Vontade de chatear (13)

Suponho que, se fossem perguntar a este automobilista a razão de estar a ocupar com o seu popó toda a área de estacionamento reservada às motas ali para os lados das Picoas ele alegaria que:

1) ao Domingo de manhã é dificílimo estacionar em Lisboa
2) é daltónico e não consegue ver o chão pintado de amarelo
3) o boneco representando um homem sobre uma mota podia ser um grafitti
4) não resiste a a ver uns pinos que tem logo de se meter no meio deles
5) o parque de estacionamento que há ali perto é só para quem quer ir ao cinema
6) anda a trabalhar e não é nenhum burguês
7) é pobre, mal casado e o patrão bate-lhe
8) toda a vida quis ter uma mota mas o pai não deixou
9) anda sobre quatro rodas mas tem alma de "motard"
10) ligou os piscas e isso desculpa-o de tudo

Se isto não é vontade de chatear os outros, é o quê?

O Porto está vivo!

Cavalgando a recente novidade dos casamentos homossexuais, a Câmara Municipal do Porto decidiu apelar ao espírito inovador, tolerante e aberto que marca a capital do concelho do Porto e instituir os "Noivos de São João".

Esta iniciativa enquadra-se numa sã concorrência com a capital do país e visa estabelecer pontes de solidariedade que permitam aos casais "gay" o acesso à felicidade em moldes iguais aos dos pares mais conservadores patrocinados pelo santo alfacinha de nome António e conhecido popularmente na zona de Alfama por "Tó Santo".

Indagado o presidente da edilidade nortenha sobre se isto seria uma resposta à partida dos aviões da Red Bull para Lisboa, Rui Rio escusou-se a alimentar polémicas declarando apenas que "Mais uma vez, Lisboa está atrás e é assim que gostamos".

Da parte das forças vivas da cidade vizinha de Gaia, as reacções não poderiam ser mais positivas tendo a Associação Comercial do Porto desmarcado o boicote por si promovido à Red Bull, EDP, Galp, Santa Casa da Misericórdia, Associação de Cegos de Portugal e Federação Nacional de Filatelia com base na necessidade de desanuviamento das relações entre as duas cidades. "Nunca estivemos contra Lisboa, apenas achámos nojenta a atitude do monhé que manda naquela cidade marroquina", afirmou o presidente da associação que avançou até com um "slogan" para a iniciativa: "Beba um Porto e case com um roto".

Também a população portuense está entusiasmada com os "Noivos de São João" e sente que esta é a grande oportunidade de a cidade dar a volta e afirmar-se. "É importante que nos assumamos como cidade de ponta" proclamou orgulhosamente Roberto Baibém, um empresário de restauração na zona da Ribeira. "O Porto dá a cara e tudo mais para mostrar ao mundo o que realmente é", continuou o mesmo Baibém enquanto atendia uns turistas estrangeiros vindos do sul. "O país julga que nos pode guardar num armário mas nós vamos saltar cá para fora!", concluiu o empresário.

A hipótese de Lisboa promover um acontecimento semelhante por forma a roubar o protagonismo internacional que se espera a Invicta venha a ter é descartada por António Costa (o presidente da CML) que, aliás, manifestou o desejo de ajudar a CMP na organização do evento já que é conhecida a experiência do santo lisboeta em assuntos de bilhas partidas.

Mas, nem tudo são mares de rosas no Porto. A ILGA e a Opus Gay já vieram a público recusar a atitude condescendente da CMP exigindo que os casamentos joaninos incluam igualmente casais heterossexuais "Nem que os tenham de ir buscar a Guimarães!". Para as associações de defesa dos direitos dos homossexuais, é inaceitável a "guetização" dos matrimónios e a sua manipulação para fins políticos e turísticos. Por outro lado, o Bloco de Esquerda condenou vivamente a figura de São João que considerou "um lobo com pele de cordeiro".

Apesar destas reacções dos sectores homoactivistas, Rui Rio está esperançado em que tudo corra bem e adiantou alguns pormenores sobre as festividades: Desfile pela Av. dos Aliados, casamentos na Sé celebrados pelo Papa da cidade e, finalmente, copo de água no Palácio de Cristal que, contrariando o seu nome, será tapado para formar o maior quarto escuro de sempre. "Teremos cá um funcionário do Guiness para oficializar o record" sublinhou o Presidente da Câmara.

A segurança do evento estará a cargo de "uns rapazes de Gaia".

É neste espírito empreendedor que se têm vivido os últimos dias na capital do trabalho, com as autoridades preparando dossiês de promoção da cidade e realizando um sem número de contactos por forma a maximizar a "experiência portuense" de todos os que se desloquem à urbe para casar. "Já temos um símbolo para os Noivos de São João" - declarou Mirinda Catraia, a responsável pelo departamento de turismo da câmara - "Estávamos indecisos entre o edifício da Câmara e a Torre dos Clérigos mas optámos pelo primeiro porque está mais acompanhado dos lados e é um óptimo símbolo do que esta cidade é".

Relativamente à data em que os casamentos se irão realizar, a única certeza até ao momento é de que ocorrerão posteriormente à tradicional festa de São João já que nessa pretende-se que toda a gente possa martelar sem constrangimentos.

Segurança no trabalho, mano

:)

Vontade de chatear (12)

Pareceria difícil de acreditar se eu, porventura, fosse marciano mas, sendo de cá, já começo a alinhar na política do sorriso amarelo e do "não há nada a fazer"...

Este carro estava parado na zona da Lapa, no meio da estrada, bloqueando a passagem ao eléctrico, para que o seu dono fosse ao multibanco que está logo ali.

O que vale é que ligou os quatro piscas, essa maneira tão nossa de dizer "Cago em ti mas cumpro o código!".

Se isto não é vontade de chatear os outros, é o quê?

Checkpoint Galp

Não sei se será influência das notícias sobre as guerras com o petróleo como fundo mas esta bomba da Galp, ali na Av. Frei Miguel Contreiras (ou o frade que nunca existiu), parece mesmo um daqueles checkpoints militares. Só lá faltam os fuzileiros.

Se calhar, o melhor era mesmo chamar a tropa para guardar o local porque, se os proprietários sentem esta necessidade de barrar o acesso às bombas, é porque aquilo devia ser uma guerra fora de horas...

Entendam-se lá, por favor!

Este é um daqueles casos em que o transeunte fica sem saber que reação ter: rir ou pasmar?

Este prédio, situado na Costa do Castelo, pouco antes ou pouco depois do Teatro Taborda tem o destino dividido entre a Câmara Municipal de Lisboa e a Assembleia Municipal de Lisboa. Uma diz que sim, a outra diz que vai pensar. Ambas deviam trabalhar para o mesmo mas, pelos vistos, andam às turras. Enquanto isso, o prédio e os seus moradores, que fiquem esperando que as comadres façam as pazes...

Uma estrada alegre



Ora digam-me lá se esta pintura da estrada que passa junto ao Centro de Arte Moderna da Gulbenkian não é uma verdadeira alegria?

Contra o cinzentismo, pintar! Bolas e bolinhas de todas as cores, vida ao alcatrão, alegria ao volante!

Se todas as estradas fossem assim, aposto que havia muito menos acidentes. As criancinhas também chateavam menos nas viagens porque podiam ir entretidas a contar quantos milhões de bolas até chegar a casa :)

Vontade de chatear (11)

Neste caso de tuguismo põem-se várias hipóteses:

1) o condutor é analfabeto
2) o condutor não conhece os sinais
3) o condutor está embriagado
4) o condutor é uma besta quadrada
5) todas as anteriores

Se isto não é vontade de chatear os outros, é o quê?

Quando falou, saiu disparate

As palavras do Dunga acerca dos jogadores brasileiros na Selecção Nacional causaram-me uma desilusão do caraças. Toda a vida tive o Dunga como o meu anão preferido e, quando finalmente o ouço falar... sai disparate!

Entusiasmo q.b.

Os jornalistas têm destas coisas: umas vezes ignoram olimpicamente notícias da maior importância; outras, dão-se ao luxuoso entusiasmo de colocarem a mesma notícia três vezes na primeira página de um site. É o caso do texto relativo à vitória do Porto sobre o Atlético de Madrid (vejam a foto ao lado).

Entusiasmos (ou distrações à parte), o FCP aviou três secos nos madrilenos (um por notícia, já se vê) e pos muita gente à beira da euforia, aquele estado de alma onde não se consegue perceber a verdadeira noção das coisas: o campeão português derrotou um clube espanhol de segunda categoria no que parecia uma espécie de cimeira ibero-americana onde, no meio de uma multidão de hispânicos, havia duas ou três pessoas capazes de se expressarem em língua de gente. O desporto de clubes tem destas coisas: contrata-se uma batelada de sul-americanos (que fazem birra de não falar Português) e, depois, apregoa-se a grandeza da cidade, da região, do país, como se toda aquela estrangeirada representasse qualquer coisa mais do que o patrão que lhes paga o ordenado...

Enfim, viva o Porto que é o nosso único orgulho em termos de clubes de futebol e abaixo os seus adeptos que, como de costume, passam mais tempo a discutir picardias saloias com os outros clubes, bairrismos pacóvios com os outros compatriotas e outras doentias emanações dos "verdadeiros portugueses" do que, propriamente, a comemorarem as suas justas vitórias... Uma tristeza.