Nem os cães!

Nem os cães respeitam a lei nesta terra!

Aposto que é por ser preto e ter vindo do estrangeiro... (mas isto é uma piada privada...)

Ainda nem um dia passou...

Ainda nem um dia passou desde que eu deixei aqui um texto sobre tropelias relativas ao Porto e eis que aparece na internet uma colecção de escutas telefónicas relativas ao "Papa" da cidade (e seus acólitos) e os casos de corrupção desportiva em que esteve envolvido. Há coisas para todos os gostos: desde caralhadas a eito, a conversas sobre "fruta" e "rebuçados", passando por arranjos de árbitros... Um ror de coisas que só não não para condenações porque os juizes que investigam estes casos são do... Porto.

Depois, admirem-se que o país olhe para a "capital do trabalho", a terra dos "verdadeiros portugueses" e que mais baboseiras, como uma cidade que roça a comédia.

Depois admirem-se, também, que os lampiões insistam em olhar para este lixo todo e se agarrem a ele para esconder as suas próprias misérias.

Para quem quiser rir, chorar ou revoltar-se com as escutas, elas estão aqui

3 x Porto

Esta semana a rádio tem andado a anunciar o lançamento de mais uma daquelas coleções que acompanham os jornais e que têm como fim ocupar o espaço vago nas nossas estantes, cumprindo assim um dos mais "nobres" destinos que um (mau) livro pode ter: servir de decoração. A referida coleção versa a História do Porto e a sua importância no contexto mais vasto da História pátria e é composta por nada mais, nada menos do que quinze volumes. Semelhante proficuidade pode-se explicar de diversas formas, ficando ao cuidado dos preconceitos de cada um a escolha da mais apropriada: 1) os livros são muito pequeninos; 2) da História do Porto consta o registo pormenorizado de todas as lavadeiras, trolhas e trabalhadoras de alterne que alguma vez pulularam pela Invicta; 3) a História do Porto resume-se a dois livrinhos e o resto é o rol extensivo e pormenorizado de todas as queixas relativas ao centralismo lisboeta.

Independentemente da explicação que melhor se adeque ao nosso gosto, a verdade é que a edição de quinze livros sobre a História da segunda cidade do país parece coisa de quem está desesperadamente carente de atenção e isso não deixa de ser triste.

Ainda o Porto: foi julgado e condenado o célebre Pidá. Não foi o único condenado no processo a que se chamou de "Noite Branca" mas foi o mais mediático, quanto mais não fosse pelo facto de ser o responsável por fornecer ao Porto uma imitação da Chicago do tempo dos gangsters, com direito a rajadas de metralhadora e tudo. No Norte, os homens são a sério e, parece, os criminosos também.

Se a justiça da pena aplicada ao homem da alcunha ridícula me parece perfeitamente acertada (dentro da brandura do nosso quadro penal) já a cobertura que lhe foi dedicada pela nossa sempre irresponsável comunicação social faz-me crer que qualquer coisa se funde no cérebro dos jornalistas e editores quando entram num jornal. Comparar o destaque dado a uma simples operação de polícia onde foram presos dois (supostos) etarras que nunca atentaram contra o Estado Português e a forma displiscente como foi coberto um caso que envolveu tráfico de droga e assassinatos - todos tendo como vítimas cidadãos nacionais -, é um exercício no campo do absurdo.

Fossem Pidá e os seus comparsas elementos da ETA e ter-lhes-ia sido concedido o destaque que, como assassinos e gangsters lusos, não merecem. A propaganda espanhola e a subserviência nacional ter-se-iam encarregado de tal.

Para que o processo "Noite Branca" andasse para a frente quando convinha, foi enviada para a capital do Norte (área geopolítica que varia consoante a cidade onde se esteja) uma equipa de magistrados da capital (a do país). Criticada, então, semelhante escolha e apontada como exemplo humilhante, veio a revelar-se uma decisão acertada sobretudo quando temos em conta a terceira razão para se falar no Porto esta semana: a acusação proferida contra três juizes portuenses por ajudarem um acusado num mediático processo de corrupção. Os responsáveis da Justiça lá sabiam das suas razões ao enviarem uma task-force sulista e elitista lá para cima. E nem entramos na questão do futebol...

A fazer-se ainda mais justiça e por forma a completar o 16º volume da História do Porto (em futura atualização), haverá de constar desta o nome do Pidá. Ao menos isso!
Desde há pouco, somos treze à volta desta mesa. Já dava para um jantar daqueles que aparecem na TV.
Alguém arranja um gato preto, sff?

Falsos moralismos

O escândalo está instalado entre as pessoas "de coração": três dias depois do terramoto no Haiti um navio de cruzeiro da Royal Carabbean atracou numa estância balnear no norte da ilha e fez uma escala de pouco menos de 24h. Segundo o jornal Público, um passageiro "habitual" terá dito qualquer coisa como...

Já era difícil alguém sentar-se a fazer um piquenique sabendo que haitianos estavam ali ao pé a passar fome. Não consigo imaginar como pode alguém agora engolir um hambúrguer naquela praia


Saltando sobre a estranha (mas invejável) condição de passageiro "habitual", o que me deixa perplexo é este básico e falso moralismo que leva as pessoas a encararem como algo de condenável o facto de as estruturas "vivas" continuarem precisamente assim e não se remeterem a um luto estéril que só teria como consequência agravar a já penosa situação do país acrescentando à fome, doença e miséria generalizadas, o desemprego dos sobreviventes.

Os moralistas chocam-se com a frieza dos negócios e com o aparente desdém com que os privilegiados que podem andar a fazer cruzeiros pelas Caraíbas encaram a situação no Haiti. Só que cada barco que atraca para que uns milhares de "barrigudos" rebolem para o cais para se irem empaturrar de hamburgueres (lamenta-se que seja esse o horizonte gastronómico do passageiro "habitual"), comprar missangas e tirar fotografias a uma qualquer beleza natural, representa a garantia de que centenas ou milhares de haitianos não terão de passar fome e ir pedinchar às ONG's e exércitos estrangeiros umas embalagens de qualquer coisa que os impeça de se tornarem em versões mais ou menos reais do mais conhecido produto nacional: os mortos-vivos.

Os falsos moralismos são assim: apanham-se facilmente na rede de demagogia que tecem.

O Haiti é já ali... e Cuba também!

Podem acusar-me de cinismo mas quando olho para o mapa das Caraíbas e me lembro do que está acontecendo no Haiti, fico logo com a impressão de que a pressa americana em enviar dezenas de milhares de soldados para aquela comédia de país tem muito pouco a ver com questões humanitárias e bastante a ver com assuntos de estratégia. É que o Haiti está a um pulinho de Cuba: da base americana de Guantanamo (em Cuba) atè à metade ocidental da ilha Hispaniola, vão menos de 200km!

Do ponto de vista dos interesses americanos, a oportunidade é soberba! O Haiti é um estado-fantoche, sem qualquer capacidade de reação em condições normais (e muito menos no caos em que se encontra) e não é hostil aos EUA. Cuba, pelo contrário, é o grande inimigo regional do Tio Sam. A base naval em Guantanamo é um absurdo que, mais tarde ou mais cedo, teria de terminar. Conseguindo assegurar uma posição no Haiti, os EUA podem mandar encerrar a base em Cuba, aparecendo Obama como um campeão do desanuviamento das relações entre os dois países. Ao mesmo tempo, as limitações de espaço e operacionalidade existentes em Guantanamo deixam de existir, podendo as forças americanas espraiarem-se no local - ou locais -, que elegerem na terra dos zombies.

É uma autêntica dádiva de Deus aos americanos, este terramoto no Haiti. O mal de uns...

Jorge Danieeeeeel






Digam lá se isto não é uma ternura? :)

Mais um...

Todos os anos me lembro desta maravilha do nosso zarolho preferido:

O dia em que nasci moura e pereça,
Não o queira jamais o tempo dar;
Não torne mais ao Mundo, e, se tornar,
Eclipse nesse passo o Sol padeça.

A luz lhe falte, O Sol se [lhe] escureça,
Mostre o Mundo sinais de se acabar,
Nasçam-lhe monstros, sangue chova o ar,
A mãe ao próprio filho não conheça.

As pessoas pasmadas, de ignorantes,
As lágrimas no rosto, a cor perdida,
Cuidem que o mundo já se destruiu.

Ó gente temerosa, não te espantes,
Que este dia deitou ao Mundo a vida
Mais desgraçada que jamais se viu!



PS - eu só gostava era de saber como raio é que a Pousada de Juventude de Alijó (onde eu nunca fiquei - nem sei onde é) resolveu enviar-me os parabéns...

Curtas (24)

Mais um exemplo da espantosa lucidez de Pacheco Pereira, desta feita relacionado com o "casamento homossexual". A ler!

=> Tirem-me daqui!

Curtas (23)

Um casal observava estantes na IKEA de Alfragide:

Mulher: Não te basta a outra? Queres por lá tudo?
Homem: As pessoas têm de ver o que eu tenho!