A bebé transplantada

Oh meu deus! Já não bastava à pequena Ashley (sem comentários) precisar de um fígado novo, agora pegaram nela e transplantaram-na? Para onde? Para o corpo de alguém que precisava de uma Ashley nova?

DN sempre a bombar!

Entretanto: o título já foi mudado para "Bebé portuguesa já conseguiu um fígado e foi operada".

Deusa x Deus

Agora, digam lá: se as igrejas estivessem cheias de coisas assim, não éramos todos fiéis e devotos?



PS - foto retirada do muito recomendável E Deus criou a mulher

O Acordo Ortográfico e a persistência da ignorância

Ontem, pela enésima vez, tive de explicar a alguém que não, "facto" não vai passar a ser escrito "fato" e que "contacto" também não passa a "contato". Que sim, que vai, que o acordo manda eliminar todos os "c" e que eu que o lesse, responderam-me. Apenas o facto de ser alguém de família me impediu de soltar logo ali um bujardo grosso e lá insisti educadamente no princípio geral do AO: a ortografia deve seguir a pronúncia.

O AO foi gizado em 1990. Ou seja, já lá vão 21 anos. VINTE E UM ANOS!!! - e uma mentira largada na primeira hora por mentirosos reacionários (porque quem o fez conhecia muito bem o texto do acordo...) colou-se de tal forma ao imaginário das pessoas que vinte e um anos depois, por mais esclarecimentos que se prestem, por mais campanhas que se façam, as pessoas continuam a repetir, com o ar mais decidido, disparates como o do "fato".

Quando muitos imbecis se desdobram em comentários na internet apelando à resistência ao acordo que nos vai por "a falar à brasileira" (ou, na versão mais estúpida "a falar brasileiro"), eles, na verdade, têm alguma razão. Não porque o AO (que é or-to-grá-fi-co) pretenda ou possa alterar a pronúncia das palavras mas sim porque a ignorância e a estupidez são armas poderosíssimas, quase sempre mais fortes do que o esclarecimento e capazes de fazerem entranhar na consciência coletiva os produtos da sua ação.

Muita gente há que passará, de facto, a escrever "fato" e "contato" e que, consequentemente, passará a ler as palavras conforme aquilo que julgam ser a nova ortografia. Paradoxalmente, portanto, os reacionários anti-acordo serão, eles mesmos, os responsáveis por produzirem os perniciosos efeitos contra os quais se julgam bater.

Sou apreciador de ironias mas, neste caso, o que me fica é uma profunda raiva, mitigada somente pelo desaparecimento da história do "cágado / cagado"... Se calhar, dos vários disparates sobre o AO, este seria o único que talvez nos desse uma boa ideia do que ia pela cabeça das pessoas...

Sinais dos tempos: nem os clássicos escapam

Sinal dos tempos, sinal de ignorância ou, meramente, sinal de preguiça, até um clássico como "Um grande, grande amor" de José Cid, não escapa às calinadas do DN. Neste caso, para título de uma notícia sobre as festas de fim do ano, o autor resolveu alterar a letra da canção e substituir o idioma italiano pelo castelhano.

Bastava cantarolar a música para perceber logo que a própria pronúncia de "adiós" estragava completamente o ritmo do refrão.

Fica aqui o vídeo da participação de José Cid na Eurovisão e que acaba logo com possíveis dúvidas nos primeiros segundos:




Entretanto: o DN online corrigiu a notícia mas o grande mal já está feito e milhares de jornais foram publicados com uma estúpida calinada.

A imagem da PSP

Há muito tempo que penso que as nossas forças de segurança são um dos elementos responsáveis pela decadência cívica no nosso país. Quase sempre por omissão, algumas vezes vergonhosamente por ação, as nossas "autoridades" são mestres em não cumprir o seu papel da melhor maneira.

E quem não sabe agir, também não sabe comunicar: na TV, passa uma reportagem sobre a ação da PSP no Metro de Lisboa. Muitos agentes, muitos controlos e eis que a RTP acompanha dois momentos importantíssimos: um casal de imigrantes romenos que não pagaram bilhete e um "PALOP" acabadinho de sair da prisão e que ainda não tinha os documentos renovados. Algures na cúpula da PSP alguém deve achar que mostrar a polícia a fazer o seu trabalho é uma coisa boa mas seria de parar para pensar se são mesmo estes o resultados que se quer mostrar à população...

A casa dos segredos e o reino do amor


Neste Natal, o habitual futebol foi substituído no par de tardes em família por doses cavalares de Malato. Há Malato nos seus próprio programas, há Malato nos programas dos outros, Malato aqui, Malato ali. Não é um Malato, é uma maleita!

Por à noite o Malato estar a descansar, passámos para "A casa dos segredos". Até aqui só tinha visto uns poucos minutos do "show", o suficiente para sorrir com a profunda estupidez daquilo tudo. "Ontem", foram mais do que uns minutos. Em frente à TV, das sete pessoas que "não veem o programa", cinco estavam dentro de tudo o que por lá se passava e, destas, pelo menos três tinham concorrentes favoritos. Há espíritos assim, com uma fantástica capacidade de análise das situações, mal entram em contacto com elas. Havia ainda uma outra pessoa que, não via o programa mas tinha trazido a TV Guia para ler a história de uma das concorrentes.

Segundo as pessoas que não veem o programa, há por ali gajas ninfomaníacas, gajas putas, gajas de cabaret, gajos de discoteca, gajos da musculação, gajas do striptease, gajas porcas, gajas estúpidas, gajos broncos, gajos chungas, gajas divorciadas e, ainda, uma apresentadora que é uma gaja que não devia ter nascido.

A mim, que não vejo mesmo o programa, ficou-me uma imagem de amor. Toda aquela gente, por mais bizarra que seja a sua história de vida ou mais banal que seja a sua falta de categoria, ama desesperadamente. A "Casa dos segredos" é um hino ao amor. Os concorrentes amam a mãe, amam o pai, amam a irmã, o irmão, o tio, a tia, o cão, o gato, a avó, o avô, o cágado, a terra, o país, a apresentadora, o técnico de luzes, "a voz", o gajo dos hamburgueres, o cabeleireiro, o arrumador de automóveis, o primeiro-ministro, o fornecedor das anfetaminas, o dono do bar da esquina, a professora primária... Enfim, eles amam!

Muitas vezes, no meio de tanto amor, perde-se o sentido da palavra e os concorrentes da casa têm de sublinhar que "amam mesmo", "amam muito", "amam tanto" e - diz-me o meu espírito cínico -, provavelmente, também "amam bué".

"A casa dos segredos" é o verdadeiro espírito de Natal. É o amor enlatado num formato televisivo e que devia ser vendido em qualquer supermercado. É o exemplo de que há esperança no mundo e de que Portugal tem futuro. Não é possível ver aqueles concorrentes, barbaramente isolados do mundo, agarrados às mães (que os puderam visitar) e jurando-lhes amor incondicional banhado a lágrimas, sem achar que aquela gente é um concentrado de paixão maior do que o mais lírico dos poetas. Aquilo, meus senhores, é o êxtase da condição humana, é o mais cristão de todos os programas e devia ser recomendado pelo Papa nas suas prédicas dominicais.

Na casa dos segredos ama-se o próximo com a naturalidade e a intensidade que só os espíritos tocados pela centelha divina podem ter. Teresa Guilherme é, portanto, uma espécie de Espírito Santo que conduz todos aqueles amores (há gente tão querida), amantes (há quem salta de cama em cama) e amadores (há quem tenha essa relação com a inteligência) em direção à redenção pelo amor e isso é muito bonito e espetacular. Mais, é brutal! Bué, mesmo.
     

Um momento belo


O Natal é uma época de paz, amor e... perdão.
Na foto, o Tio Adolfo comemorando o nascimento do mais famoso judeu de todos os tempos.

O milagre de Natal

Há quem diga que eles não existem (os milagres) mas eu acabo de ver um. Mais do que ver, eu fui "vítima" de um. Um colega de trabalho que, em meses de casa, nunca teve sequer a delicadeza de me cumprimentar de manhã (sou a única pessoa na empresa, quando ele chega), acaba de vir ter comigo para me desejar um bom Natal. Com direito a aperto de mão e tudo!

E uma pessoa fica desarmada perante este "espírito natalício", não? Faz-se o quê? Manda-se as pessoas bardamerda? Depois dizem que somos mal-dispostos, mal-educados, mal-com-a-vida, mal-fodidos e mal-paridos. E tudo isso pode até ser verdade mas este tipo de pessoas merece que lhes atiremos às trombas a puta da sua hipocrisia.

Eu sei, é Natal e não se leva a mal. Nunca tinha ouvido esta coisa senão no Carnaval mas hoje já a ouvi/li duas vezes e isso talvez tenha a ver com a crise que põe os nervos das pessoas em franjas e as obriga a sacar de frases feitas e roubadas a outras ocasiões para tentar acalmar os ânimos nas hostes de dentes a ranger. Os meus também rangem e é, sobretudo, de frio porque o meu chefe - o mesmo que andou a distribuir por nós caixas com garrafas de vinho -, não liga o aquecimento da casa e se está marimbando para a visão dos empregados de casacões vestidos ou mantas sobre os joelhos. Mas estamos no Natal e é preciso mostrar que se é um gajo porreiro, seja oferecendo vinho ou bacalhau de cinco dedos. No resto do ano, morre-se à fome e à sede. É a crise...

A prendinha

Cécile de France

De "France", da Bélgica, de todos, tua e minha, aqui e ali, ao Sábado e ao Domingo. E o Natal está aí e eu queria uma prendinha destas...

Aquela altura do ano



O Natal é como a febre dos fenos, a declaração de IRS e o nosso aniversário: uma vez por ano não há como escapar-lhe.