LesBiGayTransfobia

Há gente que parece dedicar o seu tempo à criação de coisas inúteis. Alguém, recentemente (eu nunca tinha ouvido o termo), resolveu inventar a palavra "LesBiGayTransfobia". Já havia a homofobia mas era preciso uma coisa muito mais detalhada: "Les-Bi-Gay-Trans-fobia". A fobia a "lésbicas", "bissexuais", "gays" e "transsexuais". Fobia, na verdadeira aceção da palavra significa "medo" e não "antipatia". Ora, não me parece que as pessoas tenham medo de homossexuais - a menos que, inadvertidamente (é possível?) entrem num quarto escuro em hora de ponta... (olha, um trocadilho maroto) mas isso é lá com cada um.

Há que aceitar, com conta peso e medida, a corrupção dos termos e os novos significados que ganham. Portanto, se cinofobia significa "ter medo de cães", "LesBiGayTransfobia" significa, apenas, não gostar de pessoal "colorido". Por mim, isso passa sem grande polémica. O que me chateia mesmo é o detalhe, a necessidade de colocar quatro coisas "diferentes" numa mesma palavra. Sim, porque, das duas uma: ou é tudo o mesmo e não se justifica o detalhe ou são coisas diferentes e deviam ter palavras próprias. Por exemplo: eu posso ser lesbófilo mas transófobo, ou seja, gosto de lésbicas (nos filmes é giro de ver) mas detesto transsexuais (essas criaturas enganadoras). Também posso ser Biindiferente (neologismo próprio para "estou-me cagando se aquela gaja gosta de homens e mulheres porque eu até gostava de a papar mais a namorada dela") e, ao mesmo tempo, gayófobo (não suportar panilas). Portanto, há posicionamentos diversos relativamente às sexualidades "alternativas". Inventar uma palavra que agregue todas estas coisas parece-me, no mínimo, estúpido e propiciador de dificuldades ao nível oral. Pergunta-se a alguém "és lesbigaytransófobo?". "Não senhor!" - responde o interpelado - "As lesbigaytransfobices não são comigo, eu que até sou tão lesbigaytransamigável..."

Imaginem estas coisas escritas em linguagem de "pita"!

Um pormenor que também me chateia é que, apesar de tanta minudência, continua a não haver forma de expressar lexicalmente a nossa opinião relativamente a bichas e camionistas, subespécies dos géneros "gay" e "lésbico", respetivamente. Como os homossexuais masculinos me são indiferentes mas as bichas malucas me irritam, eu vejo-me na situação de ter de me declarar homófobo (ou "gayófobo", para ser mais específico) quando, afinal de contas, sou apenas "bichófobo". Quanto às "camionistas", embora as ache visualmente ridículas, devo dizer que preferia que as lésbicas fossem todas assim (poupava-se aquele travo amargo na boca quando vemos uma que é gira). Viva, portanto, a "lesbicamioniofilia" (há que dizer assim para não confundir com a adoração pelos camionistas verdadeiros...) e abaixo as lesbiboascomomilho!

Tenho dito!

Abel Xavier e a "burqa"

Agora que o espalhafatoso Abel Xavier se converteu ao islamismo, que pena que me dá que os homens não sejam também obrigados a andar de "burqa". Só nos fazia bem deixar de ver a triste figura deste indivíduo...

Xeque-Mate: Ás do volante



Antigamente, não eram só as bandas pop/rock que não tinham vergonha de cantarem em Português. O heavy-metal também marcava presença. E que presença!

Um prémio, sff.

Reciclar, reciclar, é por um aparelho a tirar a humidade (*) da casa, usar a água recolhida para lavar a roupa e, finalmente, despejar a água suja (mas perfumada) para o autoclismo.

Eu cá, acho que merecia um prémio da Quercus (ou um subsídio do Governo)


(*) a minha única birra com o Acordo Ortográfico - tirar o "h" em humidade é coisa que nunca me vão convencer a fazer...

Iodo: Malta à porta

Mais uma grande música da altura da "explosão do rock português".

Do Norte

A TSF transmitia hoje de manhã um anúncio de um concurso vocacionado para empresas "do Norte", patrocinado por uma qualquer comissão coordenadora "do Norte" e mais não sei que organismo "do Norte", para projectos que beneficiassem "o Norte", etc.

Ao fim de meio minuto, a palavra "Norte" já me causava náuseas.

Depois, abri a net e li uma notícia sobre o Magalhães e as suspeitas de corrupção que a União Europeia tem (não é só ela, enfim...) relativamente a todo o processo. Mmm... a JP Sá Couto é uma empresa "do Norte"... Querem ver que o Governo ainda ganha o tal concurso? Ainda por cima, o ministro das Finanças é "do Norte".
Previsivelmente, Pinto da Costa denunciou a colocação no YouTube de várias escutas relacionadas com processos por corrupção como uma campanha da imprensa lisboeta.

Eu perdoo-lhe as vigarices, consigo rir-me do irredentismo pacóvio mas... a falta de imaginação da personagem é que me deixa lixado!

Nem os cães!

Nem os cães respeitam a lei nesta terra!

Aposto que é por ser preto e ter vindo do estrangeiro... (mas isto é uma piada privada...)

Ainda nem um dia passou...

Ainda nem um dia passou desde que eu deixei aqui um texto sobre tropelias relativas ao Porto e eis que aparece na internet uma colecção de escutas telefónicas relativas ao "Papa" da cidade (e seus acólitos) e os casos de corrupção desportiva em que esteve envolvido. Há coisas para todos os gostos: desde caralhadas a eito, a conversas sobre "fruta" e "rebuçados", passando por arranjos de árbitros... Um ror de coisas que só não não para condenações porque os juizes que investigam estes casos são do... Porto.

Depois, admirem-se que o país olhe para a "capital do trabalho", a terra dos "verdadeiros portugueses" e que mais baboseiras, como uma cidade que roça a comédia.

Depois admirem-se, também, que os lampiões insistam em olhar para este lixo todo e se agarrem a ele para esconder as suas próprias misérias.

Para quem quiser rir, chorar ou revoltar-se com as escutas, elas estão aqui

3 x Porto

Esta semana a rádio tem andado a anunciar o lançamento de mais uma daquelas coleções que acompanham os jornais e que têm como fim ocupar o espaço vago nas nossas estantes, cumprindo assim um dos mais "nobres" destinos que um (mau) livro pode ter: servir de decoração. A referida coleção versa a História do Porto e a sua importância no contexto mais vasto da História pátria e é composta por nada mais, nada menos do que quinze volumes. Semelhante proficuidade pode-se explicar de diversas formas, ficando ao cuidado dos preconceitos de cada um a escolha da mais apropriada: 1) os livros são muito pequeninos; 2) da História do Porto consta o registo pormenorizado de todas as lavadeiras, trolhas e trabalhadoras de alterne que alguma vez pulularam pela Invicta; 3) a História do Porto resume-se a dois livrinhos e o resto é o rol extensivo e pormenorizado de todas as queixas relativas ao centralismo lisboeta.

Independentemente da explicação que melhor se adeque ao nosso gosto, a verdade é que a edição de quinze livros sobre a História da segunda cidade do país parece coisa de quem está desesperadamente carente de atenção e isso não deixa de ser triste.

Ainda o Porto: foi julgado e condenado o célebre Pidá. Não foi o único condenado no processo a que se chamou de "Noite Branca" mas foi o mais mediático, quanto mais não fosse pelo facto de ser o responsável por fornecer ao Porto uma imitação da Chicago do tempo dos gangsters, com direito a rajadas de metralhadora e tudo. No Norte, os homens são a sério e, parece, os criminosos também.

Se a justiça da pena aplicada ao homem da alcunha ridícula me parece perfeitamente acertada (dentro da brandura do nosso quadro penal) já a cobertura que lhe foi dedicada pela nossa sempre irresponsável comunicação social faz-me crer que qualquer coisa se funde no cérebro dos jornalistas e editores quando entram num jornal. Comparar o destaque dado a uma simples operação de polícia onde foram presos dois (supostos) etarras que nunca atentaram contra o Estado Português e a forma displiscente como foi coberto um caso que envolveu tráfico de droga e assassinatos - todos tendo como vítimas cidadãos nacionais -, é um exercício no campo do absurdo.

Fossem Pidá e os seus comparsas elementos da ETA e ter-lhes-ia sido concedido o destaque que, como assassinos e gangsters lusos, não merecem. A propaganda espanhola e a subserviência nacional ter-se-iam encarregado de tal.

Para que o processo "Noite Branca" andasse para a frente quando convinha, foi enviada para a capital do Norte (área geopolítica que varia consoante a cidade onde se esteja) uma equipa de magistrados da capital (a do país). Criticada, então, semelhante escolha e apontada como exemplo humilhante, veio a revelar-se uma decisão acertada sobretudo quando temos em conta a terceira razão para se falar no Porto esta semana: a acusação proferida contra três juizes portuenses por ajudarem um acusado num mediático processo de corrupção. Os responsáveis da Justiça lá sabiam das suas razões ao enviarem uma task-force sulista e elitista lá para cima. E nem entramos na questão do futebol...

A fazer-se ainda mais justiça e por forma a completar o 16º volume da História do Porto (em futura atualização), haverá de constar desta o nome do Pidá. Ao menos isso!