À americana!

A Blockbuster de Benfica ostentava há dias este cartaz. É lindo! Lembro-me de uma outra vida em que ia à loja buscar uns filmes (VHS) para ver e nunca achei piada nenhuma àquele sítio. Agora, mudei de opinião. :)

Abrunhosa revelado

Agora que o grande Pedro Abrunhosa acabou com qualquer dúvida que houvesse quanto a ele ter mesmo uma grande queda para a música, cabe-nos a nós contribuir com mais qualquer coisinha para a revelação total dos atributos do músico portuense.

Aí está o homem... sem óculos!

9 contra 8: quem ganha? Ninguém!

O Teatro Ibérico (mais um espaço a descobrir, ali em Xabregas) estreou a peça "Salomé", de Oscar Wilde. O texto conta-nos a famosa história bíblica da princesa que exigiu a cabeça de João Batista numa salva de prata, em troca de uma dança lasciva perante o rei. Foi a segunda vez que fui ao teatro em questão e fi-lo muito pela vontade de voltar a tão agradável local.

Mas, se é verdade que a mesma água não corre duas vezes sob a mesma ponte, também as sensações que temos dificilmente se repetem de forma exatamente igual. O teatro que eu antes tinha visto cheio de gente para assistir a uma tragédia grega estava, ontem, um Sábado, tão despido de público que se verificou a curiosa situação de serem mais os atores do que os espetadores! Na prática, eram nove no palco para oito nas cadeiras. A razão de tão baixa afluência escapa-me mas não me deixa indiferente: ser ator de teatro é, decididamente, uma constante e exigente prova ao profissionalismo e à capacidade de alienação perante a envolvente. Há que dar valor a quem está num palco olhando para uma bancada (a do Teatro Ibérico é considerável) e apenas vê a cor das cadeiras, não deixando, por isso, de se aplicar. Em quantas outras profissões poderemos reconhecer semelhante comportamento? Um músico pode tocar para as paredes e ainda assim ter um considerável gozo porque a música é, antes de mais, um prazer íntimo; um futebolista pode estar rodeado de cimento nu mas ainda se sentir motivado pela disputa e pela competição... mas, um ator de teatro? A representação "ao vivo" só existe porque há um público defronte. Sem este, tudo não passa de ensaios, de exercícios. Ser-se capaz de "esquecer" a ausência de espetadores e fazer viver as personagens como se a casa estivesse cheia é algo que devia ser exemplo para todas as profissões. Tidos por muitos como boémios, provocadores, dispensáveis até, a verdade é que os atores de teatro demonstram um brio que, mais do que respeito, merece autêntica admiração.

No entanto - pegando novamente na relação entre o número de atores e de espetadores -, não deixei de reparar na aparente falta de necessidade de três dos seus elementos: uma rapariga cuja única função era, durante breves momentos, bater numa espécie de pandeireta e servir de referência para que os seus colegas apontassem para a Lua; uma outra moça que acompanhava o público até à sala e, a dado momento, dizia umas frases e, finalmente, uma terceira rapariga que fazia de escrava, literalmente entrava e saía muda e passava a peça toda em pé a um canto do palco para, apenas em duas ou três ocasiões, se movimentar. Num mundo ideal todos estes elementos fariam sentido mas, numa situação de tão gritante falta de público, parece-me tratar-se de um luxo injustificável.

Quanto à peça propriamente dita, é um drama, uma tragédia, o que, não sendo o meu género preferido, é tão necessário de ser visto como é variar a ementa à mesa. Dos atores em palco destacou-se, para mim, o que representava o rei Herodes, a personagem mais "colorida" da peça, a que tinha mais para ver. Apenas me desagradaram (e não foi pecado único do ator em questão) alguns problemas de dicção e volume que, por vezes, me dificultaram - e muito -, a compreensão do texto. Não sei dizer se realmente gostei da peça: certamente que não me desagradou mas, daí a sentir-me entusiasmado vai um passo considerável. Digamos que uma respeitosa indiferença é mais o que eu senti.

O espetáculo acabou por volta das 23h de uma forma um pouco atabalhoada já que houve um pequeno compasso de espera entre o fim da peça e o momento em que o público (nós, os oito privilegiados) percebeu que era altura de aplaudir. O ligar da iluminação da fria sala ajudou a esclarecer a situação e, pela primeira vez em muitas peças que já vi, apenas houve uma salva de palmas no que terá sido o único e desconsolado reconhecimento de que o teatro não se faz para casas vazias.

À saída, reparei que, daí a meia-hora, haveria um outro espetáculo - que me pareceu ser do tipo cabaret -, interpretado por duas atrizes. Suponho que tenham acabado a jogar às cartas...

Ronha

Procuro por "ronha" nas imagens do Google e aparece-me uma data de imagens de gatos. Porque será?

Àpartes à parte, ontem entro no Saldanha Residence e vejo um velhote contorcendo-se, encostado à parede, segurando duas moedas numa mão, com as quais pretendia fazer um telefonema. A cara tinha um esgar de sofrimento. A figura era-me familiar por frequentar regularmente o local. Pergunto-lhe se está a sentir-se mal. Sim, responde-me com dificuldade. Eu, na minha palermice, em vez de chamar logo uma ambulância, parti em procura de um segurança. "Não saia daqui", disse eu ao velhote. Lanço-me à aparentemente fácil tarefa de encontrar alguém. Engano meu: os seguranças estavam em Marte. Nas voltas que dei comecei a achar que estava a fazer um disparate, o velho podia estar a morrer e eu ali, procurando alguém. A consciência defendeu-se com a ideia de que talvez o pessoal do centro comercial possuísse conhecimentos de primeiros-socorros ou existisse mesmo um médico no local. Finalmente encontro uma cabina de atendimento. Chamo um segurança que estava a comer, ele salta e vem ter comigo, conto-lhe o que se passa, ele imediatamente transmite a informação. Quando volto ao sítio onde o velho estava cruzo-me com dois seguranças que já o procuravam. Fizémo-lo juntos e, do aflito, nada. Começo a sentir que estou a fazer figura de parvo até que um dos seguranças me pergunta se o indivíduo é determinada pessoa. Que sim, confirmo eu e eis que um outro segurança aponta o velhote algures na zona de comidas, acompanhado do filho. Chegamos perto dos dois e o velhote já caminha por si. Naquele momento apeteceu-me dizer-lhe "Porra! Não lhe disse para não sair de onde estava?!". O filho informa que aquilo é só ronha, que já o conhece e que o pai bebe muito. Digo-lhe que o velhote estava todo torcido. Que sim, mas é de beber demasiado, repete em tom entre o frio e o embaraçado. O grupo de busca desfaz-se, um dos seguranças acena com um ligeiro "obrigado", o velhote segue acompanhando o filho e eu rumo para o cinema.

Lembro-me de uma vez ouvir o mesmo homem (o filho) dizer ao velho "Não bebes mais nada! Metes nojo!" e recordo que, nessa altura, o homem cambaleava. Era ronha, então...

In vino felicitas

Ainda nem são 09:30 da manhã e já tenho no bucho três copos de tinto Alandra. É uma ótima sensação. Finalmente compreendo o que fazem aqueles homens às oito da matina na taberna...

A escrita sai fluida, a irritação desaparece, o mundo parece mais simpático, a porra da internet móvel da Vodafone parece mais rápida mesmo sem sair de uns miseráveis 2/5, a dor de barriga parece suportável e a bateria do portátil carregou num ápice.

Viva!

Internacionalismos

No Centro Comercial João de Deus, em Lisboa, há um restaurante japonês - perdão, um "Japanese Restaurant". O dito estabelecimento tem uma seleção variada - perdão, um buffet misto -, de comida já feita ou "À lá carte" (a má ortografia francesa é do original mesmo). Quem quiser, pode comer no próprio restaurante - irra! restaurant -, ou levar para casa - ou seja tem "takeaway". Quem comer no "restaurant" já sabe que é em regime de "coma o que quiser" - perdão, "all you can eat".

Eu já provei o buffet misto deste japanese restaurant e eatei que me fartei (foi no place, portanto, não takeawayei nada). E se não à lá cartei foi porque a food era consideravelmente mais expensiva e achei que não worthava a feather o price. Já agora, o buffet também não é grande thing, feito de banalidades sem grace que se arranjam em qualquer supermarket. A única coisa interestingante por there é mesmo o riso aparvalhado que suscita (suscitate, em Americano) tanto pretenciosismo internacionalista.

Já agora, para que não pensem que o japanese restaurant é a única vítima de palermice no centro comercial (shopping centER - assim, à americana), também mostro aqui uma foto do clube erótico (porra, erotic club!) Photus que está "open all day".

Portanto: eatai no japanese restaurant, provai a comida à lá carte - ou o buffet em regime all you can eat (se não quiserdes takeawayar) - e, depois, batei uma fistada watchando as models do erotic club que está open all day. E tudo sem sair do mesmo shopping center! Querem mais?

Cusquice...

A confirmar-se o boato que para aí anda apontando um namoro entre o Sócrates e a Guta Moura Guedes (oh inveja!) só me apetece dizer, à laia de brejeirice, que era a segunda Moura Guedes que ele fo... Cala-te boca!

LesBiGayTransfobia

Há gente que parece dedicar o seu tempo à criação de coisas inúteis. Alguém, recentemente (eu nunca tinha ouvido o termo), resolveu inventar a palavra "LesBiGayTransfobia". Já havia a homofobia mas era preciso uma coisa muito mais detalhada: "Les-Bi-Gay-Trans-fobia". A fobia a "lésbicas", "bissexuais", "gays" e "transsexuais". Fobia, na verdadeira aceção da palavra significa "medo" e não "antipatia". Ora, não me parece que as pessoas tenham medo de homossexuais - a menos que, inadvertidamente (é possível?) entrem num quarto escuro em hora de ponta... (olha, um trocadilho maroto) mas isso é lá com cada um.

Há que aceitar, com conta peso e medida, a corrupção dos termos e os novos significados que ganham. Portanto, se cinofobia significa "ter medo de cães", "LesBiGayTransfobia" significa, apenas, não gostar de pessoal "colorido". Por mim, isso passa sem grande polémica. O que me chateia mesmo é o detalhe, a necessidade de colocar quatro coisas "diferentes" numa mesma palavra. Sim, porque, das duas uma: ou é tudo o mesmo e não se justifica o detalhe ou são coisas diferentes e deviam ter palavras próprias. Por exemplo: eu posso ser lesbófilo mas transófobo, ou seja, gosto de lésbicas (nos filmes é giro de ver) mas detesto transsexuais (essas criaturas enganadoras). Também posso ser Biindiferente (neologismo próprio para "estou-me cagando se aquela gaja gosta de homens e mulheres porque eu até gostava de a papar mais a namorada dela") e, ao mesmo tempo, gayófobo (não suportar panilas). Portanto, há posicionamentos diversos relativamente às sexualidades "alternativas". Inventar uma palavra que agregue todas estas coisas parece-me, no mínimo, estúpido e propiciador de dificuldades ao nível oral. Pergunta-se a alguém "és lesbigaytransófobo?". "Não senhor!" - responde o interpelado - "As lesbigaytransfobices não são comigo, eu que até sou tão lesbigaytransamigável..."

Imaginem estas coisas escritas em linguagem de "pita"!

Um pormenor que também me chateia é que, apesar de tanta minudência, continua a não haver forma de expressar lexicalmente a nossa opinião relativamente a bichas e camionistas, subespécies dos géneros "gay" e "lésbico", respetivamente. Como os homossexuais masculinos me são indiferentes mas as bichas malucas me irritam, eu vejo-me na situação de ter de me declarar homófobo (ou "gayófobo", para ser mais específico) quando, afinal de contas, sou apenas "bichófobo". Quanto às "camionistas", embora as ache visualmente ridículas, devo dizer que preferia que as lésbicas fossem todas assim (poupava-se aquele travo amargo na boca quando vemos uma que é gira). Viva, portanto, a "lesbicamioniofilia" (há que dizer assim para não confundir com a adoração pelos camionistas verdadeiros...) e abaixo as lesbiboascomomilho!

Tenho dito!

Abel Xavier e a "burqa"

Agora que o espalhafatoso Abel Xavier se converteu ao islamismo, que pena que me dá que os homens não sejam também obrigados a andar de "burqa". Só nos fazia bem deixar de ver a triste figura deste indivíduo...

Xeque-Mate: Ás do volante



Antigamente, não eram só as bandas pop/rock que não tinham vergonha de cantarem em Português. O heavy-metal também marcava presença. E que presença!