Arquitectura no CCB

A não perder, a actual exposição no piso 2 do CCB - "Pancho Guedes - Vitruvius Mozambicanus" -, uma retrospectiva da carreira do arquitecto português, quase toda ela feita na África austral (Moçambique e África do Sul).

Mas a obra de Pancho Guedes (que, confesso a minha ignorância, era um perfeito desconhecido para mim) vai além dos traços no estivador e salta para a escultura e a pintura. A primeira, centrada à volta de algumas formas base e a segunda feita de cores alegres e traços kitsch, emanando uma alegria por vezes enganadora.

Conhecer a obra de Guedes é uma lufada de ar fresco para quem está farto do minimalismo e da datadura do ângulo recto. E é uma viagem a um passado ainda não muito distante onde todos acabamos por encontrar qualquer coisa de nostálgico.

Até 16 de Agosto, no CCB. Mexa-se!

Rita Mendes na Playboy PT

Aposto que já estavam a estranhar meia-dúzia de dias sem se falar da Playboy portuguesa...

Bom, já é público quem será a coelhinha do número 4: Rita Mendes. A apresentadora de programas de televisão de má qualidade (fel, fel...) deixou-se de tretas e posou para a revista preferida de muito bom rapaz.

Acho bem. São estas personagens que deviam ser as primeiras a darem um passo em frente e dizerem "presente". São estas pequenas, sempre com aquela pose atrevidota, o decote bem puxado (para baixo), a conversa marota, que têm de mostrar que, afinal, isto de posar nua não é nada do outro mundo e toda a gente fica contente. Pelo menos, eu fico...

O que eu já não acho bem é que numa revista onde a fotografia erótica é o prato principal, alguém aceite pousar e, no fim... não se desnude por completo! A isto chama-se fraude. Assim mesmo. Quem compra a Playboy espera ver mulheres nuas e não mulheres parcialmente despidas.







Querem ver? Carreguem aqui

O meu filho está preso - parte 1

Fica hoje, aqui, a primeira parte de um conjunto de folhas afixadas num prédio em ruínas, na Rua Rodrigues Sampaio (Lisboa, paralela à Av. da Liberdade, do lado esquerdo de quem desce).

Aparentemente, há um drama que envolve a prisão de um rapaz. O pai está desesperado e revoltado. O filho tem telemóvel, fala línguas e mexe em computadores.

Hollywood, onde estás tu?

(carreguem na imagem para verem melhor)

Questão de genealogia

A genealogia é importante, tão importante que um dos poucos programas que alguma vez comprei na vida foi, precisamente, um para tratar da minha árvore genealógica. Quando percebi que era fraquinho, pirateei outro melhor.

Bom, isto vem a propósito de um texto no PeopleWare onde se falava no país-irmão: o Brasil. Ora, isto está mal. Não só é uma imprecisão do ponto de vista genealógico como ainda coloca a rapaziada sul-americana num nível pouco recomendável se atendermos àquela parola mania de chamar "nossos irmãos" aos espanhóis.

Portanto, vamos lá por ordem na casa - ou antes -, na árvore: os brasileiros não são "irmãos", são "filhos". Passe-se à parte das óbvias piadas e reconheça-se que eles são nossos descendentes (por muitas misturas que a boa velha Europa lá tenha provocado), logo, são, no mínimo, filharada nossa.

"Irmãos" só temos uns, os galegos e mais nenhuns. Se do ponto de vista "genético" se pode argumentar, já em termos linguísticos, o parentesco é inegável.

Castelhanos e Catalães são primos. Os bascos nem sequer da família são.

Franceses e italianos são primos em segundo-grau, estão lá mais longe e os Romenos, esses, são aqueles parentes afastados que só cá vêm chatear de vez em quando.

Estamos esclarecidos?

Quando verter águas dá gosto

Uma das casas de banho dos Armazéns do Chiado tem uma bela vista porque a fileira de urinóis termina numa janela virada para o Castelo.

Para poder mictar e contemplar na perfeição a paisagem é preciso perder a vergonha. Isto porque os "autores" da casa-de-banho não puseram uma barreira após o último urinol, o que expõe quem ali esteja à curiosidade dos habitantes dos prédios fronteiros. Pode-se ficar no penúltimo urinol, claro, e dessa forma manter uma certa reserva da nossa privacidade. O problema é se está um tipo depois... No Chiado, isso é coisa que não convém fazer. Aliás, por vezes, parece-me que o melhor é mesmo entrar e sair olhando para o chão.

Bom, "coisas" à parte, a vista é bonita e, se se tiver mesmo aflito, então, é aproveitar. E não perder a pontaria, já agora...

Vontade de chatear (7)

Se isto não é vontade de chatear os outros, é o quê?

Um pequeno luxo

Um pequeno luxo é o que se pode chamar ao que aconteceu ontem no Instituto Franco-Português, em Lisboa. Alex Beaupain, um dos nomes grandes da actual música francesa, trouxe à sala do instituto o seu espectáculo "Tout Ira Bien", um conjunto de canções intercaladas com textos, na simplicidade musical de um piano, um violoncelo e uma leitora.

Para quem não dominasse a língua francesa, o espectáculo poder-se-ia tornar um pouco frustrante devido à ausência de tradução dos textos. Mesmo para quem tivesse (como eu) uma compreensão razoável do idioma, muitas partes terão ficado em branco. Mas, ali, o que era verdadeiramente importante eram as canções, várias delas fazendo parte da banda sonora de "Canções de amor", o interessantíssimo filme de Christophe Honoré que foi buscar justamente às canções de Beaupain toda a sua força.

Vestidas com uma roupagem mais simples, nem por isso canções como "Il faut se taire", "Les yeux au ciel", "Au parc" e "Si tard" perderam a sua beleza e foi, realmente, um luxo poder ouvi-las ao vivo, no contexto quase recatado de mais um evento gratuito promovido pelo IFP, esse local quase imutável onde em tempos eu estudei e do qual andei ausente durante largos anos, para vir a descobrir que, quase 15 anos depois, tudo continua na mesma: os espaços, a decoração, os cheiros...

Esteticamente, o IFP pode ser um sítio parado no tempo mas é, cada vez mais, para mim, uma referência de "pequenos" eventos francófonos (e não só!) que marcam uma diferença muito boa de seguir.

Morreu Michael Jackson

Morreu Michael Jackson, Michael Jackson morreu. O homem a quem o marketing continua a chamar "o rei da Pop" não resistiu a uma paragem cardíaca e deixou por, finalmente, fim à carreira e à vida.

Vi-o actuar, numa outra vida, sua e minha. O antigo estádio José Alvalade estava repleto de gente que aguardava ser enfeitiçada por um espectáculo que todos sabiam ser grande. E foi. Michael Jackson e os seus bailarinos encheram o enorme palco - próprio dos concertos de estádio -, com música, dança, alegria... Tamanho o esforço que após o espectáculo surgiu o boato de que, durante grande parte do evento, não era Mickael Jackson que estava em cima do palco mas sim um bailarino seu substituto. O bailarino existia, de facto, e era um verdadeiro sósia do cantor. Se o substituiu ou não, não sei. Mas, se o fez, fê-lo em grande estilo.

Jackson marcou a música norte-americana (i.e., estado-unidense) e, como consequência natural, marcou-nos a todos em doses diferentes. Soube inovar ou soube escutar quem o aconselhou a tal. Antes de Thriller e o seu "aterrorizador" vídeo, os telediscos eram incipientes. A partir daí, os orçamentos e o reconhecimento artístico dos vídeos musicais não pararam de aumentar.

Diz-se que o álbum onde canções como "Human Nature" ou "Beat it" se fazem notar continua a ser o mais vendido da história. Se calhar não em termos absolutos, se calhar apenas para um artista a solo, se calhar para um artista a solo americano, se calhar, se calhar... Se calhar, quando falássemos de Michael Jackson deveríamos fazer um esforço para esquecer tudo o que se diz dele, todas as histórias, todas as bizarrias, todas as taras, toda a publicidade... e focarmo-nos na única coisa que poderá sobreviver na memória da música: o talento de um grande artista que nos fez dançar, que nos divertiu, que nos preencheu tantas vezes o vazio do silêncio.

A vida de Mickael Jackson continuará a ser contada e servirá, concerteza, de tema a muitas obras. A sua personagem é fascinante pelo aspecto camaleónico, pelo trajecto decadente, pelas fobias...
O homem que não queria envelhecer e que, tal como Peter Pan, queria viver na Terra do Nunca e rodear-se de crianças; o homem que foi acusado de molestar sexualmente rapazinhos mas que proporcionava a tantos condições de vida com que nunca sonhariam; o benemérito; a criatura que vivia apavorada com os germes, com o toque dos outros, com o ar impuro; o endividado; o preto que queria ser, literalmente, branco... Jackson foi uma fonte de notícias, de histórias, de piadas, em proporção inversamente proporcional à do seu êxito. Conforme a sua estrela se foi apagando, avançaram as sombras.

Recentemente, em Londres, um sempre mais pálido Jackson, agora tornado numa horrenda caricatura andrógina, de aspecto quase alienígena, anunciou que iria retomar a estrada, lançar-se à reconquista das multidões. Foi aplaudido pelos seus indefectíveis, quantos deles sentindo-se - tal como o seu ídolo -, personagens deslocadas numa história que não é a sua. Havia de tudo no grupo dos que lhe batiam palmas mas havia, sobretudo, a aparência de uma festa que já acabou e à qual nos queremos, desesperadamente, agarrar. São os "regressos", dirão alguns. Servem para contentar muitos saudosistas e iniciar alguns recém-chegados. São também as dívidas a exigirem pagamento, na maior parte dos casos... No de Michael, era-o, certamente.

Com a desgraçada ironia que marca os grandes falhanços, uma semana antes de Jackson voltar aos palcos o seu coração foi abaixo. Afinal, não foi o nariz...

Percebes, ou não?

Enviaram-me esta imagem (que já deve ter uns largos meses, a julgar pelo boneco das "Boas festas"). Sinceramente, já nem sei se estas coisas me dão vontade de rir ou chorar...

Por hoje, rio. Só para não começar mal o dia...

Sentinelas

Se não fosse o amor que tenho ao meu PDA, já o tinha trocado por um destes mais modernaços, com máquina fotográfica de 5Mpx e o camandro. Chateia-me ir na rua, ver uma "daquelas" imagens e só a conseguir captar através de uma lente sempre suja.

Que se lixe...