Falsos moralismos

O escândalo está instalado entre as pessoas "de coração": três dias depois do terramoto no Haiti um navio de cruzeiro da Royal Carabbean atracou numa estância balnear no norte da ilha e fez uma escala de pouco menos de 24h. Segundo o jornal Público, um passageiro "habitual" terá dito qualquer coisa como...

Já era difícil alguém sentar-se a fazer um piquenique sabendo que haitianos estavam ali ao pé a passar fome. Não consigo imaginar como pode alguém agora engolir um hambúrguer naquela praia


Saltando sobre a estranha (mas invejável) condição de passageiro "habitual", o que me deixa perplexo é este básico e falso moralismo que leva as pessoas a encararem como algo de condenável o facto de as estruturas "vivas" continuarem precisamente assim e não se remeterem a um luto estéril que só teria como consequência agravar a já penosa situação do país acrescentando à fome, doença e miséria generalizadas, o desemprego dos sobreviventes.

Os moralistas chocam-se com a frieza dos negócios e com o aparente desdém com que os privilegiados que podem andar a fazer cruzeiros pelas Caraíbas encaram a situação no Haiti. Só que cada barco que atraca para que uns milhares de "barrigudos" rebolem para o cais para se irem empaturrar de hamburgueres (lamenta-se que seja esse o horizonte gastronómico do passageiro "habitual"), comprar missangas e tirar fotografias a uma qualquer beleza natural, representa a garantia de que centenas ou milhares de haitianos não terão de passar fome e ir pedinchar às ONG's e exércitos estrangeiros umas embalagens de qualquer coisa que os impeça de se tornarem em versões mais ou menos reais do mais conhecido produto nacional: os mortos-vivos.

Os falsos moralismos são assim: apanham-se facilmente na rede de demagogia que tecem.

O Haiti é já ali... e Cuba também!

Podem acusar-me de cinismo mas quando olho para o mapa das Caraíbas e me lembro do que está acontecendo no Haiti, fico logo com a impressão de que a pressa americana em enviar dezenas de milhares de soldados para aquela comédia de país tem muito pouco a ver com questões humanitárias e bastante a ver com assuntos de estratégia. É que o Haiti está a um pulinho de Cuba: da base americana de Guantanamo (em Cuba) atè à metade ocidental da ilha Hispaniola, vão menos de 200km!

Do ponto de vista dos interesses americanos, a oportunidade é soberba! O Haiti é um estado-fantoche, sem qualquer capacidade de reação em condições normais (e muito menos no caos em que se encontra) e não é hostil aos EUA. Cuba, pelo contrário, é o grande inimigo regional do Tio Sam. A base naval em Guantanamo é um absurdo que, mais tarde ou mais cedo, teria de terminar. Conseguindo assegurar uma posição no Haiti, os EUA podem mandar encerrar a base em Cuba, aparecendo Obama como um campeão do desanuviamento das relações entre os dois países. Ao mesmo tempo, as limitações de espaço e operacionalidade existentes em Guantanamo deixam de existir, podendo as forças americanas espraiarem-se no local - ou locais -, que elegerem na terra dos zombies.

É uma autêntica dádiva de Deus aos americanos, este terramoto no Haiti. O mal de uns...

Jorge Danieeeeeel






Digam lá se isto não é uma ternura? :)

Mais um...

Todos os anos me lembro desta maravilha do nosso zarolho preferido:

O dia em que nasci moura e pereça,
Não o queira jamais o tempo dar;
Não torne mais ao Mundo, e, se tornar,
Eclipse nesse passo o Sol padeça.

A luz lhe falte, O Sol se [lhe] escureça,
Mostre o Mundo sinais de se acabar,
Nasçam-lhe monstros, sangue chova o ar,
A mãe ao próprio filho não conheça.

As pessoas pasmadas, de ignorantes,
As lágrimas no rosto, a cor perdida,
Cuidem que o mundo já se destruiu.

Ó gente temerosa, não te espantes,
Que este dia deitou ao Mundo a vida
Mais desgraçada que jamais se viu!



PS - eu só gostava era de saber como raio é que a Pousada de Juventude de Alijó (onde eu nunca fiquei - nem sei onde é) resolveu enviar-me os parabéns...

Curtas (24)

Mais um exemplo da espantosa lucidez de Pacheco Pereira, desta feita relacionado com o "casamento homossexual". A ler!

=> Tirem-me daqui!

Curtas (23)

Um casal observava estantes na IKEA de Alfragide:

Mulher: Não te basta a outra? Queres por lá tudo?
Homem: As pessoas têm de ver o que eu tenho!

Vontade de chatear (15)

Este merecia ser chamado o 2 em 1. Com um só popó, consegue bloquear duas passadeiras! É de artista, senhores. Gente desta nem merecia levar multa mas sim ser contratada para o Circo Chen para substituir os animais agora protegidos...

Se isto não é vontade de chatear os outros, é o quê?

Não eram esses!!!

Ó meus amigos da FLAC, FLEC, FLIC FLAC, pirueta e cambalhota ou lá o que vocês são... então, vão-se por a dar tiros de metralhadora sobre a selecção nacional do Togo? Do Togo?! Não vêem que não eram esses, seus estúpidos? Era a Costa do Marfim! A Costa do Marfim é que vocês deviam apanhar seus incompetentes! E não me venham cá com piadas de mau gosto dizendo que são todos iguais porque as camisolas são diferentes! É para isso que elas servem, ó flic-flacs!

Iron Maiden - The prisoner



Uma das (imensas) grandes canções da maior banda de Heavy Metal do nosso sistema solar.
Que solos!

Dúvidas existenciais sobre o casamento homossexual

Se, conforme dizem os defensores do casamento "gay", o casamento não tem como fim a procriação (e é verdade), então, porque razão se deve continuar a proibir o casamento incestuoso? Afinal de contas, o grande problema do incesto é a consanguinidade. Não havendo rebentos, não há problema. Curiosamente, os homossexuais não parecem gostar da ideia.

Se o casamento homossexual é a assunção do "direito à felicidade", porque razão se continua a proibir a poligamia (e a androgamia)? Se um homem quiser tomar várias esposas ou uma mulher vários esposos, quem somos nós, quem é a sociedade, para o proibir?

Se o que se pretende é instituir um vínculo patrimonial preferencial entre os cônjuges, então, porque não optar simplesmente por contratos e/ou testamentos?

Se toda esta temática anda à volta do "amor", porque razão parece começar e acabar no sexo? Porque razão se deverá reconhecer como unidade familiar duas pessoas que partilhem o leito (com as consequentes vantagens fiscais) mas não duas pessoas que vivam juntas por necessidade ou laços de afeto que não impliquem relações sexuais? O Estado "paga" para que os cidadãos tenham relações sexuais? Num país de subsidiodependentes, só faltava mesmo mais esta...

Se o reconhecimento de uniões homossexuais é uma questão de direitos iguais, porque razão continua (e continuará) a haver uma montanha de direitos, benefícios, regalias - e também obrigações -, próprios de classes profissionais, nacionalidades, sexo, localizações geográficas, faixas etárias, etc? É ou não é verdade que grande parte dos defensores do casamento homossexual (a Esquerda) também defende coisas tão aburdas como, por exemplo, a existência de quotas para mulheres no parlamento?

Se se permite aos homossexuais casarem - por questões de igualdade de direitos -, porque razão se lhes bloqueia o acesso à adoção? São iguais para umas coisas mas não para outras? Se há receio de que o estilo de vida dos homossexuais possa influenciar os mais pequenos levando-os a tornarem-se, também eles, homossexuais, então, está-se a fazer um juizo de valor (negativo) sobre a homossexualidade... Se não é uma coisa boa, porquê dar-lhe cobertura legal? Se não tem mal, porquê temer a sua propagação?