Iron Maiden: nova colheita


A maior banda do mundo e arredores já está a tratar do lançamento do seu novo álbum "The final frontier" e, contrariamente ao que é natural, primeiro começou uma digressão e só depois lançará o disco (coisas do pessoal do marketing).

Para já, podemos todos ouvir o primeiro tema a ser conhecido, de seu nome "El dorado" (pois...), uma coisa perfeitamente "maideniana", em nada feita para inovar ou supreender (também, ninguém lhes pede isso) mas que cumpre os mínimos com algumas reservas... Digamos que, como música principal (ou, pelo menos, anunciadora) de um longa-duração dos Iron Maiden, é coisa assim para o fracote mas, ao mesmo tempo, se apenas pensarmos nela como algo para "encher", então, encontraremos pontos de valor no tema, nomeadamente as guitarras, um pouco mais marcadas do que tem sido costume.

(O anterior parágrafo não deixa de me fazer sorrir ao pensar que os Iron Maiden, até quando não parecem estar nos seus melhores dias em termos de composição, conseguem produzir heavy metal que, na pior das hipóteses, é "interessante". Abençoados!)

Se a música não nos traz grandes novidades, a nível gráfico, os IM parecem estar apostados em fazer algo de diferente. Note-se no vídeo de cima a capa do single (ainda se pode falar em singles?), e a sua total colagem aos comics de meados do século XX. Já a capa do álbum, mantendo um Eddie alterado ao ponto de se ter tornado estupidamente irreconhecível, parece adotar um visual consideravelmente mais moderno. Podem vê-la aqui.

Enfim, um aperitivo para o que aí vem. E que vem sempre em boa hora!

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O boneco de cera

Há qualquer coisa de triste nesta imagem da visita que três elementos da comitiva nacional fizeram a Nelson Mandela, em Joanesburgo. O contraste dos sorrisos dos "nossos" com o ar sofredor do ex-presidente sul-africano, a sua palidez doentia, a ideia geral de três indivíduos a posarem junto de uma pessoa como quem posa junto de um monumento (olha, eu estive ali!)...

É uma imagem triste e que, se fosse tirada hoje, ainda ficaria pior (morreu ontem uma jovem bisneta de Mandela). O "Mandiba" tem 91 anos e, parece-me, já não contará muito mais...



PS: foto retirada de uma notícia no DN

Para os imbecilóides (*) que andam para aí enraivecidos com o acordo ortográfico e a supressão das consoantes mudas, aqui fica um exemplo de um texto de 1918, afixado numa rua da baixa de Santarém. Ah, traidores!!!

(*) parece que isto deixa de levar acento...

Belezas naturais de Peniche


:)

A aldeia dos macacos

A sociedade portuguesa está, decididamente, convertida numa aldeia dos macacos onde todos guincham e se atiram uns contra os outros. A mais recente polémica-ridícula relativa ao "apelo" do presidente da República para que os cidadãos portugueses façam férias em Portugal só pode ser compreendida à luz de um cocktail baseado na mais profunda estupidez aliada ao fanatismo político. Pelo meio, a comunicação social, a nossa pobre, podre e decadente comunicação social faz a festa, lança os foguetes e apanhará as canas, como de costume.

O que Cavaco Silva fez - um apelo informal à localização das férias -, foi alvo de um "desabafo" por parte do Ministro da Economia, provocado pelos jornalistas: que esperava que os outros chefes de estado não fizessem apelos semelhantes porque isso seria mau para nós. Este "desabafo", para além de estúpido e politicamente inconveniente, tem ainda a agravante de ter sido sucedido pela confissão de que o Governo, o próprio Governo, tem feito diversas campanhas no mesmo sentido. Temos portanto, que a mesma criatura consegue, numa mesma frase, dar ideia de que o PR está errado ao pedir que as pessoas passem férias em Portugal mas que o Governo estava certo ao fazer campanhas à volta da mesma ideia. Notável! E mais notável ainda é como esta última parte da espantosa intervenção do nosso ministro foi imediatamente abafada por forma a destacar o pedaço de "crítica". Aqui, já estamos no domínio do maquiavelismo jornalístico.

As declarações do ministro (largamente secundadas por muitos macacos da aldeia) são de uma confrangedora pobreza intelectual que se declara, em toda a sua triste glória, na quantidade de contradições que se conseguem vislumbrar quando se pensa um pouco no assunto. Basta pensar na recente campanha a favor da Madeira. O mesmo país que se cobriu de espetáculos, cartazes, anúncios, etc, onde figuras públicas declaravam que, não só não iam de férias para o estrangeiro como só iriam a uma parte do território nacional (a Madeira) vem agora criticar o PR porque pediu para que as pessoas, de uma maneira geral, fizessem o mesmo (sem especificar em que zona do país). Ou seja, os macacos acham bem que se diga às pessoas para ficarem pela Madeira mas não acham bem que se diga às mesmas pessoas para ficarem por Portugal em geral. Aqui, já não há preocupação com comportamento equivalente por parte de entidades estrangeiras.

Os macacos concordam com que se faça campanhas de promoção e divulgação dos produtos nacionais, que se diga às pessoas que o que é nacional é bom, que se apele à compra e consumo de bens e serviços portugueses. Isso está bem e parte-se do princípio de que todos os países o fazem. Os macacos acham é mal que o PR faça o mesmo!

Num país onde desde sempre existe um mote como "Vá para fora cá dentro", os macacos não suportam que o PR resolva lembrar as pessoas da atualidade do mesmo. Vá-se lá saber porquê...

Morreu João Aguiar

Morreu o escritor João Aguiar. Em tempos, tive-o como um dos meus autores preferidos, sempre esperando o lançamento de um novo romance seu e rezando para que fosse mais uma incursão pela História remota do que veio a ser o nosso país. Curiosamente, apesar de ser lembrado sobretudo pelos seus romances históricos, a verdade é que João Aguiar publicou muitas obras que nada tinham a ver com o género e que eram em tudo atuais, quer no tempo em que se passavam, quer pela visão desiludida e amarga da evolução da nossa sociedade, "corporizada" essencialmente na sua personagem "Adriano" (ou "Santo Adriano", como lhe chamava jocosamente).

Se formos contabilizar a produção de João Aguiar, veremos que a razão pela qual o seu nome será lembrado pelos apreciadores de romances históricos não será a quantidade (absolutamente minoritária) mas sim a qualidade de algumas das obras, encabeçadas pelo livro inaugural do autor, o belo "A voz dos deuses", que tive oportunidade de conhecer quando eu ainda era adolescente, o que é o mesmo que dizer, nas suas primeiríssimas edições.

João Aguiar escreveu também romances juvenis, tratou de adaptá-los à televisão (esforço sabotado pela má produção) e, nos últimos anos, colaborava na edição mensal da revista Super-Interessante escrevendo uma crónica (quase sempre de forte crítica a qualquer coisa que ele considerava ser uma menorização da sociedade) e assinando uma rubrica intitulada "Super-Portugueses" dedicada a figuras gradas da nossa História.

O seu estilo de escrita era escorreito, sem malabarismos de estilo nem pretensões a mudar o mundo. Talvez por isso nunca tenha ascendido à condição de "escritor sério" e se tenha mantido no plano dos contadores de histórias aos quais está - assim o temo -, reservado um curto período na memória coletiva.

Anualmente, aquando das edições da Feira do Livro de Lisboa, lá ia eu com um ou dois livros (muitas vezes "antigos") para que ele mos autografasse. Consegui ter uns quantos que, agora, guardarei com mais respeito.

João Aguiar assumia-se como monárquico e patriota e esta segunda faceta salta-nos à vista, nomeadamente na forma nada entusiasmada como ele olhava para as perdas de soberania decorrentes da integração europeia, tendo mesmo "previsto" num romance seu a revolta violenta dos povos contra o federalismo no nosso continente. Foi este seu lado extremamente cético (aplicado a muita coisa) que me fez afastar um pouco do seu trajeto "novelesco" a ponto de ter passado algo ao lado das suas últimas edições (exceção feita ao livro sobre o Menino do Lajedo). Ainda assim, e por ser a vida feita de encontros e desencontros, esperava sempre poder vê-lo de novo ao virar de uma página de História, género onde ele foi maior.

Morreu aos 66 anos um escritor e um patriota. Leia-se muito o primeiro e honre-se sempre o segundo.
Que os Fingertips tenham substituído o seu vocalista Tozé por uma rapariga, é sintomático mas vale um sorriso.
Que a nova vocalista (Joana Gomes) seja menos gira que o dito Tozé, é esquisito mas aguenta-se.
Que a Joaninha tenha uma voz chata e desinteressante, é irritante mas basta não ouvir.

Agora... que os Fingertips vão tocar no Rock in Rio, no dia do Metal é que nem que Deus Nosso Senhor desça à terra dá para perceber!!!

Parabéns Argentina



A Argentina faz hoje 200 anos enquanto nação independente. Parabéns a um dos meus países favoritos e que, à primeira vista, só tem um defeito sério a apontar-se-lhe: aquela língua feia que lá se fala (ainda que com uma pronúncia melhorzinha).

A Argentina é a Europa na América do Sul, é um destino barato, bonito e cheio de coisas interessantes para serem vistas. Tem dinheiro para a viagem? Então, força! ;)

Satyricon: King

Para quem julga que as bandas de Black Metal norueguês não são capazes de mais do que (quase) insuportável barulho, fica aqui uma coisinha MUITO melhor...

Um capilé, sff

O único elemento consensual do trio Portas, depois de recuperar velhos produtos nacionais nas suas lojas "A vida portuguesa", resolveu agora salvar algumas receitas de bebidas igualmente antigas - como o famoso "capilé" -, e revitalizar alguns quiosques lisboetas.

Confesso a minha ignorância relativamente ao sabor de uma das bebidas de eleição dos nossos avós mas declaro já que se fosse atendido por uma menina assim, pedia logo um barril!


P.S. - a menina da foto é a Catarina Portas