O Metro de Lisboa está todo modernaço. Em várias estações (todas?) ouvem-se constantemente avisos em Português e Inglês para que as pessoas tenham cuidado com os carteiristas o que, para além do efeito prático de proteção dos nossos pertences, também tem uma agradável componente paranóica: há coisa melhor do que chegar a uma terra onde altifalantes nos lembram de que os ladrões estão por todo o lado?
Mas, para que ninguém possa dizer que escapou aos carteiristas mas acabou entalado, a estação do Marquês de Pombal aderiu ao famoso aviso londrino "mind the gap" adaptando-o a um muito mais luso "Ao sair, tenha em atenção a distância entre o cais e o comboio". Infelizmente, este "utilíssimo" (*) aviso só é emitido em Português o que quer dizer que, em Lisboa, teoricamente, é pior ficar sem a carteira do que sem uma perna...
(*) a distância não excede a largura de um punho fechado :)
Vontade de chatear (18)
A pipoca mais amarga?

(...) mas uma pessoa resolve sempre dar o benefício da dúvida, mais não seja para que não digam que não se dá uma oportunidade ao que é nacional. Pois. O problema é que o que é nacional, regra geral, tende a ser mau.(...)
Se fosse preciso resumir num pequeno texto toda a estupidez e futilidade do blog "A pipoca mais doce" e, por consequência, das "ideias" da sua autora...
P.S. - em resposta a um comentário meu, a jornalista Ana Garcia (a autora) respondeu-me com um absolutamente brilhante
"Catinga, não seja pain in the ass. Relaxe, que estamos em Julho. Para além disso, desconhece o significado da expresão "regra geral"? Parece que sim..."
Note-se a sofisticação anglófona, o apelo à pouca exigência estival (ah, mas se o baton estiver caro no Algarve, lá se vai a "relaxação" da pipoca) e, finalmente, a forma como ela julga iludir a crítica com um "eu não digo que é sempre mas quase sempre". É de gritos!
(a questão do "s" que foi de férias deve ter tido a ver com algum problema técnico com as unhas)
Pessoa e a bandeira
O blog da Casa Pessoa publicou um texto do poeta onde ele bate forte e feio na bandeira nacional escolhida pela República. Fora do seu contexto histórico parece coisa demasiadamente agressiva e, até, ofensiva o que me faz perguntar qual terá sido exatamente a ideia dos responsáveis pelo blog? É um ato de crítica ao atual estado das coisas? Provavelmente. Mas se assim o é, então, as palavras de Pessoa não passam de um exagero populista à luz dos nossos dias. Para populismos e demagogias baratas, já temos muita gente. Não me parece que precisemos de que uma entidade cultural se encarregue de engrossar as fileiras da maledicência. E o regimen está, na verdade, expresso naquele ignóbil trapo que, imposto por uma reduzidíssima minoria de esfarrapados morais, nos serve de bandeira nacional – trapo contrário à heráldica e à estética, porque duas cores se justapõem sem intervenção de um metal e porque é a mais feia coisa que se pode inventar em cor. Está ali contudo a alma do republicanismo português – o encarnado do sangue que derramaram e fizeram derramar, o verde da erva de que, por direito mental, devem alimentar-se.
Mas não joguemos fora toda a crítica. Numa altura em que tanta coisa se põe erradamente em causa (até a independência nacional!), não seria realmente descabida uma séria reflexão sobre a estética do nosso símbolo maior. As cores nacionais são um verdadeiro pesadelo para quem queira fazer qualquer coisa com elas e Pessoa não foi, nem de longe, a única figura grada da nossa intelectualidade a "embirrar" com a bandeira.
Mudar de bandeira? Porque não?
Ver o post em: mundopessoa.blogs.sapo.pt/409203.html
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