Dinheiro, onde?

Trabalhando em informática, é natural que me interesse por actualidades do sector. Por indicação de um colega, fui ao site Peopleware (que, apesar do nome, é português) e comecei a ver o que por lá havia. Gostei da coisa e acabei por dar por mim a comentar as notícias: as pessoas parecem ser minimamente civilizadas e há um certo espírito de troca de ideias. Até aqui, tudo normal. A surpresa veio quando, mais tarde, consultei as estatísticas do meu site: o número de visitantes tinha disparado. Mais do que isso, havia alguns visitantes que liam muitas páginas e passavam bastante tempo nisso. Óptimo!, pensei, é para isso que escrevo, para que alguém leia. Pensamento puxa pensamento e lembrei-me de que tenho publicidade no blog. Querem ver que, finalmente, estou a ganhar dinheiro? Ansioso, acedo ao Adsense para, surpreendentemente, verificar que, apesar das centenas de páginas vistas, ninguém, - repito -, absolutamente ninguém carregou, sequer, nos anúncios! Bom, já se viu que não é assim que consigo ir de férias ou mudar de carro ou ter uma reforma confortável...

Um dia, ainda hei-de apanhar um daqueles tipos que diz ganhar fortunas com a publicidade na internet e perguntar-lhe - sob ameaça física -, qual o seu segredo... acho que ele vai confessar que, afinal, não há nenhum e que ele está tão teso quanto eu... :)

Ora aqui está uma imagem que não se vê todos os dias:o "espelho de água", em Belém, completamente seco.

Para quem sempre se perguntou se morreria afogado caso lá caísse, fica aqui a resposta: não. :)

A Malta e o Mónaco

Passeando pela Rua da Junqueira fui, subitamente, bloqueado pela constatação de um acontecimento da maior importância e cuja falta de divulgação na comunicação social vem, mais uma vez, provar como as coisas verdadeiramente importantes são deixadas para segundo plano para que outras, de cariz mais mundano, tomem o lugar delas. Pois bem, no palacete na foto funcionava (desde que me lembro de mim), a Embaixada do Mónaco mas, agora, a representação da potência socialite foi substituída pela da poderosíssima Ordem Militar Soberana de Malta.

Sim, sei no que estão a pensar, porque razão os herdeiros dos Hospitalários não aderem à NATO/OTAN, certo? É, realmente, uma questão relevante mas para a qual a minha ignorância em geoestratégia não encontra resposta.

Nenhum jornal dedicou um dossiê a esta mudança nem ao alargado leque de consequências que ela implica. A economia, a defesa, o ambiente... Quais as implicações da substituição da representação monegasca pela dos terríveis guerreiros mediterrânicos? O Governo não diz nada? Será que tenho de ver o programa da Fátima Lopes para que a Maya me possa esclarecer?

(será que a Maya já foi a alguma recepção da Embaixada do Mónaco? E, em caso afirmativo, foi antes ou depois do "enchimento"?)

Perguntas, perguntas...

Vontade de chatear (5)

Ainda há poucos dias deixei aqui uma imagem de uma passadeira bloqueada por uma carrinha de uma empresa de segurança e eis que, hoje, deparo com outra situação semelhante. A empresa é outra (Loomis), a estupidez é a mesma.

Se isto não é vontade de chatear os outros, é o quê?

P.S. - pode ser uma táctica para, em caso de assalto, os ladrões não fugirem... :)

Os senhores do caos

Quando pensamos em determinados países, imediatamente se forma à nossa frente um quadro composto de lugares-comuns ditados pela imagem que a comunicação social nos dá dos povos que habitam naqueles... dos seus hábitos, dos seus feitos culturais, dos produtos que a terra dá, etc. O Brasil é um país de samba, futebol e praia; a França empilha queijos e garrafas de vinho junto à Torre Eiffel; a América vive para comer hamburgueres e andar aos tiros; os Russos têm vodka no lugar do sangue... E por aí adiante.

Escapando um pouco a esta tendência, determinados países, por força do pouco conhecimento que se tem deles, não chegam a ocupar um lugar marcante no nosso imaginário, vivendo numa semiobscuridade sobre a qual só ocasionalmente se faz alguma luz. Da Noruega sabemos que vem o bacalhau e pouco mais. Vive-se lá bem, dizem os estudos económicos e fica por aí o conhecimento do cidadão médio. Mas... eis que, em meados dos anos 90, um pequeníssimo grupo de adolescentes e jovens adultos noruegueses, influenciados pelo que se tinha convencionado chamar Black Metal, surgido à volta de nomes como os Venom e os Mercyful Fate (depois King Diamond), resolve dar um passo na direcção do extremismo sonoro, abdicando da "suavidade" musical que o Heavy Metal praticado pelos nomes anteriormente indicados tinha e deles extraindo, apenas, o imaginário feito de referências às "artes negras" e à violência, ou seja, o conteúdo temático que transformava o comum "Heavy" em "Black". Ninguém imaginaria, então, que as diversas bandas que se formaram iriam, com o seu pesadelo sonoro feito da quase ausência de musicalidade e letras gritadas e guinchadas, colocar a Noruega no clube dos estereótipos.

Hoje em dia, qualquer fan de Metal associa o próspero país nórdico ao Black Metal, da mesma forma que nenhum apreciador de Jazz deixará de pensar nos EUA quando ouve a sua música de eleição. A Noruega passou, portanto, a ser a pátria do bacalhau e daqueles tipos de cara pintada de branco...

Mas, o que foi e o que é o fenómeno do Black Metal Norueguês? Como começou? Porque razão nasceu e cresceu a ponto de ser considerado uma verdadeira ameaça pelas autoridades nacionais? Em que medida afectou a sociedade? São perguntas como estas que o americano Michael Moynihan e o norueguês Didrik Soderlind fizeram e às quais tentaram responder na sua obra "Lords of Chaos: The Bloody Rise of the Satanic Metal Underground". A primeira edição remonta já ao distante ano de 1998 mas, em 2003 houve uma reedição, com a inclusão de algum material e a actualização de outro. Livro bem escrito, feito em grande parte de entrevistas aos intervenientes nos momentos mais
dramáticos do movimento (os assassínios de pelo menos duas pessoas e os incêndios em dezenas de igrejas), nunca deixando de manter uma exemplar objectividade e imparcialidade perante todas as partes envolvidas - fossem elas os músicos, as autoridades ou a igreja -, fazendo um interessantíssimo enquadramento histórico das tradições folclóricas de diversos povos (com particular enfoque na mitologia nórdica) e nunca procurando qualquer tipo de sensacionalismo que mataria, à nascença, a credibilidade da obra.

Ironicamente, o livro ganha o seu nome (Lords of Chaos) a partir de um episódio com origem num grupo de adolescentes americanos que se entregaram ao terrorismo urbano, naquele que é, provavelmente, o único momento menos conseguido do livro por via da inexistência de associação ao Black Metal. Esquecendo este pormenor, os autores procuraram as ligações existentes entre o BM norueguês e movimentos similares nos países vizinhos, com particular destaque para a Suécia e a Alemanha, expondo uma teia de ligações perigosas entre violência musical e política (como é o caso da aliança informal entre grupos racistas e os defensores do inferno na terra através da música), nunca perdendo de vista a contextualização de todos os eventos e, sobretudo, evitando juízos de natureza moral.

Tendo sido um trabalho jornalístico que prima pela frieza dos factos, a obra em consideração torna-se indispensável para quem queira compreender o fenómeno do Black Metal em geral e da sua versão mais extrema em particular, surgida numa sociedade que as páginas de "Lords of Chaos" acabam por denunciar como extremamente conservadora e ferida de contradições incompreensíveis para o entendimento estrangeiro. Como exemplo disto, refira-se aqui o caso dos desenhos animados cuja exibição na TV foi interrompida por uma das personagens ter uma pistola, enquanto o comum dos cidadãos tem acesso fácil e legal a armas de fogo...

No decurso do livro, duas personagens surgem como pilares, não só da narrativa, mas também do fenómeno em si mesmo: Vark (ex-Kristian) Vikernes e Øystein Aarseth (mais conhecido pelo nome de guerra "Euronymous"). O primeiro, membro único da "banda" Burzum e o segundo, líder incontestado dos Mayhem, hoje apontados como os criadores do movimento. Vark e Euronymus, o assassino e a vítima. Negócios, traição, luta pelo poder, crime, ciúmes... de todos estes ingredientes novelescos se enchem as páginas de "Lords of Chaos", a ponto da luta pessoal entre estes dois homens se confundir com o próprio objecto da obra.

Os crimes de sangue, os crimes contra o património, os crimes comuns, os crimes contra o bom gosto (acrescento eu)... a história inicial do Black Metal Noruguês é feita de excessos atrás de excessos, de mentes alteradas, de ideias e ideais brutais, de imposições ridículas (rir era mal visto porque não era "malévolo") e de comportamentos de fachada cuja denúncia acaba por devolver aos intervenientes uma espécie de humanidade que se julgaria de outra forma impossível.

"Lords of Chaos" não é um livro sobre música. É uma obra sobre a sociedade e sobre a forma como a mesma influencia a música e é, por sua vez, por ela contaminada. É a exposição (e não denúncia) da interpenetração de correntes filosóficas (satanismo, individualismo), religiosas (cristianismo, paganismo), culturais (a mitologia e o folcore nórdicos) e políticas (nazismo, nacionalismo) que, numa amálgama por vezes difícil de justificar, originaram um movimento "underground" que ultrapassou a barreira "teatral" do espectáculo para sair à rua e marcar com violência e fogo um território próprio contruído pela sublimação da negação e da oposição aos valores instituídos.

"Lords of Chaos: The Bloody Rise of the Satanic Metal Underground" - uma leitura fundamental!

Vontade de chatear (4)

Repare-se na forma como a carrinha da empresa de segurança estacionou. Não antes da zona para peões nem depois da mesma mas, precisamente, em cima da zona da passadeira!
Apesar de haver espaço vasto à frente e atrás, a animalária que conduzia a carrinha de transporte de valores achou que ali, bloqueando o corredor da passadeira, é que ela estava bem.

Se isto não é vontade de chatear os outros, é o quê?

O inferno é na Florida

Se um daqueles adeptos da teoria da conspiração satânica visse isto, certamente que usaria este anúncio de uma agência de viagens como mais uma prova de que a Disney está empenhada em entregar as alminhas de todas as crianças ao demo. E que dizer da aliança com a família Simpson? Serão os Simpsons agentes de Satã?

€666 ou uma viagem ao infeeeeeeeeeeeeeeeeerno...

P.S. - de repente lembrei-me de que a Florida também é conhecida pelo movimento Death Metal, pelos lares com velhos à espera de morrer e pela falcatrua com as eleições Presidenciais que elegeram Bush... Arrepiante...

Lutar pela dignidade

Quando Portugal transferiu a administração de Macau para a China, já se sabia que muita coisa iria mudar. Desde logo, mudaram os símbolos nacionais nos edifícios públicos, prontamente arrancados a décadas de domínio com golpes de martelo. Terão mudado, de seguida, muitos hábitos, depois, as pessoas, até que a Macau de hoje se apresenta em tanta coisa diferente daquela que era a "nossa".

Chamar "nossa" a Macau é um perfeito exagero. Tendo tido a oportunidade de passar lá dois períodos de cerca de um mês cada, deu para perceber que, ali, o Português era algo de artificial, uma pequena camada posta sobre a sociedade chinesa por força da autoridade do (nosso) Estado.

A língua era desconhecida de quase todos (embora houvesse mais gente a compreendê-la e falá-la do que o orgulho chinês gostasse de admitir), os cidadãos portugueses (como se esperaria) viviam marcados pela vaidade própria de quem ganha bons ordenados, o racismo relativamente aos "chinocas", o consumismo exacerbado pelas boas condições económicas e uma anormal oferta de bens e serviços (Hong Kong a uma hora de barco, apenas) e a sempre presente subserviência perante a anglofonia.

Nunca me esquecerei de quando estava num minimercado de filipinos e um português de bigodaça e barriga entrou na loja para logo ser "interpelado" por um dos empregados: "Sinhó, qué uisqui?". O bom do tuga não se fez rogado e respondeu logo com um "Yes! One bottle, please." Situações destas viam-se muito...

Mas... independentemente de todos os vícios que Macau pudesse proporcionar (e que eram uma dor de cabeça para muitas famílias), independentemente do desligamento de uma boa parte da pequeníssima comunidade portuguesa (não conto com os macaenses, i.e., mestiços), independentemente de tudo o que se possa apontar a quem lá vivia, a verdade é que também havia quem se preocupasse em manter acesa uma chama de lusitanidade cultural por aquelas paragens. Uma dessas manifestações era - e ainda é -, a Livraria Portuguesa. Ora, parece que este "era e é" não é garantia de um "será". Na melhor das hipóteses, o futuro assemelha-se sombrio. E porquê?

Por uma daquelas coincidências, estava eu ontem com um blusão vestido que comprei numa loja (Hang Ten?) na praça do Leal Senado quando me pingou, na caixa de correio, uma mensagem enviada por uma antiga habitante do território. Ao que parece, a Livraria Portuguesa está ameaçada pela "racionalização de meios", esse termo que serve de justificação para cortar a direito em tudo (menos nos privilégios de quem tem a espada na mão). A actual localização nobre da livraria (que lhe confere prestígio e capacidade de representação) está a ser posta em causa pelas próprias entidades nacionais que pretendem mover a "loja" para um qualquer edifício numa zona secundária.

A Praça do Leal Senado é o Rossio, a Av. dos Aliados de Macau. Ter um símbolo de presença lá não é o mesmo que tê-lo na Rua da Betesga...

O dinheiro não pode servir de justificação para tudo e, no caso, a Fundação Oriente está a cair no mesmo pecado em que o Governo caiu quando pretendeu vender o histórico edifício do consulado de Portugal em Sevilha (Espanha). A noção dos símbolos, da presença, parece fugir sistematicamente às pessoas que detêm o poder neste país. Dizer que o consulado em Sevilha tem pouco movimento ou que a livraria em Macau sofre do mesmo mal não chega. Porque um Estado tem obrigações que vão para além do deve e haver, porque uma nação não se faz apenas de comprar e vender mas também da capacidade de projecção de imagem, da faculdade de se fazer ouvir, mesmo que, para isso, seja necessário por-se em bicos dos pés.

Pessoas que se preocupam com o caso da Livraria Portuguesa em Macau iniciaram uma petição online para tentar mudar as ideias de quem tem nas mãos a decisão final sobre o destino do espaço. Eu já a assinei e acho que todos o devíamos fazer.

Fica aqui o link:

Salvemos a Livraria Portuguesa em Macau

Village People

Se há coisa que me agrada nos Casinos do Estoril e de Lisboa é os concertos à borla. Já foram tantos os que lá vi que começo a ter dificuldade em me lembrar do número. Recordo, ainda assim, os artistas. E, como se não fosse suficiente poder ver bons espectáculos sem pagar bilhete, qualquer um dos recintos está em zonas que, por si sós, valem a pena a deslocação. Portanto, ir ver concertos às "lojas" do Stanley Ho é só vantagens!

Ontem, 24/02, o prato da noite era Village People. Sim, esses mesmos: os larilóides reis do disco. Se são as mesmas personagens da formação original ou não, não sei e, sinceramente, nem me interessa. O certo é que os "cromos" estão lá e as músicas continuam a soar tão bem quanto naquela altura (que eu não vivi conscientemente por "problemas" de idade). Por isso, ala para a Expo que se fazia tarde...

Chegado ao Casino, aproveitei para dar uma volta, beber uma cervejola e procurar um bom lugar para ver o espectáculo. Após alguma investigação, encontrei um bom sítio, encostadinho a um poste para poder descansar.

O concerto era às 22:00 mas ainda faltava, meia-hora. A banda residente tocava. Soaram as 22 e os Village People não apareciam. A banda continuou a tocar. 22:30 e a banda faz uma pausa para vir um trapezista. O trapezista (que deve ter agradado muito a uma parte do público - curiosamente em muito menor número do que eu esperaria), despachou-se em poucos minutos e a banda voltou. 23 horas e a banda continuava tocando... Mais um pouco e não é que o trapezista volta? novamente o mesmo número, agora para mais público. A banda retoma a música e, pouco antes das 23:30, começam a ser postas toalhas no palco, acertados os microfones, etc. Finalmente, uma hora e meia depois do previsto, os Village People aparecem. Não estamos a falar de dez minutos de atraso mas sim de uma hora e meia! Tempo esse durante o qual toda a gente esteve para ali, em pé. Imagine-se a seca. Não fossem alguns foliões a passar e algumas folionas merecedoras de atenção e a pasmaceira teria sido total. Pedidos de desculpa ou explicações, não houve. Quanto ao grupo que foi forçado a manter-se em actividade para que as pessoas tivessem alguma coisa que as distraísse, há que os homenagear porque devem ter tocado algumas três horas seguidas!


Mas os rapazes lá chegaram. Em vez de seis, vinham só cinco. Não sei o que terá acontecido ao índio. Talvez se tenha chateado com o cowboy, vá-se lá saber! Uma hora e meia de espera em pé, exigia um bom espectáculo como compensação. E foi? Foi divertido. O "disco" é o que é: diversão e ritmo. Os Village People acrescentam-lhe o sorriso provocado pelos "cromos" que interpretam. As músicas são inegavelmente apelativas. O público só tinha uma solução: render-se à diversão. E foi ver toda aquela gente a cantar, a saltar, soltando o riso, alinhando na boa-onda da banda. Eram velhos ou novos, hetero ou homo, ricos ou pobres, o que é que isso interessa? Toda a gente, desde os tristes que vão ver concertos sentados nas plataformas rotativas à volta do palco enquanto vão jantando, aos que se empoleiram nos corrimãos queria render-se aos refrões mil vezes escutados que fazem de algumas das canções da banda, verdadeiros ícones de uma época. "Macho man", "In the navy" e, para acabar em grande, "YMCA" foram, naturalmente os momentos altos da noite mas, pelo meio, mais coisas boas ficaram.

No fim, uma hora de concerto só não soube a pouco por causa do cansaço provocado pela longa espera. Ainda assim, de certeza que a maioria das pessoas não se importaria de continuar ali. É carnaval, ninguém leva a mal, os rapazes atrasaram-se, as piadas sobre as possíveis razões vão correndo e, no fundo, isso não interessa a ninguém porque, em dia de máscaras, há que esconder os maus fígados e por cá para fora o nosso melhor sorriso. Os Village People sabem-no fazer bem.

Chegou-me por duas vias esta maravilhosa defesa da espécie à qual tenho o desprazer de pertencer e a que aqui se chama "o gajo da informática". Sim, não é fácil...



1 - O GAJO DA INFORMÁTICA dorme.
Pode parecer mentira, mas O GAJO DA INFORMÁTICA precisa de dormir e descansar como qualquer outra pessoa.Esqueça que ele tem telemóvel e telefone em casa; ligue só para o escritório ou para o telemóvel entre as 09h00m e as 13h00 (manhã) ou entre as 15h00 e as 19h00 (tarde) de Segunda-feira a Sexta-feira. O GAJO DA INFORMÁTICA também precisa de descansar aos Sábados, Domingos, feriados e NOS DIAS QUE INDICOU DE FÉRIAS.

2 - O GAJO DA INFORMÁTICA come.

Parece inacreditável, mas é verdade. O GAJO DA INFORMÁTICA também precisa de alimentar-se e tem horas para isso, TODOS OS DIAS.
 
3 - O GAJO DA INFORMÁTICA pode ter família.

Esta é a mais incrível de todas. Mesmo sendo um GAJO DA INFORMÁTICA, precisa de descansar no fim de semana para poder dar atenção à família, aos amigos e a si próprio, sem pensar ou falar em informática, impostos, formulários, reparações e demonstrações, manutenção, vírus e etc.

4 - O GAJO DA INFORMÁTICA, como qualquer cidadão, precisa de dinheiro.

Por esta você não esperava, ah? É surpreendente, mas O GAJO DA INFORMÁTICA também paga impostos, compra comida, precisa de combustível, roupas e sapatos, e ainda consome xanax para conseguir relaxar. Não peça aquilo pelo que não pode pagar ao GAJO DA INFORMÁTICA.

5 - Ler e estudar também é trabalho.

E trabalho sério. Pode parar de rir. Não é piada. Quando um GAJO DA INFORMÁTICA está concentrado num livro ou publicação especializada ele está a aprimorar-se como profissional, logo, a trabalhar.

6 - De uma vez por todas, vale reforçar: O GAJO DA INFORMÁTICA não é vidente
...não faz tarôt e nem tem uma bola de cristal para adivinhar o que as outras pessoas pensam ou fazem. Se você julgou que era assim, demita-o e contrate um PARANORMAL, um BRUXO ou um DETECTIVE. Ele precisa de analisar, planear, organizar-se e que lhe expliquem DETALHADAMENTE o que é pretendido para assim ter condições de fazer um bom trabalho, seja de que tamanho for. Prazos são essenciais e não um luxo. Se você quer um milagre, ore bastante,faça jejum, e deixe o pobre do GAJO DA INFORMÁTICA em paz.

7 - Em reuniões de amigos ou festas de família, O GAJO DA INFORMÁTICA deixa de ser O GAJO DA INFORMÁTICA
...e reassume o seu posto de amigo ou parente, exactamente como era antes dele ingressar nesta profissão. Não lhe peça conselhos ou dicas. Ele também tem o direito de divertir-se.

8 - Não existe apenas uma 'listagemzinha',
...uma 'rotininha', nem um 'textozinho', um 'programinha muito fácil para controlar isto e aquilo', um 'probleminha, que a máquina não liga', um 'sisteminha',uma 'visitinha rápida (aliás, conta-se de onde saímos e até chegarmos)'. Assim, esqueça os "inha" e os "inho" (programinha, textozinho, visitinha) ', pois os GAJOS DA INFORMÁTICA não resolvem este tipo de problemas. Listagens, rotinas e programas são frutos de análises cuidadosas e requerem atenção, dedicação. Planear, organizar, programar com concentração e dedicação, pode parecer inconcebível a uma boa parte da população, mas serve para tornar a vida do GAJO DA INFORMÁTICA mais suportável.

9 - Quanto ao uso do telemóvel: o telemóvel é uma ferramenta de trabalho.
Por favor, ligue apenas quando necessário. Fora do horário de expediente, mesmo que você ainda duvide, O GAJO DA INFORMÁTICA pode estar a fazer algumas das coisas que você nem pensou que ele fazia, como dormir ou namorar, por exemplo.

10 - Pedir a mesma coisa várias vezes não faz O GAJO DA INFORMÁTICA trabalhar mais rápido.
Solicite. Depois, aguarde o prazo dado pelo GAJO DA INFORMÁTICA.

11 - Quando o horário de trabalho do período da manhã vai até 13h00, não significa que você pode ligar às 12:58 horas.
Se você só se lembrou do GAJO DA INFORMÁTICA a essa hora, azar o seu, espere e ligue após o horário do almoço (lembra-se do item 2?). O mesmo vale para a parte da tarde: ligue no dia seguinte.

12 - Quando O GAJO DA INFORMÁTICA estiver a apresentar um projecto, por favor, não fique bombardeando-o com milhares de perguntas durante a reunião.
Isso tira a concentração, além de dar-lhe cabo da paciência.
ATENÇÃO: Evite perguntas que não tenham relação com o projecto, tipo "Quanto custou o seu portátil?" ou "O que acha que devo comprar para o meu filho jogar em casa, um portátil ou um desktop?"

13 - O GAJO DA INFORMÁTICA não inventa problemas,
...não faz actualizações automáticas de Windows piratas, não tem relação com vírus, em resumo, NÃO É CULPADO PELO MAU USO DE EQUIPAMENTOS, INTERNET E AFINS. Não reclame! O GAJO DA INFORMÁTICA com certeza fez o possível e dentro da legislação em vigor para você pagar menos. Se quer fazer upgrades de borla, instalar programinhas giros, etc., faça-o, mas antes demita O GAJO DA INFORMÁTICA e contrate um PICHELEIRO.

14 - Os GAJOS DA INFORMÁTICA não são os criadores dos ditados "o barato sai caro" e "quem paga mal paga a dobrar".
Mas eles concordam com tudo isso.

15 - Informática é referente a computadores
(HARDWARE OU SOFTWARE e muito raramente, os dois ao mesmo tempo), e não TV's, telemóveis e electrodomésticos, etc. Portanto, O GAJO DA INFORMÁTICA não vai ensinar-lhe a mexer no telemóvel, reparar a sua TV, etc.

16 - Existem vários tipos de GAJOS DA INFORMÁTICA
...e cada um tem a sua especialização. Se você parte uma perna não vai ao oculista, pois não? Assim, se o GAJO DA INFORMÁTICA é especialista em software e programação poderá não estar muito à vontade sobre HARDWARE ou REDES e vice-versa para realizar um trabalho de qualidade, portanto não lhe peça para executar trabalhos nos quais não é especialista dizendo "você consegue fazer, para que chamar outra pessoa se você é mesmo bom nisto da informática"