"A Praça do Rossio é ponto de passagem de turistas que hoje assistiram à intervenção policial."

A frase desta jornalista da RTP (reportagem do noticiário da manhã, de Domingo), referindo-se ao desmantelamento do "acampamento" de "ativistas" na Praça do Rossio, é de gritos: pretende ela dizer que a manutenção da ordem pública deve estar sujeita a critérios como "cuidado que os turistas veem?", quer ela dizer que, eventualmente, os turistas preferiam o Rossio com tendas, dreadlocks e "assembleias populares"?

Os jornalistas não perdem uma oportunidade para mostrarem a desgraça que são...
Andar de scooter é uma emoção. Ser ultrapassado por uma bicicleta ainda é mais giro...
Segundo a publicidade na RTP, o festival Delta Tejo mostra os ritmos dos países produtores de café.

Exemplos: Clã (Portugal), Nelly Furtado (Canadá) e Nouvelle Vague (França)

Acordo Ortográfico

Os argumentos contra o Acordo Ortográfico são como aquele queijo suíço: cheios de buracos. A diferença está em que o queijo sabe bem e os anti-acordo são, geralmente, uns tipos intragáveis.

A imagem ao lado mostra, pela enésima vez, como a ortografia evolui - adaptando-se à fonética -, e, ao mesmo tempo, como em alturas de grande exaltação patriótica e regimes nacionalistas, foi possível alterar a ortografia sem quaisquer dramatismos.

"ViaduCto", "cAmara". Duas palavras escritas de forma diferente numa placa de 1900. Ora, em 1976 (quando comecei a aprender a escrever), de certeza que "viaduto" já não levava "C" e "câmara" se escrevia com um acento circunflexo e, pelo que me é dado ver em livros mais antigos, a consoantezinha muda deve ter sido perdida antes da década de 50. Ou seja, ou foi à vida durante a patriota 1ª República ou durante o nacionalista Estado Novo. Não houve, portanto, uma qualquer "submissão aos Brasileiros" nem ocorreu uma "traição à nossa bela língua".

Um dos problemas com o AO é, precisamente, a falta de jeito para "vender a ideia". Aparentemente, o conceito de "uma língua, uma ortografia" faria todo o sentido. Mas os Portugueses não são gente que preze a lógica e o bom senso, preferindo entregar-se a disparates desconexos consoante a direção do vento: uns dias são nacionalistas (contra os Brasileiros), noutro dia são iberistas ou internacionalistas; nuns dias são progressistas, noutros são conservadores... Mas quase sempre são infantilmente palermas e manipuláveis. E a manipulação foi bem feita, introduzinho inapelavelmente as ideias de que "vamos FALAR como os Brasileiros" e "os Brasileiros é que nos impuseram o Acordo". Pura estupidez, como imediatamente se entende. Pensar que ainda hoje anda aí gente dizendo que se vai passar a escrever "contato" e "fato" é de fazer perder a esperança neste povo a quem seja menos do que santo.

Resumindo: em 1900, "viaduto" levava um "C". Há dezenas de anos que não leva. Por qualquer razão que escapa a Deus Nosso Senhor, numas palavras deixou-se de escrever as consoantes mudas e noutras continuou-se... até chegar o Acordo Ortográfico e impor ordem na casa. Se, por acaso, tivessem sido os Brasileiros a obrigar-nos a arrumar a escrita, então, até seria de lhes agradecer o favor. Era uma espécie de "troika" para a Língua...
Um interessado num DVD que tenho à venda num site de classificados contacta-me:

1º email
Ele: Ainda tem o artigo à venda?
Eu: Sim

2º email
Ele: Está em boas condições?
Eu: Sim

3º email
Ele: Quer vender?
Eu: É essa a razão de estar num site de classificados.

4º email
Ele: Condições?
Eu: (arquivo os emails e cago no assunto)


Há gente muito complicada...
Agora, o selecionador nacional também fala "espanhol" nas conferências de imprensa... Sou só eu que repara na completa espanholização do futebol cá pelo burgo?
E que tal se os europeus do sul fizessem uma campanha contra o turismo na Alemanha? Podia ser qualquer coisa do tipo "Ir à Alemanha faz mal aos intestinos".
Quem é o imbecil que anda a fazer anúncios de touradas, na RTP, acompanhados de Flamenco? O ignorante não sabe que as zonas da tourada, em Portugal, têm música própria, tradicional e, consequentemente, associada à festa taurina?

O Público está em festa!


Por esta altura vai uma verdadeira euforia na redação do Público.

Já agora, aproveitem lá para ver quem é amigo do jornal...




Uma das das formas como os Judas Priest interpretaram a belíssima "Diamonds and Rust" de Joan Baez. Sabe sempre bem ouvir.