Símbolo no Metro de Madrid, indicando uma zona de descanso...

Vontade de chatear (3)

3 em 1... repare-se na arte deste condutor:
1) tapa um lugar de estacionamento, impedindo um qualquer desesperado de colocar lá a viatura;
2) impede um automóvel de de sair;
3) dificulta a manobra ao tipo da direita que vai ter de recuar e colocar-se em contra-mão...

Se isto não é vontade de chatear os outros, então, é o quê?
Não há uma só vez que eu olhe para esta personagem à esquerda (ou seja, todos os momentos do dia) e não me lembre do Fernando Mendes. Passo os dias a imaginar este pinguim a apresentar o Preço Certo, agarrado à louraça da Lenka, a comer doces levados pelos concorrentes e a dizer "espectacular!".

Coisas...

Pérolas do match.com (4)

Estou muito temendo Deus cristão, mas eu não criticam outras pessoas ou da religião e eu tenho tentado, tanto quanto possível, nunca permitir que o meu relacionamento com Deus a afectar a minha vida em qualquer romance de que maneira for.
Estou certo de que se Deus quiser, vamos atender a todos, Isto são algumas outras coisas que eu ainda acho que você precisa saber sobre mim.
Para mim, gosto de ir a praias na minha Bikinin, mostra filmes, concertos musicais e muitas vezes para ir jantar e saborear um pouco de café ou vinho de uma pequena janela e assistir serviços religiosos. Sou também o tipo de mulher que vai estar esperando em sua porta quando você está de volta, quer de trabalho ou em qualquer lugar, e eu também adoro cuddling no sofá com o homem que eu amo assistir tv.
lollyball1 dixit

Idioma brasileiro

Já sabíamos que o empresário Pais do Amaral tinha vendido o grupo Media Capital aos espanhóis da Prisa, colocando, desta forma, a mais popular televisão nacional nas mãos de estrangeiros (dos piores!). Agora, ficamos a saber que, para a MediaBooks - a livraria virtual do grupo Leya (a mais recente obra de Amaral) -, no Brasil já não se fala Português. Desconheço quem foi o animal que colocou semelhante informação (ver imagem) na ficha de um guia de viagens da Lonely Planet mas, mais importante do que um erro, é saber que no sistema informático da loja existe a hipótese de alguém escolher um tal idioma "Brasileiro".

Assim, de uma assentada, um qualquer funcionário da MediaBooks presenteou 180 milhões de pessoas com uma língua só sua, remetendo o idioma de Camões para um qualquer sítio obscuro do ranking de línguas faladas no mundo.

A situação não é virgem e é apenas a materialização desse complexo estúpido, fruto de nacionalismos ressabiados que gerou o "Brazilian Portuguese" (tão comum na internet) ou o "Português Ibérico". A nossa língua passa pela vergonha de ser a única cuja diferenciação é praticamente omnipresente quando se trata de escolher idiomas em sites. Orgulhosamente sós, orgulhosamente estúpidos e tacanhos, de um provincianismo atávico que encurta a vista, que confunde amigos com inimigos, que mata à nascença qualquer sonho de expansão cultural.

Com ou sem consoantes mudas, mais do que mudar a ortografia, há que mudar a cabeça de muita gente.
E, porque razão, uma casa-de-banho não há-de valer uma foto? Esta fica no King Triplex, ali pertinho da Av. de Roma.

Coisinhas destas não há na FNAC. É pena :)

O preço dos livros

António Lobo Antunes, durante a cerimónia de entrega à sua pessoa do prémio do Clube Literário do Porto, disse achar "indecentemente caros" os livros em Portugal. É uma opinião e há que respeitá-la, até porque vem de alguém que está no meio, ainda que do lado da criação e não do da publicação. Mas, não deixa de parecer estranho um certo alheamento do escritor relativamente à lógica de mercado que, naturalmente, preside ao estabelecimento dos preços. Dizer assim, de forma desbragada, que os preços em Portugal são indecentemente elevados é uma afirmação estemporânea que, à boa maneira portuguesa, evita a razão em prol do choque. Lobo Antunes foi mais longe e comparou Portugal com países como a Alemanha, Holanda e Noruega, alegando que, apesar do maior poder de compra dos seus habitantes, os livros lá eram mais baratos. Não vou aqui contestar estas duas afirmações: acredito que os livros tenham preços mais reduzidos e tenho a certeza de que o nível de vida nesses países é superior ao nosso. O que eu ponho em causa é que não se tente perceber as razões de semelhante "fenómeno" e se remeta o assunto para o departamento das bizarrias nacionais. Acredito haver razões muito simples que justifiquem os preços dos livros e digo simples porque se baseiam no bom-senso, escusando-me de conhecer os meandros das casas editoras e das teias urdidas pelos homens do negócio. Basta, portanto, ter em conta alguns - poucos -, factos:

1) O tamanho do mercado

Portugal tem 10 milhões de habitantes e, apesar dessa quimera chamada "Língua Portuguesa", o nosso mercado possível não vai além deste pedaço de Europa e dos PALOPS (mais Timor). Isto, porque o Brasil tem edições próprias. Ora, se por cá o poder de compra não é famoso, imagine-se o de africanos e timorenses. Não serão, certamente, os mercados "internacionais" que trarão rendimento às obras impressas em Portugal. Portanto, quando do prelo sai um livro, já se sabe que ele se limita a ser vendido unicamente em Portugal. Se o mercado é pequeno, os custos de produção têm menos hipótese de se esbaterem, logo, o preço final aumenta. O mercado de língua alemã abarca pelo menos dois países chegando quase aos 90 milhões de pessoas. Se para além desta multiplicação por nove ainda tivermos em conta factores culturais que possam levar a um maior consumo de livros na Alemanha e na Áustria, facilmente poderemos compreender que os preços possam ser menores. A própria Holanda tem um mercado maior do que o nosso. E a Noruega, se, de facto tem menos de metade da nossa população, não deixa de ser o país apontado como tendo o maior desenvolvimento humano do planeta. Compensará com o interesse o que lhe falta em massa de gente.

2) Despesas de tradução

Qualquer obra estrangeira tem de ser traduzida para Português. Como os hábitos, as normas, as birras e os orgulhos impedem uma verdadeira unificação da língua (nem que fosse a um nível "formal"/literário), o "espaço português" e o Brasil não partilham traduções (nem mesmo edições em Português!) pelo que, mais uma vez, o custo de uma tradução feita em Portugal tem de ser suportado na totalidade pelos consumidores portugueses. Pessoalmente, devo dizer que já deixei de comprar traduções de obras anglófonas e, vingando o desígnio do Governo de transformar em bilingues todas as criancinhas, é fácil perceber que, nalgumas (poucas) dezenas de anos, o mercado das traduções de originais "ingleses" irá desaparecer. Nessa altura, muitos livros ficarão mais baratos mas serão lidos em Inglês... Não deixo de invejar os povos anglófonos que, com uma excepção aqui ou ali, partilham efectivamente (e apesar das diferenças) uma mesma língua, a ponto de, pondo de parte orgulhos parvos, se venderem edições inglesas escritas à americana.

3) Tipos de edição

Compare-se, para uma mesma obra, uma edição inglesa e uma portuguesa. Haverá grande probabilidade de a edição britânica ter o formato de livro de bolso, ser feita com papel aparentemente de pior qualidade e ter uma capa atraente. Por seu lado, a edição portuguesa terá um formato maior (fica melhor na estante), será feita com papel "finório" e terá uma capa apenas minimamente atraente. É certo que os ingleses costumam lançar edições de bolso (paperback) e "de mesa" (hardcover) mas não deixam de oferecer ao consumidor a escolha e é no segmento "de bolso" que os preços mais caem. Todos estes pormenores ajudam a determinar o preço de um livro. Se o formato é mais pequeno, gasta-se menos papel e tinta, se o papel é mais "fraco" - ainda caberia discutir se assim é, de facto -, fica mais barato e, finalmente, se a capa é mais atraente, haverá mais gente a ser "puxada" para o objecto aumentando, assim, as vendas.

Não há, portanto, que procurar explicações complicadas ou fatalmente diminuidoras da autoestima nacional para algo que pode ser explicado com o recurso ao bom-senso. Mas, se quiséssemos basear a explicação do "fenómeno" em factores meramente "comportamentais" (pelo lado do desinteresse do consumidor e da ganância do editor/vendedor) também teríamos de adiar os juízos categóricos até termos feito uma exaustiva comparação de preços com outras actividades e produtos onde, aparentemente, os preços são equivalentes aos dos livros mas o consumo é feito "sem queixas". Serão 15 euros um exagero por um livro quando um bilhete de cinema já se aproxima dos 6? Quando qualquer menu do MacDonalds ultrapassa os 5? Quando um bilhete para um concerto começa nos 25? Quando uma entrada para um jogo de futebol implica um gasto mínimo de 20 euros? Quando umas calças reles custam 15?

Nunca li nada de António Lobo Antunes. Confesso que ocasionais entrevistas me desmotivaram de o fazer. Mas não deixarei de, na devida altura, comprar uma obra sua para lhe apreciar o estilo que, espero, seja melhor do que o raciocínio demasiadamente "popular" que se lhe notou neste assunto dos preços...

Este Natal não há prendas? Há mas isso não interessa para nada. Chega esta estúpida altura do ano e impõe-se este clássico dos anos 80: o dinamarquês King Diamond, numa "brincadeira" bem agradável de ouvir. Vamos lá abanar essas carolas e assustar as criancinhas "Não há prendas neste Natal!!!"