Era para rir se não fosse triste

O espanholismo do jornal Público é tal que, por vezes, quase ficamos sem alternativa que não seja rir. Mas a coisa é séria...

Multiculturaliza-te ou morre!

Quando confrontado com uma nova biografia do fundador da IKEA onde é exposto o seu nazismo militante, o porta-voz do grupo sueco só conseguiu sair-se com esta pérola de estupidez:

“Todas as pessoas que conhecem o Ikea sabem que é uma corporação multicultural e que pratica estratégias multiculturais”.

Deng

Pus-lhe chapéus e bonés, lenços de velha, óculos escuros e capas que fingia serem de super-herói. Fomos para a praia e para o jardim, corremos e lutámos e juntos comemorámos as vitórias da Seleção no Euro 2004. Ele gostava da festa, da passeota e do golo - a bola no fundo da baliza que o fazia correr para a varanda ladrando ao mundo que o Benfica marcara. Adorava o carro que o levava até qualquer sítio - não importa qual que a graça está na viagem e no ar sempre novo que se cheira. No Natal, de barrete periclitante na cabeça, era ele quem distribuia as prendas, sempre mantendo um olho num qualquer pacote onde adivinhava estar a sua e que era, invariavelmente, um grande osso para roer durante semanas. Ao chegar a casa da família, era ele quem fazia as primeiras honras, com uma volta ritual aos visitantes - "faz-me uma festa e és bem-vindo" e, à saída, lá ficava olhando como quem perguntava "se estavam bem, porque se vão?".

Era belo, de um brilhante negro embalado pelas fofas ondas do pelo. Sentenciado ao anonimato por não cumprir a 100% as normas da raça (tinha falta de "stop" disseram-lhe bem na cara), passeava despreocupadamente a sua falta de estatuto pela rua, arrancando elogios a gente que, obviamente, não percebia nada de testas caninas mas gostava do que via.

O pedigree dizia ser ele filho de um Lord e de uma Lady mas destas pomposidades nada herdou, que bem melhor acharam dar-lhe um simples Deng como nome, em jeito de homenagem a um tal de Xao Ping, igualmente chinês mas de cor amarela e com o stop exigível pelos padrões locais. Dos pais herdou o nariz apurado mas enquanto eles o punham ao serviço da lei e da ordem de Macau, ele optou por o manter alerta para proveito próprio. Era um esperançado e um desesperado: a comida era o seu grande vício. Esperava ansiosamente pela migalha que cai, pela gota que se derrama, pela simpatia que se tem. Desesperava pelo suculento naco que sempre lhe negaram. Vingava-se, de vez em quando, com golpes de mão habilmente executados contra algum embrulho descuidadamente deixado no balcão da cozinha. E, em tempos de grande revolta, optava pelo terrorismo dirigido ao caixote do lixo.

Dizem que era esperto mas, provavelmente, como muitos de nós, guardava as suas capacidades para as coisas verdadeiramente importantes da vida, ou seja, sacar uma bucha.

O vocabulário era pouco desenvolvido mas era firme na ciência de alguns termos: "biscoito", "rua", "carro", "praia" não ofereciam dúvidas na sua sonoridade que anunciava prazeres puros e simples, como são os melhores que há.

Partiu esta Segunda, após uma longa vida.



"(...) o meu palpite é o desejo de muito boa sorte (...)"

Resposta de Brassard quando o jornalista da RTP lhe pediu um palpite para a Final do mundial de sub-20

Pobre D. Aida...




Palavras para quê? A D. Aida já disse tudo...
(Cemitério dos Prazeres, Lisboa)

Dois coelhos de uma só cajadada

Uma reportagem da RTP sobre um protesto contra a introdução de portagens na Via do Infante informou-me sobre duas possíveis repercussões da medida. Segundo um jornalista espanhol (há sempre que entrevistar um espanhol em qualquer reportagem que se preze...), as portagens na autoestrada algarvia irão levar menos portugueses a ir às compras a Espanha e, por outro lado, diminuirá o número de turistas espanhóis em terras algarvias. Confesso que nunca tinha pensado nestas consequências da adoção de uma medida de pura justiça (afinal de contas, no resto do país paga-se para usar uma autoestrada) mas, agora que sei da coisa, só posso dizer PORTAGENS, JÁ!!! Faça-se os portugueses gastarem o seu dinheiro no comércio nacional e mantenha-se ao longe os irritantes vizinhos que nos saíram em (má) sorte.

Outra coisa que a reportagem da RTP me ensinou é que há uma diferença enorme entre uma manifestação pouco concorrida e sem organização política e outra com igualmente pouca aderência mas feita por organizações bloquistas. No primeiro caso, a repórter informa-nos repetidamente sobre o facto; no segundo, omite-se por completo o insucesso. Coisas...

Gamma Ray - Free time




Musiquinha para o fim de semana