O jardim da Fundação Gulbenkian está a ficar modernaço: até já tem vagabundos e tudo. Fixe!

Não sei o que é isso!

Cheio de vontade de beber uma cervejola, entro num "snack" de centro comercial. Enquanto espero que me atendam, olho para a lista de preços. Decido pedir uma caneca.

- Uma caneca, por favor.

A empregada olha para mim com um ar incrédulo
- Uma caneca? Nós não temos disso!

- Não têm? - pergunto - está na lista.

- Ah, está? Mas eu não sei o que é isso!

Começa a passar-me uma coisa pela frente. Contenho-me. A rapariga abre o armário dos copos e retira dois, de tamanhos diferentes. Mostra-me o maior.
- É isto? 33cl?

- Não sei. - digo - Deve saber isso melhor do que eu, não é?

- Pois... só se for este...

Uma outra cliente intervém.
- É esse, 33cl, vocês é que não têm canecas.

- Pois... - retoma a empregada - deve ser este.

- Deixe lá - corto -, dê-me uma imperial.

- Mas...

- Bebo uma imperial, deixe lá isso.

Às vezes, apetece-me fechar os olhos e acordar...

Café das estrelas

Apesar das viagens que já fiz, nunca tinha entrado em qualquer estabelecimento da cadeia de cafés Starbucks. Se o fiz, foi involuntariamente e, já se vê, não foi coisa que me marcasse.
Em Portugal, até há muito pouco tempo, não havia qualquer café desta marca que já está espalhada por um ror de países mas, como em quase tudo, não há espera que não dê fruto. O primeiro abriu no centro comercial Allegro, nos arredores de Lisboa. Resolvi, experimentar. Aproveitando uma ida ao local, lá entrei no espaço (bem agradável) onde tudo está feito para ter um ar confortável e caseiro, o ar que os cafés anglo-saxónicos tanto gostam de exibir: prateleiras com canecas, vitrinas com bolos à fatia, sofás, mesinhas redondas e cadeiras de madeira. Até aqui: tudo aprovado. Olho para os “menus” e vejo que as bebidas (não sei quantas misturas à base de café) têm todas nomes em “estrangeiro”. Mmm... Os bolos, idem idem, aspas aspas. Quem quiser comer, tem de aprender a dizer “cookie” e “brownie”. Quem quiser beber, que aprenda a dizer “Caramel Machiatto” e “Moca Frappé”. Quem quiser pagar, que aprenda a conter a língua... É que a globalização não se fica pelos nomes das coisas e impõe que também os preços se equivalham. E isto porque um “cookie” (que mais não é que uma bolacha grandinha e mole) custa €1,70 e uma caneca de “Caramel Machiatto” fica por uns módicos €3,10 (estamos a falar da medida mais pequena). Ou seja, um pequeno-almoço ficou-me em €4,80 - pouco menos do que um menu de almoço.

E valeu a pena? Pela curiosidade sim. O café misturado com leite e caramelo era inegavelmente agradável (dizer mais já seria exagero) mas o “cookie” de caramelo já era uma coisa sensaborona. No entanto, os preços não convidam a ataques frequentes de curiosidade. É certo que, se uma bica já custa (pelo menos) €0,50, uma caneca terá várias vezes esta quantidade e, no fim, €3,10 acaba por não ser caro. Simplesmente, cinquenta cêntimos é coisa que não custa a dar e não dói, enquanto que seiscentos e vinte escudos por uma caneca de café, já é coisa que bate forte. Em Londres, Paris ou Nova Iorque, semelhantes preços podem ser banais mas, para o nosso nível de vida, não julgo que sejam.

Outra coisa que me desagradou, por me parecer absolutamente forçada e deslocada da nossa cultura foi o ridículo pormenor de nos perguntarem o nome no momento da encomenda. Para quê, pergunta-se? Porque cargas de água é que tenho de dizer o meu nome para encomendar um café e um bolo? Para uma coisa muito simples: para que a empregada que atende possa dizer à que prepara as coisas “Um café para o António!”, “Um cookie e um expresso para a Maria!”. Finalmente, quando nos entregam as coisas (no fim do balcão), chamam-nos novamente: “José, o seu café”. Pois... onde é que eu já vi esta familiaridade forçada? No Holmes Place, de má memória para mim.
Ora, se há coisa que eu não sou é pretencioso. Gosto de dar confiança q.b. às pessoas, gosto de as por à vontade comigo. Do que eu não gosto é que se ponham à vontade comigo por “decreto”.
Quando entro num café, quero comer e beber e não participar num qualquer conceito artificial e oco de familiaridade entre cliente e empregado. Até porque a coisa ganha contornos ainda mais estúpidos quando somos atendidos (como foi o caso) por uma empregada assim para o trombudo. Já que querem aplicar cá conceitos importados, podiam começar pela simpatia com que somos atendidos neste tipo de estabelecimentos lá fora. É que, ainda recentemente, passei 18 dias em França e se houve coisa que me saltou à vista foi a forma como somos recebidos e atendidos num estabelecimento comercial, seja ele o McDonalds ou uma papelaria: “Bom-dia! O que deseja?”, “Muito obrigado, senhor. Até à próxima! Bom-dia para si”. Convenhamos que um sorriso e um “olá” têm certamente mais importância para a nossa “experiência de consumo” do que ter alguém que não conhecemos de parte alguma a tratar-nos pelo nome próprio.

“Qual é o seu nome?” - perguntou a rapariga. “Pode ser Zé Manel”, respondi. “Um café para o José”, pediu ela. Se um dia lá voltar (pouco provável), hei-de dizer que me chamo “Mamaqui”...
À saída do cinema, uma rapariga distribuia panfletos aos transeuntes. Ao contrário do que é costume, não disse que não, nem deitei fora o papel quando ela mo deu. Tive curiosidade e li. Ainda bem que o fiz: era um papel alusivo a uns "Prémios Precariedade", criados para denunciar a precariedade no mercado laboral em Portugal. Guardei-o com curiosidade de ver o site que lá vinha indicado. Temos coisa à Globos de Ouro mas cujos nomeados são "patrões" e políticos.

A iniciativa cheira a extrema-esquerda mas a verdade é que está gira e bem feita e merece uma visita, quanto mais não seja para ver os vídeos dos nomeados.

Vá lá, dê um pulo até www.premiosprecariedade.net e vote.
É curioso como, mesmo em "modo aberração", um gatinho é sempre bonito :)
O site br.msn.com, horas antes do jogo amigável entre o Brasil e Portugal (em Brasília), coloca à disposição dos visitantes uma votação relativa ao melhor jogador (do encontro?) e escolhe quatro fotografias. Curiosamente, todas elas de brasileiros :)

Chauvinismo tropical?


Toda a gente que mexe com imagem sabe da importância de ter uma iluminação correcta. No caso deste cartaz de cinema, pode-se dizer que a luz veio trazer algo de "novo" à imagem :)

Lusotango


Bonito, bonito, foi o concerto dos Lusotango, na Central Tejo, no âmbito da exposição Remade in Portugal. Evento para algumas dezenas de pessoas que tiveram a curiosidade (eu) ou a sorte de já conhecer o grupo. A repetir, sem dúvida e, de preferência, com bailarinos porque ontem não os houve.

Fica aqui um vídeo, para abrir o apetite para futuros tangos.

Pérolas do match.com (3)

Uma das milhentas diferenças entre homens e mulheres é a forma como cada sexo expressa o seu gosto/desgosto pelas coisas. Supostamente mais capazes verbalmente (é o que dizem uns estudos que se andam publicando e que pretendem provar sempre mais uma superioridade feminina), quando chega o momento de dar a opinião sobre algo, as mulheres parecem remeter-se a um irritante maniqueísmo assente na mais redutora versão da nossa língua: aquela em que só existem as palavras "Adoro" e "Odeio" (algumas meninas, só para se fazerem notar, substituem o "Odeio" por "Detesto").
Pergunte-se a uma rapariga quais são os seus gostos e já sabemos que vem lá uma lista de "adoro" e "odeio". Uma namorada minha, por exemplo, adorava-me nos dias em que estava bem-disposta e odiava-me nos outros. Não havia meio-termo, tudo ou nada. Tudo que não é nada. Nada que talvez te salves...

Observemos a "curtíssima" lista de gostos de uma pequena com perfil no Match.com:


Ser feliz...ADORO-TE MANA LINDA, ADORO-TE RAQUEL, AMIGA MINHA, AS 2 NINAS LINDAS O MEU CORAÇÃO !!! NADA DE INVEJAS, EU CHEGO PARA TODOS, EHEHHH...QUEM ME CONHECE SABE Q TOU A BRINCAR. ACIMA DE TUDO VIVAM OS AMIGOS VERDADEIROS, EM 2º AOS AMIGOS, 3º AOS AMIGOS...

Adoro tudo o q me faz sorrir
Adoro os meus PAIS
Adoro as noites que passo acordada
Adoro a Puca
Adoro música
Adoro q me sussurrem segredos ao ouvido
Adoro estar na cama a ouvir a chuva cair
Adoro uma boa conversa num momento único
Adoro mimos
Adoro pormenores
Adoro chocolate
Adoro palavras doces e meigas
Adoro um sorriso
Adoro surpresas boas
Adoro cheiros que me trazem recordações
Adoro natação
Adoro passear o Rei
Adoro praia
Adoro os momentos passados à lareira
Adoro pensar em alguém
Adoro pensar em TI
Adoro a intensidade dos momentos
Adoro o cheiro de um bom perfume
Adoro sentir-me desejada e única
Adoro desejar alguém
Adoro sinais
Adoro o inesperado
Adoro o mar
Adoro o Sol
Adoro a Lua
Adoro a noite
Adoro sair com os amigos
Adoro o impossível
Adoro apaixonar-me
Adoro sentir-me livre
Adoro pessoas com personalidade forte
Adoro tentar entender o sexo masculino
Adoro que tentem compreender os meus momentos
Adoro loucuras
Adoro tatuagens
Adoro saltos altos
Adoro momentos
Adoro reviver esses momentos :)

Tanta "adoração", nem em Fátima, em dia de procissão...

Por baixo de Paris

Minas, subterrâneos, catacumbas, passagens, esgotos e estações de metro... Paris assenta num colossal queijo suíço. No seu subsolo existem entre 250 e 300 Km de passagens parcial ou totalmente abandonadas, fruto, sobretudo, de antiquíssimas explorações mineiras, algumas das quais vieram mais tarde a ser aproveitadas (como no caso das "catacumbas", criadas no Séc. XVIII). A atração que esta gigantesca rede de túneis exerce sobre muitos é tal que, a partir de 1955, e para evitar os inevitáveis acidentes, é absolutamente proíbido o acesso não-autorizado ao subsolo da capital francesa. Mas nem a lei, nem a polícia que patrulha o soturno reflexo de Paris é suficiente para impedir que muito boa gente dê largas ao desejo de aventura e desça às profundezas da cidade. O grupo Compéres (compadres) coloca no seu site (www.comperes.org) o relato das incursões realizadas ao mundo subterrâneo parisiense. Belas fotos para ver e, acima de tudo, uma sensação de inveja que nos fica... :)