Vontade de chatear (9)

Vamos lá ver se a gente, primeiro, se situa: a imagem ao lado mostra a Av. da República, em Lisboa; a hora é as 18:30 e o dia é uma Quinta-Feira. Ou seja, uma das principais artérias da capital, em plena hora de ponta de um dia útil. O carro que se vê não parou para que alguém atendesse um telefonema. Não, ele está mesmo estacionado! E aquela zona cinzenta e vazia que está ao lado é uma faixa de... estacionamento.

Portantche, este artista estacionou o carro, na faixa de rodagem, ignorando a zona de estacionamento junto a si e também a que está do outro lado (sim, havia lugares). Para este cromo, estacionar, só mesmo na estrada!


Se isto não é vontade de chatear os outros, é o quê?

Tenham medo, muito medo...

Tenham medo, muito medo... era o mote de uma qualquer série de TV, daquelas à antiga, com maus actores e a preto e branco, como que para acentuar a maniqueísta luta entre o bem e o mal.

Medo, muito medo é o que a comunicação social tenta criar nas populações de todo o mundo, seja com os acidentes de avião, seja com as gripes das aves e dos porcos, ou a crise económica, ou a carne de vaca, ou qualquer outra coisa.

Dizia Michael Moore, no seu "Bowling for columbine", que os americanos eram um povo vivendo constantemente sob o medo de qualquer coisa e que isso seria uma das causas das elevadas taxas de criminalidade nos EUA. Cada vez mais lhe dou razão, não tanto no que diz respeito à realidade estado-unidense (para a qual me estou lixando) mas porque também eu sinto a pressão (e os efeitos dela) à qual nós, portugueses, estamos sujeitos.

A actual campanha é a do vírus H1N1 (ex-gripe mexicana, ex-gripe suína). No Reino Unido, a loucura já chegou ao ponto de a comunicação social veicular a ideia de que as mulheres não deviam engravidar nos tempos mais próximos, que as pessoas deviam viajar apenas o estritamente necessário e até que - pasme-se -, deviam ficar mais tempo em casa! As autoridades britânicas já fizeram notar que isso não faz qualquer sentido mas o que importa aqui é entender a teia de medo que se tenta lançar sobre as pessoas.

"Não saiam de casa que podem ficar doentes!" - só não digo que os limites foram ultrapassados porque o cancro da comunicação social é uma doença que consegue sempre empurrar os seus limites mais além, rumo ao abismo da estupidez na qual se tenta que a população caia.

Pessoas assustadas são mais facilmente manipuláveis. Pessoas manipuláveis são menos contestatárias. Pessoas menos contestatárias dão melhores trabalhadores e consumidores.

Cada vez estamos mais perto das sociedades caóticas e brutais ao estilo Blade Runner. Multiculturalismo forçado, manipulação mediática, consumismo desenfreado, Estado securitário, cultura da violência, etc. Está tudo aí e só não vê quem não quer.

Jorge Palma e o Trio Odemira

Decididamente, esta semana é a do Jorge Palma...

Reparem nesta situação absolutamente inesperada: Jorge Palma (novinho), cantando o Porto Covo (de Rui Veloso), acompanhado pelo Trio Odemira e Carlos Alberto Moniz, num programa do Júlio Isidro.

Ó meus amigos! Isto é o YouTube!!! :))

Por estas e por outras...



É por estas e por outras que eu não uso perfume...

Jorge Palma em Belém

Se os meus dois textos anteriores foram sobre as diversões em Lisboa e Jorge Palma, então, é mais do que justo que se fundam os dois temas para falar no concerto de ontem junto à Torre de Belém.

Jorge Palma foi convidado pela Câmara para animar o relvado de Belém (numa noite que dispensava aquele vento frio que por lá andava) e fez o mesmo a uns quantos amigos seus: eh pá, venham tocar comigo! Rui Reininho, Cristina Branco, Marisa, JP Simões, Adolfo Luxúria Canibal, Gaiteiros de Lisboa, Fausto e Sérgio Godinho foram os nomes que lá apareceram.

Os duetos foram de nível desigual. "Frágil" (com Rui Reininho) foi forte e cheio de energia, combinando-se os dois artistas optimamente. Marisa entrou mal no seu tema (Canção de Lisboa) e teve de se "cortar" ao tom demasiadamente agudo com que iniciou. Cristina Branco foi límpida e cheia em "Estrela do mar". Sérgio Godinho mais valia não ter lá ido se nem sequer sabia a letra de "Jeremias, o fora-da-lei". Adolfo Luxúria Canibal sussurrou qualquer coisa ao seu estilo. JP Simões cumpriu com "Bairro do amor" e Fausto tinha tudo a ver com "Dá-me lume".

Os Gaiteiros de Lisboa eram só paisagem e as meninas dos tambores e bombos com que o espectáculo abriu e fechou serviram para ocupar o vazio musical do tempo dos agradecimentos e palmas.

O concerto foi bom e o Palma estava bem. Mas aquele não era o seu público. Notava-se desconhecimento das músicas, as palmas não "entravam" a tempo e eram poucas, muito poucas para aquilo que se estava a ver. É o mal destes concertos "populares": vai toda a gente, desde as marias que passam a noite na conversa falando da novela, até aos velhotes que ao fim de duas ou três músicas desistem por causa da barulheira, passando pelos bêbedos e pelos chicos-espertos do "'Tá na hora! Vamos lá começar com essa merda! Eh, eh, eh...".

Outra coisa que, paradoxalmente, "estraga" um pouco um concerto são as cadeiras. É certo que sabem bem e dão apoio aos penduras (os tais que nem deviam lá estar) mas retiram inapelavelmente muito do gosto que dá ver música ao vivo. É uma coisa assim como que "à japonesa" (os japoneses são conhecidos por verem concertos de heavy metal sentadinhos, apenas levantando os braços).

Quanto à organização: a coisa estava arranjadinha, o concerto foi bom (claro!) mas, para a próxima, duas coisinhas: arranjem vários vídeos com que entreter o pessoal - estar a ver um mesmo vídeo promocional de cinco em cinco minutos ao longo de duas horas é coisa capaz de levar ao desespero um santo; e acabem com essa fantochada dos lugares "vips" - centenas de cadeiras numa área reservada que invariavelmente acabam por terem de ser ocupadas pelo poveco... que chega atrasado ou seja, chegar tarde e a más horas (atrasando o espectáculo) compensa porque acabamos por nos sentar nos melhores lugares... :|

Saldo da noite: mais um belo concerto, de um Jorge Palma cheio de energia e quase sempre muito bem acompanhado. No final, "A gente vai continuar", com o palco completamente cheio de gente em festa. Eu também vou continuar gostando de ti, ó Jorge! :)

Tira a mão do queixo não penses mais nisso
O que lá vai já deu o que tinha a dar
Quem ganhou ganhou e usou-se disso
Quem perdeu há-de ter mais cartas para dar
E enquanto alguns fazem figura
Outros sucumbem à batota
Chega a onde tu quiseres
Mas goza bem a tua rota

Enquanto houver estrada para andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada para andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar

Todos nós pagamos por tudo o que usamos
O sistema é antigo e não poupa ninguém
Somos todos escravos do que precisamos
Reduz as necessidades se queres passar bem
Que a dependência é uma besta
Que dá cabo do desejo
A liberdade é uma maluca
Que sabe quanto vale um beijo

Recordar é bom!

O YouTube é um tesouro de coisas ignoradas, memórias esquecidas sob a avalancha mediática a que estamos sujeitos. É como a caverna do Ali-Bá-Bá, cheia de riquezas inimagináveis porque nunca antes vistas. É assim que me sinto quando começo a vaguear pelos incontáveis vídeos de música portuguesa que gente muito boa coloca no ar.

Viva a pirataria que nos permite manter viva a recordação dos nossos anos mais jovens, viva o desprezo pelo espartilho do negócio que impede o acesso generalizado a tudo aquilo de bom que a nossa cultura produziu no século XX.

Como de costume, entregando-me ao acaso, tendo apenas como ponto de partida a vontade de ouvir uma canção das Doce, tropecei neste momento único: Jorge Palma (novinho) e Lena d'Água (bonita), interpretando uma das obras-primas do nosso génio maior.

É de ouvir o dia todo!...

O difícil é escolher!

Já aqui deixei escrito que, se pudesse, me punha a andar para fora de Lisboa. Insisto que as vantagens que as pessoas vêem na grande cidade são, na maior parte, uma ilusão. Mas há um sector onde, aí sim, viver na Grande Alface (ainda ninguém se lembrou desta...) apresenta imensas vantagens: a diversão.

Na presente época, o difícil para quem ande por esta terra é escolher o que fazer. Por todo o lado há ofertas culturais. E quando digo "ofertas" quero mesmo dizer "coisa dada", "grátis", "à borla", "custo zero" (esta é para os economistas). Ele é o Festival ao Largo, no Chiado, com música, teatro e dança; ele são as Festas de Lisboa; ele é (isto já parece Francês) a miríade de exposições em galerias; ele é o aniversário do Museu Berardo (que, já de si, é totalmente gratuito); ele é o Festival de Música da Cartuxa, em Caxias (sim, porque os arredores também contam)...

Nesta altura (e, nas outras, a coisa também não é nada má), só fica em casa quem for mono!

Mas, como se já não bastasse aquilo que é à borla, ainda há aquilo que é barato. Ir ao teatro pode ser baratíssimo. Por exemplo, a "A Comuna", dois dias por semana (Quarta e Quinta) tem os bilhetes a cinco euros (!). Como se isto não bastasse, ontem, ao apresentar-me para comprar um ingresso para a sua mais recente peça - "Sangue" -, ainda tive a surpresa de ele me ser oferecido porque o espectáculo estava nos três primeiros dias de exibição! Se não foi esta a explicação, foi outra coisa parecida. Confesso que estava meio aparvalhado, ali, com uma nota na mão e a rapariga a dizer-me que não tinha de pagar nada. :)

Hoje, por exemplo, temos Mário Laginha e Bernardo Sassetti no Castelo de São Jorge; amanhã, música em Caxias e dança no Chiado; Domingo, música no Jardim da Estrela, Segunda-Feira, Rodrigo Leão na FNAC...

Se é por isto que a vida me sai mais cara, se é isto o "luxo" de viver na capital, então, está bem, aceito o fardo e... aproveito o mais que puder!!!


Ficam aqui alguns links interessantes:
Festas de Lisboa, Festival ao Largo, Festival de Música da Igreja da Cartuxa, FNAC, Le Cool Magazine

O Lucky Luke moçambicano

Lembram-se do Lucky Luke, o cowboy (bem estão os brasileiros, que dizem "vaqueiro") que disparava mais rápido do que a própria sombra? Claro que sim, toda a gente já leu qualquer coisa dessa personagem.

O que poucos devem saber é que em Maputo existe alguém ainda mais rápido do que o boneco do chapéu branco e camisa amarela. O Google Analytics sabe-o e disse-me que um laurentino (ainda se chamarão assim ou será uma coisa do tipo "maputense"?) viu sete páginas deste blog em apenas sete segundos!!!

Um abraço aí para baixo e, da próxima vez, eh pá, não tenhas tanta pressa! :)

Somos um casal

Sexta-Feira à noite na Casa Conveniente, um "buraco" entalado entre bares de putas, em pleno Cais do Sodré. Falta um bocado para o espectáculo começar (e, no teatro, por força dos sagrados atrasos, isso quer dizer que falta "ainda" mais do que parece), e as pessoas levantam os bilhetes reservados. À minha frente, duas raparigas pagam os seus. A moça da "bilheteira" (ali não existe isso) pergunta-lhes se, para facilitar, lhes pode dar o troco em conjunto e, depois, elas que o dividam. Uma das raparigas diz que sim e a outra, arrapazada, avança logo com um quase ansioso "somos um casal".

Ah, pronto, se elas são um casal, então, está bem - já se vê -, faz todo o sentido dar-lhes o troco por inteiro! Aliás, muitas outras coisas fariam sentido como, por exemplo, andarem vestidas de igual, usarem camisolas com o rosto da sua cara-metade, beberem suminho pelo mesmo copo usando duas palhinhas ao por-do-sol enquanto corações vão subindo com o gás... sei lá, um ror de coisas que todos os casais fazem. Para além de receberem o troco em conjunto.

O que me lixa é que, da próxima vez que eu for ao café com algum rapaz, tenho de vincar bem que cada um paga a sua conta, só porque somos muito machos! E se o pacóvio do empregado, numa de se fazer engraçadinho, me perguntar se "é tudo junto", é mandar-lhe, logo um sonoro "nós não somos maricas, ó panasca!". Se fôssemos, fazia sentido partilhar a conta. Como não somos, não há cá coisas para ninguém...

... a menos que dê desconto. Se um casal tiver desconto, talvez me sujeite a fazer má figura por uns instantes. Como isto está, talvez seja uma hipótese a considerar num futuro próximo.

Mas, pronto... as raparigas devem estar a viver o despontar da sua paixão e acham importante comunicar ao mundo a sua união, ainda que a pretexto de um simples troco de 20 euros. Outras já se lhes adiantaram, aos beijos em plena Rua do Carmo ou no metro em hora de ponta. "Elas" são mais atrevidotas do que "Eles". É por isso que acabo por ter algum respeito pelas lésbicas. Preocupam-se menos com a palhaçada e mais com os actos. É assim que deve ser. Com ou sem troco em conjunto.

Era uma vez um homem...


Era uma vez um homem a quem perguntaram o que achava dos homossexuais.

A sua resposta foi:

- Eu quero é que eles vão levar no cu !!!