Podiam dizer-me que o queijo era de boa qualidade. Podiam dizer-me que o fiambre também. Mas, qualquer coisa que me dissessem não me convencia de que pagar EUR 2,30 por um croissant misto não é uma roubalheira. Não há outra palavra. Quando, numa pastelaria perfeitamente banal me cobram, por semelhante "iguaria", o mesmo que me cobram por um lanche inteiro em muitos outros locais... então, não me ocorre outro termo: roubalheira!

Dois euros e trinta cêntimos. Quatrocentos e sessenta escudos. Qualquer que seja a moeda ou o câmbio, vai sempre parecer-me o mesmo: um roubo.


Assim de repente, até parece que uma bela caganeira é uma coisa gira.

Uma saída para a memória

Andava eu passeando, tirando fotografias a casas abandonadas quando, ao passar pelas Laranjeiras, resolvi fazer uma concessão à lamechiche e ir ver como estava um local onde, numa outra vida já, costumava passar uns belos momentos com uma menina bonita.

Nessa altura, duas das saídas da estação de metro estavam fechadas porque nada havia junto delas. Tinham sido feitas a pensar no Luna Parque, uma ideia do então presidente da câmara, Nuno Kruz Abecasis (o infeliz responsável pela demolição do cinema Monumental, no Saldanha), que pretendia acabar com a Feira Popular e substituí-la por um parque de diversões moderno que apenas apresentaria um "pequeno" problema: ficaria encostado ao Jardim Zoológico.

A coisa não foi em frente, portanto. Mas nem por isso o Metro deixou de afixar na parede o aviso que aqui se mostra. Passaram-se dezasseis anos desde que lá tinha estado pela última vez (e, nessa altura, a coisa já era velha) e lá continua a indicação do Luna Parque...

Hoje, a rua já tem um grande condomínio privado e não há espaço para mais nada ali. Entretanto, a própria Feira Popular acabou e ficou, em plena Av. da República, um enorme espaço que mais parece um cenário de guerra. E Lisboa continua sem o seu parque de diversões...

Turistas em apuros

A revista masculina FHM resolveu prestar uma homenagem ao último macho latino, Zezé Camarinha. O irredutível algarvio, orgulho da nossa nação e estandarte da sua região, doce memória para milhares de turistAAs (com dois "a" para desfazer qualquer confusão que pudesse surgir), foi transformado em personagem de jogo de computador. O enredo é básico (queriam o quê?): Zezé persegue uma turista na praia e nós - quais empata-fodas -, tentamos que a turista fuja aos camarinhescos encantos.

O jogo está aqui:
http://www.classic.fhm.com/site/bigeye/link_pt.asp?http://sorisomail.com/email/1772/zeze-camarinha--put-the-cream-game.html

Mas, para aqueles que (nesta época de ausência de Ferrero-Rocher), exigem qualquer coisa de mais substancial - algo de diferente, digamos -, fica aqui o link para uma lista de frases e pensamentos camarinhescos. Leiam e meditem, se conseguirem...


Parece que, do outro lado do mar, no Brasil, as Olimpíadas também estão a causar estragos. Fiquemos, então, com a versão sul-americana da frustração olímpica.

Azeitonas à moda do Porto

O Porto mandou-nos ontem uma das suas actuais pérolas musicais: os Azeitonas. Banda divertida, com óptima música, atitude descontraída q.b., que sabe entreter e agradar. O Casino Estoril estava longe das suas enchentes em noite de concerto grátis no Duarte Garden, muito longe mesmo (mês de férias?), o que deve ter sido frustrante para os elementos do grupo, "fardados" a rigor em fatos nas versões "riscas à mafioso", "branco à já não se usa" e "preto está sempre na moda". É caso para dizer que quem lá não foi, não sabe o que perdeu. Eu sei, certamente, que confirmei a impressão que tinha da banda através das músicas e da sua presença, sempre cuidada, na internet: são um dos maiores valores da música nacional, neste momento.

Os Azeitonas tocam uma música que não é propriamente Pop e dá para notar ali influências de várias épocas e estilos que contribuem, na mistura, para a frescura da música do grupo. Há pop, swing, big band, rock, jazz...

Gente competente, que sabe o que faz e fá-lo bem, os Azeitonas merecem muita sorte. Por várias vezes ao longo do espectáculo dei por mim a pensar "que bem que eles ficavam a abrir para os Clã". Parece-me que quem goste dos segundos, gostará também muito dos primeiros. Apesar das óbvias diferenças entre as bandas, há mais coisas em comum do que a simples origem tripeira.

E como nem só de (muito boa) música se faz uma banda, esta ainda nos traz essa coisa bonita de se ver que é a Nena (foto ao lado, pessoal), moça que, recorrendo a um chavão, canta e encanta, roubando ao resto da banda o olhar de muita gente. Importam-se de a por numa passerelle? O mundo agradece...

É caso para dizer "Azeitoninha, deixa-me ser o teu palito".
Eis um bom exemplo de recuperação (pelo menos, por fora). O edifício junto ao Jardim Zoológico, na Estrada de Benfica (Lisboa), estava a precisar de arranjo e arranjado foi. Agora, exibe paredes lisas e pintadas e um ar geral bem janota. Se fosse sempre assim...

Mas, diz a má-língua bloguística que a placa colocada na fachada e que identifica o imóvel como sendo o antigo Palácio do Visconde de Farrobo está errada já que o dito se encontraria do outro lado do Zoo, i.e., na Estrada da Luz.

Esperemos pela correcção. Entretanto, salvou-se património. Viva!

Vontade de chatear (1)

Se isto não é vontade de chatear os outros, então, é o quê?

Nem os animais escapam

As participações olímpicas nacionais revestem-se sempre de características semelhantes: à partida, levamos uns quantos campeões do mundo, da Europa, primeiros classificados nos rankings mundiais, jovens esperanças, etc. Depois, começa a competição e o calvário de dores de cabeça, de árbitros mauzinhos, de dias "não", de ventos contrários, enfim, tudo e mais alguma coisa. Mas há sempre lugar para a novidade e esta é-nos trazida pela agência Lusa: uma égua histérica.
Vacas, cabras, mulas, porcas sofrendo deste terríval mal, já todos nós conhecíamos mas, afinal de contas, as éguas também sofrem dele e foi logo uma destas que calhou a um dos integrantes da equipa nacional nos JO de Pequim, ditando a sua desistência a título individual e a consequente eliminação da equipa das Quinas.


(...) Miguel Ralão Duarte, montando a égua Oxallys da Meia Lua, desistiu hoje na sua participação na disciplina de Ensino das provas equestres dos Jogos Olímpicos. Segundo o cavaleiro, a égua assustou-se com o ecrã de vídeo existente no recinto e "entrou em histeria". A desistência ditou a eliminação de Portugal na competição por equipas.

Em declarações à agência Lusa momentos depois de ter desistido da prova, Miguel Ralão Duarte explicou que a égua Oxallys da Meia Lua "entrou em histeria com medo do ecrã de vídeo" pelo que antes de entrar nos exercícios mais difíceis "decidi desistir". (...)


Quando as coisas chegam a este estado, já não dá para chorar: é mesmo para rir...

Resta esperar pelas fatais queixas de falta de apoio... para as éguas com problemas mentais!

Cinzento

Hoje temos mais um exemplo do que é arquitectura deslocada. Olhe-se para o exemplar construído há já algum tempo em Benfica. Quanto às formas do bicho, não há nada a apontar: não é bonito, nem é feio e muito bem estaríamos nós se este fosse um caso de fealdade nas formas. Não, o que importa aqui apontar é a escolha da cor: cinzento escuro! Alguém se lembrou de fazer, numa zona densamente povoada, um prédio de cor escura. Talvez o arquitecto andasse deprimido, talvez estivesse com problemas em casa, talvez fosse gótico mas, por timidez, não quisesse pintar a obra de preto, talvez achasse que havia luz a mais no local e, vai daí, pinta o prédio com a cor que se vê nas fotos.

As pessoas compraram as casas. As pessoas compram qualquer coisa e, muitas delas, talvez até sentissem algum tipo de identificação entre as suas alminhas e a cor do prédio. Poder-se-á por a hipótese de alguns cavalheiros acharem que o prédio condiz com os seus fatos...

Bom, mas os habitantes não são, obviamente, culpados de nada. Já quem desenha, constrói, promove e - finalmente -, quem aprova a implantação de um bajolo cinzento escuro num bairro habitacional, esses... já deviam ter de apresentar umas explicações.