Vontade de chatear (14)

A Securitas é uma conhecida e antiga empresa de segurança. Como empresa honesta que é, a Securitas leva muito a sério a segurança dos seus clientes. Já os outros, os que não lhe pagam, têm tratamento diferente. Observe-se a forma como este brioso "agente" da empresa estacionou o seu carro na Av. Alias Garcia, à noite. Da ponta do carro ao caixote do lixo vão dez centímetros, o suficiente para um contorcionista passar mas muito pouco para que os peões possam circular no passeio que, afinal, devia ser para eles. Como não pagam à Securitas, têm de caminhar na estrada e exporem-se a levarem uma trancada dos carros que passam. Tudo porque o agente da "Vigilância Mobile" (exactamente, não leram mal) não esteve para deixar o carro num dos muitos lugares de estacionamento da zona, às 22:00 de um Sábado e achou que uma coisa é ele ser "mobile", outra coisa é ter de andar meia-dúzia de metros até chegar ao carro.

Como de costume, o tuga ligou os quatro piscas, para que a sua conscienciazinha abrutalhada se sentisse descansada.

Se isto não é vontade de chatear os outros, é o quê?

Um médico às direitas!

Andava eu folheando umas revistas com sessenta anos quando deparei com este anúncio. Não só vemos um médico a fumar (nada de especial, é certo) como ele até nos aconselha uma marca em especial: Camel. Espíritos céticos apontariam aqui um qualquer trocadilho maroto mas eu prefiro ver neste médico um homem bom preocupado com o nosso bem-estar mental, um seguidor das teorias holísticas que aconselham a olhar para os doentes como um todo e não apenas a olhar para um paciente como um fígado, uns pulmões, uns joanetes...

Este médico americano de antanho é um modelo que devia ser seguido, alguém que nos conforta e apoia nos nossos pequenos vícios, um porreiraço que nos abraça e diz "Gosta de doces? Enfarde-se neles, homem!", que percebe a complexidade da alma humana e a aceita - "É boa a pinga, não é? Beba mais um, vá lá...", que entende a incontornabilidade (pausa para respirar) dos pequenos prazeres mundanos - "Cerveja e amendoins, meu amigo, sempre ao sofá!", que não se compraz na tortura dos nossos corpos mas que procura o seu conforto - "Cansa-se na ginástica? É porque lhe faz mal." Isto sim, eram bons médicos, os que os americanos tinham.

Depois, vieram uns chatos e acabaram com a festa.

Acompanhantes incluídas?

Oh pá, eu sempre quis ir num cruzeiro! E, ainda por cima, andam para aí uns que até têm um preço em conta. Mas, como solteirão que sou, se for apresentar-me na agência de viagens pedindo um bilhete aplicam-me logo com uma taxa especial como castigo de não levar companhia. Sim que isto de barcos, hotéis e até casas está pensado para casais. Se não houver cara-metade - paciência -, fica mais caro.

Mas eis que o génio humano (e o aperto da crise) descobrem a solução: acompanhante grátis! Foi esta a brilhante solução para quem conversa com a sombra que uma empresa turística descobriu. Ou assim me fez pensar o meu espírito fantasioso quando deparei com o cartaz que aqui se mostra. Por breves instantes imaginei-me em frente ao funcionário da agência pedindo um cruzeiro e o catálogo das acompanhantes. Mais difícil do que decidir o destino da viagem seria escolher a companhia. Ah, que a baba já escorria na antecipação da viagem mas... eis que olho para umas letrinhas pequenas e tudo se desmorona: a acompanhante tem mesmo de ser fornecida por nós - eles só não lhe cobram pela passagem...

Ora bolas, fico novamente em terra vendo os navios passar!

Vontade de chatear (13)

Suponho que, se fossem perguntar a este automobilista a razão de estar a ocupar com o seu popó toda a área de estacionamento reservada às motas ali para os lados das Picoas ele alegaria que:

1) ao Domingo de manhã é dificílimo estacionar em Lisboa
2) é daltónico e não consegue ver o chão pintado de amarelo
3) o boneco representando um homem sobre uma mota podia ser um grafitti
4) não resiste a a ver uns pinos que tem logo de se meter no meio deles
5) o parque de estacionamento que há ali perto é só para quem quer ir ao cinema
6) anda a trabalhar e não é nenhum burguês
7) é pobre, mal casado e o patrão bate-lhe
8) toda a vida quis ter uma mota mas o pai não deixou
9) anda sobre quatro rodas mas tem alma de "motard"
10) ligou os piscas e isso desculpa-o de tudo

Se isto não é vontade de chatear os outros, é o quê?

O Porto está vivo!

Cavalgando a recente novidade dos casamentos homossexuais, a Câmara Municipal do Porto decidiu apelar ao espírito inovador, tolerante e aberto que marca a capital do concelho do Porto e instituir os "Noivos de São João".

Esta iniciativa enquadra-se numa sã concorrência com a capital do país e visa estabelecer pontes de solidariedade que permitam aos casais "gay" o acesso à felicidade em moldes iguais aos dos pares mais conservadores patrocinados pelo santo alfacinha de nome António e conhecido popularmente na zona de Alfama por "Tó Santo".

Indagado o presidente da edilidade nortenha sobre se isto seria uma resposta à partida dos aviões da Red Bull para Lisboa, Rui Rio escusou-se a alimentar polémicas declarando apenas que "Mais uma vez, Lisboa está atrás e é assim que gostamos".

Da parte das forças vivas da cidade vizinha de Gaia, as reacções não poderiam ser mais positivas tendo a Associação Comercial do Porto desmarcado o boicote por si promovido à Red Bull, EDP, Galp, Santa Casa da Misericórdia, Associação de Cegos de Portugal e Federação Nacional de Filatelia com base na necessidade de desanuviamento das relações entre as duas cidades. "Nunca estivemos contra Lisboa, apenas achámos nojenta a atitude do monhé que manda naquela cidade marroquina", afirmou o presidente da associação que avançou até com um "slogan" para a iniciativa: "Beba um Porto e case com um roto".

Também a população portuense está entusiasmada com os "Noivos de São João" e sente que esta é a grande oportunidade de a cidade dar a volta e afirmar-se. "É importante que nos assumamos como cidade de ponta" proclamou orgulhosamente Roberto Baibém, um empresário de restauração na zona da Ribeira. "O Porto dá a cara e tudo mais para mostrar ao mundo o que realmente é", continuou o mesmo Baibém enquanto atendia uns turistas estrangeiros vindos do sul. "O país julga que nos pode guardar num armário mas nós vamos saltar cá para fora!", concluiu o empresário.

A hipótese de Lisboa promover um acontecimento semelhante por forma a roubar o protagonismo internacional que se espera a Invicta venha a ter é descartada por António Costa (o presidente da CML) que, aliás, manifestou o desejo de ajudar a CMP na organização do evento já que é conhecida a experiência do santo lisboeta em assuntos de bilhas partidas.

Mas, nem tudo são mares de rosas no Porto. A ILGA e a Opus Gay já vieram a público recusar a atitude condescendente da CMP exigindo que os casamentos joaninos incluam igualmente casais heterossexuais "Nem que os tenham de ir buscar a Guimarães!". Para as associações de defesa dos direitos dos homossexuais, é inaceitável a "guetização" dos matrimónios e a sua manipulação para fins políticos e turísticos. Por outro lado, o Bloco de Esquerda condenou vivamente a figura de São João que considerou "um lobo com pele de cordeiro".

Apesar destas reacções dos sectores homoactivistas, Rui Rio está esperançado em que tudo corra bem e adiantou alguns pormenores sobre as festividades: Desfile pela Av. dos Aliados, casamentos na Sé celebrados pelo Papa da cidade e, finalmente, copo de água no Palácio de Cristal que, contrariando o seu nome, será tapado para formar o maior quarto escuro de sempre. "Teremos cá um funcionário do Guiness para oficializar o record" sublinhou o Presidente da Câmara.

A segurança do evento estará a cargo de "uns rapazes de Gaia".

É neste espírito empreendedor que se têm vivido os últimos dias na capital do trabalho, com as autoridades preparando dossiês de promoção da cidade e realizando um sem número de contactos por forma a maximizar a "experiência portuense" de todos os que se desloquem à urbe para casar. "Já temos um símbolo para os Noivos de São João" - declarou Mirinda Catraia, a responsável pelo departamento de turismo da câmara - "Estávamos indecisos entre o edifício da Câmara e a Torre dos Clérigos mas optámos pelo primeiro porque está mais acompanhado dos lados e é um óptimo símbolo do que esta cidade é".

Relativamente à data em que os casamentos se irão realizar, a única certeza até ao momento é de que ocorrerão posteriormente à tradicional festa de São João já que nessa pretende-se que toda a gente possa martelar sem constrangimentos.

Segurança no trabalho, mano

:)

Vontade de chatear (12)

Pareceria difícil de acreditar se eu, porventura, fosse marciano mas, sendo de cá, já começo a alinhar na política do sorriso amarelo e do "não há nada a fazer"...

Este carro estava parado na zona da Lapa, no meio da estrada, bloqueando a passagem ao eléctrico, para que o seu dono fosse ao multibanco que está logo ali.

O que vale é que ligou os quatro piscas, essa maneira tão nossa de dizer "Cago em ti mas cumpro o código!".

Se isto não é vontade de chatear os outros, é o quê?

Checkpoint Galp

Não sei se será influência das notícias sobre as guerras com o petróleo como fundo mas esta bomba da Galp, ali na Av. Frei Miguel Contreiras (ou o frade que nunca existiu), parece mesmo um daqueles checkpoints militares. Só lá faltam os fuzileiros.

Se calhar, o melhor era mesmo chamar a tropa para guardar o local porque, se os proprietários sentem esta necessidade de barrar o acesso às bombas, é porque aquilo devia ser uma guerra fora de horas...

Entendam-se lá, por favor!

Este é um daqueles casos em que o transeunte fica sem saber que reação ter: rir ou pasmar?

Este prédio, situado na Costa do Castelo, pouco antes ou pouco depois do Teatro Taborda tem o destino dividido entre a Câmara Municipal de Lisboa e a Assembleia Municipal de Lisboa. Uma diz que sim, a outra diz que vai pensar. Ambas deviam trabalhar para o mesmo mas, pelos vistos, andam às turras. Enquanto isso, o prédio e os seus moradores, que fiquem esperando que as comadres façam as pazes...