Duas pérolas de um dos locutores da Rádio Renascença durante a transmissão do recente jogo de futebol entre o Benfica e o Porto:

Situação 1: um espectador benfiquista salta das bancadas e tenta agredir o fiscal de linha

Mas o que é isto?! Parece que estamos no Suriname!!!


Situação 2: ocorre uma discussão entre jogadores das duas equipas
Bom... e agora temos ali no meio-campo uma discussão toda ela em Castelhano: são cinco argentinos, dois uruguaios, três brasileiros (...)


Convenhamos que o Gabriel Alves era melhor do que isto...
Nisto é que somos bons

Ao contrário daqueles que se deixam enredar nas malhas do politicamente correto ("olhó" Acordo!...), eu continuo a achar que ser cego ou feio ou gordo ou velho ou coxo ou anão ou marreco ou perneta ou vesgo ou sei lá que mais não é bom. Por mais campanhas "positivas" que queiram lançar, a mim ninguém me convence de que ter uma anomalia física ou estética faz de nós pessoas melhores ou mais felizes. Esqueçam, não vale a pena. Compreendo que quem as tenha necessite de, como estratégia psicológica de sobrevivência, se autoconvencer de que é "positivamente" especial mas eu não tenho nada a ver com isso.

Portanto, eu tenho pena das pessoas que não podem ouvir música (é que eu sempre posso tapar os ouvidos quando me dão com a Kizomba e o Hip-Hop); tenho dó de quem não consegue ver as muitas coisas belas que existem no mundo (eu ainda posso fechar os olhos quando confrontado com algo que não me agrade); sinto piedade pelos que precisam de alguém que os leve à sanita (porque eu sou livre de fazer merda quando, onde e como me apetecer); tenho compaixão pelos que vivem torcidos sobre si mesmos (porque eu nasci e escolhi ter a coluna direita)...
Ser deficiente é uma desgraça!

Mas, mesmo na infelicidade, é possível estabelecer a diferença entre ser-se um pobre coitado e ser-se alguém. Quando a natureza ou a sorte nos são madrastas podemos atirar a toalha para o chão ou lutar com raiva contra o infortúnio. Os atletas paralímpicos fazem-no: treinam, esforçam-se, sofrem para não se resignarem, para não se renderem às suas falhas físicas. E merecem apoio, respeito e até carinho pelo que fazem. Num povo de gentinha lamechas que mais não faz do que se queixar de tudo e esperar que um salvador caia do céu para lhe tratar das coisas mais básicas, ver gente que tem, de facto, razões para se queixar de muito, fazer das tripas coração para se erguer acima da mediocridade é algo que faz bem e, sobretudo, que tem o sabor de uma lição de vida, um exemplo a seguir.

Mas, se é verdade que os paralímpicos são um exemplo, também não é menos verdade que a atenção que lhes tem sido dada nos últimos anos é exagerada relativamente à representatividade do desporto para deficientes junto da população em geral. Convenhamos: a seleção nacional de Hóquei em Patins tem mais tradição e peso junto do público do que os melhores atletas de Boccia (não sabe o que é? - é sintomático...) e, no entanto, tem-se visto cada vez mais relegada para notas de rodapé na imprensa. Porquê? Porque os paralímpicos preenchem uma falha no imaginário da população, massacrada pelo negativismo "criminoso" da comunicação social: os paralímpicos ganham medalhas, muitas medalhas! Supostamente, a coisa é de tal forma que, agora, até se lançou uma campanha cujo mote é "Nisto é que somos bons". Esta expressão, exagerada, provocatória e, acima de tudo, estúpida, vem na linha, precisamente, da destruição paulatina que se está a fazer do orgulho (autoestima, como se diz agora) nacional. Nada corre bem, tudo dá para o torto, os bons não se esforçam, os outros países são sempre melhores mas!... mas, os paralímpicos, esses sim, são os maiores!

Quando um conjunto de deficientes é apresentado a um povo como sendo o seu melhor, algo está efectivamente podre na sociedade.

Só que os desportistas deficientes não precisam de carregar mais esta cruz. As dificuldades que têm na vida já são suficientes para ainda lhes quererem por sobre os ombros a responsabilidade de resgatar o orgulho ferido de uma nação que persiste em se autoflagelar.

Deixem-nos em paz! Deixem os desportistas deficientes correrem, rolarem, nadarem livremente e sem pressões, como quem faz algo por gosto e não por obrigação! E, já agora, façam o mesmo a todos os outros, os "normais": deixem os Ronaldos e os Quaresmas divertirem-se em campo, deixem as Naídes e os Nelsones saltarem pela alegria do voo, deixem os Zés, os Manéis, as Marias competirem pela paixão do desporto e acabem com esta maldita pressão que ameaça tornar todos os desportistas em falhados e todos nós em frustrados porque, pelo que se tem visto, a euforia da espetativa só nos tem trazido desilusões atrás de desilusões!


Podiam dizer-me que o queijo era de boa qualidade. Podiam dizer-me que o fiambre também. Mas, qualquer coisa que me dissessem não me convencia de que pagar EUR 2,30 por um croissant misto não é uma roubalheira. Não há outra palavra. Quando, numa pastelaria perfeitamente banal me cobram, por semelhante "iguaria", o mesmo que me cobram por um lanche inteiro em muitos outros locais... então, não me ocorre outro termo: roubalheira!

Dois euros e trinta cêntimos. Quatrocentos e sessenta escudos. Qualquer que seja a moeda ou o câmbio, vai sempre parecer-me o mesmo: um roubo.


Assim de repente, até parece que uma bela caganeira é uma coisa gira.

Uma saída para a memória

Andava eu passeando, tirando fotografias a casas abandonadas quando, ao passar pelas Laranjeiras, resolvi fazer uma concessão à lamechiche e ir ver como estava um local onde, numa outra vida já, costumava passar uns belos momentos com uma menina bonita.

Nessa altura, duas das saídas da estação de metro estavam fechadas porque nada havia junto delas. Tinham sido feitas a pensar no Luna Parque, uma ideia do então presidente da câmara, Nuno Kruz Abecasis (o infeliz responsável pela demolição do cinema Monumental, no Saldanha), que pretendia acabar com a Feira Popular e substituí-la por um parque de diversões moderno que apenas apresentaria um "pequeno" problema: ficaria encostado ao Jardim Zoológico.

A coisa não foi em frente, portanto. Mas nem por isso o Metro deixou de afixar na parede o aviso que aqui se mostra. Passaram-se dezasseis anos desde que lá tinha estado pela última vez (e, nessa altura, a coisa já era velha) e lá continua a indicação do Luna Parque...

Hoje, a rua já tem um grande condomínio privado e não há espaço para mais nada ali. Entretanto, a própria Feira Popular acabou e ficou, em plena Av. da República, um enorme espaço que mais parece um cenário de guerra. E Lisboa continua sem o seu parque de diversões...

Turistas em apuros

A revista masculina FHM resolveu prestar uma homenagem ao último macho latino, Zezé Camarinha. O irredutível algarvio, orgulho da nossa nação e estandarte da sua região, doce memória para milhares de turistAAs (com dois "a" para desfazer qualquer confusão que pudesse surgir), foi transformado em personagem de jogo de computador. O enredo é básico (queriam o quê?): Zezé persegue uma turista na praia e nós - quais empata-fodas -, tentamos que a turista fuja aos camarinhescos encantos.

O jogo está aqui:
http://www.classic.fhm.com/site/bigeye/link_pt.asp?http://sorisomail.com/email/1772/zeze-camarinha--put-the-cream-game.html

Mas, para aqueles que (nesta época de ausência de Ferrero-Rocher), exigem qualquer coisa de mais substancial - algo de diferente, digamos -, fica aqui o link para uma lista de frases e pensamentos camarinhescos. Leiam e meditem, se conseguirem...


Parece que, do outro lado do mar, no Brasil, as Olimpíadas também estão a causar estragos. Fiquemos, então, com a versão sul-americana da frustração olímpica.

Azeitonas à moda do Porto

O Porto mandou-nos ontem uma das suas actuais pérolas musicais: os Azeitonas. Banda divertida, com óptima música, atitude descontraída q.b., que sabe entreter e agradar. O Casino Estoril estava longe das suas enchentes em noite de concerto grátis no Duarte Garden, muito longe mesmo (mês de férias?), o que deve ter sido frustrante para os elementos do grupo, "fardados" a rigor em fatos nas versões "riscas à mafioso", "branco à já não se usa" e "preto está sempre na moda". É caso para dizer que quem lá não foi, não sabe o que perdeu. Eu sei, certamente, que confirmei a impressão que tinha da banda através das músicas e da sua presença, sempre cuidada, na internet: são um dos maiores valores da música nacional, neste momento.

Os Azeitonas tocam uma música que não é propriamente Pop e dá para notar ali influências de várias épocas e estilos que contribuem, na mistura, para a frescura da música do grupo. Há pop, swing, big band, rock, jazz...

Gente competente, que sabe o que faz e fá-lo bem, os Azeitonas merecem muita sorte. Por várias vezes ao longo do espectáculo dei por mim a pensar "que bem que eles ficavam a abrir para os Clã". Parece-me que quem goste dos segundos, gostará também muito dos primeiros. Apesar das óbvias diferenças entre as bandas, há mais coisas em comum do que a simples origem tripeira.

E como nem só de (muito boa) música se faz uma banda, esta ainda nos traz essa coisa bonita de se ver que é a Nena (foto ao lado, pessoal), moça que, recorrendo a um chavão, canta e encanta, roubando ao resto da banda o olhar de muita gente. Importam-se de a por numa passerelle? O mundo agradece...

É caso para dizer "Azeitoninha, deixa-me ser o teu palito".
Eis um bom exemplo de recuperação (pelo menos, por fora). O edifício junto ao Jardim Zoológico, na Estrada de Benfica (Lisboa), estava a precisar de arranjo e arranjado foi. Agora, exibe paredes lisas e pintadas e um ar geral bem janota. Se fosse sempre assim...

Mas, diz a má-língua bloguística que a placa colocada na fachada e que identifica o imóvel como sendo o antigo Palácio do Visconde de Farrobo está errada já que o dito se encontraria do outro lado do Zoo, i.e., na Estrada da Luz.

Esperemos pela correcção. Entretanto, salvou-se património. Viva!

Vontade de chatear (1)

Se isto não é vontade de chatear os outros, então, é o quê?