GNR contra Emanuel


Lisboa
Cada um tem aquilo que merece.


Porto
Fim de ano: as duas maiores cidades do país preparam as suas festas para distrair a população. Lisboa agenda o maior grupo rock nacional (Xutos & Pontapés) e o Porto não se deixa ficar para trás e contrata o absolutamente estrondoso Emanuel, o homem que deu nome àquele estilo musical saloio com que toda a gente gozava e para o qual ninguém tinha um nome certo e decente.

Os reis do rock contra o rei da música pimba!

Provavelmente, tudo isto não passou de mais uma jogada maquiavélica da Câmara Municipal de Lisboa mas, aí, já estamos a entrar na teoria da conspiração. Certo, certo é que os Xutos & Pontapés cancelaram a participação por doença do Zé Pedro e a CML - agora, sim, numa jogada diabólica -, foi buscar os GNR ao Porto!

Sim, porque a cidade que tem os GNR, os Clã, os Azeitonas e mais umas quantas coisas interessantes, para a festa de fim de ano só se lembrou de dar à população uma grande pimbalhada!

Talvez o Emanuel faça parte dos planos para a promoção turística do Porto, sei lá, e a gente cá em baixo é que não percebe...

W.A.S.P. - Wild child



Anos 80, sempre os anos 80... Costumava ouvir isto com as colunas da aparelhagem (hifi) encostadas aos ouvidos, como se fossem auscultadores (fones). E que bem que sabia!

Para os mais novos (teenagers), que se perguntam quem raio são estes foleirões que aparecem no teledisco (videoclip), eu respondo que são os W.A.S.P. (ou WASP), uma banda de Heavy Metal muito à americana que usava de bastante provocação para se afirmar. Mas, ao contrário do que acontece com tanto artista, estes também sabiam fazer grandes músicas.

Embora algumas pessoas mais esclarecidas possam pensar que W.A.S.P. vem de "White Anglo Saxon Protestants" o nome vem sim de "We Are Sexual Perverts". Se o eram ou não, isso era lá com eles mas de certeza que gozavam bastante a vida :)

Os W.A.S.P. ainda vivem, embora sejam uma sombra do que eram nesta altura. Ainda assim, vale a pena ouvir algumas coisas. Para já, para aguçar a curiosidade, fica aqui este Wild Child.

A arte de complicar

"Ó pessoal, vamos ao teatro amanhã?" - pergunto eu. "Pode ser..." - respondem-me. E eis que me lanço à aparentemente fácil tarefa de comprar quatro bilhetes para a magnífica Companhia Teatral do Chiado. Até aqui, nada de especial...

Mas a CTC, agora, vende os seus bilhetes através de um serviço externo e isto implica, desde logo, não poder apresentar bilhetes antigos e com isso conseguir um desconto MUITO simpático. Paciência, fica mais caro mas é Natal.

Chega-se à altura de pagar e eis que o serviço de bilhetes cobra 6% sobre o total. A coisa acaba de ficar ainda mais cara. Paciência, que é Natal.

Acaba-se a encomenda (já com dois encarecimentos) e é-nos apresentado um écran informando de que temos de imprimir os bilhetes. Sim, não basta um email para levantar os papelinhos, ou um SMS para conferência no local (como na CP), ou um SMS com códigos de barras (como no Benfica). Não, temos de imprimir os bilhetes e tem de ser uma folha para cada um. Terceiro encarecimento, portanto. Como os bilhetes são grandes e muito coloridos, se um tipo se descuida, a coisa ainda implica mais gastos.

Até aqui, falou-se de gastos extras pelo luxo de comprar uns bilhetes na internet. Agora, vamos ao resto...

A impressora da casa dos meus familiares não tem ligação sem fios. Isso implica que eu pegue no meu portátil e vá até à sala onde está a dita. Quando lá chego, a máquina precisa de ser instalada no meu computador. O Windows não tem os drivers e é preciso puxá-los da internet. Na sala da impressora o sinal é muito fraco e tenho de regressar à origem para ter ligação à net. Uma vez aí, apesar da ligação, os drivers não são puxados e a coisa não fica instalada. Não há problema: mando um email para o meu tio (que está sentado ao meu lado) para que ele vá com o seu portátil à salinha da impressora para imprimir os bilhetes.

O assunto parecia bem encaminhado mas eis que a impressora só tem tinta preta e recusa-se a imprimir a preto e branco. O que fazer? O meu primo oferece-se para imprimir os bilhetes no seu quarto. O meu tio envia-lhe então um email com o PDF dos bilhetes (que já anda a passear em três contas...).

Chegado ao seu quarto,o meu primo repara que, como tinha formatado o seu PC ontem, também precisa de instalar a sua impressora. De caminho, nota que precisará, igualmente, de instalar o Adobe Reader.

Resultado, para ter os bilhetes para o teatro (muito mais caros), foram precisas três pessoas, três contas de correio eletrónico, duas impressoras, três computadores e mais de uma hora de trabalho.

É Natal, é o que vale.

Estou preparado!

Já estou preparado para a ceia de Natal. Não, não comprei um bife para poder fugir ao bacalhau mas muni-me de outras coisas que podem servir para animar o serão: uma garrafa de Vinho do Pico (que me custou o mesmo que várias de vinho de mesa - espero que valha a pena!) e outra de um licor madeirense que promete fazer furor, à base de rum, mel e maracujá. Para quem isto não seja suficiente, ainda há uma "pasta" de pistaccio, comprada numa pastelaria árabe.

A vantagem de aparecermos com comes-e-bebes (quanto menos comuns, melhor) é que podemos sempre dizer "Eh pá, não trouxe prendas mas trago aqui umas coisas boas" e com isto descartamo-nos à secante obrigação social de andar a comprar prendinhas para este e para aquele, situação que se torna patética quando temos de dar merdinhas só para não ficar mal na fotografia no que respeita aos convidados que mal conhecemos ou com quem não temos confiança nenhuma. No topo das prendas tristemente ridículas estão as caixas com velinhas...

Portanto, quando a televisão estiver ligada num qualquer canal de futebol e os machos da família se deleitarem a discutir os assuntos da quadra (i.e., o Benfica-Porto ou o Benfica-Cascalheira ou ainda o Benfica-NãoSeiQuem), eu falo com as garrafas. É capaz de ser divertido!

Entretanto, reparei que já tive a minha primeira prenda de Natal na forma de dois novos "sócios" deste blog. À vossa!

Amália no CCB

A foto ao lado podia ser o Calçadão de Copacabana ("moderna" obra nossa no Brasil) mas não é: é a alcatifa que cobre o chão da entrada da exposição "Amália", no CCB. Se este enorme tapete nos dá vontade de ser miúdos e desatar às cambalhotas, o melhor é mesmo conter os impulsos juvenis e guardar os nossos sentidos para o que se segue: uma enorme exposição dedicada à diva do Fado, assente em imagem e som, onde podemos contemplar todo o tipo de recordações ligadas a essa voz espantosa que cantou o nosso país mas que, infelizmente, também se dedicou a umas saloíces estrangeiradas às quais - a meu ver, mal - a exposição dá demasiado destaque. Podem dizer que é preconceito meu mas não me agrada caminhar por aquele espaço de homenagem a um ícone nacional e ouvir o "perompopero" (ou como é que se chama aquilo) abafar jóias da música a que se convencionou chamar "a música de Portugal". Nem o "perompopero", nem o "toro y la luna", nem uma qualquer coisa italiana que até tem direito a uma sala própria...

Pode-se alegar que as espanholices e outras "ices" de Amália fazem parte da sua carreira (e é verdade), que elas contribuiram para parte do seu êxito lá fora (igualmente verídico) mas há um sentido de prostituição artística e traição às raizes que me desagrada profundamente mesmo que as canções estrangeiras fossem adaptadas à sonoridade do fado. Afinal, se Amália era procurada inicialmente, não seria por causa das concessões aos internacionalismos mas sim pelo que de genuinamente português apresentava. Mas, sendo tão portuguesa, Amália tinha aquele gene de falta de orgulho que nos leva a querer corresponder ao interesse alheio não com um reforçar da nossa identidade mas sim com a apropriação parola dos traços de quem elogia.

Críticas à parte, vale a pena vaguearmos por ali, olhando as fotografias, ouvindo as canções - que até têm direito a uma enorme sala de audição onde apetece ficar deitado nas plataformas almofadadas contemplando um "paredão" de cortinas vermelhas onde duas pequenas colunas nos enchem com música (e, mais uma vez, estrangeirices metidas à pressão) -, passando pelo meio dos três gigantescos corações minhotos (a notável obra "Coração Independente") que rodopiam incessantemente numa sala só sua ou abrindo as gavetas com objectos pessoais e onde se descobrem simples e emocionantes cartas da cantora... enfim, sentindo, vendo e ouvindo Amália.

Numa salinha a um canto, a vocação "moderna" do Museu Berardo deixou espaço para que artistas expusessem obras cuja temática fosse Amália Rodrigues. É um espaço a evitar - felizmente pequeno -, já que a mediocridade das obras é por demais evidente num claro contraste com outras "homenagens" de qualidade como a do projecto "Amália Hoje" (que, curiosamente, também caiu na tentação da estrangeirice ao enfiar no disco com uma versão do tema "L'important c'est la rose" - para quê?!).

Como de costume no Museu Berardo, a entrada é gratuita. Não há desculpas para faltar.

Devaneios hormonais

Esta rapariga (Rita Carmo), não só é talentosa como, ainda por cima, tem aquele "je ne sais quoi" que, de vez em quando me lembra de que as mulheres podem valer a nossa paciência...

Impõe-se uma sessão fotográfica com a... fotógrafa. Agradece-se, sim?

Vontade de chatear (14)

A Securitas é uma conhecida e antiga empresa de segurança. Como empresa honesta que é, a Securitas leva muito a sério a segurança dos seus clientes. Já os outros, os que não lhe pagam, têm tratamento diferente. Observe-se a forma como este brioso "agente" da empresa estacionou o seu carro na Av. Alias Garcia, à noite. Da ponta do carro ao caixote do lixo vão dez centímetros, o suficiente para um contorcionista passar mas muito pouco para que os peões possam circular no passeio que, afinal, devia ser para eles. Como não pagam à Securitas, têm de caminhar na estrada e exporem-se a levarem uma trancada dos carros que passam. Tudo porque o agente da "Vigilância Mobile" (exactamente, não leram mal) não esteve para deixar o carro num dos muitos lugares de estacionamento da zona, às 22:00 de um Sábado e achou que uma coisa é ele ser "mobile", outra coisa é ter de andar meia-dúzia de metros até chegar ao carro.

Como de costume, o tuga ligou os quatro piscas, para que a sua conscienciazinha abrutalhada se sentisse descansada.

Se isto não é vontade de chatear os outros, é o quê?

Um médico às direitas!

Andava eu folheando umas revistas com sessenta anos quando deparei com este anúncio. Não só vemos um médico a fumar (nada de especial, é certo) como ele até nos aconselha uma marca em especial: Camel. Espíritos céticos apontariam aqui um qualquer trocadilho maroto mas eu prefiro ver neste médico um homem bom preocupado com o nosso bem-estar mental, um seguidor das teorias holísticas que aconselham a olhar para os doentes como um todo e não apenas a olhar para um paciente como um fígado, uns pulmões, uns joanetes...

Este médico americano de antanho é um modelo que devia ser seguido, alguém que nos conforta e apoia nos nossos pequenos vícios, um porreiraço que nos abraça e diz "Gosta de doces? Enfarde-se neles, homem!", que percebe a complexidade da alma humana e a aceita - "É boa a pinga, não é? Beba mais um, vá lá...", que entende a incontornabilidade (pausa para respirar) dos pequenos prazeres mundanos - "Cerveja e amendoins, meu amigo, sempre ao sofá!", que não se compraz na tortura dos nossos corpos mas que procura o seu conforto - "Cansa-se na ginástica? É porque lhe faz mal." Isto sim, eram bons médicos, os que os americanos tinham.

Depois, vieram uns chatos e acabaram com a festa.

Acompanhantes incluídas?

Oh pá, eu sempre quis ir num cruzeiro! E, ainda por cima, andam para aí uns que até têm um preço em conta. Mas, como solteirão que sou, se for apresentar-me na agência de viagens pedindo um bilhete aplicam-me logo com uma taxa especial como castigo de não levar companhia. Sim que isto de barcos, hotéis e até casas está pensado para casais. Se não houver cara-metade - paciência -, fica mais caro.

Mas eis que o génio humano (e o aperto da crise) descobrem a solução: acompanhante grátis! Foi esta a brilhante solução para quem conversa com a sombra que uma empresa turística descobriu. Ou assim me fez pensar o meu espírito fantasioso quando deparei com o cartaz que aqui se mostra. Por breves instantes imaginei-me em frente ao funcionário da agência pedindo um cruzeiro e o catálogo das acompanhantes. Mais difícil do que decidir o destino da viagem seria escolher a companhia. Ah, que a baba já escorria na antecipação da viagem mas... eis que olho para umas letrinhas pequenas e tudo se desmorona: a acompanhante tem mesmo de ser fornecida por nós - eles só não lhe cobram pela passagem...

Ora bolas, fico novamente em terra vendo os navios passar!