Uma "pedrada" de Carnaval







Desfile de carnaval na Av. Duque de Loulé, no dia 4 de Março. Uma mancha de alegria jovem que espalhou ruído e riso pela cidade. Mas, como diz a canção, "tudo estava bem até um dado momento". Não foi a sogra que apareceu mas sim uns putos parvos que começaram a atacar os marchantes com balões de água. Apesar do enquadramento policial, a coisa acabou num pequeno combate de balões contra... pedras, lançadas numa sessão que ainda durou uns minutos.

Curtas (30)

Pela primeira vez em onze anos, a empresa onde trabalho "deu" o dia de hoje.

Também não me lembro de ver as ruas tão desertas neste feriado-que-não-é-feriado...

Bom apetite, má digestão

Por indicação de um dos apresentadores do "5 para a meia noite" (via TV, entenda-se) fui à Casa da Comédia para ver a comédia "Bom apetite". Ir a este teatro é sempre um duplo prazer porque, para além da diversão, há ainda a bonita envolvente a pedir um passeio noturno. Desta vez, porém, a coisa ficou-se pela voltinha. A peça "Bom apetite" é a história de um botequim decadente, à beira de fechar por falta de clientes e está indicada como sendo uma comédia. "Indicada", digo eu mas não aprovada como tal. No que diz respeito à capacidade de fazer rir (é isso que se pretende no género), este trabalho (apesar de tudo, razoavelmente interpretado pela única pessoa em palco) é tão eficaz como um vídeo de um funeral. Piadas, se existem, mal se notam porque o texto parece não passar de um infindável contínuo de pequenos nadas e desinteressantes banalidades nascidas da presença de objetos no cenário.

O início da peça, com um faduncho introdutório do tema até prometeu e, provavelmente, arrancou-me os únicos sorrisos da fria noite (pela temperatura na sala e pelo pouquíssimo público presente) mas imediatamente notei que, a partir dali, pouco sumo sairia do desinspiradíssimo texto. Há qualquer coisa de errado quando se permite que coisas tão evidentemente más subam ao palco. Só não saí da sala por um sentimento de vergonha e porque, apesar de tudo, há que respeitar a pessoa que, à nossa frente dá o seu melhor para defender um texto alheio.

Não tivesse o preço da entrada sido tão barato (EUR 5) e a comédia ter-se-ia transformado num perfeito drama. O termo "preço de crise", usado pela publicidade à peça, bem podia acrescentar que a maior das crises é a de qualidade da autora, uma cidadã espanhola que, não contente por não ter jeito para graças, ainda acha que o cartaz de uma peça representada em Portugal, por uma portuguesa, para o público português e patrocinada por entidades portugueses, deve ter parte do texto escrito em... Espanhol. Em distrações destas eu não acredito.

Se não é o árbitro, é a EMEL...

Lúcia Moniz no Olga Cadaval

Lúcia Moniz no Olga Cadaval parecia uma ótimo pretexto para um passeio de fim de semana de trabalho: música agradável num espaço de qualidade seguida de um passeio noturno pelas ruas da vila encantada.

À chegada, sou informado de que, não estando o recinto esgotado, poderia sentar-me na plateia. Há males que vêm por bem e a pouca sorte da artista permitiu-me ver o concerto nas primeiras filas em vez de lá em cima, no balcão. Azar de quem comprou um dos bilhetes mais caros...

Com a plateia confortavelmente preenchida, começou o espetáculo. Lúcia Moniz apresentou-se com um visual de menina, vestido com saia de folhos e manga curta com o mesmo efeito, enfatizando porventura uma certa imagem de "namoradinha" que muitos vêem nela e que tem, concerteza, raiz naquele ar de boa gente que partilha com o seu sempre bem disposto pai (Carlos Alberto Moniz). No palco, três candeeiros de pé alto davam um ar intimista, complementados por um conjunto de "globos" de papel pendurados do teto. Até para concertos a IKEA vende...

Ao contrário do que é mais comum ver-se por aí, este espetáculo não começou "a abrir" de modo a espevitar as hostes mas sim num tom lento, calmo. O público parece ter gostado e, diga-se, nunca rogou, ao longo da atuação, aplausos à artista. A mim, a coisa pareceu-me morna...

Tendo como pretexto o lançamento próximo de mais um álbum, o concerto de Sintra servia, naturalmente, para apresentar novos temas e "testá-los" junto do público. A avaliar pela reação geral (ainda que descontando os inúmeros amigos e familiares presentes), as músicas agradaram mas a verdade é que o repertório pós-"Magnólia" está longe de fazer juz a esse magnífico trabalho de estreia. Talvez correndo o risco de ser algo injusto, Lúcia Moniz parece ser um daqueles casos de "artista de um só álbum", tal é a diferença de qualidade entre o disco produzido por Nuno Bettencourt e os posteriores trabalhos. "Magnólia" foi um disco soberbo que, a ser posto nas mãos de uma Alanis Morissette - ou mesmo de uma Natalie Imbruglia -, teria vendido aos milhões. A falta de uma adequada máquina promocional e a multipersonalidade linguística (qual a ideia de se editarem discos bilingues?) ditaram o acantonamento do êxito ao bom velho retângulo (e ilhas adjacentes). Uma pena para todos...

Lúcia Moniz parece ter caído numa espécie de monotonia, sucedendo-se temas que não agarram, não marcam... e que apresentam uma assinatura que os faz serem facilmente identificáveis enquanto obra de quem são sem que isto implique o reconhecimento de um estilo mas tão-só de uma falta de inspiração. A bonita voz de Lúcia (que não esteve a 100%) não é suficiente para dar vida a canções que, pura e simplesmente, vivem de uma espécie de autoplágio. Para piorar a coisa, estas "cópias" não têm como modelo o melhor de Lúcia Moniz mas sim os seus temas mais banais.

Mas o público parecia gostar. E também gostou das inúmeras declarações de amor com que Lúcia Moniz fazia a ligação entre os temas: à mãe, à filha, à família, aos amigos, à Catarina Furtado, aos músicos, aos letristas... Enfim, um desfilar de emoções que, em dose q.b., poderiam servir para gerar na sala um ambiente familiar, "aveludado", mas que, à força de serem tantas (e tão longas), me acabaram por parecer chatas. Salvou a coisa a espontaneidade da artista e os seus divertidos - e inocentes -, apartes que levaram a plateia à gargalhada geral várias vezes. No fundo, era o efeito "namoradinha" funcionando, uma característica subaproveitada na artista que, noutras latitudes, talvez tivesse sido encaminhada para um modelo do tipo "ídolo pop para rapariguinhas adolescentes".

Mas o riso e o à-vontade não esconderam as deficiências. A nível musical foi notória a preferência das pessoas presentes pelos temas "antigos" (ainda que descontando a distanciação provocada pelo desconhecimento das novas músicas), e, a nível técnico, a falta de preparação de Lúcia Moniz foi responsável por alguns momentos perfeitamente escusados, como os persistentes "guinchos" da guitarra numa balada acústica onde a cantora teimava em não conseguir carregar bem numa qualquer corda ou a confrangedora inexistência de um ou mais temas preparados para o inevitável "encore" e que levou Lúcia Moniz a uma espécie de improviso tocando (ou tentando) tocar, sozinha e à viola, um dos seus mais conhecidos temas. A artista confessou previamente que não tinha nada planeado, que ia ver se ainda se lembrava de como se tocava a música, falhou na letra a meio valendo-se do público que cantava em coro ("Vai, vocês é que a sabem!" - gritou Lúcia, divertida) e terminou abruptamente o tema depois de um solo de guitarra feito com...a voz. Podia ter sido engraçado (foi-o em certa parte) mas também demonstrou uma falha de profissionalismo de toda a equipa ao não prever nada para um momento que nunca falha em qualquer espetáculo! Como dizia Jorge Palma há uns anos, num concerto na zona de esplanadas do Centro Comercial Vasco da Gama: "Esta é aquela parte em que eu me vou embora e vocês batem palmas para eu voltar, portanto, vamos poupar tempo e tocar já mais umas...".

O concerto fechou com a repetição do tema que - espera Lúcia Moniz -, irá andar pelas rádios lá mais para o verão: uma canção arrastada, algo intimista e... em Inglês.

E não se pode matá-los?

Poder... podia-se, mas era chato. E deixávamos de nos rir com com a profunda estupidez e rudeza das personagens desta peça em cena n'A Comuna. A violência, os complexos, a hipocrisia... tudo ali, à nossa frente e à nossa volta, que este espetáculo tem a particularidade de ser visto em pé, junto aos atores, partilhando público e artistas o espaço habitualmente reservado aos segundos.

Uma peça fresca e divertida que só peca por alguns tiques politicamente corretos impostos pela costumeira visão de que a violência maior é a ritual e a de reação. Ainda assim, ultrapassando esse pormenor (em que, porventura, a companhia depositará esperanças), restam-nos momentos absolutamente hilariantes como, por exemplo, o número de Fado interpretado por Carlos Paulo.

A não perder!

PS: Preço? Cinco euros... Querem melhor?

Uaninauei: metal à alentejana


Eles bem podem dizer que tocam rock ou "alternativa" ou "rock progressivo" mas, para mim, isto é metal do bom. E em Português!!!

5 para a meia noite



Por isto vale a pena ficar acordado até tarde :)

Vontade de chatear (20)

Há lugar para estacionar à esquerda? Há.
Há um passeio enorme à direita? Há.
Há uma zona de acesso e descarga para fornecedores da Fundação Gulbenkian? Há.
Então, onde é que se estaciona a carrinha? Na pista dos ciclistas!


Se isto não é vontade de chatear os outros, é o quê?