Andava eu a dar a típica voltinha de Domingo à tarde (i.e., ida ao centro comercial) e resolvi entrar numa Bertrand. Passando os olhos pela mesa onde se acumulavam as novidades, dei de caras com uma volumosa edição ostentando o selo de "Recomendação de Natal". Movido pela curiosidade, peguei no livro. Ali, misturado com uma miríade de romances históricos e livros de auto-ajuda, estava um romance de amor. Um verdadeiro romance de amor, de seu nome "Eu escrevi sempre". Perguntar-se-á o leitor se é um livro de cartas escritas por um soldado em África, ou novidades de terras de França enviadas por um emigrante, ou mesmo lacrimejantes histórias de um exilado em tempos de ditadura... Nada disso! "Eu escrevi sempre" é uma compilação de cartas de amor de Jardim Gonçalves, enviadas aos accionistas e funcionários do banco que ele ajudou a fundar. Cartas extensas ou muitas curtas, o certo é que, pelo tamanho do livro, JG é homem de muita escrita que procura, agora, gente que seja de muita leitura. A Bertrand recomenda-nos o livro e tem razão em fazê-lo: já me imagino a ir à árvore de Natal e encontrar lá, com o meu nome, o livro de Jardim Gonçalves. Ó suprema felicidade, ó calorosa antecipação de dias passados no conforto do lar, beberricando qualquer coisinha quente enquanto desfilam à minha frente as cartas de Jardim Gonçalves: "Caro accionista...", "Caro amigo...", ali, só para mim, Gonçalves expondo os rios de amor que lhe inundavam o coração, "o mercado está forte", "há que ter confiança", os sentimentos são como flores e Gonçalves é um jardim... Homem de sorte, homem de enorme felicidade, duplamente abençoado pela vida, amando os homens por ser cristão, amando os accionistas por ser da Opus Dei...
Dizia-nos Pessoa que todas as cartas de amor são ridículas e, se assim é, estamos perante um tratado de um ridículo quase tão grande como oferecer semelhante coisa a alguém. Mas, também nos dizia a mesma pessoa que ridículo é quem nunca escreveu cartas de amor. E aqui, ridículo me confesso, vergado sob o peso da vergonha que sinto por nunca ter tido a oportunidade de escrever cartas assim. Amar, já amei, mas não dava para publicar...
Pensamento positivo: ninguém assistirá aos 200 anos de Manoel de Oliveira :)


E se um periférico minúsculo nos permitisse ver TV nos nossos PDA's? Era boa ideia, não era? Pois, os chineses da Permian Co Ltd tiveram a ideia e produziram o aparelhozinho. Agora, é só esperar que ele apareça por aí à venda (e que não seja caro).
notas da Madeira (1)

Foi preciso ir ao Funchal para, finalmente, perceber porque raio chamam "Pão de Açúcar" ao famoso morro carioca (que, por sua vez, deu nome à não menos famosa cadeia de supermercados).

"Pão de açúcar" era a forma que o açúcar ganhava na forma cónica onde era colocado (ver fotografia). Simples, não é? :)
A coisa quadradona que surge na foto ao lado não parece fazer juz ao seu nome: "mosquito". Quem vê caras, não vê corações e quem olha para o aparelho não imagina que a sua designação se prende com aquilo que ele faz e que é, muito basicamente, dispersar grupos de adolescentes. Mmm... coisa fascistazóide, dirão logo alguns. A verdade é que só quem não sabe o que é ter de aturar grupinhos à noite, junto a sua casa, ou encostados às janelas, ou a ouvirem música até às tantas é que pode negar a enorme utilidade de semelhante aparelho.

O princípio por trás do aparelho é simples e baseia-se na capacidade do ouvido humano para ouvir sons em determinadas frequências. Esta capacidade perde-se com a idade e, a partir dos 25 anos, o nosso aparelho auditivo mostra-se incapaz de apanhar o som emitido pelo "Mosquito". Os fabricantes do dispositivo já anunciaram estarem a desenvolver uma versão capaz de alargar o leque de "vítimas" mas, até agora, só resta mesmo rezar para que as criaturinhas que nos incomodam sejam menores de 25 e, sobretudo, que não tenham os seus ouvidos completamente lixados pelos leitores de MP3, e isto para que possam ser incomodados pelo som emitido pelo "Mosquito" que, ao fim de cerca de cinco minutos, se torna insuportável, levando a que os chatos procurem outro pouso...

No Reino Unido, o "Mosquito" parece estar a fazer furor, nomeadamente junto de comerciantes que querem dispersar os grupos que se formam junto às suas portas e que acabam por afastar possíveis clientes. Levantam-se questões éticas e legais mas a verdade é que o "Mosquito" continua a aparecer nas notícias, o que parece provar que é útil, bem-vindo e tem uma utilização crescente.

Quem quiser mais informações, pode aceder a www.mosquito-ni.com
Quem acampa sabe do desconforto que pode surgir quando se mete num saco-camo do tipo "múmia": os braços apertados, sem espaço para se mexer, a sensação de claustrofobia... Bom, os ingleses da Lippiselkbag (www.lippiselkbag.co.uk) parecem ter encontrado a solução: um "fato-cama". A coisa é gira e tem aspecto de ser muito confortável. Em vez de nos metermos num saco-cama, vestimo-lo :) E, aparentemente, a roupa até vem com reforço nos pés, para que possamos fazer (curtíssimos) passeios.

Feitos um para o outro

Elsa Raposo e João Kleber assumiram o namoro. Uma conceituadíssima revista de baixo nível fez o favor ao mundo de revelar a importante notícia. Elsa e João não queriam, certamente. Sabe-se que a ex-modelo (que faz ela agora?) é bastante reservada no que diz respeito à sua vida íntima (reparem que a famosa cassete com cenas de sexo nunca se tornou pública). Já João, prefere por a nu a vida dos outros do que a sua. Portanto, não nos resta senão pensar que algum jornalista os terá coagido. Talvez João tenha sido ameaçado com um corte de cabelo decente, talvez a Elsa tenha sido mostrada uma fotografia da mesma quando era bonita. Sabe-se lá que cenas horripilantes lhes terão sido sugeridas para que eles aceitassem dizer ao mundo que se amam. Sim, porque esta gente que aparece na TV e imprensa escrita, nunca "gosta" de nada: ama, adora, está apaixonada. Mesmo que seja coisa apenas de fim-de-semana.

Elsa e João, amam-se. E Elsa chega mesmo a dizer "sinto-me muito serena". Óptimo! É bom estar-se sereno sem a ajuda de comprimidos. O facto é ainda mais notável quando se pensa que a pílula é a repelente personagem que nos mostrava, noite dentro, as supostas infidelidades que uns casais "bas fond" aceitavam mostrar na TV. João, o Kleber, quando abre a boca, parece sempre que nos está a querer expulsar um demónio de dentro - "sai demónio, sai! pelo poder de um carro e uma viagem às Caraíbas, sai desse corpo!". Talvez ele o tenha feito à Elsa. Coisa de monta, já se vê, porque, a crer pela imprensa, a rapariga está cheia deles. Que o diga eu que, uma vez, passei junto dela e fiquei com aquela sensação de "ufa... escapei". Foi há uns bons anos, o que, em medidas elsescas quer dizer, uns quantos namorados, algumas paixões, dois ou três internamentos e quarenta e cinco entrevistas.

Elsa, a "beldade" que, segundo quem pretensamente viu a suposta cassete com cenas de sexo entre ela e o namorado nº 27/2007, responde aos filhos com um "a mãe agora não pode, está a fazer amor com o...", Elsa, dizia, é daquelas personagens decadentes, de quem só se ouve falar por motivos tristes: doenças, casos, escândalos... Kleber, mais do que triste (o homem parece animado), é uma tristeza e uma das coisas mais parecidas com um cancro que a televisão pode ter. Estão bem um para o outro. E os meus votos de felicidades são tão fortes que espero sinceramente que o amor deles seja tão forte, tão forte que se lhes aplique fielmente (ups...) a velha expressão "o amor e uma cabana" - de preferência nos confins da Amazónia...

Dois socos na mesa

"O aluno deu dois socos na mesa". Assim... desta forma simples se resume o que aconteceu numa escola na Maia (Maia! Não é Damaia...). Esta é uma das notícias no noticiário da RTP. Pelos vistos, também o foi ontem e até deu azo a que uma responsável qualquer da burocracia estatal se deslocasse às instalações do canal televisivo para responder a perguntas que, logo se vê, eram prementes de fazer: o país estava sedento de explicações sobre este novo caso de "violência escolar".

Vamos lá descer à terra. Numa aula, qualquer coisa corre mal, um aluno irrita-se, dá dois socos na mesa e a professora vê-se obrigada a chamar uns colegas para o por fora da sala. Assim de repente, não passa de (mais um) caso de indisciplina na sala de aulas. É grave? Houve feridos ou mortos? Houve prejuizos materiais? Em que é que isto é diferente de tantas outras curriqueiras situações de indisciplina? Há mais de vinte anos, presenciava eu situações idênticas no meu liceu e nunca as coisas passaram dos muros da escola. Porquê, então, este novo apetite, esta nova histeria da comunicação social perante coisas tão - repito a palavra -, curriqueiras?

O aluno deu dois socos na mesa... É um anti-social, um psicopata, mandem-no para a prisão, ressuscitem o Tarrafal, façam qualquer coisa! O aluno deu dois socos na mesa, o país está no caos, o Presidente da República não se pronuncia? A culpa é do Governo, da União Europeia, venha a Espanha, queremos ordem e progresso (não, brasileiros não), aqui d'El-Rei, chamem a guarda, Deus que mande o Cristo, o aluno deu dois socos na mesa!

Quando um dia tudo isto der o berro, alguém lá fora escreverá um livro sobre o papel da comunicação social no rebentamento deste país.

Um aluno deu dois socos na mesa... Notícia a nível nacional.

O jardim da Fundação Gulbenkian está a ficar modernaço: até já tem vagabundos e tudo. Fixe!

Não sei o que é isso!

Cheio de vontade de beber uma cervejola, entro num "snack" de centro comercial. Enquanto espero que me atendam, olho para a lista de preços. Decido pedir uma caneca.

- Uma caneca, por favor.

A empregada olha para mim com um ar incrédulo
- Uma caneca? Nós não temos disso!

- Não têm? - pergunto - está na lista.

- Ah, está? Mas eu não sei o que é isso!

Começa a passar-me uma coisa pela frente. Contenho-me. A rapariga abre o armário dos copos e retira dois, de tamanhos diferentes. Mostra-me o maior.
- É isto? 33cl?

- Não sei. - digo - Deve saber isso melhor do que eu, não é?

- Pois... só se for este...

Uma outra cliente intervém.
- É esse, 33cl, vocês é que não têm canecas.

- Pois... - retoma a empregada - deve ser este.

- Deixe lá - corto -, dê-me uma imperial.

- Mas...

- Bebo uma imperial, deixe lá isso.

Às vezes, apetece-me fechar os olhos e acordar...