Já sabemos que os deputados à Assembleia da República são bem pagos.Já sabemos que os nossos representantes têm direito a reformar-se em apenas oito anos.
Já sabemos que têm direito a várias mordomias.
Agora... o que eu não sabia era que, apesar de todas as regalias e do elevado poder de compra, os deputados também têm direito a cafezinho ao preço da chuva!
Repare-se no recibo à esquerda: por dois cafés e uma sandes mista, no cubículo que serve de café no 1º andar de São Bento, paguei €1,05 (um euro e cinco cêntimos)!
Quando eu estendi uma nota de dez euros e a empregada me perguntou se não tinha nada menor, fiquei um pouco admirado (esperava uma conta na ordem dos três euros) mas, quando ela me disse que a despesa era apenas de €1,05 (€0,25 por cada café e €0,55 pela sandes), então, fiquei aparvalhado. Um amigo com quem estava falava, falava, mas eu só pensava na conta. Confirmei com a empregada: "Contou tudo?!". "Sim", disse ela, com um sorriso onde se percebia compreender o meu espanto. Logo alguém atrás soltou a inevitável piada "temos de vir cá tomar o pequeno-almoço todos os dias". Pudera!
Ora... se há coisa que eu não sou é demagogo. Eu também percebo que o café talvez não pague aluger, que é possível que beneficie de algumas condições que lhe permitam baixar os preços, que, ali, a lógica seja de serviço e não tanto de lucro (nas máquinas nos centros de saúde as coisas também são mais baratas) mas há uma questão de princípio que me choca, ainda assim. Num local onde as pessoas ganham €3.000/mês e onde, dizem-me, os próprios empregados de corredor (o que é que aquela gente faz?) ganham muito bem, como é que se pode compreender que um café custe, pelo menos, metade do que custa cá fora? E que uma sandes custe um terço!?
Às vezes, são as pequenas coisas que nos põem a pensar...






