
Ah pois! E logo agora, que começou a chover...
A Europa-América publicou mais um utilíssimo guia prático capaz de fazer as delícias dos amantes da "arte" da pesca.(...) Há alguns [iscos] que se desmancham mal o peixe lhes dá uma chupadela e, portanto, não chegam a ter utilidade.
O toque da tainha é deveras emocionante, porque não é um toque direto, antes parece que ela se diverte a brincar com o isco. Vem uma e chupa-o com as pontas dos lábios, mordisca-o, cospe-o. Vem outra e faz o mesmo - e o isco a afastar-se de nós...
Mas não tenha presa. Quando uma tainha engole o isco, o engole mesmo, mergulha a grande velocidade e a bóia afunda-se. Então dê-lhe linha, deixe-a cansar-se antes de ferrar. (...)
Ter um executivo de esquerda na Câmara Municipal é garantia de que toda a gente é respeitada, e as minorias ainda mais.
O jornal Público tem uma vantagem em relação à concorrência: a "qualidade" do seu site. A partir daí, o pasquim do grupo Sonae é uma versão "chique" do Correio da Manhã, com a diferença de que o tempo que este último gasta convencendo a população de que vive num cenário de guerra, aquele usa na tentativa de rebentar com a autoestima da nossa população. Veja-se bem - sim, olhe-se e pense-se -, na fotografia escolhida para ilustrar um evento tão pouco importante quanto uma cidadã nacional (Telma Monteiro) ter sido vicecampeã do mundo de Judo. É uma imagem de força? Não É uma imagem de confiança? Não. É uma imagem de energia? Não. É a imagem de uma derrotada, de alguém derreado enquanto o adversário comemora a sua superioridade.
Há algum tempo atrás, o jardim de São Pedro de Alcântara tinha dois novos pontos de interesse.
A crítica escrita - entendendo-se como etiqueta aglomeradora das críticas a todas as formas de arte -, já há muito tempo que se converteu num subgénero literário onde aquilo que menos interessa é transmitir a opinião do crítico sobre o objeto criticado e mais exercer uma espécie de desfile de todos os recursos estilísticos do autor, sempre fortemente apoiados num fundo cultural convenientemente elitista por forma a que as referências semiobscuras encantem sem por isso virem trazer qualquer luz ao texto que permita ao acidental leitor vislumbrar a resposta à mais importante das perguntas: "Isto é bom, ou não?""(...) Talvez haja resquícios de um contágio binário em alguns pareceres cinéfilos; somos herdeiros [homens do século XXI] de uma trama económica que reinventou medidas e reprime contingências, inclusive no campo artístico. As facções que protelam o direito à subjectividade bifurcam (com imperativa lógica) o caminho binário trilhado. No entanto, o que antes era “surreal” e “esquinado”, ou uma facção anti-lógica binária com face própria (estética surrealista), tornou-se apenas o reverso da moeda, a cara oposta à coroa economicista: isto é dizer que, da mescla democrática formada por direitos de expressão e direito ao erro [todo o objecto sem propósitos lucrativos] nasceu a nova facção – a do direito à implementação científica da subjectividade. É a ciência do eufemismo, que ao invés de dizer, por uma, outra coisa, diz por outra coisa, coisa nenhuma – esquema niilista da cultura vigente. Chamemos-lhe a ciência do adjectivo [37, se contei bem]; gramaticalmente é formidável, diga-se, e digno de realce – há aqui um jogo complexo entre dois elementos de criação semântica e sintáctica –, pois do uso aleatório do adjectivo nasce o eufemismo, ou melhor, transforma-se o nada (aquilo que há a dizer inicialmente) noutro nada (resultado da adjectivação); ou seja, o adjectivo funciona enquanto consumação da ciência da subjectividade, ou o seu devir-ciência, que dá ao nada uma forma de nada visível – as matérias criadas são de particular eloquência quando se usa dupla adjectivação ou se reforça, habitualmente no final do texto (quando o eufemismo começa a perder força, desgastado pela transformação operada ao nada), o desgastado adjectivo com um advérbio – ah, que objectos se roubam ao nada quando têm este suporte! Passar-me-ia despercebida – ou catalogada enquanto opinião controversa – esta tentativa de “acordar” estados inorgânicos, não fosse cruzar-se com eufemismos de outra estirpe, no caso corpórea [neste caso, a adjectivação reduz a nada objectos inicialmente corpóreos (...)"