Curtas (20)

Ainda não há muito tempo escrevi aqui sobre a campanha do "Algarve Shopping" e dos seus "fashion adviser" e eis que eles voltam à carga. Hoje, a publicidade na Rádio Comercial reza assim:

Vá ao Algarve Shopping na fashion week e com o conselho dos nossos fashion advisers saiba quais as peças must have para as suas férias de verão


O termo "férias de verão" é que estraga tudo, não é?...

O prémio "Bardamerda de Ouro" da semana vai direitinho para os responsáveis por esta campanha publicitária!

Piu-piu


No massacrado Bairro Alto (Lisboa) ainda aparecem coisas engraçadas...

Os parasitas da net

O fenómeno dos blogs deu origem a um subfenómeno parasitário que são aqueles locais na internet que, denominando-se blogs, mais não são do que repositórios de títulos, resumos e links para textos publicados noutros locais. E entenda-se que nem sequer me estou a referir a blogs que funcionam como uma espécie de compilação de conteúdos porque a esses ainda consigo reconhecer-lhes a utilidade de poderem prestar um serviço a quem se interesse por um determinado assunto. Não, eu refiro-me àquelas páginas cujos links aparecem junto dos artigos do jornal Público, na caixinha que a generosidade dos responsáveis pelo site põe à disposição de quem disponibilize conteúdos relacionados com os mesmos temas e que é tantas vezes ocupada, não por blogs válidos cujos autores se dêem ao mínimo trabalho de criação mas sim pelos tais parasitas cujas função e objecto não consigo descortinar.

Por que raio acha alguém que criar posts que têm como único conteúdo um título e um resumo copiado e, pasme-se, uma ligação para a origem, pode ter qualquer tipo de interesse para o público? É que nem para publicidade serve porque, obviamente, quem chega a uma página, e não vê praticamente nada a não ser um "leia mais" que a faz saltar para outro sítio, não vai carregar em nenhuma publicidade, logo, não vai dar nem um tostão (ao menos isso) ao "pirata".

Para quê, então, esta espécie de "intermediários", estes verbos de encher? Vá-se lá saber...

Curtas (19)

Numa altura em que se pede tanto ao chamado "mundo desenvolvido" que contribua com acções e fundos para a preservação disto e daquilo, não seria legítimo pedir ao Brasil que contribuisse com qualquer coisinha para uma espécie de Fundo Mundial Contra o Spam?

A minha caixa de correio agradecia...

Uma questão de bigodes


O que há de comum entre o pintor holandês Piet Mondrian, a personagem Charlot (de Charlie Chaplin) e Adolf Hitler? Aparentemente, pouca coisa... tirando a bigodaça - ou antes -, o bigodinho.

Parecenças


Estes dois - Robbie Williams e Emma Watson -, podiam ser irmãos (ou pai e filha).

Pontos nos iiis


Vamos lá por os pontos nos iiis, rapaziada. Há coisas que não se admitem e essa confusão que por aí anda entre playmates e "coelhinhas" tem de terminar!

Parem lá de chamar playmates à Ana Malhoa e à Mónica Sofia e denominem-nas pelo termo correcto: "coelhinhas". Essa projecção freudiana (se não é, fica bem dizê-lo, à mesma) que vos leva a chamar "companheiras de brincadeira" às raparigas que vos fazem o favor de se despir nas capas da Playboy já farta. Playmates são as menos conhecidas pequenas que aparecem nas páginas centrais, estão a ver? Aquelas que acabam nas paredes das oficinas ou a zelar pelos motoristas de camião, marcadas com um "Miss Maio", "Miss Outubro". Daí a ideia de "brincadeira"... por causa do que passa pela cabeça do pessoal cada vez que se cruza com o desdobrável dominando o sítio onde está afixado.

As outras, as outras são coisa mais fina... "Coelhinhas", portanto.

Curiosamente, aqui no país ao lado chamam "coelho" ao... bom, vocês percebem, né? E isto leva-me a pensar que em Inglaterra lhe chamam "gato" e na América "castor" e nós "rata"... Oh meu Deus, as mulheres encerram um verdadeiro jardim zoológico!

Declaração de amor


Quero aqui fazer, publicamente, uma declaração de amor ao meu PDA.

Sim, confesso que não posso viver sem ele, que o mundo não seria mais o mesmo sem que, várias vezes por dia, ele apitasse daquela forma irritante como um pai que chama a atenção a um filho para as coisas mais simples: envia um email, vê um site, telefona ao não-sei-quantos, olha que se faz tarde para o concerto, já levaste o carro à inspecção?, acorda que tens de ir trabalhar...

O meu PDA é, para mim, como a televisão é para os desinformados: aquilo que ele não me diz, é como se não existisse; tudo o que ele me mostra, é que interessa. Sem a agenda onde vou guardando os mais pequenos interesses convertidos em tarefas com direito a aviso 30 minutos antes, o meu mundo reduzir-se-ia aos restos de uma festa onde, na melhor das hipóteses, chegaria sempre inevitavelmente atrasado. É o meu PDA que me assegura a vitória sobre o esquecimento das coisas que me podem distrair da monotonia diária.

E quando viajo, quando me sento atrás do volante, é novamente o PDA que me guia para o destino, ordenando-me mudanças de direcção num tom docemente imperativo. Se não fosse o GPS que o meu PDA tem, teria de parar a cada 10km para consultar o mapa e não poderia degustar relaxadamente a condução e a paisagem. Eu andava perdido antes de o ter encontrado, agora, perco-me de amores por ele.

Quando do turbilhão das minhas ideias alguma se destaca, é no PDA que a anoto, assegurando que ela sobreviverá à emergência de um novo pensamento.

E se alguma coisa de inútil tem o maravilhoso aparelho que aqui elogio, é o telefone que, qual apêndice, por vezes se inflama num exageradamente sonoro toque que, espalhando as suas ondas de choque pela sala, me desperta (e aos outros) da confortável letargia a que me entrego. Mas, felizmente, no meu telefone as chamadas são como gotas de chuva desviadas pelo vento: calha levar com alguma de vez em quando.

Adoro-te PDA e preocupo-me contigo quando começas a dar sinal de falta de bateria. Sinto que me foges, que me faltas, e corro a trazer-te de novo à vida para que me continues a acompanhar com a tua vigilante presença.

És o meu grilo, a lembrança oportuna que não falha, o aviso premente que chega... Perdoa-me se às vezes te não ligo, se te respondo com um "fica para depois", se me esqueço de te consultar... mas todos temos cardos que nos tornam distantes e se a memória me falha e não te procuro, a culpa não é tua que me esperas serenamente no sítio do costume mas sim minha que tardo em me encontrar.

A moda dos problemas

Já se esperava que isto acontecesse. Um Airbus caiu no meio do Atlântico e lá começam a surgir as notícias de avarias e azares com aviões do mesmo fabricante. Não é que esses problemas não acontecessem antes da tragédia em águas brasileiras. Não, o que se passa, agora, é que os jornalistas acham que tudo que envolva um Airbus e que implique uma gravidade superior a uma unha partida, tem de ser comunicado à população!

Só hoje, foram dois casos: um avião que aterrou de emergência nas Canárias com um problema num motor e um outro onde deflagou um incêndio na cabina dos pilotos. Feridos? Não houve, sequer, mas isso pouco importa porque o que interessa é dar continuidade ao habitual jogo jornalístico de semear o medo e a desconfiança junto do público...

A Boeing agradece. Até chegar a sua vez...

Dançar por euros

Eu sei que aquele momento do mês em que recebo o ordenado é uma verdadeira alegria: durante mais um mês, tenho "autorização" para continuar a sobreviver sob tecto "próprio" e a permitir-me uns quantos luxos como ir três vezes por dia ao café para atafulhar o meu corpo com calorias.

Mas... daí a fazer figura de parvo como estes espécimes que aparecem na publicidade do Santander, ela parecendo que vai começar a dançar o Vira ("já cá canta, já cá canta o dinheirinho... lá lá lá, lá lá lá, é o meu ordenadinho"); ele olhando para nós como se pretendesse engatar-nos com um "recebi o ordenado, vai uma voltinha, baby?", isso é que não!

Cá para mim, o publicitário que fez esta campanha trabalha para a concorrência. Ou isso, ou o Santander acha mesmo que somos parvos. É uma questão de "target" (*), talvez...


(*) - nos tempos antigos em que éramos todos uns cinzentões sem estilo dizia-se "público-alvo"