As vantagens da gripe

Ocorreu-me agora mais um tipo de empresa (entenda-se, parasita) que vai lucrar com esta coisa da "Gripe A": as empresas de telecomunicações. É que, quanto mais espirros houver durante uma conversa telefónica, mais tempo ela dura!

Música boa

Esta foi uma daqueles descobertas que fiz quando andava a saltar de link em link no myspace: Norberto Lobo.

Senhor de uma técnica apreciável, não se deixa deslumbrar por ela e contrói temas que sabe bem ouvir, intrincadas redes de acordes, por vezes, tecidos suaves de outras.

Quem tiver o bom gosto de gostar de Tó Trips, certamente que gostará, pelo menos, tanto de Norberto Lobo. Não há aqui o "exotismo de fim de tarde" do último disco de Trips mas há música muito, muito boa!


Ouvir música: aqui

Como ficar rico

Acabei de ver, no site do MilenniumBCP que, se pegar em €500 (quinhentos euros) e os colocar num depósito à ordem durante quinze dias, ganho treze cêntimos de juro! Depois, ainda há o imposto e mais não sei o quê, o que me deixa mais ou menos dez cêntimos de nova fortuna.

Ora, pergunto eu: vale a pena andar a por publicidade neste blog (onde poucos carregam), jogar em casinos (onde só se perde), etc., quando o bom do MillenniumBCP põe à nossa disposição meios tão simples e fáceis de meter dinheiro aos bolsos? Não, não vale.

A única coisa que me lixa é não ter um milhão de euros para aplicar com os mirabulantes 0,5% anuais (taxa bruta)...

Esquemas...

Antigamente, quando existiam os hipermercados Carrefour, quem comprasse um óleo para o motor do carro tinha direito à sua mudança gratuitamente, qualquer que fosse a marca do óleo. Comprava-se o dito, ia-se à garagem no estacionamento e faziam-nos a mudança sem qualquer problema. Este tipo de serviço, gratuito ou bastante barato, aplicava-se a outros materiais para o carro como, por exemplo, os pneus.

Entretanto, o Carrefour foi vendido ao Continente (cá em Portugal) e, entre várias mudanças, as garagem deixaram de pertencer ao hipermercado e passaram a ser exploradas pelo grupo Midas. Resultado, os serviços gratuitos tornaram-se pagos.

No fim-de-semana passado fui a Telheiras para mudar o óleo, contando aproveitar uma promoção de preço igual a vinte euros. Chegado lá, perguntam-me que óleo costumava por. Respondo e dizem-me logo que esse ele não podia levar (para quê a pergunta se eles é que sabem?). Digo que sempre levou aquele óleo e o empregado começa a procurar informação no computador. Chama-me para ver uma página da Galp. Diz-me que só usam óleos da Galp e que o "aconselhado" para o meu carro (pela Galp) é que tem de ser usado e não podem por outro porque não podem responsabilizar-se por futuros problemas que o carro possa ter. Acrescenta ainda que sou livre para por no meu carro o que quiser (obrigado pela informação).

Percebi logo o esquema: o Continente cede a garagem à Midas, a Midas tem acordo com a Galp e o consumidor que se lixe. Neste rodriguinho já estava a perder duas vezes: tinha de pagar o serviço e não podia, sequer, escolher o óleo para o meu carro. Valerá mesmo a pena dizer que a mudança de óleo com o "aconselhado" pela Galp custava quase três vezes o valor da mudança mais barata? É que, de €19 passava logo para €59!!!

Esquemas da treta! Lá tenho eu de ir ao mecânico "amigo"...

Playboy Portugal - nº 4

Pleno verão... o povo quer praia, farra, descanso, mais farra e, se possível, um parzinho. As hormonas não têm descanso: como se não bastasse a providencial beleza das nossas pequenas, parece que, finalmente, as estrangeiras bonitas descobriram a nossa cidade capital. É vê-las por aí, saltitantes, frescas e de corpinho à mostra.

Que tem isto a ver com a Playboy? Tem tudo, vê-se logo. O mais recente número da icónica (atenção às piadas porcas) revista mostra-nos Débora Montenegro e uma tal Sunsette Verde (só pode ser nome artístico) e, no essencial, não acrescenta nada aos números anteriores. Ao fim de quatro edições, as dúvidas estão desfeitas e nota-se que existe uma "linha editorial" no que toca ao tipo de fotografia de nu a ser apresentado. Não há ousadia, as meninas rapam os pelos públicos e o nu integral, em vez de uma "obrigação", parece ser mais um capricho ocasional das "modelos". Fraude!, grito eu e muitos outros.

Débora Montenegro não se despe totalmente a não ser numa foto "mascarada" pelos tons de luz e as fotos acabam por ficar naquela da provocação ("querias ver, não querias? - ná!"); quanto à "Sunsette", é dona de formas bonitas mas é feia. Ora, como eu não sou camionista e não alinho nos partidários do CCM, gosto de mulheres bonitas e esta, concerteza que não é.


O ensaio da Verde moça também é péssimo em termos de gosto. As fotos parecem saídas de uma revista de baixo nível. Não porque sejam atrevidas (há uma, enfim) mas porque a cara da pequena aliada aos tons e ao arranjo parece coisa de baixo orçamento e pouco talento.

A Playboy PT é uma treta! Na sua não-importância, ainda assim, acaba por ser um símbolo parolo da nossa mentalidade ainda mais parola e é aqui que entram as estrangeiras saltitantes. Pergunto eu, com tantas que por aí andam à noite parecendo que a roupa lhes é um fardo, não seria de começarem a contratá-las para a revista? Fariam, certamente, melhor figura do que estas "tugas" complexadas!

Catinga dixit! (é Latim...)

"Demo" - São Luiz

Quanto mais espectáculos se vêm, maior é a possibilidade de apanharmos com barretes. Numa semana em que fui quatro ou cinco vezes ao teatro, apanhei com dois. Este, "Demo", pelo Teatro Praga, no São Luiz (Lisboa) foi o segundo e, concerteza, o maior.

"Demo" pretende ser um musical. No fim da introdução em Alemão (a peça é falada em várias línguas, até Estónio!), quando começa a parte musical, percebemos logo que ali, "musical" não é entendido da mesma forma que nos teatros de La Féria. Os textos sucedem-se com um sentido difícil de perceber e as mudanças de língua são frequentes. Há um écran com tradução lá em cima, o que nos obriga a estar constantemente a olhar quase para o tecto da sala para sabermos que disparates é que as personagens vão dizendo.

Como peça, "Demo" limita-se a um conjunto de gente em cima de um palco, debitando alarvidades. Haverá muito ensaio e coordenação, certamente, mas isso não assegura sentido às coisas. Como musical, o mínimo que se pode dizer é que é um perfeito aborto sonoro. Quando não há, sequer, a tentativa de construir linhas melódicas e de "musical" se entende apenas a produção de peças sonoras servidas por letras absurdas, então, algo está mal. Na cacofonia, qualquer um é um mestre.

Todos nós que já tivemos contacto com um instrumento musical sabemos que há momentos de desânimo ou fastio em que nos entregamos meramente a fazer sons para matar o tempo. Esta peça parece um desses momentos mas, ao contrário do que sucede com o músico anónimo, aqui há um público que merece ser bem servido e dinheiro aplicado que merece ser rentabilizado com qualquer coisa melhor do que esta estupidez que mais parece uma diversão embriagada por parte do elenco do que uma coisa feita com tino.

A meio do espectáculo, caído do céu, aparece Rão Kyao para aquele que foi o único momento verdadeiramente musical da peça. Ainda assim, há que compreender que Kyao e as suas flautas indianas perderam logo o interesse um mês depois do lançamento de "Estrada da Luz", quando se percebeu que ele já não conseguia fazer mais do que aquilo. E até isto já foi numa outra vida...

Provavelmente, o pior espectáculo que já vi...

Eles "andem" aí...

Carro-câmara do Google parado à porta da Universidade Nova, na Av. de Berna (Lisboa).

Será que também filmaram as estudantes? :)

Curtas (21)

O repórter da RTP no Brasil visita uma obra social em Duque de Caxias. Pede a uma criança que lhe aponte no mapa onde é Portugal. A criancinha dá um grande salto e bate com os dedos onde é Portugal. O repórter apressa-se a perguntar-lhe: "é ao lado de quê?". "Da Espanha", responde obviamente o pequeno...

Palavras para quê? É um repórter português...

A família da dona Helena

Ontem, para ir ao teatro foi preciso fazer-me à estrada, rumo ao sul. Procurava o "Espaço das Aguncheiras", ali para os lados do Cabo Espichel e a cargo da "vaporosa" São José Lapa.

A ideia era ver a peça "Rancor - exercício sobre Helena", apresentada literalmente no meio do campo: um palco e alguns elementos cénicos no meio dos arbustos, dentro de uma quinta propriedade da actriz. À nossa volta, a natureza e a brisa nocturna. E, por causa desta, era feito o aviso: levem agasalhos! Distraído como sou, esqueci-me logo disso e lá me apresentei de manga curta mas, ao chegar ao "anfiteatro" feito de cadeiras de plástico dei logo com três caixas de grossas mantas à disposição dos espectadores. A coisa melhorava. Não só estava no campo, prestes a ver um texto sobre a Grécia clássica, como ainda o ia fazer embrulhado numa manta.

Já sentado, fiquei junto a uma fogueira acesa em frente ao palco e que era periodicamente renovada e melhorada com folhas de eucalipto. O campo, a fogueira, ó Deuses! Mandem vir o chocolate quente, por favor! (foi a única coisa que faltou).

A peça foi óptima. Agradavelmente longa, bem representada, assumindo descaradamente a mistura de elementos estranhos à epoca dos eventos (São José Lapa não dispensa os cigarros e a cigarreira, nem a fazer de escrava grega...) e até recorrendo a um ponto (no caso, "uma ponta") sem qualquer constrangimento, quando era necessário (o que só aconteceu duas vezes).

A família da dona Helena (a de Tróia) é lixada e, tal como acontece com todas as histórias gregas, é cheia de nomes que puxam outros nomes até chegar a um ponto onde nos podemos sentir um bocado perdidos. Não tivessem os Gregos chegado antes dos Russos e diria que lhes tinham copiado o gosto por enfiar metade da população mundial nos eventos. Mas, "Rancor" é uma peça portuguesa, da autoria de Hélia Correia. Percebi-o no fim e soube-me muito bem a notícia. Parece que tudo aquilo conseguia sempre melhorar um bocadinho mais.

Resultado final, após 100 kms de viagem e turismo: gostei muito e fico à espera do próximo espectáculo!

Ah!... e para quem diz que a cultura é cara, digo que o bilhete para este quase serão em família custou a "fortuna" de cinco euros.

Um processo de má qualidade

Gosto de descobrir teatros onde nunca pensaria que eles existissem. São caves, garagens, galerias aproveitadas por grupos independentes para montarem os seus espectáculos. Gosto da sensação de entrar numa espécie de mundo paralelo, invisível da rua, sem cartazes, sem néons, numa ausência de sinais que só aumenta a surpresa de quem chega pela primeira vez. E gosto de um bom espectáculo, seja ele no teatro nacional ou num vão de escada.

O prato desta Sexta-Feira foi a peça "O processo" baseada no texto homónimo de Franz Kafka, trazida a cena pelo grupo Gota - Teatro Oficina. O local foi um rés-do-chão na Calçada do Correio Velho (Lisboa), local que eu desconhecia até de nome, quanto mais saber que havia ali uma sala de teatro...

À chegada, fico a saber que o grupo responsável pela peça é o mesmo que levou à cena no Institute Franco-Portugais uma xaropada sobre a vida do Marquês de Sade da qual só se aproveitava a nudez de uma atraente actriz (macho é macho, vão desculpar-me...). O benefício da dúvida foi invocado e predispus-me a não alinhar em preconceitos. Mas, quando a peça começou...

Tentemos ver a coisa por comparação: na noite anterior, no Teatro Meridional (que é um armazém arranjado), por dez euros, eu vi uma bela peça, com actores competentes, bem sentado, com café à descrição, casas de banho impecáveis... Hoje, pelos mesmos dez euros, eu vi um grupo amador, numa sala onde nem ventilação havia, onde os assentos não tinham costas e a casa de banho era (como dizia o letreiro) unissexo e... porca! (nem havia com que limpar as mãos). Assim, não vale a pena!
Para compensar há a piada de estar a urinar e a ouvir os actores a prepararem-se e a mandarem bocas aos colegas...

Mas, tudo poderia ser desculpável se a peça fosse boa. Ora, o principal problema do espectáculo é que a personagem principal é representada por um não-actor. Chamo-lhe assim porque, se dissesse que ele era actor, teria de gastar três parágrafos a explicar o quão mau alguém pode ser, o quão inexpressivo, incompetente a transmitir emoções e - até -, ridículo pode parecer um indivíduo sem a mínima capacidade para representar que vá além de decorar um texto (nisso invejo-o, ainda assim). Para poupar trabalho a mim mesmo, invento esta coisa do não-actor para catalogar alguém cuja única ideia de representação é crispar as mãos sempre que a cena exige mais entrega. Ao fim de vinte minutos percebe-se que ou o não-actor tem um problema de artrite ou, pura e simplesmente, devia escolher outra qualquer actividade.

De todo o grupo, apenas se salva a intérprete feminina, senhora de formas apetecíveis mas, sobretudo, demonstradora de capacidade técnica para subir a um palco. O resto, é paisagem. E, como se não bastasse a falta de talento do intérprete principal, o encenador ainda resolveu que a peça devia ter uma banda sonora. Se esta em si já seria dispensável (tal como era na peça sobre Sade), adiciona-se ao erro a má escolha dos temas (em nada servindo para realçar a "mensagem") e o facto de, por vezes, a música quase abafar a voz do não-actor (e eu estava na primeira fila!).

Em suma, este espectáculo é perfeitamente evitável.

P.S. - por necessidades "cénicas", para que em dado momento uma personagem pudesse apontar para um casal e dizer qualquer coisa do tipo "temos convidados", duas pessoas foram obrigadas a ver a peça toda sentadas ao fundo do palco, ou seja, viram-na de lado e por trás. Incrível!