GIMP: o programa coxo

Não sou nenhum santo nem tenho pretensões a sê-lo. Confesso aqui, publicamente, que se soubesse que o mundo ia acabar amanhã, havia meia-dúzia de pessoas que iam passar um mau bocado. E não me refiro ao clássico sonho masculino de desatar a perseguir beldades mas sim a dar forte-e-feio numas quantas criaturas, a ponto de lhes poupar a visão do fim-do-mundo. Da lista negra constariam, certamente, os criadores dessa bosta informática chamada "The Gimp" (GNU Image Manipulation Program). Curiosamente, em calão anglófono, "gimp" quer dizer "coxo" e esse é certamente um nome muito mais acertado para o programa em questão!

Anos a trabalhar com o Adobe Photoshop, rotinas estabelecidas, comandos interiorizados, esquemas intuitivos e eis que, em nome da poupança, vejo o Windows ser substituido pelo Linux e o meu querido Photoshop tirado da minha frente para, em seu lugar, vir o programinha da raposa... É que não basta todo o programa estar de pernas para o ar relativamente àquilo a que milhões de pessoas estão habituadas, não basta que para a mínima operação se abram mais janelas do que as de um palácio em dia de limpeza, não basta que a merda do GIMP rebente por coisas tão insuspeitas quanto mexer no rato, não basta que eu tenha de dar instruções e confirmações para tudo e mais alguma coisa, ainda por cima, até a mascote tem um ar estúpido! Se eu pudesse, esta sorridente animalária havia de ser trancada numa capoeira cheia de capões vingativos, sodomizada por coelhos bêbedos, entregue a uma horda de cães esfomeados, tudo para que dessem cabo do canastro à maldita da raposa! E quanto aos criadores do programa, pendurá-los pelos pés e obrigá-los a ouvir os discursos seleccionados do Bill Gates não seria castigo suficiente!

Eu abomino o GIMP! O GIMP dá-me cabo dos nervos, provoca-me ansiedade, faz-me perder tempo e trabalho, limita-me a criatividade. O GIMP é o melhor exemplo de que, por vezes, o barato sai caro! Morte ao GIMP! Espeto para a raposa! Para a lua com os programadores!


No outro dia fui a Madrid. No aeroporto, chegado àquele secante momento do controlo de segurança lá tive de colocar no raio-X o casaco, a mochila, a carteira, o PDA, o cachecol, as chaves... Passo pelo detector de metais e, quando estava quase quase a escapar-me, aquela porcaria apita. "Tem de tirar o cinto", dizem-me, para logo de seguida acrescentarem, "...e as botas também". Bom, comecei a sentir-me como aquelas raparigas de um programa qualquer pseudo-cómico que eram obrigadas a irem sucessivamente tirando a roupa, para gáudio do polícia de serviço. Curiosamente, de tantos sítios onde já fui, só cá é que deparei com esta história de me ter de descalçar. Por qualquer razão, com o mesmo calçado, noutros aeroportos, ou o aparelho não apita ou, então, basta uma verificação com um detector de mão. Mas cá... ná! Cá, a coisa é rigorosa. E lá tive eu de me descalçar, ali, à frente de toda a gente, meiazinha no mármore que é bem bom. Sim, porque, no aeroporto de Lisboa não há desses luxos de plásticos para por nos pés ou, sequer, um tapetezinho onde uma pessoa possa ficar enquanto procuram terríveis bombas escondidas debaixo do cotão que se solta das meias. Finda a verificação, devolveram-me o calçado. Era de confiança, eu. Calcei-me com um vagar forçado, vingançazinha pífia contra quem me tinha feito passar por aquele desconforto.

À vinda do fim-de-semana, no aeroporto de Madrid - onde seria de esperar que as medidas de segurança fossem muito mais apertadas -, ninguém me incomda: nem os seguranças, nem a porra do detector. As botas eram as mesmas... Mas - pormenor interessante -, em cima da máquina lá estavam as caixas com os plásticos para uma pessoa por nos pés se fosse necessário descalçar-se.

De quem é a culpa disto? Da ANA? Da Prosegur? Sinceramente, tenho má opinião de ambas. Divido, portanto, o mal pelas duas.
Ontem entrei na administração desta coisa e o meu olhar foi desviado por um boneco que nunca tinha visto: uma coisinha verde, em forma de busto, com uma legenda dizendo "1 seguidor". É certo que sei que há, pelo menos, três almas que, regularmente, consultam este blog. Também já houve duas senhoras que tiveram a simpatia de manifestar gosto pelos meus textos mas... "seguidor", eh pá, isso quase me faz sentir uma espécie de líder religioso, um povoador de espíritos alheios, uma referência ética e moral, alguém cuja palavra é ouvida com reverência.

Com a ansiedade de quem espera uma grande descoberta, carreguei no ícone. Lá estava ele, o meu "seguidor", com nome, blog... uma identidade internética ligada à minha. Não pude deixar de ficar, no meu íntimo, reconhecido à pessoa, ao meu "seguidor".

"Seguidores da cabaça" para a esquerda, "seguidores da sandália" (*) para a direita. Os meus, que fiquem aqui mesmo.


(*) NOTA DO AUTOR - alusão à obra-prima "A vida de Brian", dos Monty Python
Palácio de Cristal (Porto)

Portugal x Finlândia

Portugal venceu a Finlândia por 1-0, num jogo disputado naquele estádio plantado no meio de nenhures no Algarve. A "aranha", como alguns lhe chamam, apesar da reduzida dimensão, não conseguiu encher-se e os lugares vazios eram bastantes. Este pessoal é lixado. Passam a vida a queixar-se de que o estádio é um elefante branco, que não serve para nada, que não lhe dão uso e, depois, põem lá a Selecção a jogar e os marafados preferem ficar em casa. Vá-se lá perceber esta gente...

Bom, mas, quanto ao jogo, posso dizer que gostei bastante do dito. É certo que o meu espírito estava inquieto e que uma boa dose de apreensão dava trabalho aos meus poucos neurónios, por isso, para que tudo corresse bem, achei melhor comprar um pacote de 5 litros de tinto, para me ajudar a apreciar melhor a partida. Uma idazinha ao Pingo Doce, um gastozinho de menos de quatro euros e ali estava eu, pronto para o embate com os perigosos finlandeses.

Cobardemente, recorri ao encorpado e adocicado néctar (barato mas agradável) para, em duas ou três doses, me tirar a tremideira. A partida começou, bebi mais um copo. A partida continuou, bebi mais outro. Dizem que o árbitro roubou uma penalidade à Finlândia. Não vi nada, estava a olhar para outro lado. A partida foi para intervalo, bebi mais dois. A partida recomeçou e achei melhor beber mais um copo. O árbitro marcou um penalti contra a Finlândia. Dizem que foi inventado, os bêbedos. Eu, que estava sóbrio, vi bem a falta. Portugal marcou e, se não me engano, foi o menino de ouro (o actual, o Ronaldo) que concretizou. Dizem que igualou o Nené, esse maricas que não ia às putas mas marcava que se fartava.

Portugal ganhou, portanto. Para comemorar, resolvi dar uma corridinha pela casa, com muito jeito, para não bater em nenhum móvel. Depois, bebi um copo para comemorar.

Acordei hoje para saber que ninguém gostou do jogo. Eu cá gostei. Este saborzinho na boca é que era escusado...


É carregar na imagem, para ver melhor o arrependimento do "maior artista Pop do mundo" :)

Esta desconhecia eu mas já testei e é verdade! :)
Eu sei que a imagem é muito pequena mas... como teste à vossa vista, conseguem descobrir onde está o 44º presidente dos EUA? :)

Numa escola de Lisboa, estava afixado este anúncio (sim "V", já sei...).

Um perfeito monumento à estupidez do "politicamente correcto"...

P.S. - já agora, porque razão, neste tipo de contrastes fotográficos (relativamente comuns), é quase sempre a rapariga que tem de ser branca?