Dando uma de "modernaço", apetece-me perguntar:

What's all the fuzz about Buzz?

Para quem é, chega

Olhando para a fotografia ao lado deste desinteressante texto ocorrerá a alguns pensar "olha, o gajo do blog foi ao estrangeiro novamente". E é normal que assim pensem já que, não só isso me acontece com uma frequência mínima anual, como eu também tenho o pretenciosismo de expor na internet as fotografias dos sítios por onde passo. O problema é que "o gajo do blog" (assim me chamam no mirabolante mundo dos comentários online do jornal Público), costuma tirar fotografias a coisas bonitas ou curiosas e esta imagem não é uma coisa nem outra. Que interesse poderá haver em fotografar a montra de uma loja em Espanha (ou qualquer outro país de semelhante linguarejar)? É uma montra bonita? - perguntam. Não, respondo eu. É uma montra com produtos que se destaquem? - insistem. Não, digo eu novamente. Então, que interesse poderá haver na fotografia mostrada?

Pois bem, a "piada" da imagem é que ela foi tirada em pleno centro da cidade de Lisboa. Sim, leram bem. Para que se possam situar melhor, esta é a montra da loja "Musgo" no centro comercial Saldanha Residence (pois... há muito que a tugalhada trocou as residências por "residences"), mesmo juntinho à Praça Duque de Saldanha (enquanto não passar a "square"). E, agora (partindo do princípio de que o leitor conserva os seus neurónios mais ou menos intactos), é a altura de a imagem o fazer abrir a boca. Só um bocadinho, a princípio (em jeito de quem começa a ver a coisa), passando depois a uma abertura bocal maior (como quem já está prestes a soltar um "porra!" ou a engolir uma mosca).

Mas... mas... - balbuceia o leitor incrédulo -, porque que raio é que uma montra ostenta um enorme e laranjante sinal de "2as rebajas", ofuscando tudo o mais à sua volta, numa zona comercial (e não turística) da capital portuguesa? Olhem, porque a loja "Musgo", para além de parecer careira, também deve ser espanhola. Se não é, faz de conta muito bem: uma voltinha lá dentro e é começar a topar, por exemplo, os autocolantes de "zapatera" (podia ser a irmã do PM espanhol mas quer dizer, na realidade, "sapateira") e outras preciosidades semelhantes. Portanto, como espanhola que é, a loja faz questão de, orgulhosamente, o mostrar. Os empregados são portugueses, é certo. Os clientes, também. Mas, o que é que isso interessa quando estamos a lidar com espanholada? Aquilo são animais predadores a domar a presa e pronto!

Há muitos anos, nas Amoreiras, perguntei a uma funcionária de uma loja francesa qual a razão para terem dísticos em Francês na montra. "Ah... sabe, isto é um franchising, eles mandam a publicidade e nós colocamos...". Claro, nada mais simples. Acaba por ser a solução melhor para o complexado tuga: não penses, não questiones, imita! O pormenor verdadeiramente engraçado é que, supostamente, isto vai contra todas as regras da arte de vender: para despachar algo, é preciso que o comprador se identifique com o produto, é preciso adaptar a estratégia de venda ao público alvo (taaaaaarget!) mas, para português, qualquer coisa serve. A tugalhada é assim mesmo, vive ausente de coisas tão vitais como o respeito e a ética.

Na "Musgo", para aqueles que forem embirrantes, aparecem lá uns cubos de cartão com a palavra "saldos". Obrigadinho, ó pá, mas eu estou mesmo é interessado nas "2as rebajas" (o desconto deve ser maior...).

H3 escalfado

O que é pior?: estar a trabalhar às nove da noite; tentar ouvir o Sporting-Benfica e não poder porque a merda do sistema operativo que está instalado no computador do trabalho não permite ouvir rádio em direto ou ir matar a fome ao H3 e sair de lá irritado? A escolha é difícil mas vou optar pelo terceiro mal.

O pretenciosismo da cadeia de hamburgueres H3 nunca me convenceu: os nomes em Inglês, o design excessivamente modernaço, a insistência na grande qualidade da comida, aquela coisa do toque "gourmet" (que hoje serve para vender tudo). No fundo, é apenas uma casa de hamburgueres iguais aos que qualquer pessoa faria na sua cozinha doméstica. Mas, concedo que, de vez em quando, gosto de lá ir, para variar de outros sítios melhores ou porque está mais a jeito. Foi o caso de hoje. Tendo experimentado há três dias um "H3 Benedict" (hamburguer, arroz/batata, molho "holandês", espinafres e ovo escalfado) - e gostado -, resolvi comer novamente o prato. No Campo Pequeno, peço o menu (€6,95) e, quando me dão a comida, noto que o ovo escalfado mais parece um ovo estrelado, brilhante, com clara excessiva e quase líquida (mal cozinhada, portanto) e a gema toda à mostra. Pergunto à empregada se o prato não é com ovo escalfado. Que sim, confirma e que aquilo é um ovo à dita maneira. Digo que acho difícil mas não insisto. Pago, sento-me à mesa e, mal espeto o ovo, é só ver gema a sair por todo o lado e a esparramar-se sobre a comida (saltando do prato até). Não me contenho e vou mostrar o ovo à empregada, perguntando-lhe se ainda acha que aquilo é um ovo escalfado. Que sim, que sim, insiste (mesmo perante a visão do hamburguer todo coberto de gema e a minha insistência em que é um ovo estrelado). Afirmo que se enganaram (o que até aceito por ser bom rapaz) mas que ela não me diga que aquilo não é um ovo estrelado. Volto para a mesa irritado e sentindo-me defraudado. Seis euros e meio por um prato onde uma coisa tão básica quanto um ovo escalfado não é bem feito, com tanta coisa de "gourmet" aqui, "gourmet" ali, irrita-me!

Toda a vida comi ovos escalfados em que a clara é uma película à volta de um ovo seco, que se corta e come com o garfo. E foi assim que mo serviram há dias no H3 do Monumental-Saldanha, para meu grande gosto. Se alguma regra culinária diz que não é assim, então, não só contradiz trinta e tal anos de experiência minha como demonstra falta de acerto entre os cozinheiros da cadeia. Combinem lá isso: ou servem ovos escalfados líquidos (para quê a diferença com os estrelados, então?) ou os servem secos. Agora, uma pessoa ir a um sítio, comer uma coisa e gostar e, depois, noutro lado já ser diferente... isso é que não! Ainda por cima, quando a distância entre os dois restaurantes é de menos de um quilómetro. Não se justifica a variação...

Foi pena não ter tirado fotografias. Da próxima vez que comesse um ovo bem escalfado, podia armar-me em especialista e dizer "olhe que isso não está tudo líquido". E até o podia fazer num qualquer outro estabelecimento H3...

À americana!

A Blockbuster de Benfica ostentava há dias este cartaz. É lindo! Lembro-me de uma outra vida em que ia à loja buscar uns filmes (VHS) para ver e nunca achei piada nenhuma àquele sítio. Agora, mudei de opinião. :)

Abrunhosa revelado

Agora que o grande Pedro Abrunhosa acabou com qualquer dúvida que houvesse quanto a ele ter mesmo uma grande queda para a música, cabe-nos a nós contribuir com mais qualquer coisinha para a revelação total dos atributos do músico portuense.

Aí está o homem... sem óculos!

9 contra 8: quem ganha? Ninguém!

O Teatro Ibérico (mais um espaço a descobrir, ali em Xabregas) estreou a peça "Salomé", de Oscar Wilde. O texto conta-nos a famosa história bíblica da princesa que exigiu a cabeça de João Batista numa salva de prata, em troca de uma dança lasciva perante o rei. Foi a segunda vez que fui ao teatro em questão e fi-lo muito pela vontade de voltar a tão agradável local.

Mas, se é verdade que a mesma água não corre duas vezes sob a mesma ponte, também as sensações que temos dificilmente se repetem de forma exatamente igual. O teatro que eu antes tinha visto cheio de gente para assistir a uma tragédia grega estava, ontem, um Sábado, tão despido de público que se verificou a curiosa situação de serem mais os atores do que os espetadores! Na prática, eram nove no palco para oito nas cadeiras. A razão de tão baixa afluência escapa-me mas não me deixa indiferente: ser ator de teatro é, decididamente, uma constante e exigente prova ao profissionalismo e à capacidade de alienação perante a envolvente. Há que dar valor a quem está num palco olhando para uma bancada (a do Teatro Ibérico é considerável) e apenas vê a cor das cadeiras, não deixando, por isso, de se aplicar. Em quantas outras profissões poderemos reconhecer semelhante comportamento? Um músico pode tocar para as paredes e ainda assim ter um considerável gozo porque a música é, antes de mais, um prazer íntimo; um futebolista pode estar rodeado de cimento nu mas ainda se sentir motivado pela disputa e pela competição... mas, um ator de teatro? A representação "ao vivo" só existe porque há um público defronte. Sem este, tudo não passa de ensaios, de exercícios. Ser-se capaz de "esquecer" a ausência de espetadores e fazer viver as personagens como se a casa estivesse cheia é algo que devia ser exemplo para todas as profissões. Tidos por muitos como boémios, provocadores, dispensáveis até, a verdade é que os atores de teatro demonstram um brio que, mais do que respeito, merece autêntica admiração.

No entanto - pegando novamente na relação entre o número de atores e de espetadores -, não deixei de reparar na aparente falta de necessidade de três dos seus elementos: uma rapariga cuja única função era, durante breves momentos, bater numa espécie de pandeireta e servir de referência para que os seus colegas apontassem para a Lua; uma outra moça que acompanhava o público até à sala e, a dado momento, dizia umas frases e, finalmente, uma terceira rapariga que fazia de escrava, literalmente entrava e saía muda e passava a peça toda em pé a um canto do palco para, apenas em duas ou três ocasiões, se movimentar. Num mundo ideal todos estes elementos fariam sentido mas, numa situação de tão gritante falta de público, parece-me tratar-se de um luxo injustificável.

Quanto à peça propriamente dita, é um drama, uma tragédia, o que, não sendo o meu género preferido, é tão necessário de ser visto como é variar a ementa à mesa. Dos atores em palco destacou-se, para mim, o que representava o rei Herodes, a personagem mais "colorida" da peça, a que tinha mais para ver. Apenas me desagradaram (e não foi pecado único do ator em questão) alguns problemas de dicção e volume que, por vezes, me dificultaram - e muito -, a compreensão do texto. Não sei dizer se realmente gostei da peça: certamente que não me desagradou mas, daí a sentir-me entusiasmado vai um passo considerável. Digamos que uma respeitosa indiferença é mais o que eu senti.

O espetáculo acabou por volta das 23h de uma forma um pouco atabalhoada já que houve um pequeno compasso de espera entre o fim da peça e o momento em que o público (nós, os oito privilegiados) percebeu que era altura de aplaudir. O ligar da iluminação da fria sala ajudou a esclarecer a situação e, pela primeira vez em muitas peças que já vi, apenas houve uma salva de palmas no que terá sido o único e desconsolado reconhecimento de que o teatro não se faz para casas vazias.

À saída, reparei que, daí a meia-hora, haveria um outro espetáculo - que me pareceu ser do tipo cabaret -, interpretado por duas atrizes. Suponho que tenham acabado a jogar às cartas...

Ronha

Procuro por "ronha" nas imagens do Google e aparece-me uma data de imagens de gatos. Porque será?

Àpartes à parte, ontem entro no Saldanha Residence e vejo um velhote contorcendo-se, encostado à parede, segurando duas moedas numa mão, com as quais pretendia fazer um telefonema. A cara tinha um esgar de sofrimento. A figura era-me familiar por frequentar regularmente o local. Pergunto-lhe se está a sentir-se mal. Sim, responde-me com dificuldade. Eu, na minha palermice, em vez de chamar logo uma ambulância, parti em procura de um segurança. "Não saia daqui", disse eu ao velhote. Lanço-me à aparentemente fácil tarefa de encontrar alguém. Engano meu: os seguranças estavam em Marte. Nas voltas que dei comecei a achar que estava a fazer um disparate, o velho podia estar a morrer e eu ali, procurando alguém. A consciência defendeu-se com a ideia de que talvez o pessoal do centro comercial possuísse conhecimentos de primeiros-socorros ou existisse mesmo um médico no local. Finalmente encontro uma cabina de atendimento. Chamo um segurança que estava a comer, ele salta e vem ter comigo, conto-lhe o que se passa, ele imediatamente transmite a informação. Quando volto ao sítio onde o velho estava cruzo-me com dois seguranças que já o procuravam. Fizémo-lo juntos e, do aflito, nada. Começo a sentir que estou a fazer figura de parvo até que um dos seguranças me pergunta se o indivíduo é determinada pessoa. Que sim, confirmo eu e eis que um outro segurança aponta o velhote algures na zona de comidas, acompanhado do filho. Chegamos perto dos dois e o velhote já caminha por si. Naquele momento apeteceu-me dizer-lhe "Porra! Não lhe disse para não sair de onde estava?!". O filho informa que aquilo é só ronha, que já o conhece e que o pai bebe muito. Digo-lhe que o velhote estava todo torcido. Que sim, mas é de beber demasiado, repete em tom entre o frio e o embaraçado. O grupo de busca desfaz-se, um dos seguranças acena com um ligeiro "obrigado", o velhote segue acompanhando o filho e eu rumo para o cinema.

Lembro-me de uma vez ouvir o mesmo homem (o filho) dizer ao velho "Não bebes mais nada! Metes nojo!" e recordo que, nessa altura, o homem cambaleava. Era ronha, então...

In vino felicitas

Ainda nem são 09:30 da manhã e já tenho no bucho três copos de tinto Alandra. É uma ótima sensação. Finalmente compreendo o que fazem aqueles homens às oito da matina na taberna...

A escrita sai fluida, a irritação desaparece, o mundo parece mais simpático, a porra da internet móvel da Vodafone parece mais rápida mesmo sem sair de uns miseráveis 2/5, a dor de barriga parece suportável e a bateria do portátil carregou num ápice.

Viva!

Internacionalismos

No Centro Comercial João de Deus, em Lisboa, há um restaurante japonês - perdão, um "Japanese Restaurant". O dito estabelecimento tem uma seleção variada - perdão, um buffet misto -, de comida já feita ou "À lá carte" (a má ortografia francesa é do original mesmo). Quem quiser, pode comer no próprio restaurante - irra! restaurant -, ou levar para casa - ou seja tem "takeaway". Quem comer no "restaurant" já sabe que é em regime de "coma o que quiser" - perdão, "all you can eat".

Eu já provei o buffet misto deste japanese restaurant e eatei que me fartei (foi no place, portanto, não takeawayei nada). E se não à lá cartei foi porque a food era consideravelmente mais expensiva e achei que não worthava a feather o price. Já agora, o buffet também não é grande thing, feito de banalidades sem grace que se arranjam em qualquer supermarket. A única coisa interestingante por there é mesmo o riso aparvalhado que suscita (suscitate, em Americano) tanto pretenciosismo internacionalista.

Já agora, para que não pensem que o japanese restaurant é a única vítima de palermice no centro comercial (shopping centER - assim, à americana), também mostro aqui uma foto do clube erótico (porra, erotic club!) Photus que está "open all day".

Portanto: eatai no japanese restaurant, provai a comida à lá carte - ou o buffet em regime all you can eat (se não quiserdes takeawayar) - e, depois, batei uma fistada watchando as models do erotic club que está open all day. E tudo sem sair do mesmo shopping center! Querem mais?

Cusquice...

A confirmar-se o boato que para aí anda apontando um namoro entre o Sócrates e a Guta Moura Guedes (oh inveja!) só me apetece dizer, à laia de brejeirice, que era a segunda Moura Guedes que ele fo... Cala-te boca!