Linguagem SMS


A linguagem SMS parece ter chegado aos títulos do DN...
O blog Fugas colocou os seus leitores em contacto com a companhia irlandesa Ryanair permitindo-lhes fazer perguntas a esta. De todas as respostas que li no Fugas destaco uma, pelo alegre (e saudável) descaramento:


«A minha pergunta é a seguinte. Será do interesse da Ryanair sair um pouco do negócio das low cost e adquirir a TAP, agora que esta vai ser privatizada? Poderá caber nos seus planos a médio prazo?
[Henrique Figueiredo]

DC: Viva Henrique! Não temos nenhum interesse em gastar dinheiro em companhias áreas que perdem quase tantas malas como a antiga Alitalia e cujos passageiros estão sujeitos a greves várias vezes por ano. Continuaremos a crescer organicamente por apresentar as tarifas mais baixas e ganhar os passageiros das companhias de tarifas altas, abaladas por greves frequentes.


Embrulhem!
Na RTP, uma repórter em São João do Estoril pergunta a um curioso por astronomia como é que consegue fotografar a Lua sem flash...
Elege-se um governo que se quer de verdadeira salvação nacional. Os profetas da desgraça continuam a enegrecer os céus que nos esperam e que fazemos nós? Comemoramos logo com dois feriados seguidos. Upa, upa! :)

P.S. - diga-se, em abono da verdade, que me souberam maravilhosamente...

A merda de que somos feitos 2

Na Trafaria, uma moradora (de cara coberta) queixa-se da mudança no bairro que o transformou de um pacato lugarejo "campestre" numa favela habitada por angolanos, caboverdeanos e ciganos. Isto vem a propósito de cenas próprias de filmes, envolvendo angolanos e caboverdeanos aos tiros, invasões de domicílios, vandalismo, agressões, etc.

Um repórter da RTP pergunta a um caboverdeano se têm armas para se defenderem, como se perguntar a alguém, perante as câmaras, se está disposto a andar aos balázios na via pública fosse algo tão inócuo quanto perguntar se prefere que ganhe o Benfica ou o Porto. O caboverdeano correspondeu à irresponsabilidade do repórter confirmando que têm armas e estão bem municiados. A esta altura, portanto, o país sabe que os angolanos têm armas e as usam, que os caboverdeanos têm armas e as vão usar e que os ciganos, como toda a gente sabe, têm armas e usam-nas quando lhes apetece. É um admirável mundo novo este das "etnias" e a senhora que sente saudades dos tempos em que tinha cabras a pastar na rua está claramente desajustada das novas realidades trazidas (pelo menos na Grande Lisboa), pelos movimentos migratórios vindos de África. Não se adaptou, não evoluiu, não se modernizou... Antigamente é que era bom, dirá ela.

De lado, como em tudo o que diz respeito à verdadeira segurança, está o Estado e as "autoridades", que parecem ter como única especialidade o "aparecer depois" e dar umas bordoadas convenientemente mal distribuídas para servirem de pretexto a queixas da canalha perante as sempre solícitas equipas de reportagem. Quando há uns bons meses o país se entretinha com a novela dos carros blindados para a cimeira da NATO/OTAN, já muitos apontavam o verdadeiro objetivo da aquisição do material: permitir a segurança da Polícia na entrada nestes "bairros problemáticos". As personagens bem pensantes negaram a necessidade da compra, os palhaços de serviço gozaram com o processo e os políticos entretiveram-se com as piruetas próprias de quem anda sempre às sobras para apanhar qualquer coisa com que possa botar faladura.

Loures, Almada, Caparica, Trafaria, Amadora, Setúbal... avolumam-se os casos de zonas que em tudo parecem ganhar os defeitos de locais semelhantes noutras latitudes. Em todos eles, um denominador comum: as "etnias". Ciganos, árabes (hão de chegar), pretos ou quase pretos... parece que apenas indianos e chineses são capazes de chegar, ver e vencer sem que isso implique confronto com a "etnia" dominante (os "fachos" branquelas). Aparentemente, ninguém parece interessado em analisar semelhante curiosidade, como se o facto de se lhe prestar atenção pudesse, por si só, implicar uma condenação "a priori" de todos os outros grupos. Aos indicados por mim, acrescentam-se, em Portugal, pelo menos, os dos imigrantes de Leste que, por serem brancos (logo, "invisíveis") apresentam elevadas taxas de êxito na sua integração (já agora, o nosso país parece estar altamente cotado no que diz respeito à capacidade de integração de comunidades estrangeiras - o que faria se não estivesse...).

A seguir à reportagem da Trafaria, o assunto muda com facilidade para a violência nas escolas. Uma rapariga mulata, de cara escondida, aparece contando o que se passa na sua escola e como até uma amiga sua anda com uma pistola para se proteger de "tentativas de assédio" (SIC). Da rapariga mulata passamos a um rapaz preto que nos explica o que é uma "butterfly" (antigamente, dizia-se "borboleta") e de como ela é um acessório relativamente comum na sua zona.

Nos dias anteriores, tínhamos tido vasta informação sobre o típico bairro 6 de Maio, na Amadora (concelho que deve toda a sua fama à quantidade de bairros étnicos que alberga) e sobre a sua particular forma de receber a Polícia à pedrada e ao tiro.

Enfim, tudo isto me faz apetecer gritar algo do tipo "Estou farto de pretos!!!". E continuamos sem saber porque razão os chineses, os indianos e os "de leste" não dão problemas...

A merda de que somos feitos

10:00, o jornal da RTP transmite uma reportagem feita em casa do escritor Urbano Tavares Rodrigues que recebe um escritor espanhol seu admirador. O escritor português faz questão de falar em Castelhano e leva a sua submissão cultural tão longe que até com a jornalista da RTP fala em "espanhol".

É esta a merda de que somos feitos. O espanhol vem, publicita o seu trabalho, fala a sua língua e até põe os portugueses a falarem em "espanhol" entre si.

Dizem que Urbano Tavares Rodrigues é um "vulto" da cultura nacional. Por mim, dispenso...
Uma brasileira chegou-se perto de mim, em plena Baixa de Lisboa e perguntou-me se eu conhecia a "região". De repente, pensei que ela me ia perguntar qual o caminho para Alcabideche ou coisa parecida.



Era o fim dos anos 80 e os Iron Maiden (vulgarmente conhecidos como "a maior banda de todos os tempos") tinham lançado o magnífico "Seventh son of a seventh son".

Eu era jovem, de longos cabelos e sem barriga. Ah, bons tempos!

Quantas pessoas conhecerão o Beco de São Luís da Pena, ali por trás do Coliseu?

Portugal x Noruega

Melhor momento do jogo: aquele em que uma criança salta para o relvado e desata a correr para o meio do campo seguida por um barrigudo segurança da Prosegur. Talvez para recuperar da humilhação, o "segurança" resolveu pegar no miúdo e retirá-lo do relvado segurando-o em peso. Mas também não foi capaz e lá teve de por o miúdo no chão, ao mesmo tempo que Fábio Coentrão e Bruno Alves lhe diziam para ter calma. Para o rapaz, foi uma medalha e tanto: correu pelo campo (com a bandeira), deu nas vistas, deu uma abada ao segurança e ainda recebeu uma festa de Bruno Alves. Há noites que não se esquecem e o puto há de lembrar-se sempre desta.

Quanto ao segurança... se há coisa que nunca me convenceu foi isto das empresas de segurança. Um negócio da China, é o que é.