Parece que, do outro lado do mar, no Brasil, as Olimpíadas também estão a causar estragos. Fiquemos, então, com a versão sul-americana da frustração olímpica.

Azeitonas à moda do Porto

O Porto mandou-nos ontem uma das suas actuais pérolas musicais: os Azeitonas. Banda divertida, com óptima música, atitude descontraída q.b., que sabe entreter e agradar. O Casino Estoril estava longe das suas enchentes em noite de concerto grátis no Duarte Garden, muito longe mesmo (mês de férias?), o que deve ter sido frustrante para os elementos do grupo, "fardados" a rigor em fatos nas versões "riscas à mafioso", "branco à já não se usa" e "preto está sempre na moda". É caso para dizer que quem lá não foi, não sabe o que perdeu. Eu sei, certamente, que confirmei a impressão que tinha da banda através das músicas e da sua presença, sempre cuidada, na internet: são um dos maiores valores da música nacional, neste momento.

Os Azeitonas tocam uma música que não é propriamente Pop e dá para notar ali influências de várias épocas e estilos que contribuem, na mistura, para a frescura da música do grupo. Há pop, swing, big band, rock, jazz...

Gente competente, que sabe o que faz e fá-lo bem, os Azeitonas merecem muita sorte. Por várias vezes ao longo do espectáculo dei por mim a pensar "que bem que eles ficavam a abrir para os Clã". Parece-me que quem goste dos segundos, gostará também muito dos primeiros. Apesar das óbvias diferenças entre as bandas, há mais coisas em comum do que a simples origem tripeira.

E como nem só de (muito boa) música se faz uma banda, esta ainda nos traz essa coisa bonita de se ver que é a Nena (foto ao lado, pessoal), moça que, recorrendo a um chavão, canta e encanta, roubando ao resto da banda o olhar de muita gente. Importam-se de a por numa passerelle? O mundo agradece...

É caso para dizer "Azeitoninha, deixa-me ser o teu palito".
Eis um bom exemplo de recuperação (pelo menos, por fora). O edifício junto ao Jardim Zoológico, na Estrada de Benfica (Lisboa), estava a precisar de arranjo e arranjado foi. Agora, exibe paredes lisas e pintadas e um ar geral bem janota. Se fosse sempre assim...

Mas, diz a má-língua bloguística que a placa colocada na fachada e que identifica o imóvel como sendo o antigo Palácio do Visconde de Farrobo está errada já que o dito se encontraria do outro lado do Zoo, i.e., na Estrada da Luz.

Esperemos pela correcção. Entretanto, salvou-se património. Viva!

Vontade de chatear (1)

Se isto não é vontade de chatear os outros, então, é o quê?

Nem os animais escapam

As participações olímpicas nacionais revestem-se sempre de características semelhantes: à partida, levamos uns quantos campeões do mundo, da Europa, primeiros classificados nos rankings mundiais, jovens esperanças, etc. Depois, começa a competição e o calvário de dores de cabeça, de árbitros mauzinhos, de dias "não", de ventos contrários, enfim, tudo e mais alguma coisa. Mas há sempre lugar para a novidade e esta é-nos trazida pela agência Lusa: uma égua histérica.
Vacas, cabras, mulas, porcas sofrendo deste terríval mal, já todos nós conhecíamos mas, afinal de contas, as éguas também sofrem dele e foi logo uma destas que calhou a um dos integrantes da equipa nacional nos JO de Pequim, ditando a sua desistência a título individual e a consequente eliminação da equipa das Quinas.


(...) Miguel Ralão Duarte, montando a égua Oxallys da Meia Lua, desistiu hoje na sua participação na disciplina de Ensino das provas equestres dos Jogos Olímpicos. Segundo o cavaleiro, a égua assustou-se com o ecrã de vídeo existente no recinto e "entrou em histeria". A desistência ditou a eliminação de Portugal na competição por equipas.

Em declarações à agência Lusa momentos depois de ter desistido da prova, Miguel Ralão Duarte explicou que a égua Oxallys da Meia Lua "entrou em histeria com medo do ecrã de vídeo" pelo que antes de entrar nos exercícios mais difíceis "decidi desistir". (...)


Quando as coisas chegam a este estado, já não dá para chorar: é mesmo para rir...

Resta esperar pelas fatais queixas de falta de apoio... para as éguas com problemas mentais!

Cinzento

Hoje temos mais um exemplo do que é arquitectura deslocada. Olhe-se para o exemplar construído há já algum tempo em Benfica. Quanto às formas do bicho, não há nada a apontar: não é bonito, nem é feio e muito bem estaríamos nós se este fosse um caso de fealdade nas formas. Não, o que importa aqui apontar é a escolha da cor: cinzento escuro! Alguém se lembrou de fazer, numa zona densamente povoada, um prédio de cor escura. Talvez o arquitecto andasse deprimido, talvez estivesse com problemas em casa, talvez fosse gótico mas, por timidez, não quisesse pintar a obra de preto, talvez achasse que havia luz a mais no local e, vai daí, pinta o prédio com a cor que se vê nas fotos.

As pessoas compraram as casas. As pessoas compram qualquer coisa e, muitas delas, talvez até sentissem algum tipo de identificação entre as suas alminhas e a cor do prédio. Poder-se-á por a hipótese de alguns cavalheiros acharem que o prédio condiz com os seus fatos...

Bom, mas os habitantes não são, obviamente, culpados de nada. Já quem desenha, constrói, promove e - finalmente -, quem aprova a implantação de um bajolo cinzento escuro num bairro habitacional, esses... já deviam ter de apresentar umas explicações.


De vez em quando, alguém escreve grandes verdades. A imagem aqui mostrada é de um comentário deixado numa notícia no site do público (leia-a aqui), referente à preocupação que alguns jornalistas sentem de que possa haver "bases" da ETA em Portugal.

O assunto, aparentemente, será de pouca importância para a nossa população mas de grande para os nossos competentíssimos jornalistas (e, acrescento, os seus colegas do lado de lá...)

Cuidado com os bons!

Sílvio (o Berlusconi), teve uma ideia que se pode considerar um ovo de Colombo. Há crime nas ruas de Itália, há tropa nos quartéis, então, toca de por os soldados a patrulharem as ruas para garantirem a segurança das populações e turistas. Nada de mais simples e correcto, até.

A solução até podia ser mais radical e ir ao ponto de colocar as unidades de escol (é "élite", em Português...) do Exército Italiano a limparem o sebo aos mafiosos, entrando-lhes casa adentro e rebentando com os bens mas, há que admitir que isso era capaz de criar resistências no seio da corrupta sociedade italiana. Diz-se que Berlusconi também tem um pezinho no crime organizado e, certamente, que não quererá criar problemas aos seus amigos. Veja-se, por exemplo, como lidou (i.e., não lidou) com a crise do lixo em Nápoles que teve como única origem a Camorra (a "máfia" local).

Bom, ainda que só se persiga os ladrões de rua, ainda assim, isso já é qualquer coisa e deseja-se boa sorte aos soldados transalpinos. O problema é que é capaz de ser preciso desejar ainda melhor sorte àqueles que eles deverão proteger, ou seja, os pacatos cidadãos. E isto porque as forças armadas italianas nunca foram tidas em grande conta quer por inimigos, quer por aliados, tornando-se mesmo, em diversos conflitos, um motivo de chacota para o país da bota. Pode ser que os rapazes tenham mais jeito para polícias do que para guerreiros. Desde logo, o soldado que se mostra na foto parece ter pinta: ó para ele, de sobrolho carregado, como quem diz "não se metam comigo que eu sou mau"... Boa-sorte! :)
[carregue na imagem para ver o álbum]
Parece que, este ano, já houve seis crianças a cairem de varandas. Resultado, apareceu logo uma boa alma ou associação a pedir leis que rejam o desenho das varandas.

Parece que, este ano, já houve algumas crianças que morreram afogadas em piscinas domésticas. Resultado, apareceu logo uma boa alma ou associação a pedir leis que rejam a posse de piscinas.

Há gente (muita, diria eu) para quem tudo na vida se resolve com mais leis, sempre mais regras, entrando sucessivamente nos cantos mais recônditos da vida em sociedade, espartilhando hábitos, gostos, criatividade...

Caiu uma criança a partir de uma varanda? A culpa é de quem não tomou conta dela? Não. A culpa é de quem não colocou protecções na varanda? Não. A culpa é de quem comprou uma casa com varandas demasiadamente abertas? Não. A culpa é do construtor, do arquitecto, do Governo, sei lá. De todos aqueles que não têm rigorosamente nada a ver com o exercício directo dos poderes paternais e de vigilância.

Façam-se leis. Mais e mais, para que tudo fique na mesma, com excepção das taxas de incumprimento das leis que, quanto mais forem, mais dificilmente poderão ser cumpridas.

Um dia destes, é preciso o Código Civil para sabermos se podemos, sequer, respirar...