) tem uma política de preços perfeitamente variável em que a cada pessoa é feita um preço, provocando grandes discrepâncias de mensalidades entre pessoas que usufruem exactamente do mesmo serviço. No meu caso, pareço ter sido escolhido para compensar as abébias dadas a outros e, como não gosto de fazer de parvo, desisti daquilo.
Na minha empresa éramos quatro pessoas inscritas no mesmíssimo clube (Defensores de Chaves): um colega meu pagava €70 com direito a toalha, outros dois pagavam €75 (também com toalha) e eu pagava €91,30 e ainda queriam começar a cobrar mais cinco euros e qualquer coisa pela toalha (que, aquando da inscrição me disseram ser oferta para, logo de seguida irem marcar por trás que era só por seis meses). Ou seja, queriam que eu pagasse quase €99 quando os meus colegas pagavam, em média, €73!!!

Reclamei mas não serviu de nada. Apesar disso, nunca me trocaram o cartão que dava direito à preciosa toalha. Um dia, meses mais tarde, quando vou a entrar, "barram-me" a passagem para me darem outro cartão, já sem direito ao fantástico "T". E ali fiquei eu sem toalha para me limpar. Foi uma sensação óptima usar a pequenina toalha de ginásio, suada, para me limpar no banho. É claro que assinei logo no momento a rescisão do contrato. Andar a pagar num ginásio, supostamente de luxo, mais do que os outros, ser mal servido e ainda levar com desconsiderações destas... Ná, não é para mim. E a coisa ainda mais irritante é ver o serviço cada vez pior que o clube da Defensores de Chaves presta. Quando de lá saí, nem metade das cabinas de duche estava a funcionar - algumas estavam avariadas há semanas. Havia problemas no fornecimento de água quente (tanta gente andaram a deixar entrar que as caldeiras começaram a não dar conta do recado), a manutenção de alguns equipamentos deixava a desejar, junto ao jacuzzi havia pedaços de "parede" com verdete e a desfazerem-se, na sauna costumava cheirar intensamente a produto de limpeza quando se deitava água nas pedras (uma vez, tive de sair a tossir). A organização dos serviços administrativos também não era a melhor (pagamentos feitos dados como não feitos e... bloqueio na entrada, confusões com débitos directos)... Por amor de deus, vão lá enganar outro com o "prestígio" e a "qualidade"!

Um dos meus colegas que se mantém na Defensores de Chaves diz-me que a zona de duches, agora, é partilhada entre homens e mulheres devido a obras que estão a ser feitas. Condições especiais para os sócios ou baixa da mensalidade é coisa que nem passa pela cabeça daquela gente. Deve ser uma questão de "prestígio"...

Como eu tinha um cartão que me permitia ir a todos os clubes, fiquei a conhecer todos os do país (com excepção de Aveiro) e tive sempre meio de comparação com a Defensores de Chaves. Acho que só o clube da Avenida da Liberdade consegue ser pior... Do lado contrário, i.e., nos melhores está certamente o da 5 de Outubro (com uma "luxuosa" zona balnear (piscina, jacuzzi, sauna, duches, camas, tudo no mesmo espaço) e o de Miraflores. Os outros mantêm uma qualidade agradável.

Se o Holmes Place fosse de confiança, i.e., se o interesse do cliente estivesse acima da ganância do lucro, se os serviços administrativos funcionassem bem, talvez eu lá tivesse continuado porque, apesar de tudo, era uma distração (não, pelas gajas não vale a pena, acreditem - são mais os larilas do que as "boas") mas, desta forma, nem pensar.

Ah... e a televisão interna do clube (i.e., de todos eles), com as notícias mais atrasadas que se possa imaginar, onde se oferecem convites para peças de teatro que já acabaram há dois meses? (e é só um exemplo de entre muitos) E as entrevistas do director da cadeia a impingir a sua doutrina a quem não tenha mais do que fazer que olhar para a criatura? Só não é para rir porque mostra mau serviço.

Agora, vejo bem que nunca precisei daquilo e dei razão a mim mesmo e à resposta que dei a um inquérito feito no clube onde me perguntaram "Se deixar de vir ao clube, que diferença é que isso fará?". Respondi "Fico com mais tempo livre...". O rapaz que me fez a pergunta riu-se e disse que era uma resposta original. Original, talvez - verdadeira, de certeza.

Nem me dei ao trabalho de procurar outro ginásio...

Só falta o hino!

Tudo indica que o hip-hop se apresta a ser elevado à condição de "cultura". À força de doses cavalares de divulgação via rádio e TV (a MTV e a MCM parecem ser os canais oficiais da chungaria musical) e dos sempre inestimáveis préstimos dos divulgadores "liberais", este género que, por mais que o queiram promover, não se descola do basfond, está a conseguir tornar-se uma espécie de música oficial da tugalândia invadindo constantemente o espaço de cada um, seja em lojas onde empregadas de ar enjoado e pastilha na boca nos atendem com aquele ar enfadado que quem está entregue a elevados pensamentos põe quando é interrompido, seja nos transportes públicos onde os telemóveis feitos rádios de pilhas nos trazem o saborzinho dos bailes de bairro social, seja nos ginásios supostamente de classe onde se corre olhando para televisões eternamente sintonizadas na MTV, o hip-hop (e agora os seus irmãos danados, a Kizomba e o Tecno) impõe-se com a força que lhe traz a descarada degradação social que enfrentamos.

Mas, se é compreensível que a juventude mole e facilitista aceite sem espírito crítico a cultura rasca que a comunicação social lhe enfia pelos olhos adentro, já mais difícil é perceber que as autoridades culturais alinhem no mesmo caminho. Quando olho para o programa da Feira da Azambuja e vejo que em quatro dias de festa sob a batuta de touros e cultura popular, na noite dedicada à juventude se recorre aos DaWeasel, eu fico parvo. Fado e touros? Ná! Hip-hop e touros deve ser melhor. Alguém perguntou à "juventude" se era aquilo que queriam? Nem era preciso. A ideia está instalada de que aos miúdos é preciso dar a música dos "manos".
E a coisa ganha contornos de escândalo quando, nas Festas de Lisboa que se avizinham, na Festa do Fado que decorre no Castelo de São Jorge de 6 a 28 de Junho, temos, como ementa do dia 13, Jorge Fernando e... Sam The Kid!... Seria fácil fazer piadas acerca da ligação entre um fadista do Casal Ventoso (com muito orgulho!) e um "hip hop" de Chelas mas abstenho-me de tal. A coisa é séria demais...

Não deve faltar muito para que surja uma versão "actualizada" do hino nacional, uma coisa assim a modos que mais "étnica" e mais próxima das vontades e aspirações da malta "lá do bairro". Sempre ficava qualquer coisa mais próxima do actual estado da mentalidade tuga...

E para que se veja que ainda há quem tenha olhos para perceber a estupidez de tudo isto, aqui fica um vídeo muito conseguido da série "Os Contemporâneos":

A geografia do poder (1)

Farto até mais não de ler na internet comentários regionalistas às notícias do dia-a-dia, fatalmente largados por portuenses ou madeirenses, resolvi mergulhar um pouco nas raízes geográficas dos detentores do poder no nosso país. Juntei à tarefa o gosto pela História e saiu, quase como um rascunho, este texto, no que é o primeiro de uma série que aqui irei deixar.

Para abrir a coisa, fui ver (recorrendo à Wikipedia), a lista de primeiro-ministros e chefes de Governo que este país teve desde a implantação (imposição) da República.
Houve três ou quatro casos em que não consegui descobrir a naturalidade das personagens mas, ainda assim, suponho que não seja isso que vá desvirtuar os resultados.

Ficam aqui os dados. Para já, crus...



NomeNaturalidade


João Pinheiro ChagasRio de Janeiro
Augusto César de Almeida de Vasconcelos CorreiaLisboa
Duarte Leite Pereira da SilvaPorto
Afonso Augusto da CostaSeia
Bernardino Luís Machado GuimarãesRio de Janeiro
Vítor Hugo de Azevedo Coutinho???
Joaquim Pereira Pimenta de CastroMonção


Junta constitucional:
José Maria Mendes Norton de MatosPonte de Lima
António Maria da SilvaLisboa
José de Freitas Ribeiro???
Alfredo Ernesto de Sá CardosoLisboa
Álvaro Xavier de CastroGuarda


José Ribeiro de CastroValhelhas
António José de AlmeidaVale da Vinha
Sidónio Bernardino Cardoso da Sila PaisCaminha
João do Canto e Castro Silva Antunes JúniorLisboa
João Tamagnini de Sousa BarbosaMacau
José Carlos de Mascarenhas RelvasGolegã
Domingos Leite PereiraBraga
Alfredo Ernesto de Sá CardosoLisboa
Francisco José Fernandes da CostaFoz de Arouce
António Maria BaptistaBeja
José Ramos PretoLouriçal do Campo
António Joaquim GranjoChaves
Liberato Damião Ribeiro Pinto???
Tomé José de Barros QueirósÍlhavo
Manuel Maria Coelho???
Carlos Maia PintoPorto
Francisco Pinto da Cunha LealPedrógão de São Pedro
António Ginestal MachadoAlmeida
Alfredo Rodrigues GasparLisboa
José Domingues dos SantosLavra
Vitorino Máximo de Carvalho GuimarãesPenafiel
José Mendes Cabeçadas JúniorLoulé
Manuel de Oliveira Gomes da CostaLisboa
António Óscar de Fragoso CarmonaLisboa
José Vicente de FreitasCalheta
Artur Ivens FerrazLisboa
Domingos da Costa OliveiraLisboa
António de Oliveira SalazarVimieiro
Marcello das Neves Alves CaetanoLisboa


Junta de Salvação Nacional:
António Sebastião Ribeiro de SpínolaEstremoz


Adelino da Palma CarlosFaro
Vasco dos Santos GonçalvesLisboa
José Baptista Pinheiro de AzevedoLuanda
Vasco Fernando Leote de Almeida e CostaLisboa
Mário Alberto Nobre Lopes SoaresLisboa
Alfredo Nobre da CostaLisboa
Carlos Alberto da Mota PintoPombal
Maria de Lourdes Ruivo da Silva Matos PintasilgoAbrantes
Francisco Manuel Lumbrales de Sá-CarneiroPorto
Diogo Pinto de Freitas do AmaralPóvoa de Varzim
Francisco Pinto BalsemãoLisboa
Aníbal António Cavaco SilvaBoliqueime
António Manuel de Oliveira GuterresLisboa
José Manuel Durão BarrosoLisboa
Pedro Miguel Santana LopesLisboa
José Sócrates Carvalho Pinto de SousaVilar de Maçada



Começar farto

E pronto, aí está a preparação para o Euro 2008. Como não podia deixar de ser, multiplicam-se os apelos de apoio à Selecção, quase sempre em tom épico, o povinho todo a empurrar a camioneta com os nossos "heróis" (alguns deles, pela forma como se arrastam em campo bem gostariam de estar ali, feitos paxás...), a cidade onde a equipa treina (Viseu) a engalanar-se toda para receber os 23, as autoridades a porem-se em bicos de pés para estarem à altura da honra que é ter tão prestigiados hóspedes, as empresas a inventarem produtos para se colarem ao entusiasmo pela bola, concursos a dar prémios, entrevistas e reportagens em todas as TV's e rádios, um diabo a quatro!

E, depois, submersos por tanta baba popular, lá estão os jogadores: antipáticos, ensimesmados, repetindo até à exaustão frases feitas sobre a importância dos adeptos (de quem eles se escondem), sobre a honra que é jogar pela Pátria (todos desejosos de conseguirem grandes contratos lá fora), etc.

Hoje, por exemplo, os nossos adoráveis campeões que, sendo para o tuga os melhores do mundo, na realidade nunca ganharam nada (nem a porra do Euro jogado em casa!), vão visitar um centro para deficientes mentais profundos. Se isto não é uma prova de amor à comunidade que os recebe, digam-me lá o que é! Deficientes mentais profundos... ou seja, gente que não só não deve reconhecer os jogadores como, mesmo que o conseguisse, não devia ser capaz sequer de lhes dizer "olá"! Isto, para as estrelas enjoadas é a visita perfeita: descansam, não apanham chuva e ainda se safam aos habituais fans peganhentos. No fim de tudo, as televisões encarregar-se-ão de os fazer parecer uns príncipes cheios de consciência social. Scolari dirá umas palavras de ocasião sobre a importância do apoio demonstrado pelos deficientes mentais profundos e do enorme carinho que sentiu em todos eles, Ronaldo piscará o olho a uma enfermeira e Nuno Gomes ficará impressionado com a forma como um dos deficientes o conseguiu fintar. Não há pachorra!

Ainda agora esta coisa começou e já estou farto de Selecção Nacional e de patriotismo de quinta categoria e de bandeirinhas e cachecóis e o camandro! E, no fim disto tudo, ninguém fala do que verdadeiramente interessa: estes tipos jogam bem, ou não? É que, observando os últimos vinte jogos da equipa das Quinas, o panorama é confrangedor... E se pensarmos que o último jogo de preparação, mesmo antes de partir para a Suíça, é com uma daquelas equipas "fraquinhas" com as quais gostamos de dar barracas... Ai mãe!