Vontade de chatear (7)

Se isto não é vontade de chatear os outros, é o quê?

Um pequeno luxo

Um pequeno luxo é o que se pode chamar ao que aconteceu ontem no Instituto Franco-Português, em Lisboa. Alex Beaupain, um dos nomes grandes da actual música francesa, trouxe à sala do instituto o seu espectáculo "Tout Ira Bien", um conjunto de canções intercaladas com textos, na simplicidade musical de um piano, um violoncelo e uma leitora.

Para quem não dominasse a língua francesa, o espectáculo poder-se-ia tornar um pouco frustrante devido à ausência de tradução dos textos. Mesmo para quem tivesse (como eu) uma compreensão razoável do idioma, muitas partes terão ficado em branco. Mas, ali, o que era verdadeiramente importante eram as canções, várias delas fazendo parte da banda sonora de "Canções de amor", o interessantíssimo filme de Christophe Honoré que foi buscar justamente às canções de Beaupain toda a sua força.

Vestidas com uma roupagem mais simples, nem por isso canções como "Il faut se taire", "Les yeux au ciel", "Au parc" e "Si tard" perderam a sua beleza e foi, realmente, um luxo poder ouvi-las ao vivo, no contexto quase recatado de mais um evento gratuito promovido pelo IFP, esse local quase imutável onde em tempos eu estudei e do qual andei ausente durante largos anos, para vir a descobrir que, quase 15 anos depois, tudo continua na mesma: os espaços, a decoração, os cheiros...

Esteticamente, o IFP pode ser um sítio parado no tempo mas é, cada vez mais, para mim, uma referência de "pequenos" eventos francófonos (e não só!) que marcam uma diferença muito boa de seguir.

Morreu Michael Jackson

Morreu Michael Jackson, Michael Jackson morreu. O homem a quem o marketing continua a chamar "o rei da Pop" não resistiu a uma paragem cardíaca e deixou por, finalmente, fim à carreira e à vida.

Vi-o actuar, numa outra vida, sua e minha. O antigo estádio José Alvalade estava repleto de gente que aguardava ser enfeitiçada por um espectáculo que todos sabiam ser grande. E foi. Michael Jackson e os seus bailarinos encheram o enorme palco - próprio dos concertos de estádio -, com música, dança, alegria... Tamanho o esforço que após o espectáculo surgiu o boato de que, durante grande parte do evento, não era Mickael Jackson que estava em cima do palco mas sim um bailarino seu substituto. O bailarino existia, de facto, e era um verdadeiro sósia do cantor. Se o substituiu ou não, não sei. Mas, se o fez, fê-lo em grande estilo.

Jackson marcou a música norte-americana (i.e., estado-unidense) e, como consequência natural, marcou-nos a todos em doses diferentes. Soube inovar ou soube escutar quem o aconselhou a tal. Antes de Thriller e o seu "aterrorizador" vídeo, os telediscos eram incipientes. A partir daí, os orçamentos e o reconhecimento artístico dos vídeos musicais não pararam de aumentar.

Diz-se que o álbum onde canções como "Human Nature" ou "Beat it" se fazem notar continua a ser o mais vendido da história. Se calhar não em termos absolutos, se calhar apenas para um artista a solo, se calhar para um artista a solo americano, se calhar, se calhar... Se calhar, quando falássemos de Michael Jackson deveríamos fazer um esforço para esquecer tudo o que se diz dele, todas as histórias, todas as bizarrias, todas as taras, toda a publicidade... e focarmo-nos na única coisa que poderá sobreviver na memória da música: o talento de um grande artista que nos fez dançar, que nos divertiu, que nos preencheu tantas vezes o vazio do silêncio.

A vida de Mickael Jackson continuará a ser contada e servirá, concerteza, de tema a muitas obras. A sua personagem é fascinante pelo aspecto camaleónico, pelo trajecto decadente, pelas fobias...
O homem que não queria envelhecer e que, tal como Peter Pan, queria viver na Terra do Nunca e rodear-se de crianças; o homem que foi acusado de molestar sexualmente rapazinhos mas que proporcionava a tantos condições de vida com que nunca sonhariam; o benemérito; a criatura que vivia apavorada com os germes, com o toque dos outros, com o ar impuro; o endividado; o preto que queria ser, literalmente, branco... Jackson foi uma fonte de notícias, de histórias, de piadas, em proporção inversamente proporcional à do seu êxito. Conforme a sua estrela se foi apagando, avançaram as sombras.

Recentemente, em Londres, um sempre mais pálido Jackson, agora tornado numa horrenda caricatura andrógina, de aspecto quase alienígena, anunciou que iria retomar a estrada, lançar-se à reconquista das multidões. Foi aplaudido pelos seus indefectíveis, quantos deles sentindo-se - tal como o seu ídolo -, personagens deslocadas numa história que não é a sua. Havia de tudo no grupo dos que lhe batiam palmas mas havia, sobretudo, a aparência de uma festa que já acabou e à qual nos queremos, desesperadamente, agarrar. São os "regressos", dirão alguns. Servem para contentar muitos saudosistas e iniciar alguns recém-chegados. São também as dívidas a exigirem pagamento, na maior parte dos casos... No de Michael, era-o, certamente.

Com a desgraçada ironia que marca os grandes falhanços, uma semana antes de Jackson voltar aos palcos o seu coração foi abaixo. Afinal, não foi o nariz...

Percebes, ou não?

Enviaram-me esta imagem (que já deve ter uns largos meses, a julgar pelo boneco das "Boas festas"). Sinceramente, já nem sei se estas coisas me dão vontade de rir ou chorar...

Por hoje, rio. Só para não começar mal o dia...

Sentinelas

Se não fosse o amor que tenho ao meu PDA, já o tinha trocado por um destes mais modernaços, com máquina fotográfica de 5Mpx e o camandro. Chateia-me ir na rua, ver uma "daquelas" imagens e só a conseguir captar através de uma lente sempre suja.

Que se lixe...

Curtas (20)

Ainda não há muito tempo escrevi aqui sobre a campanha do "Algarve Shopping" e dos seus "fashion adviser" e eis que eles voltam à carga. Hoje, a publicidade na Rádio Comercial reza assim:

Vá ao Algarve Shopping na fashion week e com o conselho dos nossos fashion advisers saiba quais as peças must have para as suas férias de verão


O termo "férias de verão" é que estraga tudo, não é?...

O prémio "Bardamerda de Ouro" da semana vai direitinho para os responsáveis por esta campanha publicitária!

Piu-piu


No massacrado Bairro Alto (Lisboa) ainda aparecem coisas engraçadas...

Os parasitas da net

O fenómeno dos blogs deu origem a um subfenómeno parasitário que são aqueles locais na internet que, denominando-se blogs, mais não são do que repositórios de títulos, resumos e links para textos publicados noutros locais. E entenda-se que nem sequer me estou a referir a blogs que funcionam como uma espécie de compilação de conteúdos porque a esses ainda consigo reconhecer-lhes a utilidade de poderem prestar um serviço a quem se interesse por um determinado assunto. Não, eu refiro-me àquelas páginas cujos links aparecem junto dos artigos do jornal Público, na caixinha que a generosidade dos responsáveis pelo site põe à disposição de quem disponibilize conteúdos relacionados com os mesmos temas e que é tantas vezes ocupada, não por blogs válidos cujos autores se dêem ao mínimo trabalho de criação mas sim pelos tais parasitas cujas função e objecto não consigo descortinar.

Por que raio acha alguém que criar posts que têm como único conteúdo um título e um resumo copiado e, pasme-se, uma ligação para a origem, pode ter qualquer tipo de interesse para o público? É que nem para publicidade serve porque, obviamente, quem chega a uma página, e não vê praticamente nada a não ser um "leia mais" que a faz saltar para outro sítio, não vai carregar em nenhuma publicidade, logo, não vai dar nem um tostão (ao menos isso) ao "pirata".

Para quê, então, esta espécie de "intermediários", estes verbos de encher? Vá-se lá saber...

Curtas (19)

Numa altura em que se pede tanto ao chamado "mundo desenvolvido" que contribua com acções e fundos para a preservação disto e daquilo, não seria legítimo pedir ao Brasil que contribuisse com qualquer coisinha para uma espécie de Fundo Mundial Contra o Spam?

A minha caixa de correio agradecia...

Uma questão de bigodes


O que há de comum entre o pintor holandês Piet Mondrian, a personagem Charlot (de Charlie Chaplin) e Adolf Hitler? Aparentemente, pouca coisa... tirando a bigodaça - ou antes -, o bigodinho.